Young Blood
26 Não vou deixá-la ir
Notas iniciais
Nico.
Braços entraram por dentro do meu terno e deslizaram, sensualmente, até chegar na minha virilha e voltar. Puxando-me pra si, dei alguns passos para trás.
Thalia.
Nada era como seu cheiro. Marguerita e cigarro adormecido.
Apenas sorri, sentindo seu corpo no meu. Mordeu meu lóbulo.
— Você é um tesão, gato— riu contra minhas costas. E aumentou o aperto de seus braços. Beijou meu pescoço, e virei o copo de vodka, lembrando das outras pessoas no círculo de conversa.
— Filha, será que...— eu ri da cara desconfortável de Zeus. Traguei profundamente, entediado.
Queria mesmo era sair dali e ter uma foda selvagem. Aquele lugar, cheio de bebidas, pessoas elegantes e conversas fúteis e medíocres que dava nos nervos.
— Onde estava?— sussurrei. Lia passou a me abraçar de lado, aconchegando em mim. Soltei a fumaça pro alto.
— Vendo o florescer de Percabeth— pegou meu cigarro, tragando-o.
Ela era a mulher mais sexy que já tinha visto. O seu jeito profissional de tragar, a elegância nos movimentos, o olhar esmagador e intimidador, o modo provocador...
Desligamos das conversas, encarando um ao outro. Não entendia o agudo desejo carnal que tínhamos um pelo outro, mas nequele momento eu podia pegar as faíscas no ar.
— E você, Thalia? O que pretende fazer no futuro? Vai ficar com a empresa do seu pai?— perguntou um dos sócios dos nossos pais, Sr. W. Dare. Barrigudo e ruivo, e chato.
Levamos alguns segundos pra sair do transe. A droga não ajudava muito. Uma mistura de nicotina e maconha, ajudava a aguentar esse povo, até nós irmos transar.
E ela riu debochadamente. Odiávamos aquele assunto, mas naquela hora não havia um jeito não grosseiro de desviar dele. Então, ela responderia.
— Futuro— se deliciou da palavra, levou a cigarro a boca mais uma vez, pensativa, e soltou a ar podre. Percebi os olhares voltados a ela, esperei que os chocasse.— Bem, eu espero morrer antes que precise de um futuro.
Sorri de lado abaixando a cabeça e botando uma das mão no bolso. Essa era minha mulher. E ela chocou, como fazia. Jogou o resto da bituca no chão e pisou com seu salto gigante. Tia Meg mandou um olhar super ameaçador, e Lia obrigou-se a completar com os olhos tão azuis que me surpreendi com os mesmos supersaturados.
— A empresa vai ficar pro perfeitinho do Jason. Eu não tenho paciência pra isso. E também tem o plano B, que é ser professora de História da Arte.
E chocou de novo. Alguns tinham caras descrentes, como se fosse uma brincadeira, outros impressionados. E eu orgulhoso, ela só falava de suas paixões comigo, e uma delas era a arte. De todos os tipos. Lembro perfeitamente quando falamos sobre o tal assunto, estávamos num MacDonald's do Queens.
— História da Arte?— Sally perguntou, sorridente.
— Não sabia que gostava de arte— Meg falou querendo alfinetar. Péssima ideia. Thalia estava no auge de toxina no sangue, provavelmente e por experiência própria isso não daria muito certo.
— Eu sou uma artista, apaixonada pela arte, é lógico, e música, principalmente, se você não sabe. Aliás, sabe?— perguntou soltando seu veneno. Levantou a sobrancelha grossa pra mãe, que desviou o olharz
— Nico? Você pretende morrer também?— Fred perguntou, sorridente. Eu amava aquele cara. Sério! Ele era inspirador. Eu e Lia rimos.
Annie teve todo o bom humor e as piadas sem sentido, e as com também, de onde puxar. Só o sorriso do Fred era contagiante.
— É claro que sim! Ninguém é imortal— diminui o clima tenso, perto da beirada da piscina e das palmeiras. Olhei ao redor, lotado.— Na verdade, pretendo ser sexólogo— arranquei risadas. Minha mãe enterrou a cabeça nas mãos.
Não podia fazer muita coisa por ela. Era isso que eu queria.
— E o que sabe sobre sexo?— meu pai questionou.
Lia não aguentou o riso, colocou a mão na boca pra controlá-lo.
Adorava seu jeito implicante de enfrentar os mais velhos. Além de ficar com cara de tacho, faziam papel de idiotas. Levantei as sobrancelhas, sorrindo de lado.
— Fiz um curso em NY muito bom sobre anatomia e psicologia sexual, e me apaixonei— continuei, tranquilamente, dando de ombros.
Thalia gemeu e enterrou a cabeça no meu peito.
— Eu lembro, você voltou melhor do que nunca— sua respiração acelerou. — Caralho, estou muito excitada— sussurrou, puxando minha gravata.
Sabia o que o gesto significava. E eu já ia atendê-lo.
— Nenhum médico? Advogado? Promotor?— Poseidon ironizou.
— Calma, Popo. Ainda temos Tyson pra salvar a geração defeituosa de Olympius.
Dare, pigarreou e colocou o telefone no bolso. Eu tinha até me esquecido dessa formosidade.
— Com licença, eu tenho que ir. Feliz aniversário, Megan— O Sr. Dare deu um beijo na sua bochecha e saiu. Mais que veado! Deixa a gente com esse assusto excroto e vai embora. Nem dá um tchauzinho.
— Não mesmo! Deixo isso com o Percy. Eu vou ser tatuador— não ouvi nada depois disso. Nem esperei pelas expressões, decepcionadas ou surpresas dos meus tios. Explodi em gargalhadas com Lia, que sem querer caiu no chão rindo mais ainda. Dei pulinhos tentando parar, dei girei em volta de mim mesmo me destruindo em risos. A mudança de comportamento me deu um pouco de dor de cabeça.
Vi, pela visão embaçada, Jay e Pips se aproximarem. Estendi a mão a Thalia, que se levantou precariamente.
— Que ataque foi esse?— ouvi a voz de Jason.
— Tá muito estranho isso, viu? Vocês não são alegres— Piper sorria, mas via embaçado, por causa das lágrimas.
— Filho, diz pra mamãe que isso é brincadeira!— Sally acariciou os cabelos de Tyson, que jogava no video game portátil, despreocupado.
Minha mãe e Zeus choravam, escorados um no outro, de tanto rir. Meu pai ria escandalosamente e Meg tentava conter o riso, sem sucesso. Fred deixou a taça cair pra poder rir melhor. Poseidon foi até pegar outra bebida.
— O que perdemos?— Piper perguntou, muda. Estava linda com o vestido longo branco, onde só colava no busto, caindo por seu corpo, simples, no cabelo usava uma trança estranha presa com flores. Quase salivei, ela estava muito gostosa, cara. Mas ela e Jason pareciam realmente noivos, então parei com esse tipo de pensamento.
Balancei a cabeça coçando os olhos.
— Presta atenção— respondi no mesmo tom.
— Por que brincaria com isso?— desligou o Nintendo DS. Olhava a mãe desafiador. O terno e os braços cruzados o deixavam mais hilários.— Nico, eu não sempre disse o quanto gostava das suas tatuagens e que queria fechar meu braço assim como você fez? Você me até prometeu me levar no Joe pra fazer uma, e pra ele me ensinar tudo que sabe.
Sally me olhou com a cara mais ameaçadora de todos. Recuei com Thalia nos braços.
— Se ferrou com a ira de Dona Sally— Fred zoou.
— Não me fode não garoto. Só quem pode me fuder é minha namorada— senti a mesma apertar minha bunda.
— Muito bom saber disso— Lia sorriu safada.
— Isso é verdade, Nicolas Olympius Di Ângelo?— Sally nem se exaltou. E era isso que me preocupava. Além de ela ter falado meu nome todo.
Apontei defensivamente pra Tyson.
— Esse menino é um mentiroso— balancei a cabeça pra cima e pra baixo, olhando pra minha tia.
— Porra, Nico!— resmungou.
— Você falou palavrão?— Sally arregalou os olhos, voltando-se para o filho.
— Deixa o menino...— Poseidon falou, a lado dele.
— Tyson, é feio falar palavrão— Lia falou, Jay e Pips riram.
— Olha o exemplo!— Piper arqueou a sobrancelhas, ouvi Lia rosnando baixinho.
— Você fala!— Ty retrucou.
Thalia deu um passo a frente.
— Eu falou porque sou maior, buceta. Você é só um merdinha que passa o dia batendo punheta com revista pornô tosca. Se acha legal falando palavrões? Pois não passa de um zé buceta ridículo. Quando estiver com a porra de 21 anos, trabalhando como tatuador ou o caralho a quatro, você pode falar palavrão— ela parecia que voaria no menino, nenhum de nós na roda tentamos segurar o riso até Sally, que assentia em concordância, a cara do Ty era de puro terror. Agora mais doce, Lia botou as mãos no joelho, e falou:—Ouviu, meu amor?
— Sim— Ty saiu correndo, assustado, desaparecendo no meio das pessoas.
— Lia, o medo das criancinhas— ri comigo mesmo.
Os outros começaram a conversar novamente. Peguei mais um copo de vodka, abraçando Thalia por trás. Não nos importávamos com o diálogo do círculo.
— Ah,— falou só pra mim— vou fechar meu braço quando voltar da viagem! Já até falei com o Joe— sorriu infantilmente.
Beijei suas covinhas.
— Sério?— uma aposta que tínhamos feito em NY, me veio a cabeça.— E o que vai fazer?
Olhou pra frente e tragou o cigarro que tinha na mão.
— Um céu tempestuoso.
— Tinha que ser— sorri malicioso, e soprei no seu pescoço.
— Você está me devendo uma transa aérea— riu arrepiada e empinou levemente a bunda contra mim.
— Lia, Nico... Sabem onde estão o Percy e a Annie?— Jay falou aparecendo ao meu lado.
— É eu queria falar com ela, só que desapareceu!— Pips estava preocupada. Segurei a vontade de rir. Annie estava muito bem.
— Ah, nem vem, Pips! Você que são os dois coelhos da história— minha mãe falou.
— Ei!— repreendeu.
— É verdade!— Meg deu de ombros.
— Piper tem razão, não os vi ainda— meu pai falou.
— Tenho suspeitas— Zeus bebeu algo, com um sorriso contido.
— Fazendo coisas que já deviam ter feito a muito tempo— Lia sorriu perversa, deixando explícito a verdade.
— Enquanto meu cabaço tá crescendo de novo aqui, o Percy tá tirando o dele— levei o copo a boca, sendo impedido por...
— Ai, que fofo!— Piper gritou, e deu pulinhos.
Revirei os olhos. Assim como Jason.
— Não é fofo, Percy metendo na minha Annie— Jay falou emburrado.
— Ela tem que crescer, cara— botei a mão no seu ombro, consolando-o.
Os adultos estavam boquiabertos.
— Você está dizendo que eles estão transando, pela primeira vez, aqui e agora?— Poseidon cético.
Fred era o único de boa, bebia um troço verde e azul com um mini guarda-chuva. Já falei que o adorava?
— Pensei que já tinha transado à muito tempo mesmo— franziu a testa.
— Percy é um lento— virei o copo, garganta abaixo, sentindo queimar.
— Meu filho é um cavalheiro— Sally gabou-se.
— Só que minha filha é uma puta— Fred deu de ombros.
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Rasguei seu vestido pelo decote, a cada segundo ficava mais gostosa. A prensei a parede do corredor, nos beijando profuntamente.
Bati e apertei seus seios a mostra. Passei as mãos por todo seu corpo, quis cada centímetro. Puxei o elástico da calcinha, mas não o tirei. Lia rosnava de frustração.
Me agachei, distribuindo beijos molhados, no seu pescoço, clavícula, colo, mamilos. Apertei sua cintura tão forte que imediatamente vi as marcas das mãos. Dei um tapão na sua bunda e mordi a pelinha embaixo do seu umbigo.
Thalia, que se segurava meu cabelo, jogou a cabeça pra trás, umedecendo os lábios e engolindo o seco. Era um mulher difícil de se arrancar gemidos. Acariciei sua intimidade pelo minúsculo pano que a cobria, estava encharcado e quente. Subi bruscamente, e a tomei em um beijo violento, entrelaçando uma das suas penas em mim. Fazia questão de me esmagar contra ela, sua perna estava firme, me desafiando a mais.
Mordeu meu lábio tão forte que senti sangrar. Tirei o resto do seu vestido do corpo.
— Podemos entrar no seu quarto agora?— os olhos azuis escuros pareciam a noite. Brilhavam famintos e selvagens pra mim. Seu cabelo parecia de uma leoa, e a maquiagem borrada dava todo aquele charme a mais. Segurei seu queixo, duelando olhares luxuriosos.
Nos desgrudamos e entramos no quarto de paredes desgastadas e pichadas, cheios de posters. Ela bateu a porta preta com tanta força que pensei que fosse quebrar. Virei pra mesma repreendendo seu ato, e a vi deixando a calcinha escorregar do seu corpo. Desfilou até mim, eroticamente, e me jogou na cama, sentado em cima do meu pênis vigorosamente. Não tirara o salto, sabia o quando gostava de transar assim. Já me sentia pulsar, sempre achava o ponto certo pra me atingir. Minha ereção chegava a doer.
Tirou minha camisa num movimento só, causando uma chuva de botões. A arrancou junto com o terno, deixando apenas a gravata. Ri, era uma safada.
Sorriu maleficamente e arranhou todo meu tronco, deixando vergões sanguinolentos. Tirei os sapatos e as meias sem precisar das mãos, vendo ela rebolar em mim e levar minha mão da sua cintura até seu clitóris, cravei minhas curtas unha neles e o puxei, a ouvindo gritar meu nome.
Nosso estilo de sexo era violento, selvagem. O tipo que marca território com roxos e marcas profundas. Adorávamos e combinávamos perfeitamente com aquele leve sexo sadista. Conseguíamos descontar toda raiva, as frustrações do mundo e, principalmente o passado um com o outro em momentos como aqueles. Nunca deixava de ser relaxante e proveitoso.
Já havia tirado minha calça, me olhava voraz. Se posicionava deliciosamente em cima de mim, sem aviso, levantei o quadril, me enterrando nela dolorosamente, que caiu desfalecida em mim. E me preocupei um pouco.
Não era comum dela demonstrar fraqueza ou sentimentos parecidos. Sempre era bruta. Sua respiração atingiu minha orelha. Paramos os movimentos por um momento. Passei a mão pela sua bunda quente. Controlei para não rasgá-la no meio, precisava saber se estava bem antes.
— Foi forte demais?— beijei seu ombro, com muito autocontrole.
Riu com gosto. E se ergueu ainda mais perigosa, seu cabelo lhe dava um ar de grandeza. Me deu um tapa no rosto e segurou meu queixo, cravando suas unhas. Senti arder descomunalmente. Começou a me engolir tão pesadamente que minha visão ficou turva, os era movimentos rápidos e lentos.
E me perguntei o quanto doía. Eram fodas estranhas, canais e primitivas demais. Um taboo só nosso. Conectados cada vez mais. E lhe beliscava com a mão toda, seus seios, bunda, as coxas. Quicava e cavalgava em mim, pendurada a meu corpo pela gravata, que dava voltas em sua mão.
O atrito das nossas peles nos deixariam assados. Quando senti que ia explodir dentro dela, saiu de cima de mim, ficando de joelhos na cama.
Agarrei-a bruto, antes que fizesse outra coisa, fiquei de frente pra ela.
— O que pensa que está fazendo?— rosnei.
— Realizando sua fantasia mais secreta— falou sensualmente. Me deu um beijinho doce, fiquei confuso. Até ficar de quatro empinado sua bunda gostosa. Ela não estava fazendo isso. Ah, deuses... Como conseguia ser tão sensual? Senti o pré-gozo saindo.— Vai...— sussurrou.
Fiquei boquiaberto, ainda de joelhos. E não conseguia falar com exatidão. Se levantou, virando pra mim. E olhando minha situação.
— Deixa eu te ajudar...— tocou-me devagar. Passou um braço pelo meu pescoço, e com sua outra mão me masturbava rapidamente. Só observei seu profissionalismo. Chupou e beijou meu pescoço, enquanto acariciava sua costa com os dedos. Meu liquido jorrou e respingou em sua barriga. Riu no pé do meu ouvido, mordendo meu lóbulo. Continuou o vai e vem acelerado, me animando de novo.
— Nunca deixa na mão— virei meu rosto e beijei seus lábios manchados de batom roxo. Apertei sua bunda, sinalizando estar pronto. Sorriu no beijo, passou dois dedos na barriga, pegando meu gozo e os chupou, me olhou provocadora. Se virando lentamente roçou sua bunda em minha ereção, ficando se quatro novamente.
Me posicionei nela, segurando sua cintura, firmemente, e a penetrei por trás. Ela choramingou alto e gritou de dor. Quis tirar, mas doeria mais. Enfiei até estar inteiro dentro dela. Urrei de prazer, era muito apertado. Acariciei sua barriga lisinha, parado para que se acostumasse. A levantei, colando suas costas no meu peito. Distribui beijos carinhosos, e ela bagunçava os cabelos, encostando nossas bochechas. Enrolou a mão na gravata, dando maior apoio.
Agarrei seus cabelos e com o outro braço, segurei seu corpo contra o meu, passando os dedos pelos seus lábios menores, encontrando seu clitóris, e o masageei em movimentos rotatórios.
— Você é incrível— mordi sua bochecha, tentando normalizar a respiração, mas era impossível.— Eu te amo— sussurrou, sentindo um quentinho no peito.
Escorou sua cabeça em mim, e beijou meu pomo de Adão, e comecei a estocar, devagar, evitando machucá-la. Grudamos nossos olhares, testa com testa. Abriu a boca em um 'O', roçando seus lábios no meus, eu só suspirava baixinho, tentando aguentar tanto prazer. Gritou, cerrando os olhos.
— Ah, deuses— passou a mão no meu rosto, e segurou meus lábios. Pressionei mais forte seu clitóris e a penetrei mais fundo. Puxou meus cabelos e me olhava, gemendo loucamente. Deslizei o indicador na sua entrada, até achar meu pontinho da sorte. Sorri e o apertei. Thalia berrou, e arqueou-se, tremendo debilmente, não conseguia parar, e lhe faltava ar. Dava lufadas tentando recuperar o fôlego.
A segurei firme contra mim, e senti o seu generoso liquido na minha mão, ela tinha ejaculado em comigo. Ainda estocando, espalhei o mesmo pelo seu tronco.
Lia não tinha mais forças, desfaleceu sobre mim, num último coito, gozei em alívio.
Me senti leve, parecia estar nas nuvens, caímos na cama. Me retirei dela. Abraçados de lado, acariciava sua barriga, pensando no quanto aquilo foi bom. Talvez a melhor noite da minha vida. Talvez não, ela realmente foi.
Estávamos ofegantes, sujos e suados. Cheirei o cabelo piche, o beijando. Ela inda tentava recuperar-se, tremelicava de leve. Num momento de silêncio, rimos, distantes e alucinados.
— Eu também te amo, Nico. Eu te amo muito mesmo— murmurou.
...
Escutei o toque do celular, a batida de Radio Gaga. Abri os olhos de contra gosto. Os cocei, e focalizei Lia dormindo como uma pedra. Nem se mexeu quanto tirei meus braços dela. Sai de fininho, quebrando nossa conchinha.
A varanda revelava um lindo dia, vi milhares de pessoas limpando a área da piscina e o jardim onde tinha sido a festa, desmontavam tendas e o bar. Tirei a gravata de ontem. Peguei a calça no chão, procurando o celular, que berrava na voz de Freddie Mercury. O encontrei no bolso e tela estava toda trincada. Deve ter quebrado quando Lia jogou minha calça no chão. Atendi sem saber quem era. Senti pontadas fortes na cabeça e gosto ruim na boca.
— Alô?— minha voz saiu arrastada. Ouvi uma fungada. Minha cabeça estava a ponto de explodir de dor.
Caminhei até a varanda, nu, fechado as cortinas.
"Nico?"
— Bia?— falei feliz por ouvir sua voz. Sentei na beirada da cama tirando os saltos de Thalia, que se encolheu. A cobri com o lençol preto jogado no chão. Fui à cabeceira da cama e peguei o controle do ar, o ligando.
"Nico"— suspirou.— "Ainda bem"
Sua voz saiu em embargada.
— Tá tudo bem? Você está chorando?— me desesperei. Meus olhos corriam inquietos pelo quarto. O que tinha acontecido? Minha cabeça doeu mil vezes mais em pensar em Bia magoada.
"Tá, é que..."
— Não minta!— me irritei. Como podia estar mal e não falar comigo?
"Só pede pra Si me ligar de volta"— pediu tão fraca, que me despedacei. Era minha irmãzinha, a protegeria de tudo. Senti o rosto esquentar de raiva.
— Alguém fez algo pra você, Bianca? Me diz, que quebro a cara desse babaca...— fechei as mãos em punho. Ninguém machucaria ou magoaria minha irmã.
"Relaxa, eu vou ficar bem"— vou?— "Só faz o que eu te pedi, ok? Eu te amo. Prometo falar quando eu voltar— se apressou.
— Bia?
"Eu te amo muito"— sussurrou, e desligou.
...
Entrei no banheiro pra tomar uma ducha. A água corria gelada, e fiquei pensando no quanto Bia estava estranha. Pelo que eu sabia só era assim só na TPM, e eu tinha certeza que não estava— precisava saber coisas como essas, já que morava com duas mulher de temperamento forte e namorava uma de pior ainda.
Pensei em como Hazel era igualzinha, me incomodei com as saudades que sentia dela, iria ligar pra ela hoje. Eu as amava tanto que doía, era inexplicável minha relação com Bianca, e Hazel... Sorri, recordando dos seus detalhes.
Desliguei o chuveiro e me enrolei na toalha. Parei no batente na porta olhando Lia, já sem o lençol, dormindo toda aberta, de bruços. Quase ri.
Caminhei até ela, passando as mãos pela sua perna, apertei de leve sua bunda, vermelha e inchada de ontem. Encostei o nariz em suas costas, a cheirando.
Sexo, adorava esse cheiro nela.
Rocei minha boca em seu ouvido, o furacão negro cobria seu rosto.
— Hora de acordar— acariciei mais uma vez sua bunda. Se remexeu fraquinho e levantou repentinamente pelo lado oposto da cama, me ignorando totalmente. Tomei um susto, recuando, ainda não tinha visto seu rosto, seu cabelo não deixava. Abriu algumas gavetas da minha cabeceira, e pegou uma caixinha de cigarros, acendendo quase que imediatamente. E o tragou todo de uma vez só, sentando na cama pegando o segundo.
— Lia? Não tá cedo demais pra cigarros?— perguntei, ainda em choque, e ela assentiu freneticamente, levando a mão no rosto. Jogou o resto da bituca no cinzeiro e a caixa na cama. Coçou a cabeça e a enterrou no corpo, tremendo.
Hoje era o dia dos mistérios femininos? Suspirei, ia ficar louco com esses ataques emocionais. Mas me mantive firme, afinal elas eram as mulheres da minha vida. Fui até Lia, sentando no chão a sua frente, acariciando suas pernas marcadas.
Pensei em ontem, ficando tonto, será que estava machucada, de verdade?
— Por favor, diz que isso não é por causa de ontem— minha voz saiu rouca de tanta preocupação.
Nos semelhávamos muito, éramos pedras, não demostrávamos os sentimentos com frequência. Costumavam ser os bons, pois o ruim se escondiam no lado mais escuro de nós, sendo guardados meticulosamente para não saírem, e quanto saiam... Algo de muito errado acontecia. Me deixava perturbado ver Lia assim, um gosto podre tomou minha boca, e minha garganta fechou. Negou, sem mostrar o rosto, sabia que estava chorando, e que odiava isso. E não poderia deixá-la se afogar nas próprias lágrimas. Tinha que concertar o que quer que estivesse errado, afugentar qualquer que fosse o medo, dar o que quisesse. Era isso que eu fazia.
— Vai me responder?
— Você sabe que não— a fala arranhou meus ouvidos de tão seca.
— Então me fala o que te incomoda— tentei manter o tom doce e firme. Mas eu mesmo estava querendo chorar.
Eu tinha sentimentos, nunca iria deixá-los explícitos, mas eles estavam lá.
— Eu quero meu filho de volta, Nico. Eu quero esquecer viagem ao Canadá— levou os cabelos pra trás, deixando a face amassada e inchada aparecer. A maquiagem preta estava em quase ele todos, mas foi os olhos que me mataram.
Estavam tão vazios e foscos. Perdidos no meio disso tudo.
— Isso tá muito errado— falou.
Não tinha noção do que fazer ou sentir. Me mantive neutro, cortando nosso contato.
— Nós estamos errados? É isso que quer dizer?— arqueei as sobrancelhas.
— Eu quero dizer tudo, Nicolas. Tudo! Annie tem me mantido firme esses dias, mas minhas recaídas são profundas. Não sei por quanto tempo vou aguentar— sempre foi comum o pensamento suicida de Lia, mesmo quanto não tinha motivos, sempre teve uma índole depressiva, aumentada significativamente depois do acontecido no Canadá. Poucos sabiam, só Percy e eu, na verdade. Talvez Annie. Mas agora, parecia no seu ápice. O auge de tudo que passou. Isso me afetou igualmente, senão dez vezes pior. Eu sentia tanto que não conseguia mais distinguir o quanto nem o quê.— Relembrei constantemente esses dias.
Sabia do que falava. Por que não conseguia esquecer esses dois anos? Como se fosse fácil, pensei. Eu apenas evitava, não pensava, não falava. Ninguém falava, ninguém sabia. Apenas eu e Lia. Os eternos fudidos.
— Não vou deixar você fazer isso— falei baixo, olhando o chão.
— Vai diminuir meu sofrimento, pense no quanto estarei leve, livre disso— seu nariz escorria, vermelho. Fraca, estava sem forças.— Sabe quanto você olha pra cima e pede pra acabar? Eu não quero mais isso, Nico. Quero que você entenda que...
— Isso é um tipo de adeus?— perguntei exaltado.— Ontem a noite, aquilo foi uma despedida? Thalia, eu sei que não é fácil...
— Não você sabe— soluçou.
— EU TAMBÉM ESTAVA LÁ! O FILHO TAMBÉM ERA MEU! NÓS PASSAMOS AS MESMAS COISAS, LIA— minha cabeça latejou, o que ela pensava que eu era? Um saco de pancada?
Se encolheu, puxando o lençol para cobrí-la. Cocei o cabelo forte. Tentando achar algo a fazer.
Me sentei na cama a abraçando, enterrou-se no meu peito. Parecia a única solução plausível no memento. Sua pele estava fria, seus lábios roxos.
— Desculpe. Eu não vou deixá-la ir.
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