Young Blood
11 Reunião de família
Notas iniciais
Nico.
Quanto tudo parece perfeito pra mim e Thalia algo tem que acontecer. Estava achando estranho essa semana tranquila. Passamos toda juntos, e mesmo assim não matei a saudade que estava dos grandes olhos azuis. Eu tinha tomado uma certa distancia dela em público pra não chamar atenção. Mas aquele batom vermelho me tirou a sanidade.
Nos beijávamos fervorosamente, sua língua com gosto de cerveja e cigarro, a melhor combinação possível. Deitados no vão de um dos relevos da pista de skate vazia e pichada, ela segurava um cigarro enquanto puxava meu cabelos. Minhas mãos, uma sustentando meu próprio peso e a outra acariciando sua intimidade quente por cima do maiô indecente. Nossas pernas entrelaçadas. Gemia entre o beijo. Por que tudo nessa garota tinha que ser sexy? O cabelo desarrumado, o rímel borrado, a boca carnuda e as tatuagens estranhas, o simples jeito Thalia de ser.
Nos separamos ofegantes, eu subi minha mão, me dando um apoio maior. Ela passava a mão pelo meu cabelo, enquanto a outra tragava tranquilamente. Nos encarávamos em um silêncio, que só fazia a intensidade de tudo aquilo ficar ainda mais excitante. Peguei o cigarro da sua mão e traguei, sentindo a fumaça diferente dos cigarros comuns entrar nos meus pulmões. E junto dela a paz momentânea. Fazia anéis de fumaça, e sorria bobamente com aquilo e me juntei a ela. Rimos um pouco e me olhou novamente, encarou minha boca, mordeu meu lábio inferior, e a beijei. Tudo nela ela tão macio e gostoso. Seus lábios era inlargáveis. Se é que existe essa palavra.
Separei nossas bocas.
— Eu não consigo parar de te beijar— apertou minha bunda, sorrindo. Eu adorava aquele sorriso, cheio de malícia e até terceiras intenções.
— Então não pare— e nos aproximamos de novo.
— Nem se atreva— ouvi a voz retumbante de Zeus pelo Skate Park. Não tinha ninguém ali, todos estariam na praia. Mas lá estava os três grandes e suas respectivas esposas descendo pelas escadas, que na verdade eram usadas para manobras.
Eu olhei pra Lia, e como eu falei antes: tinha que acontecer alguma coisa. Nos levantamos rápido, puxei o cigarro de sua mão e o segurei com a boca. Pulamos em cima nos nossos skates e tentamos sair dali. Eu tinha acabado de subir um dos elevados e vi Zeus segurando Thalia. Ouvi o grito das minhas tias e mãe. E acabei me rendendo, botei o skate do lado do braço e fui até eles, revirando os olhos e bufando inúmeras vezes.
— Você quebrou o meu skate favorito— Lia falou entre os dentes pausadamente, parecia mais perigosa que o normal.
Zeus apertou mais o seu braço. Suspirei, soltei a fumaça e joguei o cigarro longe. Minhas costas começavam a arder tanto pelo sol, quanto pelas unhas da Lia.
Senti um tapa na mesma e gritei de dor atraindo olhares.
— O que você estava fumando?— minha mãe era baixinha e ficava engraçada brigando comigo.
Olhei ao redor, estavam todos vestido de acordo com o dia comemorado, mas não com sua idade.
— Nada que interfira na sua vida. A propósito, por que interferiram no meu beijo?
Thalia conseguiu se soltar de Zeus e foi para meu lado. Parecia que estávamos em um julgamento, nós sendo os réis e os "pais de família" o jure.
— O que você pensa que está fazendo?— Hades parecia furioso, e eu não me importava.
Thalia tinha tanto veneno no olhar que tive medo que a própria se contaminasse por causa dele.
— Uma preliminar. É sempre bom antes do sexo, faz as coisas mais interessantes.
O que aconteceu foi tão rápido que nem vi acontecendo. Lia pôs a mão na bochecha vermelha e sua mãe lhe encarava rente ao seu rosto.
— Meg, não faça isso— ouvi Sally dizer. Minha mãe a encarava incrédula, como todos. Tia Meg não batia em ninguém, uma coisa de igreja. Ela é religiosa demais.
Thalia sorriu de volta.
— Vai. Se. Foder— pegou minha mão e caminhamos pra saída, enquanto ouvíamos sermões.
— Ela bateu em você— sussurrei baixinho, vi que tentava esconder o choro. Coisa que já tinha doutorado.
— NICO DI ÂNGELO E THALIA GRACE PRA VAN AGORA!— ouvi minha mãe gritar.
É, talvez vá conhecer o inferno ainda hoje.
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Peguei a garrafa de rum da mão de Lia e dei um gole. Bêbados e sentados na sala principal do escritório de Zeus. O mesmo e os outros adultos conversavam numa salinha, com portas grandes de madeira, mais reservada. As paredes ali eram todas de madeira, os sofás brancos, várias mesinhas com decorações estranhas e plantas espalhadas. Thalia levantou, pegou, na estante de bebidas, um Black Label e entornou no gargalo mesmo.
Dei outro gole no rum.
— To cansada dessa putaria. Eles não podem fingir que NY não existiu. Você não vai me deixar, o quer que eles façam, né?— seu olhar era medroso.
Puxei pela cintura e ela caiu no meu colo.
— Vai dar uma de insegura?— ri e mordi seu bico lindo.
— Não quero te perder de novo.
— Eu não vou deixar.
Soluçou e deu outro gole, eu acompanhei.
A deitei no sofá e beijei seu pescoço delicadamente, ainda segurávamos as garrafas. Num movimento rápido ficou em cima de mim. Outro gole, e a garrafa estava acabando. Ela me encarou desafiadora, abaixou e deu um belo chupão no meu pescoço, mordeu e assoprou o lugar.
— Você tá delicioso— traçou uma trilha com a língua até o lóbulo da minha orelha e mordeu. Minha mão entrava sorrateira dentro do maiô e apertavam sua bunda pra marcar. Outro gole e joguei a garrafa no chão, ouvi o barulho de vidro se quebrando. Eu e Lia ríamos como retardados. E ela me beijou rebolando em mim. Ouvimos pigarros, provavelmente dos nossos pais, mas não nos importamos.
— Esses dois não tem jeito mesmo! Nem tentem!— ouvi a voz de Percy.
— LARGA MINHA BUNDA, JASON!
— Não tenho culpa se ela tá na minha cara!
Nos separamos, sentamos de mal grado e olhamos todos reunidos. Jason tinha acabado de se jogar no sofá da nossa frente com Piper, Percy que carregava Annie entrelaçada a sua cintura e adormecida também se sentou. Os outros se acomodaram no outro sofá, e apenas Zeus e Hades ficaram em pé. Ninguém falava nada, ouvi o barulho do WhatsApp e tia Sally pegou seu celular.
— Percy quem é a vadia loira que você estava...—parou e olhou a Annie com uma careta. Ouvi sua risada medonha, me assustei um pouco.
— Que cara de pau! Ela contou pra tia Sally— Annie sussurrou, mas todos ouviram. Continuou sem se mexer.
— Pera lá... Vocês estão tendo alguma coisa?— eu perguntei.
— Ah, um Di Angelo e um Jackson?— Zeus enterrou a cabeça nas mãos.
— Por que não falaram nada?— Piper pareceu ofendida.
— Percabeth é real— Jason riu.
— Meu filho, terminasse com Calipso primeiro— Poseidon falou, parecendo não estar decepcionado.
— Bela escolha, Percy— minha mãe fez um joinha.
Percy olhava cansado aquele alvoroço. Annie resmungou.
— Qual a parte de "eu gosto de bucetas" vocês não entenderam? A não ser que Percy tenha uma. Percy você tem uma buceta?— nós rimos muito, lê-se só os mais novos.
— Não, Annie. Eu tenho um pau.
— Você tem certeza, Percy?— Thalia perguntou.
— Então por que ela mandou essa mensagem?— perguntou tia Sally.
— Porque ela viu nossa photo booth.
— Percy, onde tá nossas fotos?— abriu os olhos.
— Na bolsa. Já que acordou, sai que tá dando cãibra.
Ela tratou de fechar os olhos e se aconchegou mais nele.
— To dormindo!
— Essa amizade de vocês ainda vai dar em namoro— falei e sorri pros dois.
— É, talvez. Mas por hora, eu to dormindo— Percy sorriu, eu sabia que estava bêbada, assim como todos nós, mas o que ela falou era verdade. E também sabia que Percy nutria algo mais forte que amizade por ela. Bem mais forte.
— Vamos ao assunto— Hades falou. E eu e Lia suspiramos. Eu a abracei arrancando olhares feios dos nossos pais.
— Deixa eles serem felizes!
— Concordo com tio Popo— Jason deitou no colo da Piper e a mesma acariciava sua cabeça.
— Isso não é votação—Tia Meg falou.
— Nem da conta de vocês, e olha nós aqui— Thalia estava estranha, encolhida nos meus braços e falando baixo. Ela devia estar parecendo ameaçadora, como a maioria das vezes. Acariciava incansavelmente a lateral da minha barriga.
— Tá tudo bem?— sussurrei ao seu ouvido. E ela negou, fiquei preocupado.
— Acho bom você nos tratar com respeito, você é nossa filha— Zeus tinha o olhar duro.
Thalia se encolheu mais na palavra "filha". Não pude deixá-la assim.
— Mas vocês não agem como pais!
— Nico não se meta, o assunto não é ausência paternal— minha mãe repreendeu.
— O assunto nunca é a ausência de vocês— Piper deu um tapa no braço de Jason.
— Eu não tenho o que reclamar— Percy falou e Piper riu triste.
— Sorte a sua.
— Tem razão, o assunto é: eu sou apaixonada pelo meu primo. E agora, o que vão fazer?— Thalia estava chorando. Ok, eu estava muito preocupado.
— Nos separar? Não vai diminuir o que sentimos um pelo outro— apertei Thalia nos braços.
— Isso é errado. A Bíblia diz...
— EU NÃO ME IMPORTO COM O QUE A BÍBLIA DIZ, MEGAN. NINGUÉM FAZ O QUE A BÍBLIA DIZ. NINGUÉM SE IMPORTA— se levantou e bagunçou os cabelos andando de um lado para o outro. Murmurava coisas inaudíveis.
— Isso é péssimo pra imagem. O que as pessoas dirão?
Soltei o ar pela boca, frustrado com o pensamento do meu pai. Zeus, Meg e Maria concordaram. Olhei para o lado, e de relance vi Thalia. Mordi o lábio. O que será que matutava em sua cabeça? Isso tudo me deixa louco.
Foi a vez da Annie se manifestar, segurou um pingente no pescoço que não consegui identificar, e o soltou.
— Olhem,— ela saiu do colo de Percy, e aparentava o auge da sua sanidade, apesar de bêbada e a poucos minutos aparentava estar num sono pesado— se se preocupam mais com a imagem que vocês, empresários ricos e fodões, vão passar do que a felicidade dos filhos de vocês; não merecem a vida que tem. Os dois são felizes juntos, eles se amam! Qualquer um que olha, sabe. Da última vez que os separaram, Lia quase morre de overdose. Deixem-os serem felizes, e pro caralho que são primos! Não se escolhe amar. O amor está em lugares estranhos. Seja por um objeto, pessoas do mesmo sexo, animais e até mesmo primos— suspirou, eu a olhava com atenção, impressionado com suas palavras.— Madrinha, com todo respeito. Você vai impedir sua ÚNICA filha de ser feliz, por causa das SUAS doutrinas religiosas. E tia Maria, você vai negar o amor da vida do seu filho por causa da imagem errada que você vai passar pra sociedade. Me poupe, que futilidade de vocês.
Nossos pais a olhavam ofendidos e impressionados.
— Concordo com tudo que você disse, Annabeth— tia Sally lhe mandou um sorriso reconfortante, e pra mim também.
Thalia ainda parecia uma maníaca andando pro lado e para o outro falando só.
— Não é essa a questão. Vocês são primos. Isso é nojento...— Zeus tentou falar, mas Piper o interrompeu.
— Fala sério, sogrão! É sim essa a questão. E cara, isso não é nojento! Nojento é quando você tá cagando de boa, e água espirra na tua bunda quando o cocô cai na privada— os adultos pareciam com nojo e ao mesmo tempo concordando. Jason assentiu.
— Pior sensação.
— Definitivamente— Percy falou.
— Isso nunca aconteceu comigo.
Eu olhei Annie com uma careta.
— Sua poser da vida. Sua vida é uma mentira.
— Voltando o assunto— minha mãe falou.— Desculpe crianças, mas...
Thalia gritou, enterrou as mãos no cabelo. Ela chorava muito.
— NÃO DÁ! Eu não estou passando por isso— fiz menção de me levantar.— Senta, Nicolas. É minha vez de falar. Eu tenho um notícia pra vocês:—olhou nos olhos da sua mãe— eu estou grávida do meu primo. E agora? Meu filho não vai saber quem é o pai? Eu vou abortar? Isso é pecado também sabia, Megan?
Parei de ouvir na palavra primo. Ela socou a parede. Ninguém falava nada. Minha cabeça latejava de tantos pensamentos. Agora, fudeu de vez. A imagem de um bebê de olhos azuis me invadiu a mente. Olhava o nada e ao mesmo tempo via tudo acontecendo em câmera lenta. Zeus foi jogado no sofá por Poseidon, provavelmente tentando arrancar minha cabeça. Meu pai gritava, dizendo o quanto eu era irresponsável, minha mãe me encarava, Meg olhava os testes de gravidez que Thalia tinha jogado no seu colo e aparentava ser mais velha com a expressão cansada. E os outros sentados, calados e encolhidos. Como se a qualquer momento tudo fosse pelos ares.
Me imaginei pai. Eu tinha apenas 19 anos. Estava indo pro último ano da escola, e depois faculdade. O que seria da minha vida com um bebê ali e agora? Fiquei um pouco desesperado. Meu olhar e de Thalia se encontraram e percebi que ela sussurrava um "desculpa", e caminhou até a porta.
E tudo que vivemos passou por 1 segundo na minha mente. Eu não ia perdê-la, principalmente, agora que tem um bebê. Meu bebê. Nosso bebê. Eu sorri, ainda olhando o nada e senti lágrimas embaçarem meus olhos. Eu não era muito de chorar, mas cara, EU VOU SER PAI.
Antes que abrisse a porta consegui a alcançar.
— Eu prometi não te deixar ir embora. E você quer ir por conta própria?
— Nico, me solta. Você não quer isso. Eu sei que...— seus olhos rosados por causa de tanto choro. Apertei suas bochechas, onde corriam lágrimas pretas.
— Você sabe o que eu quero. E eu tenho o que eu quero. E eu não vou perder você. Pode ter sido até uma puta surpresa, mas veio na hora certa. Eu te amo mais que tudo— coloquei minha mão na sua barriga e sorri. Senti as mãos pequenas e quentinhas no meu rosto, o limpando.
— Você me disse que nunca teria filhos— soluçou, dei um singelo beijo em sua testa.
— Assim como você. Mas pode ter certeza, com você eu quero ter tudo. Quantas vezes vou ter que repetir?
Me abraçou forte, nossos corpos tremiam devido os soluços. Parecia que íamos nos fundir em um só.
— Bucetas voadoras, isso tá mais dramático que minha vida.
Thalia riu.
— Nada é mais dramático que sua vida, Chase.
— Saiam todos. Fica Thalia e Nico— Hades falou, seu olhar era mais preocupado que irado.
É agora.
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