Your Blood Is My Wine

24 What do you see in that mirror?


Notas iniciais
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O sol havia acabado de se pôr e Zoro batia na porta do castelo com dificuldade, uma das mãos apertando a lateral do corpo tentando sustentar suas costelas quebradas e a outra batendo o mais forte que conseguia. Ele estava estraçalhado. Sua última caçada não havia ocorrido exatamente como esperava.

Seguiu o vampiro para longe do baile apenas para descobrir que não havia apenas um deles, mas sim eram um casal. Ele tinha noção do quão forte deveriam ser, de uma posição alta na hierarquia sem dúvidas, e não era de forma alguma a decisão mais prudente lutar com ambos de uma vez. Mas, Zoro nunca foi conhecido por sua prudência.

Para ele, se esquivar de um desafio sempre queria dizer fraqueza e covardia e ele jamais se permitiria ser chamado de fraco ou de covarde. Deixando a cautela de lado, acabou derrotando a muito custo os dois fortes vampiros e quase perdendo a vida no processo. Claro, teimosamente ainda não achava que tivesse feito a escolha errada. Havia vencido e provado que era forte, e isso era a única coisa que importava. Mesmo sangrando e mal conseguindo se aguentar em pé. Mesmo com mais partes do corpo quebradas do que ele podia contar. Mesmo com uma atadura mal feita no olho esquerdo, que ele tinha certeza que nunca mais voltaria a funcionar.

Zoro não ligava e apenas continuava usando o resto das suas forças para fazer barulho na porta, na esperança de que o vampiro ainda estivesse acordado. Quando a porta finalmente foi aberta ele quase caiu dentro do castelo, não havia percebido que estava apoiando todo seu peso na madeira, já que suas pernas não pareciam mais querer sustentá-lo. Sanji o observava horrorizado, perguntando o que havia acontecido, mas Zoro mal conseguia registrar as perguntas, quanto mais respondê-las. Aparentemente suas últimas forças haviam realmente sido gastas ao bater na porta e depois disso a visão do seu olho que restava escureceu.

Sanji não estava esperando a visita de Zoro naquele dia. Não só por fazer pouco tempo desde a última vez, como também por ainda estar aterrorizado pelos acontecimentos da noite anterior que impediram seu sono. Estava com medo de ser seguido, de alguém tê-lo reconhecido naquela festa. Talvez ser sociável não era a melhor de suas ideias. Mas o que ele esperava menos ainda era que quando abrisse a porta, Zoro caísse em cima de seu corpo, completamente ferrado... De novo. Aquela cena parecia se repetir muito entre os dois, e Sanji estava ficando cada vez mais acostumado, por mais que ainda odiasse a ideia dele se machucando a todo instante.

Hime parecia mais agitada que nunca, relinchando e andando ao redor do próprio corpo. Sanji sorriu, Zoro realmente passou a tratá-la tão bem que conquistou sua confiança. Com o jovem em seu colo, o loiro a levou para o estábulo e disse que ficaria tudo bem, que cuidaria dele.

Quando voltou ao castelo, penou para conseguir cuidar de todos aqueles ferimentos daquele garoto inconsequente, ele chorou grande parte do tempo, se sentindo um pouco incapaz, especialmente quando percebeu que não havia nada que pudesse fazer para salvar o olho ferido, era certo que Zoro perderia a visão. O vampiro passou horas cuidando do caçador, xingando-o mentalmente a todo instante por ser tão burro. Zoro havia procurado por aquilo, era um idiota. Estava tão preocupado que sequer conseguia relacionar que era ele quem estava na festa na noite passada. Mas, comparado a quando se conheceram e teve que costurar uma pessoa praticamente cortada ao meio, aquilo não era nada.

Com um pano úmido Sanji limpou o corpo ensanguentado, percebendo o sangue não só de Zoro como também de dois vampiros, realmente aquele era um moleque estúpido que parecia tentar se matar a cada caçada. Ele descartou as roupas rasgadas e ensanguentadas, sujas de terra e lama, e vestiu o corpo moreno com um de seus sobretudo, para aquecê-lo do frio do castelo.

Zoro continuou inconsciente por alguns dias, e Sanji permaneceu a seu lado por quase todo o tempo, com exceção de quando saía para alimentar e cuidar de Hime. Pela primeira vez ele dormiu em outro cômodo, longe daquele caixão bizarro, do calabouço úmido. Ficou sentado na cama de seu quarto, ao lado de Zoro que descansava, sempre segurando sua mão e orando para que tudo ficasse bem com ele.

Quando o jovem caçador finalmente acordou, era a primeira vez que não abria seu par de olhos verdes para encarar os olhos azuis de Sanji. Ao invés disso apenas o olho direito se abriu, com dificuldade, enquanto sua visão do lado esquerdo continuava tão escura quanto quando estava desmaiado. Zoro já sabia disso antes, mas ter a confirmação de que não voltaria a enxergar com ele era pesaroso. Não só era evidência da sua atual fraqueza como também seria ainda mais trabalhoso ter noção de profundidade numa luta sem ele.

Aos poucos foi recobrando todas as sensações de seu corpo, tudo estava muito dolorido. Mas Zoro não achava isso tão ruim. Era sinal de que estava vivo, de que seu sangue ainda corria em suas veias, de que ainda conseguia sentir seus braços, suas pernas, e nenhum membro tinha tido o mesmo destino do seu olho. Ao se dar conta de todo seu corpo conseguiu notar a pressão em sua mão, de outra mão fria a agarrando.

— Água. — Ele disse apertando um pouco a mão do vampiro. Sua garganta estava tão seca que parecia que não era umedecida há dias, até para falar uma mísera palavra parecia que a arranhava.

— O que está fazendo aqui em cima essa hora? Quer se matar? — Zoro disse após beber a água, reparando nos mínimos raios de sol que entravam no quarto, que o diziam que ainda era dia.

— Você tem certeza de que quem está tentando se matar aqui sou eu? — Sanji aumentou o tom de voz, demonstrando clara irritação, mesmo que estivesse aliviado ao ver Zoro vivo e bem na medida do possível. Sua vontade era avançar no pescoço grosso e sufocá-lo até a morte para que deixasse de ser idiota, mas não faria isso depois de tanto trabalho e cuidados, então apenas apertou a mão quente na sua.

Claro que Sanji estava feliz por ele não ter morrido, seus olhos ainda estavam cheios de lágrimas, da mesma forma que estiveram nos últimos dias, mas agora ele sorria radiante e seu coração estava bem menos apertado. Um peso havia sido retirado de suas costas e finalmente podia suspirar aliviado depois de tanta preocupação.

— Você é realmente um idiota irritante.

— Não dá pra levar a sério quando você diz desse jeito. — Zoro respondeu aos xingamentos do vampiro enquanto olhava seu semblante aliviado e seus olhos marejados que sorriam para ele bem mais que seus próprios lábios o faziam. Eles diziam claramente Que bom que está vivo, e Zoro realmente acreditava que eram os sentimentos do loiro.

Ele tinha certeza que devia ter ficado desacordado pelo menos alguns dias, e o vampiro aparentemente nem dormir em seu local seguro quis. Aquela situação não era algo novo, ser cuidado por Sanji. De fato, a primeira vez em que se conheceram foram nessas exatas circunstâncias. Mas Zoro só se preocupava com o porquê, em entender o motivo de ser tratado e cuidado com gentileza. Agora, não precisava de um motivo, bastava saber que era verdade.

— Eu nem sei como cheguei aqui... — Zoro pôs a mão na cabeça que ainda doía um pouco, descendo lentamente até a atadura fina que cobria seu olho esquerdo, sentindo sua pálpebra ainda sensível ao toque. — Em um minuto eu estava na floresta, caído. Mas vitorioso. E no outro estava batendo na porta....

— Parece que a sua "égua covarde" não é tão covarde assim, não é? — Sanji falou com orgulho, tendo o prazer de afirmar que Zoro estava errado desde o começo, mesmo sem usar as palavras. Ele sorriu vitorioso, como se tivesse vencido uma disputa que nem existia de verdade. — Ela vai ficar feliz quando te ver bem, estava muito agitada quando chegaram.

O vampiro sutilmente tocou na testa espaçosa do garoto, vendo se estava muito quente. Felizmente, parecia a temperatura normal dele. Mesmo depois de verificar, sua mão continuou ali, mas se emaranhou nos fios verdes com cuidado, mesmo que Zoro não pudesse fazer nada fraco daquele jeito para atingi-lo.

— Não sei o quanto um animal pode ficar "feliz" como você diz. — Zoro disse vendo Sanji o olhar com reprovação e soltando um suspiro, dando o braço a torcer. — Mas ela foi uma boa companheira.

Zoro ainda sentia a mão enluvada do vampiro em seus cabelos, embora não entendesse realmente o que ele estava fazendo se já havia terminado de medir sua temperatura. Se deixou relaxar, entretanto, enquanto Sanji tocava seus fios verdes com certa curiosidade e Zoro supôs que talvez entendesse um pouco, já que gostava de tocar nos cabelos dourados dele. Só não sabia o que tinha de especial ali, já que seus cabelos eram curtos e práticos, nada comparado à beleza secular dos fios de ouro que ele mesmo possuía. Era estranho. Toda vez que Sanji fazia algo do tipo ele costumava se esquivar, mas havia se tornado mais dócil com o tempo, como uma fera adestrada que deixa de morder quando tocada.

— Tem um espelho? Eu quero ver como ficou o olho. — O vampiro o olhou com pesar como se não achasse que era uma boa ideia, mas Zoro não tinha problemas com isso. Em se ver mutilado e ferido. Ele só queria saber como estava. Ver o preço que tinha pagado.

Sanji hesitou antes de largar a mão do jovem e se afastar, era um assunto delicado e por mais vaidoso que fosse, não gostava de sua aparência quando refletida em espelhos, porque mostrava o que ele realmente era, um monstro, um morto.

De qualquer forma, ele apenas aceitou e em segundos voltou para o quarto com um pequeno espelho, entregando para Zoro enquanto se sentava a seu lado em silêncio, ficando apenas a observá-lo sendo um idiota que até parecia ter orgulho daquele olho perdido, um imbecil como de costume.

Teve muito cuidado para não deixar sua aparência ser refletida, não queria ver, se Zoro visse iria se assustar, se enojar. Era um monstro, afinal. Então, por mais que estivesse sentado ao lado do garoto, manteve certa distância, o que não era tão incomum, já que Sanji sempre preferiu evitar intrigas desnecessárias.

Zoro não costumava ligar muito para aparências, então também não tinha costume de ver seu próprio rosto refletido. Já devia fazer tanto tempo que ele parecia mais velho, os cabelos que há pouco Sanji estava tocando, maiores, e, claro, o pequeno detalhe que queria ver, seu olho ferido. Sem muita delicadeza tirou o pedaço de pano que o cobria e se deparou com uma cicatriz vertical ainda não completamente curada sobre sua pálpebra agora eternamente fechada. Não era nada mal, não o deixava horrível nem nada. Ele só lamentava que tivesse sido fundo o suficiente para estragar sua visão.

Se em algum momento o loiro tivesse alguma dúvida de que Zoro era burro, vê-lo tirando o curativo do olho comprovaria que estava errado, infelizmente ele sempre teve certeza. Todo seu trabalho sendo jogado no lixo por um pirralho insuportável. Francamente...

Sanji estava ao seu lado ainda, mas parecia se esconder do objeto praticamente, ficando quase de costas para ele, o mais virado possível sem que fosse rude. Parecia fugir mais do seu próprio reflexo do que dos raios solares que adentravam o cômodo. Zoro só conseguia ver as madeixas loiras refletidas no espelho, mas apenas isso já o deixava confuso.

— Isso é... Bizarro. — Ele rotacionou o espelho de modo que conseguisse refletir mais da imagem de Sanji, para horror do loiro.

O coração do vampiro apertou ao ouvir a ofensa. Bizarro. Era uma boa forma de chamar aquilo.

— Achei que vampiros sequer aparecessem em espelhos. — Zoro comentou curioso.

Sanji não olhou, mesmo que o espelho estivesse mirando em sua direção, ele não queria olhar. Mas ficou confuso quando o idiota falou como se não estivesse enojado, como se não enxergasse o mesmo que ele. Pensando bem, ele nunca havia entrado na frente de um espelho com um humano.

— O que... Você está vendo nesse espelho? — Ele perguntou confuso e olhou por apenas um instante, com a esperança de que pudesse ver seu próprio reflexo, mas só enxergou um rosto com pele enrugada, cabelos finos e cinzentos com muitas falhas e sangue, muito sangue, como se tivesse devorado alguém há instantes. Medonho. Imediatamente virou o rosto.

— Você não vê a mesma coisa? — Zoro perguntou confuso e Sanji fez que não com a cabeça, ainda desviando o olhar do espelho como se tivesse acabado de ver seu pior pesadelo, a coisa mais repugnante do mundo.

Zoro imaginava que aquilo deveria ser estranho, não saber como era sua própria aparência. Até ele próprio que não realmente ligava para esse tipo de coisa ficaria incomodado de alguma maneira se não conseguisse enxergar seu corpo como ele verdadeiramente era. Ainda mais se o que Sanji via fosse realmente tão péssimo quanto sua reação sugeria.

— Bom... Eu vejo alguém que não parece ser muito mais velho que eu, embora provavelmente já tenha vivido muitos séculos. — Zoro começou a tentar descrevê-lo, por mais que não realmente estivesse olhando para ele, já que o vampiro queria se esconder do espelho.

O que deveria ser mais difícil, mas acabava sendo mais fácil porque seria estranho fazer aquilo enquanto Sanji o olhava com expectativa. Não que já não fosse estranho de todo jeito. Já conhecia muito bem a aparência daquele vampiro, cada detalhe, traço.

— É um rosto suave, eu suponho, nada como o meu. Com uma barba tão ínfima que mal se pode chamar de barba, cabelos dourados que agora estão soltos e olhos mais azuis do que qualquer coisa que eu já tenha visto. — Zoro achou que era natural falar aquilo, descrever Sanji exatamente como ele era, assim como poderia descrever um objeto. Mas talvez ele tenha se perdido um pouco nesse objetivo. — E você geralmente tem uma expressão triste. Mas sorri muito, principalmente com os olhos. Eu acho.

Sanji arregalou os olhos com toda aquela descrição. Ele sentia seu coração acelerar e esquentar exageradamente a cada palavra e um sorriso se formava em seus lábios finos. Era realmente estranho não ser atacado por palavras frias e insensíveis, e ele estava gostando disso. Parecia até ter algum carinho ali, por mais que isso fosse apenas invenção de sua mente, mas ele preferia se iludir, viver aquela fantasia, o sonho impossível.

Nada que Zoro falava era o que ele enxergava e se fosse qualquer outra pessoa, Sanji provavelmente não teria acreditado, mas aquele garoto não teria motivos para tentar enganá-lo, na verdade, era mais fácil se simplesmente tivesse falado coisas horríveis, combinava bem mais com ele.

Sanji se virou, tirando o espelho das mãos dele e encarando diretamente o único olho verde que restava, vendo que era verdade, que não estava apenas brincando.

— Agora você está com as bochechas tão vermelhas como se estivesse sangrando. — Zoro encarou o rosto normalmente pálido de Sanji com uma coloração tão viva. De alguma forma aquele olhar intenso tão próximo do seu levava sangue às suas próprias bochechas também, que esquentavam sem sua permissão, espelhando as do loiro.

O loiro não aguentou. O coração disparado em seu peito o obrigou a abaixar o corpo até estar próximo do rosto do mais novo, tão ofegante quanto descontrolado.

— Se continuar me provocando eu vou te beijar. — Sanji ameaçou. Os dedos passaram pelos lábios carnudos do espadachim, olhando fixamente para ele.

Sanji era estranho. Sempre. E tinha reações que Zoro não entendia. Mas, ser tocado daquela forma delicada o lembrava estranhamente de ver Sanji tocando outras pessoas do mesmo jeito. O lembrava do que tinha acontecido antes de quase morrer e perder seu olho naquele baile, de sentir raiva por olhar aquela estupidez de dança entre ele e mulheres desconhecidas. De como as mãos do vampiro passeavam pela cintura fina de cada uma e Zoro tinha aborrecimento apenas com a lembrança.

— Sei. — O jovem caçador disse bufando e afastando o rosto contrariado. — Igual você fez com aquela mulher no baile?

Sanji franziu o cenho sem entender ao que o garoto estava se referindo. O que Zoro tentava insinuar? Que mulher? Baile?

— Do que você está falando? — Talvez fosse óbvio, mas o medo que sentiu na outra noite impossibilitava o loiro de ligar os pontos e compreender, nada parecia fazer sentido.

— Daquela festa estúpida no outro dia. Eu estava lá para caçar um vampiro para o conde.

— Oh. — Sanji riu baixinho e o coração parecia que subiria até sua boca e fugiria. Aquilo era... Não, sem chance, não tinha como, mas... E se fosse? — Você é fofo quando age dessa forma.

O vampiro esperou que fosse mordido pela proximidade, ou até mesmo chutado, socado ou ameaçado, mas Zoro apenas ficou com o rosto mais vermelho e lindo. Então ele realmente não havia gostado de ver o loiro com outras mulheres. E talvez rir da cara dele não fosse a melhor escolha, mas era engraçado, afinal. E fofo.

— Eu... O quê? — Zoro certamente nunca havia sido chamado de fofo. Essa era uma das palavras que não estavam no repertório de ninguém ao descrevê-lo. Ele com certeza estava agora mesmo com a expressão ameaçadora de sempre, mas não parecia adiantar muito já que o vampiro continuava sorrindo e não havia se afastado de si.

— Eu só não entendo qual a graça, qual objetivo disso. — Zoro dizia, sabendo que estava soando mais imaturo do que gostaria, mas não ligava. Fazia parte de seu egoísmo não querer compartilhar com mais ninguém. — Se até uma semana era o meu corpo que queria agarrar.

Sanji continuava rindo, se divertindo com a reação do garoto, com a raiva que ele transmitia. E teve a confirmação de que ele estava sendo possessivo e talvez ciumento com a última frase, que Zoro nem parecia ter entendido o que acabava de sair de sua boca. O loiro se atreveu a baixar mais o corpo, a respiração encostando no pescoço moreno que se arrepiou de leve, os lábios quase o tocando, enquanto sentia os pelinhos finos subindo como se estivesse sentindo frio. Era tentador e por mais contido que fosse, Sanji ainda era um pervertido.

— E você gostou? — O vampiro sussurrou com a voz carregada em desejo, muito próximo da audição do jovem, os lábios se movendo e esbarrando nos brincos dourados, fazendo-os tilintar. — Eu não fiz nada com elas...

Porque é você que eu quero. Ele afirmou com a voz ainda mais luxuriosa em uma leve provocação e um sorriso maldito nos lábios que pareciam estar salivando por Zoro. Talvez Sanji deveria ter dito tudo que desejava falar naquele momento, mesmo preferindo guardar a declaração final apenas para ele por enquanto.

Zoro queria controlar seu corpo, controlar cada célula que fosse para não envergonhá-lo e não reagir de formas estúpidas que ele não queria. Mas talvez devesse ter aprendido naquele tempo inteiro que nunca conseguia controlar, que antes que sua mente sequer pensasse em processar seu corpo traiçoeiro já estava agindo. Se arrepiando, gostando daquela voz grave tão próxima de seu ouvido.

Puxando Sanji com a maior força que tinha no momento para que juntasse os lábios aos seus e parasse de provocá-lo. A princípio era apenas dentes e falta de jeito, mas depois que Zoro permitiu que o vampiro ocupasse sua boca com a língua, tudo se tornou mais suave e harmonioso. E Zoro nem lembrava mais porque estava com raiva, ele só queria continuar beijando Sanji.

E Sanji só conseguiu sorrir em meio ao beijo, satisfeito e apaixonado, se entregando completamente a Zoro e se deixando ser conduzido depois do jovem espadachim aprender a como controlar seu desespero e apreciar a carícia. Havia ficado tão feliz pelo ciúme do garoto que só processaria a informação de que ele era o caçador que sentiu na noite de alguns dias atrás muitas horas depois.