Your Eyes Seus Olhos
1 Song Fic
Notas iniciais
“If I was drowning in the sea, would you dive right in and save me?
Se eu estivesse me afogando no oceano, você mergulharia e me salvaria?
If I was falling like a star, would you be right there to catch me?
Se eu estivesse caindo como uma estrela, você estaria bem ali para me pegar?
if I was dreaming of your kiss, would you look right through me?
Se eu estivesse sonhando com o seu beijo, você veria através de mim?\"
Esnobe, arrogante, metida, dona da verdade...
Acho que essas palavras descreveriam bem quem você era. Sempre me desafiando para mostrar que tinha grandeza, tudo por causa de um nome, dizia ser melhor do que eu, mas não era. Até hoje não sei como nunca me atrevi a perguntar-lhe o porque de tanto ódio de uma pessoa que não fez nada a você, nada além de não ter um sobrenome nobre eu pude deduzir, afinal o meu problema era esse para você, eu era apenas uma qualquer como costumava dizer, tampouco se importava se eu ficava ofendida quando dizia isso com toda a sua ironia, você não era sensível, e eu nunca soube se realmente se importou comigo algum dos dias em que tivemos nossos momentos, porque foram sim apenas momentos. Ou quem sabe para você eu tenha sido apenas mais uma de suas brincadeiras.
Lembro-me de seus olhos, negros, sempre tão opacos para o mundo, porém devo confessar que era uma das poucas coisas que eu realmente cheguei a admirar. Conseguia ser tão fria quando queria, tão autoritária, nada a intimidava, isso ninguém podia negar.
Mas o que eu realmente mais admirava neles era que, quando me olhava, parecia que adquiriam um brilho que nunca tinham, e eu sabia que aquilo em você era meu, e somente meu.
A certeza maior foi quando ficara noiva aos dezoito anos, e eu a vi com seu noivo, tão ridiculamente fino e educado, alguns anos, talvez muitos anos, mais velho, seria considerado bonito se não tivesse aquela expressão de que havia alguma coisa cheirando muito mau bem embaixo do seu nariz.
E aquele brilho que eu sempre via não se encontrava lá, como sempre opacos, até para ele. Não sei porque aquilo aqueceu meu peito e um sorriso formou em meus lábios, demorou ao admitir que eu gostava de você por algum motivo, desejo? É, talvez.
Beatrice, a garota considerada uma futura dona dos milhões que herdaria de seus pais, audaciosa demais, inteligente demais. E eu? Jennifer, ou apenas Jen, simples monitora da do colégio, uma das melhores alunas do meu tempo, futura engenheira, mas nada comparado ao poder que você que tinha, e é claro, eu era seguida de perto por Lance, que confesso ter sido irritante, mas depois me deixei apaixonar por ele.
Mas simplesmente não era a mesma coisa.
Afinal, quais eram as minhas chances com uma garota? Como eu disse, era só desejo, nada mais, tento insistentemente acreditar no que penso.
Como eu me deixei envolver por você...
Pergunto-me todos os dias como você teve a audácia de me beijar.
Ainda está na minha memória aquele momento, ainda tão vivo aqui dentro.
Era a nossa festa de formatura, e eu estava no banheiro do colégio arrumando a minha maquiagem quando você entrou, bêbada, rindo alto, como se tivesse acabo de ouvir uma piada muito engraçada, então quando me viu, se recompôs, embora aquele sorriso não saísse dos seus lábios, era quase cruel.
Não dei importância, afinal você era a popular do colégio, e eu não era nada comparado a você, apenas continuei com a minha maquiagem, até que você parou em uma das cabines e se encostou cruzando os braços, não parava de me fitar, como se eu fosse algo muito interessante. Lembro-me do seu vestido, negro, como os seu cabelos e os seus olhos, mas dava um belo contraste com a pele muito clara, tinha um rasgo enorme nas pernas, e não tinha tantos detalhes, podia ser considerado um vestido simples, mas ele estava em você, o que mudava tudo, já que nada ficava simples quando era usado em seu corpo, seu cabelos eram compridos, estavam presos num belo arranjo deixando que caíssem em cachos grandes por suas costas, havia uma franja também, mais ainda podia ver seus olhos, tão negros quanto seus cabelos.
- Pra uma nerd você até que é bem bonitinha. – ouvi-a falar de repente com aquela voz baixa e um pouco rouca, um tanto sensual, olhei para o espelho e vi aquele reflexo, você nem parecia ser uma adolescente, já parecia ser uma mulher, senti meu rosto corar, então voltei a passar meu lápis.
Tentei não demorar, pegando as minhas coisas coloquei-as dentro da bolsa e andei depressa para a saída, mais você me bloqueara, parecia tão firme para uma garota que estava bêbada, eu não sabia como conseguia ficar de pé, mais você também era forte, no meu caso eu sei que já teria caído, eu não bebia, não era nada parecida com você, pelo contrário, éramos tão diferentes, simplesmente opostos.
- Não vai dizer nada? – disse no mesmo tom, estava próxima o bastante pra sentir o cheiro de bebida, era vinho.
- Dá licença. – tentei parecer tão firme quanto você, mas eu não era daquela maneira, minha voz saiu baixa e trêmula.
Você apenas sorriu. E eu nunca soube qual era a graça, nunca nos falávamos, e de repente você estava ali.
- Então a mudinha fala. – disse por fim abrindo caminho, e eu fui, direto para a saída, mas talvez devesse ter ficado, e aberto alguns metros de distância, alguns apenas não, vários metros.
Eu não sei realmente o que se passava na sua cabeça, nunca tive interesse em saber, até o momento em que senti que meu corpo fora puxado de volta para dentro do banheiro, e dali para dentro de uma cabine.
- Você é louca ou o que? – disse, a olhando, vidrada naquele olhar, estava com medo, mas ao mesmo tempo não queria sair de lá, eu nem tinha notado a presença de mais pessoas naquele banheiro, segundos depois haviam entrado várias garotas ali.
- Está com medo, Jennifer? – lembrava de mim, do meu nome, aquilo tinha me deixado atordoada, mas do que já estava por causa daquela aproximação.
- Não... – disse rápida demais, menti, era verdade.
Então minha boca fora tapada, e quem dera ter sido por suas mãos ao invés dos seus lábios.
Não pude gritar, eu sequer podia me mexer, não tinha noção de como era forte, você me segurava contra o seu corpo, eu não conseguia empurrá-la, até chegar o momento em que eu não queria mais tirá-la dali.
Queria continuar a sentir seus lábios nos meus, enquanto sua língua explorava cada parte da minha boca, e a minha começava a fazer o mesmo, sim eu estava correspondendo aquele beijo sem saber exatamente o porque.
Então, você começara a deslizar suas mãos pelo meu corpo em seguida, senti um arrepio naquele momento, então veio a minha cabeça aquela pergunta ‘o que você está fazendo?’, mas não dera muito tempo para a resposta, de repente você havia parado.
Tão de repente quanto tinha começado, não disse nada, mas fora a primeira vez que eu via aquele brilho em seu olhar. Quanto a mim, fiquei estática, apenas a olhá-la com o olhar assustado, a boca vermelha por causa do beijo e ainda entreaberta, você tampouco parecia abalada, abriu de novo um sorriso, e saiu da cabine, me deixou lá, era a primeira vez que tinha me deixado sem falar nada, sem dar qualquer explicação do seu ato.
Mas qual era a minha petulância em achar que você daria qualquer explicação para mim? Nem quando estávamos juntas... se é que o que tivemos significou alguma coisa pra você, mesmo quando você repetiu esse beijo, várias e várias vezes.
“On the street I’m waiting
Na rua eu estou esperando
In my heart, it’s raining.
No meu coração, está chovendo.\"
No começo eu confesso ter sido tola o bastante para acreditar, horas esperando por um momento que duraria alguns minutos, esperando ouvir algumas poucas palavras suas, e sim, receber aquele seu olhar, confesso que gostava, e que esses poucos momentos me faziam bem, mais ainda não, não deixa de ter sido um grande erro.
Estava chovendo, meu corpo estava todo encharcado, e não havia ninguém no cemitério a não ser eu, a rosa na minha mão já estava toda estragada por causa a chuva que a molhava e com violência arrancava todas as suas pétalas.
O vermelho do meu sangue se misturava ao vermelho das pétalas que ainda restavam, pouco me importava a dor dos espinhos em minha mão, que eu insistia em apertar a cada momento, as lágrimas nos meus olhos já não existiam mais, eu não queria mais chorar por sua causa.
E assim se passaram três longos anos, que eu ansiava em te ver, mas você aparecia na meu apartamento uma, duas vezes se eu implorasse durante o mês, eu tinha certeza de que talvez eu tenha sido apenas um fantoche seu, que você brincava, até chegar o momento em que teve se desfazer de mim.
Era simples, não era? E o meu problema, era que eu não queria parar com aquilo.
Você chegava, enquanto eu ficava esperando horas.
- Está atrasada. – era sempre a minha fala quando você adentrava pela porta.
- Estava enrolada com as coisas da empresa, e o Mike queria que eu voltasse logo pra casa. – E era sempre a mesma desculpa.
- Claro, o ‘Mike’. – eu revirava os olhos, mas já estava em pé, pronta para cair em seus braços.
Pela primeira vez você me afastara.
- Temos que conversar. – você disse, e parecia realmente séria.
- Aconteceu alguma coisa? – franzi o cenho, e me sentei ao teu lado, eu sempre ficava preocupada com você, mas parecia que tinha algo de diferente para se preocupar também, fiquei com medo do seu tom de voz.
- Só preciso esclarecer algumas coisas com você. – ainda me fitava, mais mantinha uma certa distância de mim. – Lembro-me perfeitamente de tudo o que aconteceu entre a gente até agora, e de tudo o que eu te disse... – seu olhar, perdia o brilho a cada palavra, aquilo me deixava com mais medo. – Não sou uma mulher de arrependimentos, o que quer dizer que não me arrependo de ter ficado com você durante todo esse tempo, mas eu vou ter que ir embora, e teremos que terminar por aqui, qualquer pessoa veria que nossos rumos nunca seriam o mesmo.
- É... – foi tudo o que eu consegui dizer. – Você não... não precisava se explicar pra mim. – eu disse, mas era mentira. Engraçado, quando convivemos por muito tempo com uma pessoa, pegamos algo dela, e você me ensinou a mentir.
- Não faço isso por você. – como eu disse, você nunca foi muito sensível. – E não espero que me entenda também, porém não deixo nada em aberto, e queria só dizer isso a você. Que estou indo embora, faço isso por mim.
- Ótimo. – eu consegui esboçar um sorriso irônico no meu rosto, embora meus olhos me contradissessem.
- Então eu vou indo. De qualquer maneira, isso vai acabar sendo esquecido. – aquele brilho, ainda não tinha sumido totalmente quando olhava pra mim. Por que? Eu simplesmente não entendia, era você quem estava indo embora, era você quem não queria mais, e ainda sim, pude ver seus olhos marejados.
- Beatrice?
Você se virou para me olhar, antes que tivesse alcançado a maçaneta da porta.
- Não vai se despedir? – perguntei, não iria deixá-la ir antes do nosso encontro, pelo menos seria o último, eu acho que tinha direito.
Eu me aproximei de você, e tranquei a porta como sempre fazia, dessa vez fora eu quem te abraçava a cintura e te beijava, pude sentir suas mãos no meu ombro, depois uma delas foi na minha nuca onde você cravava as suas unhas, doía como sempre, mas isso não importava, nunca realmente importou.
Já que meu corpo era marcado, marcado por suas mãos, seu cheiro, seus toques, ele era seu, e nada mudaria isso.
Fora o nosso último momento, a nossa última noite, e a última vez que eu veria seu olhar para mim, aquele brilho não existiria mais, você o deixaria comigo no momento em que fosse embora.
”If my heart was sadder than a song, would you still listen?
Se meu coração fosse mais triste do que uma canção, você ainda ouviria?
If my tears fell on you, one by one, would you see them glisten?
Se as minhas lágrimas caíssem em você, uma a uma, você as veria reluzir?\"
Eu nunca soube realmente se era por causa disso que você tinha terminado comigo, sinceramente eu ainda não sei como eu ainda chamo o que tivemos de relacionamento.
Você morreu a dois anos, por causa de um maldito câncer no cérebro. Fora embora pra tentar cuidar dele, mas nunca, durante aqueles três anos, contou pra mim o que tinha.
Posso ser tola ainda de pensar que você talvez quisesse me poupar da dor de pensar em te perder, porque você talvez pensasse que te esquecer por ter me deixado era mais fácil, pensar nessas possibilidades muitas vezes me confortaram, do que imaginar que você nunca me amou de verdade, eu nunca soube, você nunca disse realmente, mas palavras são apenas palavras, quando um olhar diz tudo, porém eu ainda era tola de querer ouvir aquilo do seus lábios, você nunca diria.
Ainda olho para a pequena foto do seu túmulo e vejo você me encarando, séria como sempre, aqueles olhos, embora de pedra, parecem bem vivos pra mim. É coisa da minha cabeça, mais ainda posso ver o negro, e aquele brilho só meu.
Eu sempre fui muito fraca.
Fraca demais em te deixar partir, fraca por ter te amado, e ainda te amar.
Meus lábios esboçam um pequeno sorriso enquanto ainda olho a sua fotografia na pedra, ainda não deixei de ser uma tola, venho te visitar todos os dias, você nunca foi um erro pra mim, ainda acredito que um dia nos encontraremos, num lugar onde nada importa. Juntas, só você, e eu.
”Your eyes are holding up the sky
Seus olhos estão sustentando o céu
Your eyes make me weak, I don’t know why
Seus olhos me deixam fraca, eu não sei por quê
Your eyes make me scared to tell the truth
Seus olhos me deixam com medo de contar a verdade
I thought my heart was bullet-proof
Eu pensei que meu coração fosse à prova de balas
Now I’m dancing on the roof
Agora eu estou dançando nas nuvens
And everybody knows I’m into you
E todos sabem que eu estou afim de você.\"
FIM
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