Notas iniciais
Capa: Pixiv ID: 59789552 | 神★威

Zoro estava voltando ao castelo de uma caçada e estava de bom humor. Ele costumava ficar assim quando seu trabalho terminava e os dias que passava fora chegavam ao fim. Sua égua sempre galopava mais rápido na volta, como se mal pudesse esperar para voltar ao castelo novamente, correndo afobadamente e fazendo Zoro precisar se segurar ainda mais forte no arreio. Não que o caçador achasse aquele comportamento ruim. Era bom que voltassem logo. O que era irônico se comparado a quanto tempo ele evitou ativamente voltar ali.

Como sempre, o rapaz de cabelos verdes trouxe alguns ingredientes para o vampiro cozinheiro. Sabendo de sua predileção por coisas raras e diferentes, trazidas do Novo Mundo e de lugares longínquos, Zoro pediu especificamente pelas coisas mais exóticas que pudesse encontrar na feira, certo de que impressionaria o loiro com o que havia conseguido comprar. Ultimamente não conseguia economizar muitas moedas, pois, diferentemente de antigamente que gastava apenas com bebida e refeições baratas, agora Zoro era sempre estranhamente inclinado a tentar agradá-lo com tais presentes idiotas. Até mesmo mimando aquela égua de que o loiro tanto gostava com os legumes que ela mais adorava.

Ao entrar no castelo, escutou imediatamente a voz de Sanji, o que não era estranho já que o vampiro às vezes cantarolava enquanto estava cozinhando. E aquele parecia ser exatamente o caso, pois um cheiro delicioso invadia as narinas de Zoro, fazendo seu estômago roncar alto o suficiente para que ele próprio ouvisse. Por mais que a comida que levasse para as caçadas fosse de Sanji e, portanto, muito gostosa, nada se comparava ao gosto da comida recém preparada e quentinha.

Entretanto, quando foi se aproximando da cozinha, outro odor foi sobrepondo o cheiro da comida de Sanji. Não era tão forte, pois Zoro sequer tinha um olfato tão apurado, mas era estranho sentir algo assim naquele castelo tão arrumado e limpo, ainda mais porque parecia se intensificar cada vez que ficava mais perto da cozinha. Quando finalmente entrou no aposento ele cheirou o ar e pensou que parecia até…

— Cook, por que sua cozinha está com cheiro de cachorro molhado? — Zoro perguntou depois de refletir sobre o odor que sentia, até seus olhos captarem a figura pitoresca de um desconhecido sentado à mesa.

Nos últimos tempos, a vida de Sanji parecia ter virado ao avesso. A convivência com Zoro estava tão pacífica e havia se habituado tanto com sua presença que era até estranho quando ele saía para caçar. Porém, nos últimos dias, depois que Zoro havia saído, Sanji encontrou um lobo machucado na porta do castelo e acabou acolhendo-o e alimentando-o, tratando de seus ferimentos e dando um local para dormir. Por algumas horas, Sanji achou que poderia até mesmo adotar aquele lobo e cuidar dele. Até dar meia noite de lua cheia e o lobo se transformar em um garoto peludo, com orelhas e rabo...

Sanji sabia da existência de lobisomens, era algo tão normal quanto vampiros, mas ele nunca havia se encontrado com nenhum, então nada mais comum do que tomar cuidado quando estava lidando com alguém dessa espécie. E seu cuidado não durou mais que segundos, pois ouviu a barriga do lobinho roncar e se derreteu. Ele era adorável. Parecia ser ainda mais novo que Zoro, cabelos pretos e cheio de cicatrizes, mas a personalidade dos dois não se parecia em nada.

Durante os dias em que Zoro não esteve, Luffy, que era o nome do jovem lobisomem, continuou em seu castelo, sendo alimentado e mimado pelo vampiro. Sanji achava agradável passar horas com ele, especialmente porque sua comida era sempre exaltada e elogiada. Luffy era só uma criança ainda, e conseguia transmitir um calor surpreendente apenas com seu sorriso. As bochechas do loiro estavam até doendo de tanto que sorria para ele nos últimos dias.

Zoro observava a cena e sua mão automaticamente pousou no punho das espadas em seu quadril. Sanji sorria tão radiante quanto podia, mais brilhante que o próprio sol, iluminando aquela cozinha melhor do que as velas fariam. Mas não era em sua direção. O loiro estava sorrindo para o desconhecido sentado na mesa com cheiro de cachorro e orelhas peludas. Zoro sentia a veia em sua testa pulsar de irritação. Não era como se ele odiasse lobisomens ou algo do tipo, não pensava nada demais sobre eles. Era o fato daquele maldito estar recebendo aquele sorriso enquanto comia a comida de Sanji.

— O que isso está fazendo aqui? — Ele perguntou, interrompendo o momento nauseantemente fofo que o vampiro estava tendo com o lobisomem, sua voz apenas um rugido de profunda irritação.

Sanji acariciava os fios escuros de Luffy enquanto o garoto se deliciava com sua comida, sorrindo enormemente e enchendo o cozinheiro de elogios a cada garfada. Não sentiu quando Zoro estava se aproximando, mas ao vê-lo o sorriso que antes era direcionado a Luffy, migrou de pessoa e se focou apenas no moreno.

— Ah, você voltou. — O vampiro sorria de forma tão genuína que até seus olhos pareciam sorrir. — Esse é o Luffy.

Sanji o apresentou como se ter um convidado em seu castelo fosse a coisa mais comum de todas. Luffy sorriu do mesmo jeito enorme para Zoro, por mais que o espadachim parecesse irritado e nada amigável.

— Humpf. — Zoro apenas mostrou seu desagrado bufando e jogando os ingredientes que havia trazido em cima da mesa. Nem o sorriso de Sanji e muito menos daquele garoto iriam conseguir desfazer sua carranca irritada.

— Então esse é o Zoro que você tanto fala, Sanji? — Luffy disse de forma inocente, mas aos ouvidos do loiro que sabia exatamente o que ele havia contado ao garoto, pareceu a coisa mais insinuante de todas e isso fez um tom avermelhado aparecer em suas bochechas e seu coração acelerar. — Shishishi.

O lobisomem parecia se divertir com a situação, observando seu amado cozinheiro envergonhado por suas palavras. Por mais que se fizesse de ingênuo, Luffy era uma pessoa muito perceptiva e assim que o vampiro falou sobre Zoro pela primeira vez, ele já havia notado que ele não era só Zoro para Sanji.

Vê-lo corar ao escutar o garoto falando só fazia Zoro odiar a situação ainda mais. E o tal lobisomem, Luffy, falava com o loiro como se fossem próximos, como se estivesse acostumado a visitar aquele castelo e conversar a noite inteira com Sanji. E comer sua comida. E receber sorrisos lindos. E carinhos! Zoro não gostava nada disso.

— Vou colocar água para a égua. — Zoro falou entre os dentes, o punho embranquecendo de apertar as espadas com tanta força. O caçador se virou e saiu da cozinha da forma mais rude possível, batendo as botas pesadas de viagem no chão, resmungando coisas ininteligíveis para si mesmo.

Luffy continuou rindo, mas Sanji parecia preocupado. Nunca viu Zoro agindo daquela forma estranha, não sabia bem o que ele queria expressar, estava confuso. Então, assim que o moreno saiu, Sanji acabou seguindo-o até o estábulo e o viu na frente de Hime, não colocando água para ela coisa nenhuma. Ele se aproximou por trás e um braço envolveu o corpo moreno e o outro foi até a crina da égua, que relinchou com o carinho.

— É impressionante que tenha conseguido chegar até aqui sem se perder. — Sanji sussurrou no ouvido do humano, muito baixo e provocante para a situação. Os dedos finos continuaram colados ao corpo, deslizando por cima da roupa tão bem cuidada, diferente de quando Zoro o conheceu que apenas usava trapos velhos.

— Humpf. — Zoro nem queria responder a Sanji então apenas bufou novamente, fingindo que não estava escutando e tentando sair como se o abraço o estivesse incomodando.

Obviamente, não estava. Mesmo que o corpo de Sanji fosse gelado, e mesmo que estivesse muito irritado com ele no momento, o loiro maldito se forçava no seu espaço pessoal de tal forma que não havia como escapar. Mas ainda estava irritado demais. Talvez em outro momento tivesse cedido imediatamente e tomado a boca do vampiro em questão de segundos, mas continuava de braços cruzados e bufando.

— Mesmo que não tivesse chegado, qualquer lugar seria melhor que lá. — Zoro falou irritadinho e exagerado.

Sanji riu baixinho, Zoro realmente era fofo. E dele. A mão habilidosa invadiu a roupa do outro, tocando a pele quente com ternura, os dedos passeando pelos músculos, a boca aos poucos começando a passear pelo pescoço grosso, pela nuca que parecia ferver com seu toque.

Sentir os braços do vampiro o apertando ainda mais ao invés de soltá-lo e a boca beijar sua nuca, fazendo os pelinhos que existiam na região se arrepiarem. Zoro era teimoso, mas sabia que Sanji também era, então não se surpreendeu quando, embora ainda se recusasse a demonstrar qualquer reação, o loiro continuou a beijá-lo, distribuindo os carinhos por todo lugar que conseguia alcançar da sua pele exposta, tornando cada vez mais difícil resistir até que Zoro estivesse relaxado em seus braços e a irritação tivesse diluído em meio aos beijos gelados sobre sua pele quente.

Sanji apenas deixou de acariciar Hime quando percebeu que Zoro havia se entregado completamente a suas carícias. Era lindo. Adorável.

— Você é tão fo… — O loiro se interrompeu, sabendo qual seria a reação do outro caso o chamasse de fofo. Com um sorriso maldoso, ele contornou a cartilagem da orelha com a língua, até continuar o elogio. — Feroz e selvagem como um enorme e imponente tigre.

O que significava que era fofo. Internamente, Sanji estava rindo. Mesmo com o menor hesitando e tentando resistir a suas carícias, por mais óbvio que estava que ele já havia se entregado de corpo e alma, o vampiro continuou insistindo. Amava Zoro e só ele.

Zoro ainda estava de braços cruzados, mas seu corpo não estava mais rígido, ao invés disso praticamente se apoiava no loiro atrás de si, deixando que o tocasse e beijasse por trás, embora ainda evitasse fazer qualquer barulho ou movimento, já que era cabeça-dura demais.

— Tigre, é? Humpf. — Sanji sempre fazia essas comparações estúpidas com tigres. Não que Zoro não gostasse de ser elogiado, mas ainda estava irritado. — Se gosta tanto de animais por que não vai tomar o sangue daquele cachorro fedido?

— Oh? Então eu irei. — Sanji respondeu em uma clara mentira, mas o estado possessivo de Zoro o impossibilitava de notar e quando deu um passo em direção ao castelo, insinuando que iria fazer como ordenado, sentiu a mão forte segurando seu pulso e acabou rindo. Ele se virou de frente para o moreno e colocou as duas mãos em seu rosto, olhou no olho verde e com seu mais lindo sorriso disse confiante. — Você é o único que eu quero.

Zoro estreitou os olhos enquanto olhava para o loiro, não era o melhor em identificar quando Sanji dizia coisas só para acalmá-lo e brincar com ele, mas vendo seus olhos não poderia se enganar. O caçador estalou a língua fingindo estar irritado, mas estava muito mais calmo depois de ouvir aquelas palavras saindo dos lábios que sorriam para ele. Ele logo cedeu e tomou a boca fria de Sanji para si, no que deveria ser um beijo calmo, mas a língua possessiva rapidamente tomou o controle, como se pudesse marcar seu território se o beijasse profundamente.

Sanji percebia o quanto Zoro estava diferente. A forma que a mão dele apertava sua cintura, até mesmo seu beijo, era tudo bem perceptível e ele não se incomodava, apenas não via necessidade de tudo isso. Mas, se Zoro queria marcá-lo como dele, estava tudo bem. Quando o moreno se deu por satisfeito do beijo, o loiro direcionou os lábios saborosos até seu próprio pescoço e empurrou de leve a boca dele ali. Sentiu alguns beijos quentes em sua pele fria, mas não era isso que buscava, que queria dizer.

— Me marca como seu. — Sanji precisou verbalizar seu desejo e Zoro não pareceu hesitar, pois seus dentes fincaram em sua pele, mordendo o pescoço pálido e não satisfeito, ainda sugou a pele, até que uma grande marca ficasse ali.

Era diferente da ferida que tanto tentava esconder e ver o sorriso satisfeito no rosto do moreno ao se afastar e ver o belo trabalho que havia feito, deixou Sanji encantado.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.