Young Blood
23 Pequenas Grandes Lembranças
Notas iniciais
Autora.
Doze anos atrás.
— Mamãe, mas eu não tenho o Dumbo— falou a garotinha de bochechas tão rosadas quanto a um morango e os cabelos dourados. Seu sotaque francês era bem leve. Pulava incansavelmente, animada com a ideia de mais um em sua coleção. Que era bem grande, por sinal.
Ela impedia a mãe de entrar na fila do caixa, abraçada com o bichinho de pelúcia que tanto queria. Era inevitável dizer não aquela carinha, mas Atena se recompôs e foi dura.
— Já disse não! Você tem uma mala cheia desses!— a morena ficava cada vez irritadiça.
Geralmente, era um amor. Mas Annabeth passava nos limites com a birra. E já estava sobrecarregada! A tarde tinha sido pesada. Aqueles parques era sobrenaturais, você que correr por eles o dia inteiro e conhecer cada atração e no fim do dia você está morrendo, mas não quer sair dali.
— Eu não tenho o Dumbo— forçou uma voz mais fofinha ainda, e enterrou a cabeça no bichinho.
A mãe não se deixou levar.
— Chega, se não eu não vou levar seu novo material escolar! Olha, tia Sally está cansada! Todos estão cansados, faça o favor e pare de mimo coloque o Dumbo na prateleira— disse autoritária. Apontou pro fundo da loja, onde tinha outros milhões igual a da mão da loira.
Saiu cabisbaixa, o fantasia azul de princesa roçando no chão, um número maior que o seu. Tinha convencido seus pais para comprar de qualquer jeito. Ela sempre foi assim, teimosa.
— Como você consegue dizer não a ela?— Poseidon, um antigo amigo, a olhava divertido, do lado do seu verdadeiro clone criança e sua esposa.
— Essa carinha dela...— suspirou a morena barriguda. Sally não se aguentava mais em pé, já estava com 7 meses e inchada.
O garotinho perdido nos próprios pensamentos, olhava sua amiga se arrastar pela loja. Aquilo o deixou muito mau.
— Mãe, podemos levar o Dumbo pra Annie? Ela está triste, não gosto da Annie triste— o moreninho sussurrou, de mãos dadas com o pai.
A mãe, no fim da gravidez, deu um sorriso derrotado, a barriga fazia suas costas doerem. Mas nunca foi capaz de negar algo para seu filho. E a tristeza de Annie estava contaminado todos.
— Fred, Atena... acho que deixei meu cartão lá dentro— passou a mão pelas costas do marido e piscou pro filho, que a acompanhou.
— O resto do pessoal já foi pro carro?— Poseidon perguntou olhando em sua volta.
Que era bem bonita por sinal, havia balões e carrocinhas de comida espalhadas, prédios comerciais fechando, aquele pequeno mundo colorido e mágico conseguia despertar a criança de qualquer um. A alegria dançava silenciosamente pelo ar, o céu estrelado contaminado de magia e o castelo...
Ah, o castelo, se acendia em diferentes cores e nos seus corações. Um gostoso arrepio corriam no corpo de quem visse aquele lugar. A diversão sussurrava nos ouvidos, e surgiam os mais belos sorrisos.
— Eu to com sono, papa— Annie se estendeu a seu pai, Frederick, em busca de colo.
— Até que enfim, você nunca se aquieta. Deveria tomar mais remédios— sussurrou o adolescente loiro, tão imperceptível ali, não gostava de nada disso ou apenas não admitia, preferia seus livros de aventura. Era o diferente do grupo, e se sentia superior com esse fato. Desde pequeno, coisa que herdara de sua mãe.
— E você é um loiro burro e babão— Annie comentou no colo do seu pai e mandou língua pro irmão.
— Não fale assim— Fred sentou no pequeno murro de pedra do jardim artístico, ao lado do filho e de Poseidon.
Mas que cansaço do cão! Todos queriam a cama quentinha do seu hotel.
— Essas crianças...— Atena tirou uma garrafa de água da bolsa rosa gigante (ela poderia tirar um avião dali de dentro) e bebeu, apreciando a vista. Estava exausta para parar a briga dos filhos, seus pés ardiam.
— Eu não sou burro! Olhe só para você, uma menininha vestida de Cinderela que não sabe nem quem foi Van Gogh— Mal falou de jeito superior, revirando os olhos e aceitando a garrafa oferecida pela sua mãe.
— O que é Vangok?— perguntou Percy a voltar com a mãe e uma sacola azul nova, com as escritas 'Walt Disney World'. Parecia mais animado, afinal, iria fazer a amiga feliz.
Annie se virou pra ele, com desprezo e superioridade, igual seu irmão. Era tão engraçado vê-la assim.
— É Vincent Van Gogh!— olhou para o irmão, semicerrando os olhos e ajeitou a coroa na cabeça com graciosidade.— E ele era um grandíssimo pintor se pós-impressionismo, que vivia na loucura e sem orelha— fez uma careta repulsiva, chamando atenção de todos pra sua inteligência.— E suicida, como foi capaz? Um homem tão brilhante...—suspirou como uma pequena gênio.— O que a mente apronta para nós...
Os adultos ficaram impressionados com sua maturidade ao falar.
— Uau! Nem eu sabia direito quem era ele— Poseidon falou em transe. Atena revirou os olhos. Às vezes não resistia a burrice do amigo.
— Você não sabe nem quem é o atual presidente dos EUA!— sentou junto a eles, não sentindo as pernas. Observando a gravida em pé, perto do filho, rindo (concordando anonimamente com a morena).
— Só porque é uma enciclopédia ambulante— Poseidon arqueou as sobrancelhas em desafio, e a olhou. Eles se provocavam até a morte.
— É diferente, minha mãe é muito inteligente. Assim como eu— Annie se levantou e pôs as mãos na cintura.
— Não, Annie. Você é uma chata sabe-tudo mesmo— Percy riu. E Sally lhe deu um beliscão, o repreendendo.
Fred percebeu a nova sacola de Sally, e não pode deixar barato.
— Vai pegar o cartão e volta com uma sacola, qual é o sentido?— implicou com a mania de Sally, e ela apenas abanou a mão indiferente.
— Percy gostou de uma camisa do Buz— disfarçou.
— Não gosto de Toy Story...— Annie mexeu no seu vestido.
— Você é estranha— Percy parecia olhar um alienígena.
Esse era um dos jeitos de mostrar seu carinho, com ofensas e provocações. Assim como os pais.
— Eu gosto de ser estranha— Annie pulou do murrinho e saiu marchando em direção da saída.
Andavam por último e em silêncio, Percy e Ann, estavam "brigados". Ele não via a hora de dar o presente a Annabeth, mas estava com medo. Adorava implicar, mas quando ela saia derrotada, lhe dava um gelo, agindo como se nem existisse. E foi o que aconteceu, odiava muito isso.
Tirou, bem devagar o bicho felpudo da sacola. E estendeu a Annie.
— Comprei pra você...— sussurrou baixinho, morrendo de vergonha.— Feliz aniversário— ela arregalou os olhos e deu um gritinho abafado pelas mãos, não sabia o que sentir diante do gesto do amigo. Ele realmente tinha a comprado.
Menino esperto.
Todos se voltaram pra eles, mas eles nem ligavam, estavam dentro do seu mundinho. Tanto que nem perceberam Atena tirando a máquina fotográfica da bolsa.
Percy olhou pro chão incomodado com a falta de resposta.
— Erh, você me desculpa por ter te chamado de esquisita. Quer dizer, eu acho bem legal esse seu jeito, acho também que é legal você se achar legal e se gostar... E...— ele sorriu bobo, bagunçando seu discurso de desculpas.
Annie não resistiu as bochechas coradas e lhe tascou um beijo na boca, sem saber o que era direito. Bem na hora que sua mãe registrou o momento. Eles se abraçaram envergonhados, porém felizes.
— PAPA! Olha que eu ganhei do Percy— Annie saltitou de mão dadas com o mesmo.
— E você agradeceu?— seu pai fingiu não ter visto seu inocente e singelo beijo.— Você não pode sempre satisfazer as mulheres, Percy. Ficam mal acostumadas— piscou pro menino e bagunçou seus cabelos, arrancando risadas.
— É claro que sim! E não escute a última parte. Você pode me comprar tudo a hora que quiser— Annie contradisse e saiu de mãos dadas, andando na frente agora.
— Pois é. Vou ter que te comprar muito pelo visto— riram juntos.
Atena e Mal reviraram os olhos.
— Eu estou criando um mostro!
— Ferry Boat ou Trem?— Poseidon perguntou.
— FERRY BOAT— a duplinha imperativa saiu correndo em direção ao lago, onde nele havia um barquinho pra levá-los ao estacionamento.
— Odeio crianças— Mal murmurou.
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Dez anos atrás.
— Parem de correr, pelo amor de Zeus!— Atena gritou.
Mas o furacão loiro e moreno não pararam.
Era verão, no litoral sul da França, numa enorme casa de praia dos Chase e dos Zhang. A Costa Azul era um lugar magnífico, reservado aos mais ricos.
A família toda reunida, eles não eram todos de sangue, mas se consideravam já que eram amigos de anos. Era engraçado a relação que mantinham. Mas todos a valorizavam.
— THALIA, PARA DE MORDER O LEO!— Meg gritou para filha mais velha.
— Ele roubou meu doce!— sentou na grama emburrada. Leo correu com medo até Jason e Piper, seus melhores amigos.
— Ela é louca— falou indignado. Os amigos apenas assentiram e riram da sua situação.
— Vem, cara de pinheiro. Vamos pegar outro doce pra você— Nico puxou seu braço, enquanto ela resmungava o quanto odiava o pequeno Valdez.
...
No playground, os mais velhos, com uns 16 anos, discutiam possíveis faculdades.
— Eu vou fazer publicidade mesmo— Si falou.— Talvez me especializar em moda, não sei... É difícil, sabe? É uma coisa pra vida toda.
Nyssa se encolheu, nem chegava aos pés da beleza de Silena, se sentia um pouco ameaçada as vezes. Mas logo esquecia isso.
— Eu vou fazer engenharia mecânica, sem sombra de dúvidas! Eu nasci pra fazer isso— trocou um soquinho com seu irmão gêmeo, Charles.
Eram negros de cabelos lisos e incrivelmente fortes.
— Só podia ser filha de Hefesto, vou te contar...— Clarice, sua melhora amiga revirou os olhos, abraçada com o namorado Chris. Por mais ele que morasse na América, conseguiam manter o relacionamento.
— Aposto que você vai se lutadora, pra combinar com seu irmão. Um panda lutador de sumor— Mal, que considerava um irmão, zoou.
Clarie, ao contrário do que faria normalmente com quem insultasse seu pequeno panda, lê-se Frank, não matou ninguém. Ela tinha um pavio muito curto.
— E você? Viadinho sabe-tudo, vai estudar pra encontrar a cura pra sua irmã e seu amiguinho?— perguntou venenosa com um sorriso de escárnio no rosto. Mal, sem mesmo tirar os olhos do livro de química, deu um risinho debochado.
Mal e Clarie se entendiam, do seu jeito, mas se entendiam.
— Não seja malvada!— Chis sussurrou ao seu ouvido e apertou sua cintura contra ele.
— Não me venham com putaria uma hora dessas— Charles resmungou.
— Não fale palavrões na na frente da criança— Si, apontou pra Zoe. A mais nova do grupo, apenas tinha doze anos.
— Você são muito babacas— suspirou.
— ZOE— Bianca veio correndo.— Vem comigo?— nem esperou pela resposta, a puxou pra fora do balanço e saíram andando.
...
Octavian, Frank, Will, Katie e Cali brincavam de tabuleiro, fervorosamente, em uma mesa perto da piscina. Monopoly era como uma guerra pra eles.
— ONDE ESTÁ TRAVIS E CONNOR?— Hermes gritou.
— Você não os deixou na praia, deixou?— Apolo perguntou quase rindo e Tristan caiu na gargalhada junto com a Valdez, mãe de Leo, Charles e Nyssa.
— Não, eles vieram no carro comigo— Hades disse.
— E agora?— perguntou Deméter preocupada.
— Procurá-los...— Atlas falou.
— Calma, eles não vão botar fogo na casa— Maria falou, de pernas pra cima em uma rede.
— Essa é nossa preocupação— Brooke, mãe de Clarie e Frank falou.
— Eles são crianças, passei coisas priores com Atena, Ares, Apolo e Afrodite— Nana enfiou jujubas na boca.
Atena riu, e seus irmãos reviraram os olhos. Menos Afrodite, que não comparecia o lugar. Ninguém sabia onde se metera a muito tempo. Depois que Piper nasceu, desapareceu, geralmente evitavam esse assunto.
— Mamã, quelo bolo— Tyson, o mais novo integrante da família, falou. Tinha apenas dois anos, e uma fissura por doces.
— Daqui a pouco chamamos a Annie pra cantar parabéns, tudo bem?— Sally acariciou os cabelos do filho em seu colo.
...
— Vamos roubar docinhos— Percy sussurrou pra Annabeth. Estavam scondidos dentro de uma moita.
— Eu não sou criminosa!— o repreendeu.
— São docinhos— Travis prolongou a palavra, em desdém.— E eu to com fome. Preciso deles pra sobreviver— Fez drama.
— Não é como se fossem te prender... Dãh— Connor gesticulou.
— Você é a aniversariante, não vão brigar com você. Afinal, você está com a gente ou não?— Percy falou. E pareceu que só havia ele no mundo, ela tinha essa sensação sempre. Quase concordou apenas por ouvir sua voz.
Ela pareceu avaliar a situação, era uma operação séria aquela. Fitou o rosto dos seus parceiros do crime.
— Ok, mas eu faço o plano!
— É claro, né? Da última vez que Percy fez o plano, nada deu certo— Connor bufou, relembrando o episódio.
Se esgueiraram pelo pequenos arbustos atrás da mesa do bolo.
— Vocês pegaram alguma sacola?— Annie perguntou, agachada bem perto da mesa, concentrada.
Os meninos se olharam, confusos.
— Não...— Travis tentou começar.
— E aonde vamos por isso? Nas suas cabeça oca?— se irritou com a incompetência dos seus parceiros, se era pra fazer, que fizesse direito.
— Ei, se acalma, ok?— Percy colocou a mão no seu ombro.
Annabeth olhou pra ela, com desprezo.
— Se acalma você, e tire a mão de mim!
— Rainha do drama, tem outra solução— olharam para Connor em expectativa.— Faz assim com a blusa,— esticou a blusa, como se fosse a bolsa de uma mãe canguru— dá pra levar alguns aí dentro— apontou pra blusa com uma foto do Einstein de Annabeth.
— Alguém vai comigo!
— Percy— os gêmeos falaram em uníssono.
Os dois ladrões reprimiram um sorriso satisfeito por estarem juntos nessa, como prometeram que sempre estariam.
Levantaram a cabeça, espiando os outros, até então, nenhum movimento para o local. Devagar quase parando, ficaram atrás da mesa, pegando algumas jujubas e marshmallows mais próximos. Sua camisa começara a pesar, mas ela não desistiria agora.
— Eu quero alcaçuz, Capitão Sardinha— continuou a pegar mais doces.
— Vamos, Tenente Coruja, antes que nos peguem!— Percy estendeu sua mão pra ela.
— Eu. Quero. Alcaçuz— o olhou ameaçadora.
Percy decidiu a nunca contrariá-la, não queria saber do que aqueles olhos eram capaz.
— Voltem a base, a ameaça se aproximando— Travis sussurrou gritando, mas nenhum dos dois conseguiu ouvir.
Poseidon vira toda a operação das crianças, e quando Annie aproximou mais o braço dos doces, ele o agarrou.
Num grito assustado, Percy a puxou.
— Vou pegar você— Poseidon riu maléfico.
Eles saíram correndo pelas pessoas. "Mayday, mayday!" " Abordar missão" "Plano falho, voltar a base, câmbio".
Ann e Percy se olharam, segurando a gargalhada ainda correndo. Subiram em cima da comprida mesa e quebraram todos os pratos e copos caros de porcelana. Pularam, saindo dela, correm em direção a piscina.
A adrenalina escorria pelos olhos. E o coração estava na boca, pronto pra ser regurgitado.
— Voltem aqui delinquentes, vou mandá-los a cadeia— Poseidon gritou, brincalhão. Era um ótimo pai.
Empurrando um ao outro, pra conseguir a liderança da fuga, sem querer, Percy empurrou Ann que acabou tropeçando e caindo na piscina com um alto barulho.
Não se importou com a queda da amiga, e continuou correndo. Só se esqueceu que a mesma não sabia nadar, não por falta de professores, mas por medo. Nunca entendeu isso, na verdade não entendia quase nada em relação a Annabeth.
Ouviu sons de engasgo e de alguém se debatendo na água.
— ANNABETH— sua mãe gritou longe demais da piscina.
Nem pensou duas vezes, saiu correndo e deu um pulo perfeito na piscina. Não era atoa, o menino era louco por água, desde banhos e no copo até viagens de cruzeiro. O que fazia fazia com frequência, já que seu pai era dono de uma empresa dessas.
Nadou energicamente até a loira, agarrou sua cintura. E lhe sussurrou no ouvido.
— Não se preocupe, eu estou com você— sua voz expressava culpa e remorso, estava embargada. Nunca pensou que pudesse fazer mal a alguém.
Ann se pendurou em seu pescoço, deixando-a ser levada por Percy, ao chegar na borda da piscina, ele a levantou e a sentou na borda, fazendo o mesmo em seguida. Estavam encharcados.
— Me perdoa— a abraçou, ela estava tremendo, o medo a consumia.
Eles ouviam os sermões das outras pessoas ao seu redor, as exclamações de alívio, as condenações de morte... Mas de novo, entraram em um mundo só deles, onde ninguém poderia entrar.
— Annie, meu santo seja Poseidon, você tá tremendo muito...
— Não me diga— comentou enraivecida, sem parar com a tremedeira.
— Por favor, me desculpe, eu não...— seus olhos começaram a ficar marejados, e ele a apertou em seus braços.
— Tá tudo bem, Mr.Lerdeza, estamos juntos, ok? É isso que importa— ela deu um beijo gostoso na sua bochecha.— Eu te amo, Sardinha.
Ele sorriu.
— Eu te amo, Coruja.
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Sete anos atrás.
— Por que você não brinca?— Thalia perguntou pela sexagésima quinta vez.
— Acho que, ela não vai responder— Jay falou, todos olhavam pra loira sentada no sofá azul da casa de Zeus.
— Sabe pirralhos— Nyssa e Mal passavam por ali.— Annabeth vai ficar tão nojenta como Malcom, nem tentem...
Malcom só riu e... Apertou sua bunda?
A menina loira, encolhida em um canto, perto das poltronas, lia um livro de matemática avançada do irmão, enquanto todos se divertiam. Não se importava, matemática era diversão, ainda mais quando tinha uma olimpíada no começo do ano letivo.
— É seu aniversário você vai ficar lendo?— nem prestou atenção nas palavras de Nico.— Nerd— sussurrou e se jogou o sofá branco da sala, derrotado.
Percy lhe deu um tapão, por sua tal indelicadeza.
— Vamos, Ann— suplicou, chegando perto.
— Eu meio que concordo com ela, qual é a graça de verdade ou desafio?— Piper perguntou.
— Então vai ler livros de matemática— Jay zombou.
— Podemos fazer muitas coisas, índia— Thalia sorriu de lado.
Os meninos riram, sugerindo segundas intenções.
Annabeth, revoltada com essa encheção de saco toda, fechou o grosso livro e tirou os óculos quadrados se levantando. Alisou o vestido com uma grande foto de um safari, que ela mesma tinha tirado nas últimas férias de inverno e caminhou até o arco da saída.
E todos olharam pra Percy (claro!), ele era o único capaz de domar a fera. Eles se entendiam da maneira mais certa, conversavam sobre tudo, conhecia cada linha da mão um do outro. E eles valorizavam isso. Percy suspirou, quando se tratava de Annabeth, era sempre ele. Seguiu ela até a cozinha, a casa estava vazia.
Seus pais tinham saído pra jantar de uma cooperativa, e Héstia já estava dormindo. Os mais velhos estavam lá em cima fazendo sabe lá Zeus o quê. E os outros dormindo. Bem no meu aniversário, não tinha coisa melhor, não?, ela pensou. E logo em seguida, todo o seu melhor, muito mais que isso até, entrou na cozinha, com seu sorriso de lado, que ela aprendera a amar.
Ele se sentou do seu lado no balcão, pegou sua maçã e deu uma mordida. Mas não falou nada, sempre conseguia perturbá-la sem dizer uma palavra. Fechou o livro em um alto estrondo, e o mesmo olhou com um sorrisinho convencido e lindo, queria tanto sorrir, mas manteu a expressão irritada.
— Da pra você... Vazar?— ela abanou a mão pra saída.
— Não— respondeu simples, deu uma mordida na maçã, sem tirar os olhos do cinza tempestuoso. Eles faiscavam em desafio.
Naquele momento uma trovão estourou no céu, e uma chuva pesada começou a cair. Annabeth adorava aquilo tudo, sempre fora apaixonada por dias de chuva. Seus olhos brilharam pra janela e o jardim lá fora. Uma ideia maluca se formou na sua mente. Sorriu involuntariamente.
— To dentro— Percy falou, já apoiando a ideia louca na cabeça de Ann.
Correram até a porta que dava para o quintal, e a abriram. Sentindo o ventaval forte.
Olharam simultaneamente um para a mão do olho, e as entrelaçaram sentindo os corações acelerarem. Meu Zeus, que sensações eram aquelas?
Dessa vez, caminharam de mãos dadas até sentir as primeira gotas de chuva fustigar seus rosto, soltaram uma risada gostosa. Se olharam profundamente, já estavam completamente ensopados.
Annie saiu correndo, deixando um Percy bobo a olhando. Ela conseguia ser tão linda, sendo tão... Ela. Deu uma estrelinha, tropeçou e caiu rindo. Se levantou.
— Vai ficar só me olhando?
Antes mesmo de terminar a frase, ele saiu correndo. Ela soltou um grito e continuou a correr.
Sentiu braços segurando sua cintura e a rodando no ar. Gargalhavam tanto que a barriga doía, a felicidade parecia transbordar. E aquilo era de verdade. Ele era de verdade. Ela também. Annabeth se perguntou como ele a fazia tão feliz e leve, como ele conseguia transformar sua chatice em momentos tão incríveis. Como ele mexia com ela, fazia seu coração bater mais forte e seu corpo se arrepiar. Talvez, ela pensou, ele é o amor da minha vida.
Mas afastou a ideia, era muito nova pra isso. E não acreditava em amor. Era coisa de filmes, sempre falou. Garota esperta. Mas tirou isso da sua cabeça, aproveitando o momento.
Corriam, caiam, giravam, pulavam, escorregavam. De
repente parou ofegante e se virou pra Percy que corria atrás dela, tentando a alcançar.
— Você é um panaca— se trombaram, e Percy caiu em cima dela. Os seus peitos subiam e desciam descontrolados, em busca de ar.
O olhos verdes brilhavam, eles estavam tão vívidos que poderiam produzir oxigênio por um milênio todo. Eles simplesmente faiscavam, talvez o motivo fosse ela. E estava tão lindo. Se apoiou nos cotovelos, tentando não esmagá-la.
— Sou um panaca por que você gosta de mim?— perguntou convencido, Annie se debatia debaixo dele, queria sair, ele segurou seus braços a cima da cabeça, deixando mais confortável pra si.— Não vai me responder? Quem cala consente...
— Me solte, bundão!
— Ei! Você fica olhando pra mim bunda?
Annabeth engasgou envergonhada.
— NO OUTRO SENTIDO!
Percy não parava de sorrir, sempre que conseguia, tentava tirar vantagem da "inocência" de Annabeth.
— Qual é o outro...
— PERCY, ANNABETH? CADÊ VOCÊS?— ouviram vozes abafadas chamadas seus nomes.
— Vamos, Percy. Estão nos chamando... Sai de cima— tentou se soltar.
— Não antes disso— ele, então, a beijou pela primeira vez. Seus lábios tremiam e estavam frios, mas era bom. Muito bom, eles não tinha jeito, se mexiam da maneira errada. Suas barrigas doíam, de tanta adrenalina. Suas bocas estavam abertas. Mas tudo parecia perfeito. Afinal, eram Percy e Annabeth. E faziam isso juntos, eram isso o que importava.
— Você é um panaca— eles se levantaram, como se aquilo nunca tivesse acontecido. Percy estava todo corado e sujo de grama, não muito diferente de Annie. A única coisa estranha era... Ela corava no nariz, não nas bochechas. Percy amava isso. Era por que suas bochechas eram muito grandes quando crianças... E de algum modo isso a afetou hoje. Era tão... ela, ele pensou de novo.
Mas a verdade era que, não parava de fervilhar nas suas cabeças o beijo, as sensações estranhas... Eles quiseram se tanto beijar de novo.
— Por Zeus, de quem foi a ideia maluca de sair na chuva?— Atena perguntou, brava, muito brava. Fuzilava sua filha, sabia que tinha sido ela. Sally estava ao seu lado, nem um pouco contente. E atrás seus pais os olhavam divertidos.
Os dois de cabeça baixa, toalhas os cobrindo e um belo copo de achocolatado. Os lábios inchados os entregavam, seus pais suspeitavam de um possível beijo. Annie segurava a boca, ainda incrédula, jurava que podia sentir a de Percy nela.
— Fui eu— Percy respondeu.
Annie quis se enterrar. Não poderia prejudicá-lo. Suspirou. Apesar de estar bem marcada com sua mãe, aprontava demais.
— Não! Fui eu— Annie fungou e ajeitou os óculos. Ele a olhou surpreso.
— Annie...
— Tá tudo bem, Percy— se olhavam de cabeça baixa.
— Podiam ter pegado um resfriado ou uma pneumonia!— Sally estava indignada.
Só pra confirmar o que falou, Annie espirrou e Percy tossiu. Maldito seja o destino, pensaram.
— Os dois de castigo— Atena decretou.
— Quê?— Annie lhe encarou, a raiva corria suas veias. A dormência e a culpa se esvaíram do corpo, substituída pela boa e velha raiva.— Você me deixa no dia do meu aniversário, SOZINHA... Pra ir numa droga de jantar. E a única opção de brincadeira é a mais fútil possível: verdade ou desafio. Aí quando arranjo algo pra brincar, divertido, como crianças de verdade fazem, você me bota de CASTIGO?— Annie riu cética e sem graça.
— Filha, era o jantar pra decidir sobre a empresa de arquitetura. Eu lhe falei!— Atena tentou argumentar com a menina. Azar o dela que tinha herdado da mesma toda a inteligência e sarcasmo.
— Iai? Não podia ter feito isso outro dia...— Annie piscava até demais. Segurava as lágrimas.
As duas se enfrentavam numa batalha de olhares. Com os narizes empinados e o orgulho as alturas.
— Vamos, Ann— Percy entrelaçou suas mão, e a apertou em advertência.
— Eu sou sua mãe, e você faz o que eu mandar— Atena falou sem tem mais nada na manga.
Annabeth colocou o copo de acrílico na mesa, num alto estrondo, soltou a mão de Percy e aplaudiu a mãe.
— Você devia receber um prêmio pelo sua capacidade de argumentação, Sra.Chase—e saiu da cozinha junto com Percy.
— Louca— sorriu de lado.
— E você gosta.
Se abraçaram de lado, o que na visão de trás dos adultos era engraçado, já que Annie era um 3 centímetros maior que Percy.
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Oito anos atrás.
— Vou ver se o Percy quer ir— Annie falou.
Estavam em NY, eles iam no Museu do Rock. Apolo levaria Nico, Annie, Will e Thalia. Os únicos que faziam realmente questão de ir. Estavam no estacionamento do hotel, prontos.
Will bufou alto.
— Você não faz nada sem ele— Thalia reclamou.
— Você faria o mesmo se fosse comigo— Nico balançou as sobrancelhas.
Annie revirou os olhos, Nico era um babaca. Mas ela o amava (não tanto quanto Thalia).
Passou no saguão e chamou o elevador.
Se sentia cada vez mais idiota em relação ao Percy. Estava realmente apaixonada, foi sem querer, ela jurava. Quando ele a beijou de novo no Dia de Ação de Graças em Nova Orleans foi a certeza de que ela gostava dele. E não era apenas paixonite, ela o amava. Mas não sabia como, nem porquê.
Então, ela entrou no elevador. Pensando em seus olhos verdes e seus cabelos piche. E como havia crescido, ficara maior que ela. Por que não parava de pensar nele? Invadia até seus sonhos! Pensou em falar isso pra ele, talvez falasse. Algum dia, quando estivessem mais velhos. E o que seria? Namorariam e casariam, teriam muitos filhos? Riu, com esse pensamento.
...
As portas do elevador abriram no seu andar, e ela viu, no fundo do corredor, do lado da máquina de gelo; o motivo de todo seu sofrimento. Fechou os olhos apertado, pensando esperançosamente que aquilo fosse um sonho. Mas não era. Se escorou nas paredes do elevador.
Queria vomitar, e chorava. Estava com nojo e soluçava tão forte que sua garganta doía, assim com sua cabeça. Sua reação foi tão imediata. Não conseguia evitar. E por que ele tinha feito isso com ela? Sua melhor amiga? Não tinha princípios? SEI LÁ, NÃO TINHA CORAÇÃO? Era tão imperceptível que ela era louca por ele? E desde quando tinha ficado tão... Profissional? Ele tinha muito habilidade no que estava fazendo com... Ela. Parecia agressivo e muito promiscuo. Será que tinha beijado outras garotas enquanto estava fora? Por que tinha que ter sido tão inocente? Pensado que pertenciam um ao outro. Amor era coisa de filmes mesmo, pensou. Como se pudessem ficar juntos um dia.
Haviam chamado o elevador, mas ela não ligava. Não se importava com nada. Só queria desaparecer pra sempre, afinal, seu mundo tinha caído naquele momento. Sua única razão a traiu.
E por uma decisão precipitada e raivosa, prometeu que nunca iria se apaixonar por Percy Jackson de novo. Nem se quer falaria mais com ele.
Coitada, nem sabia o futuro que a esperava...
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