Your Hunger Games - Fanfic Interativa
2 Ivanny Justice
Notas iniciais
Ivanny Catheryne Alexeyevich Justice
Então se ajoelhou perante mim e eu olhei diretamente para seus olhos castanhos esverdeados. "Eu voltarei por você, Ivy" ela garantiu. Enchugou mais de duzias de lágrimas que desciam meu rosto uma trás da outra. "Não chora, minha ursinha, eu estou aqui..." Falou enquanto segurava minhas bochechas vermelhas. Senti uma náusea muito forte e abracei Melinda como se não fosse nunca mais soltá-la. E não ia, se aquele homem não entrasse na sala de despedidas e me tirasse a força de Melinda. E desde então eu jurei vingar a morte dela, e cobrar pela sua promessa não cumprida.
º º º
Já eram nova e meia, de acordo com o Sol, e eu já estava de pé, pronta para o último dia antes da colheita.
Subi pelo telhado da Casa de Vânia e tirei a telha onde deveria ficar seu quarto. Desci até lá embaixo e a empurrei da cama. Aquela dorminhoca não sabe mesmo o quanto ir aos Jogos e ganhar é importante para mim!
– Ahh, Ivy, só mais cinco minutinhos... — pediu se deitando novamente na cama.
– Não. Ou você não vai comigo, ou sai dessa cama agora. — falei cruzando os braços. — Eu vou contar até 10.
Ela nada fez.
– Um... Dois... Três... Quatro... Cinco... Seis... Sete... Oito...
– Tá bom, Ivanny Catheryne Alexeyevich Justice! — ela se levantou e colocou uma jaqueta. — Mas não vamos muito longe hoje, eu tenho que voltar uma hora hoje, pois minha mãe quer ajuda na mercearia. Sabe como é, véspera de Jogos, a cidade quer sempre a melhor comida, e a lojinha fica cheia...
– Sim, eu já entendi, agora vem logo, se não eu te deixo aqui.
Ouvi-a suspirar. Vânia já conhecia meu jeito meio desesperado e urgente de fazer as coisas. E não sei como, me aguentava. Mas tentei ignorar ela, e sai pela janela de seu quarto. Ouvindo ela logo atrás de mim. Ela nunca foi lá de se preparar muito bem para os nossos dias de treino. Era Sábado, e no Domingo seria a Colheita. Eu não poderia mais arriscar. Meu nome estava 94 vezes dentro daquela urna. E eu não tinha como prever se seria ou não minha vez de vencer os Jogos.
Prendi os cabelos louros que me caiam nos olhos num coque que eu sabia que mais tarde iria cair novamente. Vânia estava com os cabelos ainda bagunçados e armados. Eram crespos e castanhos avermelhados. Pensei em como ela tinha sorte. Seus pais eram loiros, mas por causa de sua bisavó, ela tinha cabelos castanhos. Isso era um orgulho no meu Distrito, já que os ricos e Pacificadores eram dessa cor de madeixas. Enquanto a parte pobre era loira e fraca. Não sei como nosso Distrito sempre tinha a péssima “sorte” de seus Tributos serem loiros e desnutridos. Já que eu moro praticamente sozinha, posso dizer que eu não sou desnutrida como a maioria da população de meu bairro. Se é que um monte de lama dividindo os limites da casa de cada um pode ser chamado de Bairro. Vânia também é pobre. Mas têm os dois pais, a mãe trabalha numa mercearia perto do Bairro da Prefeitura, onde os mais ricos moram. E seu pai é secretário de um Pacificador, o que dá a ele uma cesta matinal cheia de bombons e frutas frescas.
Télo, minha vaca, dá–me o leite que eu usei para criar o cálcio em meus ossos. Télo pode não parecer o nome correto para uma vaca, mas minha irmã, Melinda, disse que esse era um nome que combinava com ele. Pois a vaca mais tinha cara de boi. E demorou um pouco para nós notarmos que ele na verdade era ela, e que dava leite. Télo é meu parceiro de tempos. Acompanhou meu desenvolver, e minha tristeza quando Melinda morreu nos Jogos de 10 anos atrás. Sim, é muito tempo, mas para mim não parece. Eu tinha seis anos na época em que ela se ajoelhou na minha frente e disse que tudo daria certo, e que eu a veria novamente, logo que os Jogos acabassem. Pois ela morreu da forma mais voraz e penoso que alguém poderia morrer. Seu rosto era irreconhecível, e suas bochechas delicadas estavam avermelhadas quando a vi pela última vez. O Tributo que a matou era do Distrito 12. E eu odeio esse Distrito desde então. Ele não passa de um monte de gente indelicada que só está esperando sua vez para entrar nos Jogos.
Tentei desviar meus pensamentos, pois já estava chegando perto do local onde tinham as melhores frutas para se colher.
Depois da destruição, o Distrito 13 ficou cheio de entulho e mata queimada. Mas ao passar do tempo, os que ainda aqui habitavam o reconstruíram, e agora temos uma verdejante obra da natureza em parceria as pessoas. Todos somos felizes com o que temos, e mesmo sendo pouco, arrumamos um jeito de por um sorriso no rosto. Bom, pelo menos para os outros. Pois eu não vejo motivos pra tentar pelo menos fingir ser feliz. Meu destino é morrer. Morrer ou de fome. Morrer ou de sede. Morrer ou de desidratação. Morrer de tristeza. Ou morrer nos Jogos. E todas essas alternativas são, para mim, a escolha certa.
º º º
Colhi o máximo que consegui. Vânia pegou as frutinhas que já haviam caído do pé, pois escalar uma árvore para ela, era como pedir a um elefante fazer o mesmo. E eu te garanto que o elefante vai conseguir mais sucesso do que Vânia. Por parte, eu posso afirmar que me dou melhor na natureza do que ela. Ela prefere ficar em casa, e dormir. Eu não consigo fazer isso o dia inteiro! Tenho que estar na adrenalina pelo menos por cinco minutos de um dia. Amo aventura, e o pouco do luxo que posso me dar é ter com quem partilhar. Vânia não gosta muito da idéia de sair por aí escalando árvores ou subindo em cipós. As vezes ela é um pouco cabeça dura, mas eu gosto dela desse jeito. Mesmo eu sendo ainda mais cabeça dura do que ela.
Ela estava mais comendo frutas, do que guardando para fazer a torta que prometemos fazer para a mãe dela.
Como eu sou sozinha, toda véspera de Colheita, a mãe de Vânia me chama para passar o jantar com eles. Não posso recusar, pois nem sempre eu tenho um bom jantar em casa. E eles me recebe, bem. Me tratam como se eu fosse a filha deles. E é nesses mínimos momentos em que passo com a família de Vânia, que meu sorriso extremamente pequeno surge.
Também não ligo muito para o que as pessoas dizem de mim pelas costas quando passo pela Costura. Elas sussurram coisas a meu respeito, como eu ser sozinha, roubar as frutas dos pomares das pombas, e ainda coisas sobre a minha irmã. Eu não ligo para nada disso, já me acostumei a viver com todos por onde passo me apontando os dedos ossudos e finos. Mas não posso mentir que nunca tenha feito nada para evitar. Quando eu tinha doze anos, um menino disse para com seus amigos que minha irmã tinha sido a Tributo mais fraca e molenga que nosso Distrito tinha apresentado a Capital. Ignorei que estávamos no recreio e cravei minhas unhas em suas bochechas. Só o que eu via eram borrões de vermelho sangue e minhas unhas riscando profundamente a pele sem vida e doce do garoto. Só parei quando uma professora nos separou. O menino chorava e esfregava o rosto todo arranhado. E eu olhei para minhas mãos. Debaixo das unhas estavam resto de pele e sangue do garoto, que mais tarde fiquei sabendo que se chamava Aléx Minervo.
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