Notas iniciais
Mil perdões pela demora. Espero que não tenham desistido da fic.

Hermione’s pov

– Bom dia. – sua voz me acordou de forma suave. Lentamente abri meus olhos, me deparando com seus olhos azuis acinzentados.

– Olá. – sorri.

Seus olhos não saiam dos meus. Ficamos ali pelo que pareceu uma eternidade. Minhas mãos, quando percebi, já estavam em seus cabelos, acariciando levemente, com carinho e até mesmo uma saudade que eu desconhecia até então.

– Estamos atrasados. – disse ele baixinho, parecendo não querer estragar aquele momento.

– Eu sei. – suspirei e então me afastei, tentando evitar seu olhar.

– Acho que é a deixa para eu sair do quarto.

– É. – reprimi um riso com um sorriso de canto.

Draco bocejou alto e então foi até a porta. Parou ali e me olhou com o que eu deduzi ser ternura.

– Até a aula de Poções.

– Até – a porta já havia se fechado. Sorri de canto e suspirei satisfeita. Fazia tempo que eu não dormia tão bem.

Preguiçosamente fui até meu armário e me vesti. No banheiro, em frente ao espelho, percebi o quanto minhas olheiras haviam desaparecido e o brilho estupido novo que havia em meu olhar.

–*-

E aí Granger? O que acha de me encontrar depois da janta na torre de astronomia?

Bem, não precisa responder. Eu estarei lá.

D.M.

– Hermione? HERMIONE! – gritou Ronald do meu lado.

– Sim? – disse piscando os olhos.

– Em que planeta você vive? – ele revirou os olhos pra mim, passando o braço por cima de meus ombros.

Dei de ombros para ele e então me concentrei na mesa a frente do local onde eu estava sentada. O loiro olhava para mim fixamente, seus olhos agora levemente estreitos ao ver o braço do ruivo.

Eu recebera o bilhete a aproximadamente uma hora atrás. E agora eu debatia comigo mesmo. Eu queria ir, mas seria estupidez. Nesse horário eu deveria estar começando a monitorar os corredores. Não valeria a pena correr o risco de ser pega. Valeria?

– Sabe? Acho que não quero sobremesa. – eu resmunguei lá pelas tantas, ao ver o loiro piscar para mim e se levantar, indo em direção a saída do salão.

– Sério? – perguntou Harry surpreso. – Mas é torta de abobora!

– Eu sei. – suspirei e dei de ombros. – Vou indo organizar minhas coisas para começar a cuidar dos queridos corredores. Eles estão muito solitários hoje. – suspirei cansada, fazendo Gina rir e Rony olhar com solidariedade.

– Se quiser posso fazer companhia.

– Desculpa Ron, mas parece que hoje os corredores só querem a mim. – com uma careta dramática me levantei, fazendo todos rirem, menos o ruivo. – Nos vemos mais tarde ou amanhã.

– Boa noite Mi. – disseram Harry e Gina em uníssono.

Draco’s pov

E aí Granger? O que acha de me encontrar depois da janta na torre de astronomia?

Bem, não precisa responder. Eu estarei lá.

D.M.

Larguei a pena e encarei o bilhete. Bem, que assim fosse. Eu fiz minha querida Toffe quase se machucar por causa do violão, então eu teria que dar utilidade a ele. Eu mostraria, finalmente, a musica para ela. Meu corpo estremeceu levemente. Droga, isso seria difícil.

– E aí Draco? – chamou Blás. – Como está o projeto “Recuperando Hermione”?

– Está melhor do que o esperado. – dei de ombros, tentando soar indiferente, mesmo sabendo que isso era ridículo.

– Não se esqueça, Malfoy. Vacile e nós estaremos na fila pela morena. – Nott afirmou enquanto Blas concordava.

– Como vocês preferem morrer? – perguntei, minhas mãos em punhos.

– Relaxa Malfoy. – eles começaram a rir. – Você se estressa tão fácil. – Nott revirou os olhos em minha direção.

– Na verdade a gente viu seu bilhete ridículo.

– É Draco. – Nott olhou sério pra mim. – Se eu fosse uma mulher eu nunca iria te encontrar, você é tão insensível! – ele fez uma careta de tristeza profunda fingida o que me fez rir.

– O que faria de melhor então? – perguntei.

– Tentaria ser romântico e bla bla bla. Afinal não é disso que as mulheres gostam?

– Fora que você e seu pai ferraram tudo com ela. – complementou Blas.

– Valeu por me lembrar Blas.

E assim fomos para a janta. Durante todo o tempo não consegui tirar meus olhos dela, bem como seus lindos olhos castanhos pouco se distanciaram de mim. Na hora que resolvi finalmente levantar para seguir para a torre, não resisti e pisquei para ela que instantaneamente ficou corada.

“ Meu coração doía desesperadamente, como nunca doera tanto. A ardência contida em meus olhos era tamanha que as lagrimas vinham ate a borda. Só não transbordaram pois não tive coragem de permitir. Com o violão em mãos, voei até a margem da cachoeira e me sentei ali, onde outrora pedi minha pequena em namoro.

Ainda com minha angustia anterior segurei o violão e em voz inicialmente baixa comecei a cantar o que antes eu ficara pensando sobre...

“When I look into your eyes”

(N/A: IBIGYH, capítulo 26) “

Meu peito doeu com a lembrança e minha garganta fechou. Involuntariamente lágrimas voltaram aos meus olhos. Balançando negativamente segui até o dormitório meu e de Hermione e peguei o violão ainda em tamanho diminuto e segui para a torre. Aquele pequeno objeto agora na palma de minha mão me causava arrepios. Eu precisava voltar a procurar com exatidão a história de Ark. Mas isso ficaria para mais tarde.

Ao chegar ao topo da escada da torre de astronomia qual não foi minha surpresa ao deparar-me com Hermione sentada sobre uma grande almofada vermelha, recontada na parede.

– Olá! – disse ela baixinho.

– Você veio. – sorri satisfeito em vê-la ali.

– A curiosidade matou o gato. – sussurrou.

– Que? – arqueei uma sobrancelha.

– Nada não. – sorriu ela para mim. – Mas então, por que eu vim até aqui mesmo?

– Hum, eu queria que escutasse uma coisa que fiz da primeira vez que fomos obrigados a nos separar.

– Hum...

Seus olhos castanhos eram dois universos sem fim de curiosidade. Meu coração palpitava e minhas mãos estavam suadas em nervoso. Eu nunca fizera isso antes. Eu nunca cantei para ninguém, muito menos toquei. Quer dizer, como eu, Draco Malfoy, poderia demonstrar que utilizava de um recurso basicamente trouxa? Não que agora eu me importasse.

– Senta aqui! – ela sorriu gentilmente para mim, ao mesmo tempo que fez um feitiço para aumentar ainda mais a gigante almofada em que ela se encontrava.

Me sentei ao seu lado, virado de frente para ela.

Hermione’s pov

O nervosismo dele era palpável. Ele me olhava de uma forma inocente e nervosa como nunca antes. Aquilo era doce vindo dele. Era impossível não me simpatizar com a causa. Eu imaginava o quanto aquilo devia estar sendo difícil para ele fazer, ainda mais somando-se as memorias dele de nosso fim de relacionamento. O primeiro, pelo menos.

Deixei que ele sentasse ao meu lado e então, me aproximei mais, segurando com uma de minhas mãos nas dele e com minha mão livre acariciando seu rosto.

– Não precisa fazer isso se não quiser. – falei baixinho, quase baixo demais para que ele escutasse.

– Eu quero. É só que nunca fiz isso para ninguém. – ele sorriu sem jeito, se aproximando de mim até encostar sua testa na minha.

– Uhum. – resmunguei em concordância por falta de ter o que falar.

– Eu quero te beijar. – disse ele, com os olhos fechados.

Suas mãos se livraram da minha e se dirigiram ao meu rosto, segurando-o firme. Seus olhos não se abriram nem por um momento. suspirei fundo e sem resistência alguma levantei mais meu rosto, meus lábios procurando os dele.

E assim nos perdemos momentaneamente um no beijo do outro. Meus lábios estavam colados nos dele, num beijo tão carinhoso que era quase doloroso. Minhas mãos encontraram seu cabelo e ali lhe deixaram caricias.

– Seu beijo. – disse ele e então parou para mais um beijo, breve dessa vez. – É o paraíso. – completou.

Apenas sorri e neguei com a cabeça, me afastando para olhá-lo. Seu cabelo estava bagunçado por minhas caricias, seus lábios estavam mais corados que o normal e seus olhos tinham um brilho que me fazia me perder.

– É, beijo muito. – disse sorrindo de canto o que o fez rir.

– Realmente. – e então ele colocou a mão no bolso, tirando dali um violão em miniatura. Reconheci ser o que estava na mansão Malfoy. Me arrepiei. – Agora... bem, fiz isso para você... bem, para nós na verdade, a um bom tempo atrás e eu nunca tive a oportunidade ou coragem de mostrar. Eu não quero mais perder tempo. Quero mostrar agora, antes que mais alguma droga se ponha em nosso caminho.

Acenei afirmativamente e esperei, não querendo tirar a coragem dele.

Com um feitiço ele trouxe novamente o violão ao seu tamanho natural. Era de um cinza chumbo muito bonito. Isso era algo inusitado. Draco com um instrumento trouxa... mas deixei por isso. Não quis questioná-lo. Não por enquanto, de qualquer maneira.

Ele, sem presa alguma, começou a afinar o violão, por vezes limpando a garganta. Ele me pareceu tentando criar coragem. Dei tempo a ele, enquanto o ocupava encarando seus belos traços.

Conforme ele se organizava, começou a ventar e nuvens escuras foram tomando o céu acima de nós. Seus olhos cinzas encararam o céu e ele deu um muxoxo.

– Bem, o tempo sabe bem o que essa música significou para mim. – ele sorriu amargo.

E então, antes que eu pudesse falar qualquer coisa, alguns acordem saíram do violão e quando sua boca abriu foi para cantar de forma tão angelical que me fez o olhar impressionada.

“When I look into your eyes

It's like watching the night sky

Or a beautiful sunrise

There's so much they hold

And just like them old stars

I see that you've come so far

To be right where you are

How old is your soul?”

Seus olhos não sairam nem por um momento dos meus. meu coração disparou. Um trovão rebombou pelo céu.

“I won't give up on us

Even if the skies get rough

I'm giving you all my love

I'm still looking up”

Tudo que eu conseguia pensar era no sofrimento que ele sentiu para escrever isso. Meus olhos estavam marejados, assim como os dele. Eu estou te dando todo meu amor, a frase ecoava em minha mente mais do que qualquer outra coisa.

“And when you're needing your space

To do some navigating

I'll be here patiently waiting

To see what you find”

Eu sabia que ele me amava, e eu sabia que o amava. Por que eu tinha que fazer disso tudo algo tão complicado?

“Cause even the stars, they burn

Some even fall to the earth

We got a lot to learn

God knows we're worth it”

Se ele fala com tanta convicção que acredita que valemos a pena, porque eu não acreditaria? Apesar de tudo eu sabia que Draco Malfoy não escondia seus sentimentos de ninguém.

“No I won't give up

I don't wanna be someone who walks away so easily

I'm here to stay and make the difference that I can make

Our differences they do a lot to teach us how to use

The tools and gifts we've got yeah we got a lot at stake

And in the end, you're still my friend”

Ele sempre quis ficar ao meu lado, mesmo que nada conspirasse para isso. Eu o amava. Eu o amo. Sorri com isso, mesmo com lágrimas escorrendo por meus olhos. Agora o vento soprava ainda mais forte e a chuva começou a cair fina sobre nós. Mesmo querendo, meus olhos nunca se desviavam do dele. Suas lágrimas se misturaram com a chuva.

“At least we didn't intend

For us to work we didn't break, we didn't burn

We had to learn how to bend without the world caving in

I had to learn what I've got, and what I'm not

And who I am”

Nós aprenderíamos a concertar as coisas quebradas. Ele era o único que poderia botar meu coração inteiro novamente, só agora eu realmente via isso.

I won't give up on us

Even if the skies get rough

I'm giving you all my love

I'm still looking up”

O céu agora resolvera despencar sobre nós. A chuva fina se transformara em um aguaceiro. Mas ainda assim não nos movemos, nos encarávamos intensamente. Ele podia ver meus olhos vermelhos pelo choro, assim como eu podia ver os seus. Eu não podia acreditar no quanto ele realmente estava sofrendo pela separação. Draco Malfoy, meu amor mais uma vez.

– Eu amo você. – disse suficientemente alto para que ele escutasse acima do barulho estrondoso da água que caia.

Notas finais
eu realmente estou triste por ter demorado tanto. Espero que possam me perdoar. Em função disso, vou ver se consigo terminar a fic logo, para que vocês não tenham que ficar esperando tanto pelo próximo. Obrigada por todo carinho viu? Eu amo vocês, de todo meu coração s2