Notas iniciais
Boa leitura!

h a p p y h a r b o r

— Ele diz ser filho do Oliver? — Bruce perguntou apenas para confirmar toda a história que havia escutado e de que duvidava muito.

— Sim, mas apenas tivemos alguns poucos minutos para conversar com ele antes de vocês chegarem. — Kate explicou mantendo uma postura séria. Sabia que seu pai já estava contrariado por ela estar ali e envolvida em mais um caso heroico.

— E não havia mais ninguém com ele?

— Ninguém além dos corpos que estão lá fora. — Ela ainda estava um pouco conturbada em como eles haviam se matado sem ao menos pensar duas vezes com o veneno de cianeto, mas era o mínimo que se podia esperar de membros da Liga das Sombras.

— Precisaremos checar a verossimilhança de tudo isso. — Batman disse levantando-se da cadeira e dando a volta até onde Kat estava. — E em casa discutiremos sobre você.

Ela engoliu em seco, procurando conforto no olhar da mãe que estava parada a centímetros de distância observando a cena. A princesa das Amazonas apenas deu um aceno positivo e a Wayne soube que teria ao menos algum apoio quando os três estivessem de volta a mansão. Bruce se distanciou, andando até onde o Caçador de Marte e Superman estavam, já a garota seguiu até seus amigos.

— E então? Seu castigo piorou? — Sam foi a primeira a falar, como na maioria das vezes.

— Eu ainda não sei… — Ela comentou suspirando. — E onde está o Zachary?

— A Canário Negro o levou até outra sala para que eles pudessem conversar, ela pareceu bem chocada quando ele contou que era filho do Arqueiro Verde. — Jane explicou apontando por onde eles foram.

— Deve ter sido pelo fato dos dois terem sido casados. — Samantha complementou. — Filho de ex, que situação.

— Sam! — Jane repreendeu a mais velha, com razão.

— O que? Eu apenas estou dizendo a verdade.

Nereus colocou uma mão no ombro da namorada, indicando que era hora dela parar. A alada seguiu o conselho, mesmo que a contragosto.

— E nós? — Andy perguntou a Kate.

— O que tem nós?

— O que nós iremos fazer?

— Coisa alguma… — A Wayne respondeu um pouco desapontada por ter de avisar aquilo, ela já se sentia comprometida com todo aquele caso. — A Liga irá assumir a partir daqui, não há mais nada que possamos fazer além de esperar.

— Esse era para ser o nosso dia… — Sam resmungou de seu canto com os braços cruzados frente ao peito.

— Desculpa se o anúncio do seu namoro foi estragado pela invasão. — Kat murmurou de volta perdendo a paciência.

— Oh! Não comece agora Wayne! — A alada esbravejou saindo do seu lugar no sofá. Nereus suspirou incomodando com a cena toda.

— Gente! — Jane cortou às duas se levantando também. — Não vamos brigar por besteiras, a Young Justice acabou de voltar a ativa, vamos manter tudo na linha, por favor.

— Certo. — Sam disse quase em sussurro, ela não gostava de ser a errada da história, mas voltou a se sentar.

— Ok! — Kate também deu o braço a torcer, sabia que a mais nova estava certa, eles não podiam brigar agora, logo quando mais um problema batia na porta deles, literalmente.

Eles se viraram quando Canário voltou da sala, porém estava sozinha.

— Kate.

— Sim, onde está o Zachary? — A Wayne questionou preocupada que algo tivesse acontecido, afinal ainda havia muitos furos em toda aquela história que precisavam ser preenchidos, coisas que apenas o garoto poderia responder.

— Ele está na sala esperando. — A loira explicou rapidamente deixando todos despreocupados. — Ele é um rapaz bem teimoso e cabeça dura, eu já vejo de cara a semelhança com o Oliver, isso se eles realmente forem pai e filho.

— Você acha que isso é possível? Como que ninguém escutou dele por todo esse tempo? — Nereus questionou, o príncipe ainda não havia acreditado inteiramente em toda aquela história de Zachary.

— Possível é, a idade dele bate em uma época obscura do Oliver, mais difícil que a atual. — Ela pareceu divagar um pouco antes de voltar a si e continuar a falar. — Eu não estava perto dele nessa época, se ele teve um filho não teria como eu saber.

— E quem é a mãe desse cara?

— Ele se recusa a dizer, tudo o que ele quer agora é ver o pai a todo custo.

— E vocês vão levar ele para vê-lo? Se ele quer tanto ver o pai, acho que deveríamos levá-lo até o Arqueiro Verde. — Jane sugeriu.

— Eu concordo, mas vai ser mais difícil do que isso, ele ainda vai passar por interrogatório com o seu pai, Jane. — Canário explicou um pouco cansada com a situação e que envolve-se a última pessoa que ela queria rever. — Pode ser que isso leve mais do que alguns minutos, pois ele não parece pronto para colaborar.

— Por que não?

— Ele disse que apenas irá colaborar se for com você Kate.

— Você só pode estar de brincadeira. — Kat disse passando a mão pela têmpora. — Por que de todas as pessoas tinha que ser logo eu?

— Foi o que ele disse, falou que tinha combinado com você e não com a Liga.

— Bom e nós podemos vê-lo?

— Nós?

— A Young Justice. — Ela explicou gesticulando para seus amigos e olhando de relance para cada um deles. — Estamos juntos nessa.

Canário olhou pelo rosto deles antes de suspirar vencida.

— Creio que não teremos muitos problemas se formos rápidos, vamos. — A heroína da Liga respondeu sinalizando para eles a seguirem até a sala onde o loiro estava aguardando sentando em uma cadeira metálica.

— Finalmente, estão aqui para me levarem até o meu pai? — O loiro questionou impaciente e de braços cruzados.

— Tenha um pouco de calma aí, garoto. — Canário pediu se sentando de frente para ele. — Você ainda têm muitas perguntas para responder.

— Eu não vou responder porra nenhuma! — Ele esmurrou a mesa em que ele e a heroína estavam. — Eu vim até aqui com um único objetivo, encontrar o meu pai e vocês estão me enrolando desde que eu cheguei, se vocês não vão me ajudar eu me viro sozinho para achar ele.

Canário Negro suspirou e olhou para o garoto a sua frente.

— Você vai ter problemas para achá-lo.

— Porquê?

— Ninguém sabe o paradeiro dele há meses. — Ela explicou com uma feição estranha. — Eu tentei achá-lo, mas não consegui, Batman conseguiu encontrar pistas dele, mas aparentemente ele se moveu.

— Problema seu, eu não sou um incompetente igual…

Sem aviso prévio a heroína levou os braços pela mesa, puxando o rapaz pela gola de sua roupa. Jane tentou impedir que ela o machucasse, mas Kate a segurou com o braço, era melhor deixar que a outra resolve-se aquela situação.

— Olha aqui garoto, você acabou de chegar aqui, não venha achando que pode dar ordem a ninguém ou se achar o maioral. Eu tentei achar o Oliver, eu juro que tentei… — Ela respirou fundo, fechando os olhos por alguns segundos e então soltando ele, voltando para o seu lugar. — Mas eu não consegui encontrá-lo, ele quis sumir e soube fazer isso muito bem.

Kate colocou-se a pensar, ela havia prometido ajudar Zachary e sabia que deveria ao menos concluir aquilo de uma vez se quisesse alguma paz. A garota de Gotham precisava achar Oliver Queen e fazer ele conhecer o filho perdido, mesmo que isso fosse trazer alguns problemas para ela mais tarde.

— Eu creio que tenho uma solução.

❖

c a s a d o s m i s t é r i o s

— O que todos vocês querem com a Sabrina? — O jovem bruxo, Henry Zatara, questionou com sua curiosidade infantil a flor da pele.

— É um assunto complicado. — Kat respondeu ao garoto e quando ele pensou em perguntar mais ela o calou com um olhar mortal.

— Tudo bem, eu vou já vou indo antes que o meu avô venha atrás de mim. — Ele explicou se distanciando do grupo. — E chamem a Sabrina rápido, não fiquem perambulando ou a Casa dos Mistérios pode começar a querer brincar com vocês.

E então o menino sumiu com um estampido ligeiro.

— A mãe dele deixa ele fazer essas coisas? — Jane questionou apontando para onde o Zatara estava a segundos atrás.

— Eu duvido que a Zee saiba metade das coisas que ele faz. — A Wayne respondeu abrindo a porta dupla principal e dando espaço para que a Young Justice e Canário Negro pudessem passar.

— Vamos ser rápidos antes que os pais de vocês saibam do nosso paradeiro.

— Como membra da Liga você pode fazer uma coisa dessas? — Kid questionou um pouco preocupado.

— Eu devo pegar uma suspensão ou coisa assim, mas se isso ajudar a achar o Oli finalmente, eu não vou me arrepender. — A loira explicou. — Agora onde está a jovem Constantine? Faz tempo que eu não a vejo.

— Procurando por mim? — A garota apareceu nas escadas no mesmo momento em uma entrada quase cronometrada. — Eu senti o portal, mas não esperava que fosse… bem... vocês.

A líder tomou a dianteira indo apertar a mão da maga.

— Kate, lembra de mim?

— Claro que sim, você aparece quase sempre na internet posando do lado de alguém famoso. — A outra riu um pouco. — Mas eu lembro sim, da nossa missão em Gotham a procura do Chapeleiro Maluco.

— Isso, você me ajudou bastante aquela noite. — Kat relembrou. — Eu queria saber se poderia de novo.

— É claro, se estiver ao meu alcance, do que precisa?

— Que você ache o meu pai! — Zachary se pronunciou carrancudo como desde o momento que estava dentro daquela sala na base deles. — E rápido se puder, já estou com o saco cheio desses heroizinhos me enrolando.

— Ei! Não seja rude! — Jane rebateu nervosa com a fala do garoto, ela não sabia como ele poderia ser tão mal-educado sendo que eles que estavam ali batendo na porta de Sabrina por ajuda.

— Rude? Oh, se vocês acham que ele foi rude precisam conhecer o meu colega de equipe, o Charles pode ser dez vezes pior do que isso. — A Líder da Liga da Justiça Sombria disse abrindo um pequeno armário e pegando um recipiente pequeno e cheio de um pó branco e brilhante.

— Eu apenas não entendi uma coisa. — Canário falou colocando uma mão na cintura. — Eu e os outros já tentamos procurar o Oliver com magia, a Zatanna e o próprio pai da Sabrina não conseguiram localizá-lo.

— Bom, quando vocês procuraram por ele vocês não tinham o filho perdido do mesmo. — Kate explicou espertamente.

— Ótimo raciocínio. — Sabrina elogiou e começou a fazer uma runa circular no chão com o pó opaco e cintilante, cheia de padrões e símbolos estranhos a todos ali. Suas mãos ágeis e acostumadas aquilo foram rápidas em terminar a grande esfera e então a maga iniciou a construção de uma menor onde ela posicionou um mapa-múndi. No fim ela ligou às duas runas por uma linha tênue. — Magia de sangue é forte e já que aparentemente vocês possuem um filho dele, vamos conseguir achar o Arqueiro Verde.

— Foi o que eu pensei. — Kate sorriu feliz consigo mesma.

— Agora entre dentro do círculo maior. — A maga pediu ao garoto que obedeceu desconfiado.

— Tem certeza disso? Eu não confio muito em magia. — Ele confessou mostrando um olhar preocupado para as runas.

— Não se preocupe, é apenas um feitiço de localização, não precisa ter medo. — Brina brincou pegando uma pequena adaga.

— Eu não estou com medo.

— Claro que não, agora eu preciso de uma gota de sangue seu, um corte superficial no seu dedo já basta. — A garota explicou dando a adaga para Zachary, que pegou com um suspiro e um olhar suspeito, mas fez como pedido.

A gota de sangue foi direito ao chão, dentro da runa que Sabrina desenhou. A usuária de magia iniciou o feitiço com palavras estranhas para o grupo, porém Kat reconheceu como sendo latim, ela tinha aulas sobre aquela língua morta na faculdade e sabia que ainda era muito usada na comunidade mágica. Sabrina movimentou suas mãos em gestos específicos fazendo com que as runas começarem a brilhar tremulamente e a gota de sangue começou a se movimentar segundo até o círculo menor onde o mapa se encontrava.

— Estou me sentindo em um episódio de Sobrenatural aqui…

— Sam! Agora não é o momento. — Nereus pediu a namorada com gentileza, mas Samantha apenas revirou os olhos, irritada como ele sempre queria dizer a ela o que ou não fazer.

A Constantine continuou com seu feitiço e suas palavras junto dos gestos pareciam movimentar a gota que chegou até o mapa-múndi e parou em um lugar específico. Ela seguiu até o ponto com o dedo.

— Nova York, parece que encontramos o seu pai. — Disse com um sorriso vitorioso e anotou algo em um papel. — Aqui está a localização exata, é melhor irem logo para não perderem o Arqueiro. Se quiserem eu posso abrir um portal.

— Seria ótimo, obrigada por toda a ajuda. — Kate agradeceu com um aperto de mão. — Eu te devo uma, me procure sempre que precisar.

— Foi um prazer. — A maga respondeu sinceramente. — E eu espero que vocês não tenham comido nada pesado antes de virem aqui, dois portais seguidos para pessoas sem magia pode ser demais algumas vezes.

E assim ela começou a girar a mão em um movimento circular. Partículas de poeira e areia começaram a seguir os comandos mágicos da garota e a rotacionar num formato de um grande círculo até que o portal foi aberto na frente deles.

— Podem ir, vão sair perto de onde ele está.

— Obrigada mais uma vez! — Kat disse antes de andar pelo portal, sendo seguida pelos outros.

❖

n o v a y o r k

— Espero que as coisas ocorram melhor do que a última vez que estivemos aqui. — Andy comentou olhando para o céu negro. — Esse é o endereço? Acho melhor entrarmos antes que comece a chover.

— De acordo com a Sabrina o prédio é esse. — Kate afirmou olhando para construção antiga e mal cuidada do subúrbio de uma das maiores cidades do mundo, aquele era um bairro afastado e em decadência.

— Bem, é realmente um bom lugar para quem quer sumir do mapa. — Sam assegurou gesticulando para o prédio junto de uma careta expressiva. — Eu nunca que pensaria em entrar em um lugar assim.

— A porta está trancada. — Andrew avisou girando a maçaneta algumas vezes sem resultado. — O que vamos fazer?

— Será que podemos arrombar? — Kat perguntou a Canário, afinal eles ainda eram os mocinhos e não podiam sair por aí invadindo propriedades.

— Oh! Pelo amor, já viemos até aqui. — Samantha tomou a dianteira e deferiu dois chutes na porta, o que foi o suficiente para abrir passagem para o grupo.

— Finalmente alguém com firmeza. — Zachary comentou tomando a frente deles e subindo as escadas rapidamente, ele não queria perder nem um segundo agora que estava tão perto de se encontrar com seu progenitor.

Cada passo deles fazia um imenso barulho por conta dos rangidos na madeira velha e comida pelos insetos, o que significava que a presença deles ali não era mais uma surpresa para qualquer pessoa que estivesse ali. Eles abriram as portas para os apartamentos enquanto subiam, mas não encontraram nada além de quartos vazios ou com móveis antigos cobertos com panos brancos, que estavam infestados de traças.

No fim o último quarto também não tinha nada.

— Ótimo! Tudo isso para nada! — O jovem “Queen” resmungou dando um chute numa cadeira que quebrou em várias lascas por conta dos cupins. — Que merda!

— Ei calma aí. — Nereus praticamente ordenou segurando o braço dele com seu punho firme, os dois se encararam friamente.

A situação parecia a ponto de explodir quando Jane chamou a atenção de todo mundo.

— Pessoal, eu achei uma passagem pro sótão, querem dar uma olhada?

— Acho que não custa tentar. — Samantha resmungou seguindo Jane pelas escadas que davam ao nível superior.

Era um ambiente escuro e empoeirado, mas havia vestígios de que alguém estava morando ali.

— Eu não vejo ninguém, será que… — Sam começou olhando em volta e pronta para dar mais alguns passos quando foi interrompida.

— Fiquem onde estão se não quiserem acabar congelados. — Todos se viraram para a voz rouca e longínqua.

Era ele, finalmente depois de tanta busca estavam de frente com Oliver Queen.

— Digam logo o que estão fazendo aqui e como acharam esse lugar ou…

— Viemos atrás de você, Oli. — Canário tomou a frente do grupo fazendo o arqueiro abaixar o arco assim que a viu.

— Dinah? O que diabos está fazendo aqui? Logo você? — O homem questionou com um olhar confuso.

— É uma história bem longa, mas acho melhor você conhecer uma pessoa. — Ela deu espaço para que Zachary ficasse de frente. — O seu filho.

❖

— Espera, então quer dizer que esse tempo todo eu tive um filho que eu não fazia ideia de ter tido? — O Queen mais velho questionou ainda surpreso e lento para acompanhar toda a história que Zachary havia acabado de jogar em cima dele.

— Sim, eu sou seu filho. — Zac reafirmou acanhado, ele parecia ter perdido a pose dura depois do encontro com o pai, parecia mais tímido. — Eu também apenas descobri a algumas semanas atrás e desde então venho buscando você.

— E onde você esteve esse tempo todo?

— Em Nanda Parbat, com a Liga das Sombras, eu fui criado por eles.

Kate olhou de relance para Zachary, aquilo a fez lembrar de que ainda tinha outras perguntas que devia fazer ao garoto que ainda não tinha feito e poderia trazer respostas sobre o paradeiro de seu irmão.

— Eu nem posso imaginar o quão difícil isso deve ter sido.

— Ah, foi de boas, eu era o melhor por lá, então não sofria igual os outros. — Ele explicou como se não fosse grande coisa. — E a minha mãe sempre me protegia dos castigos do meu avô.

— Pera, sua mãe? Mas…

Antes que Oliver pudesse perguntar mais alguma coisa as janelas do local foram quebradas e inúmeros indivíduos entraram no lugar. Estavam bem armados com arcos, espadas e outros tipos de equipamentos, tudo dizia que não iriam sair dali sem uma boa luta.

— Liga das Sombras, eles ainda estão na minha cola. — Zac explicou assumindo posição de luta.

— Bom, eu não vou deixar esses caras fazerem algo pro filho que eu acabei de conhecer. — O Arqueiro disse colocando uma flecha na corda e disparando, o que eletrocutou um dos inimigos.

O resto deles avançou e a Young Justice tomou partido entrando na luta. Kate desviou de uma katana que veio na direção de seu rosto e deu um chute no braço do assassino fazendo ele soltar a espada, que ela pegou para si já que não tinha nenhuma outra arma consigo. Kid Flash avançou derrubando vários em seguida, mas ficou encurralado em um canto depois que três dele lançaram bombas gosmentas no chão. Miss Marte foi para ajudar o amigo protegendo ele do ataque dos inimigos e usando sua telecinese para jogá-los longe dele. Sam e Nereus continuavam a derrubar vários enquanto lutavam em dupla, o atlante com seu tridente dourado e a thanagariana com sua clava elétrica.

— São muitos e mais estão entrando, vocês precisam sair daqui. — Canário Negro pediu golpeando um dos assassinos que tentou atacá-la com uma chute alto.

— Não vamos deixar vocês para trás! — Kate rebateu pegando um dos inimigos pelo braço e o jogando contra a parede de tijolos.

— Não se preocupe garota, nós sabemos nos virar. — Oliver respondeu e atirou uma sequência de flechas explosivas que abriu um rombo no cômodo. — Zachary, sabe atirar?

— Claro que sim. — O Queen mais novo respondeu imediatamente.

O Arqueiro sorriu de lado e jogou ao filho uma aljava e um arco que estavam pendurados em uma das vigas do porão. O rapaz usou a arma imediatamente jogando uma flecha rede sobre alguns dos membros da Liga das Sombras. Canário Negro usou do seu grito supersônico para jogar alguns assassinos para longe do novo rombo.

— Vão pela escada de incêndio, vai levar vocês ao topo do prédio, vocês conseguem fugir por lá.

— Mas… — Zac tentou rebater, porém, foi cortado pelo pai.

— Apenas obedeça!

Kate suspirou e fez como pedido indo para a saída de incêndio, foi seguida pelos amigos, Zachary ainda tinha dúvidas se devia fazer aquilo logo quando havia encontrado o pai. Jane colocou uma mão reconfortante no ombro do novo conhecido.

— Ei, ele é um herói há anos e sabe o que fazer, você devia ao menos dar um voto de confiança ao Arqueiro Verde e fazer como ele pediu.

O garoto olhou para o pai mais uma vez e então suspirou dando as costas a ele e seguindo junto aos outros para fora do porão. Chovia como Andy havia previsto e não era uma chuva qualquer, uma tempestade terrível caía sobre a cidade. Eles escalaram pelo lado da construção rapidamente e com cuidado para não escorregarem nos degraus metálicos e molhados.

— Estão nos seguindo. — Sam avisou apontando para os homens que vinham atrás deles quando chegaram ao topo do prédio.

— Eu cuido disso. — Miss Marte tomou a frente e apontou a mão para as escadas de incêndio, o ferro começou a tremer e a entortar até que todo o suporte caiu levando os indivíduos com eles.

— Olha, parece que a boazinha tem alguma coragem no final. — Zachary riu e Jane apenas ignorou as brincadeiras dele. — O que vamos fazer agora?

— Fugir daqui e voltar com reforços.

— Oh, mas já vão tão cedo? Logo quando eu estava pronta para ter alguma diversão. — A equipe e Zac se viraram para encontrarem uma moça portando uma lança em mãos, ela mantinha uma pose obstinada e sua face trazia um sorriso de satisfação. — Surpreso em me ver irmãozinho?

— Ela é sua irmã? — Samantha perguntou surpresa, eles não se pareciam em nada.

— Meia-irmã. — O Queen respondeu com desprezo. — O que você está fazendo aqui Aysha? Se perdeu longe de casa?

— A nossa mãe quer você de volta, Zachariah. — A garota explicou apontando a lança para Zac. — E diferente de você eu não vou decepcioná-la.

— E como você pretende levar ele sozinha, bonitinha? — Samantha perguntou e ligou mais uma vez a eletricidade de sua clava.

— Eu não vim sozinha, eu trouxe a família para me ajudar.

Quando Aysha terminou sua sentença outra pessoa surgiu no telhado. Estava vestido em roupas negras e usava uma capa longa e escura como breu, uma katana repousava em uma de suas mãos e sua expressão era dura. Talvez os outros não pudessem reconhecer quem era no meio daquele temporal e com o local estando escuro, mas Kate não conseguia esquecer aquela face, não podia deixar de reconhecer seu irmão. Aquele era Damian.

A Wayne deu alguns passos a frente ignorando o resto, ficando cara a cara com a pessoa que havia salvado sua vida.

— Damian? — Ela chamou uma vez, mas ele não esboçou reação, apenas continuou encarando a irmã mais nova. — Onde você esteve todo esse tempo? E o que está fazendo com essas pessoas?

— Isso não é da sua conta. — Ele finalmente respondeu, a sua feição ficou mais sombria, algo estava diferente nele. — Apenas suma daqui com os seus amigos, nós viemos apenas pelo Zachariah, você não tem nada haver com nossos objetivos.

— Do que você está falando? Eles fizeram algo com você ou com sua cabeça? — Ela se aproximou mais um pouco. — Todos estão loucos atrás de você, nós procuramos você sem parar, a Bárbara…

— Cala-se. — Damian disse rígido, os olhos dele fixos no rosto dela. — Eu já disse para você sumir daqui, se não sair vai sofrer as consequências.

Ele levantou a katana na altura do rosto dela. A garota sabia que ele não faria aquilo, ele não conseguira, não podia, eles eram irmãos, aquilo não poderia ter mudado. A menos que tivessem feito algo dentro da mente dele, o que era a hipótese mais provável naquele momento. E nesse caso ela teria que fazer o que fosse necessário para trazê-lo de volta para casa, mesmo que fosse contra a própria vontade.

Kate usou sua própria katana contra a dele, achou que conseguiria tirar a arma branca das mãos dele, mas o Wayne mais velho foi sagaz em conseguir manter a arma nas mãos e ainda revidar, fazendo Kat recuar alguns passos.

— Deixa ela! — Andrew gritou pronto para ir ajudar a amiga, porém foi impedido por Aysha que entrou na frente dele.

— Pode parar aí ligeirinho. — E então ela assobiou, chamando mais um punhado de assassinos para cima do prédio. — Primeiro vai ter que passar por nós.

Duas batalhas se iniciaram naquele telhado, uma entre sangue do mesmo sangue e outra entre uma equipe e um bando de assassinos da Liga das Sombras. Apenas um lado sairia vitorioso daquela tormenta.

A tempestade continuava a cair sobre eles transformando o telhado do prédio em um campo de batalha perigoso e escorregadio. O cabelo de Kate grudava-se a seu rosto, molhado e bagunçado e mexia-se pouco à medida que ela buscava desviar dos ataques de Damian. As katanas se encontravam ocasionalmente, mas a maior parte da batalha era ela usando todo o seu esforço para fugir dos cortes rápidos e certeiros dele.

O irmão era muito melhor do que ela no uso daquela arma, afinal era a favorita dele e que o Wayne usava desde que fora treinado no meio da Liga das Sombras. Kat não era párea para ele, mas não podia desistir agora, estava tão perto de levá-lo de volta para casa e finalmente trazer paz para a Mansão Wayne. Deixar Damian partir mais uma vez não era uma opção, ela tinha que levá-lo de volta. Por seu pai, por Bárbara, por ela mesma.

Ela parou um golpe de seu irmão com a sua katana, o impacto fez os braços dela tremerem. Aquilo era estranho a ela, mas afinal aquela era a primeira vez que tinha um embate de verdade desde que havia perdido seus poderes. Ainda era estranho não ter mais sua força sobre-humana e a chance de voar aos céus para ter uma vantagem a mais, porém tinha que continuar tentando. Abaixou-se e a espada japonesa passou cortando por cima de sua cabeça, ela recuou ofegante.

— Damian, você precisa parar e deixar eu lhe ajudar. — Kat disse e teve que recuar mais alguns passos, pois ele continuou a atacar. — Você não está bem…

A garota usou sua espada para se defender do ataque lateral dele. Os braços dela vacilaram mais uma vez com o cansaço e a dor que os ataques brutos de seu irmão traziam. A Wayne não aguentaria por muito mais tempo naquele ritmo, precisava de alguma ajuda. Entretanto, os seus amigos estavam tão ocupados quanto ela tendo de lidar com os múltiplos assassinos e da meia irmã de Zachary, Aysha. Nenhum deles poderia ajudá-la naquele momento e bem no fundo ela tinha uma ideia do que deveria fazer, se aquele realmente fosse seu irmão ele não a machucaria de verdade.

Kate tinha que confiar nisso.

A garota largou sua katana no chão e respirou fundo, enchendo os pulmões de ar e tomando coragem. Cerrou os punhos e olhou diretamente na face do irmão.

— Seja lá o que a Liga das Sombras fez com você, você ainda é meu irmão e eu sei que o Damian que eu conheço nunca me machucaria. — Ela falou e sentiu uma esperança crescer dentro de si quando ele parou de tentar atacá-la. — Você sempre me protegeu, mesmo quando eu não quis que fizesse isso e eu sei que não vai fazer diferente agora.

Ele continuou a observá-la. Kate não tinha ideia do que fazer ao certo, porém sabia que naquele momento precisava de um passo de fé. E foi o que fez. Ela tocou no rosto do irmão, ele havia deixado a barba crescer, o que o Damian que ela conhecia odiava. A garota sentia que o havia tocado dentro dele, que ele realmente havia ouvido as palavras dela.

— Apenas vamos para casa Dammy… — Ela disse por fim e olhou nas íris azuis dele com esperança.

Kate grunhiu quando sentiu a katana atravessar seu abdômen.

— Kate! — Ela ouviu alguém chamar seu nome no meio da confusão. Talvez tivesse sido Andy, mas ela não soube dizer, pois seus sentidos já estavam estranhos e Kat apenas conseguia distinguir pouca coisa como os trovões e quem sabe mais um grito vindo da confusão atrás de si.

Kate se agarrou a seu irmão para não cair e ele a segurou pela cintura, a colocando deitada no chão. Aquele era o fim? Ela morreria daquele jeito? Jogada no topo de um prédio caindo aos pedaços e apunhalada pelo próprio irmão que ela tanto amava? Morrer sempre havia sido o maior medo dela e sabia que ainda não estava pronta para partir, por isso ela pressionou o corte para tentar estancar o sangue enquanto ainda encarava o irmão olhando para ela.

— Lembre-se Kate, você não é uma menina de Gotham, não se esqueça das suas origens. — Damian sussurrou em seu ouvido antes de se levantar e partir.

Ela tossiu e sentiu o sangue subir por sua garganta sujando a blusa que ela usava. Kate ainda podia ouvir o barulho da luta perto dela e mais gritos, alguns ela pensou serem seu nome sendo chamado. Sangue e água se misturavam debaixo dela e a garota tentou se levantar, porém, foi em vão, não tinha mais forças. No fim ela acabou perdendo a consciência em meio a um céu escuro cortado por trovões e relâmpagos.

Notas finais
Espero que tenham gostado, comentários são sempre bem vindos!