You let her go - Você a deixou ir
5 Capítulo 5 - Porque você é tão apaixonável?
Notas iniciais
– ELE TEM NAMORADA. — Continuei chorando.
– Amy, não acredito, mas você tem certeza? — Luly falou enquanto Alice passava a mão nas minhas costas.
– É CLARO, ELA BEIJOU ELE NA MINHA FRENTE, E ELE APRESENTOU ELA COMO “AMY, ESSA É A MINHA NAMORADA”.
Logo depois que aquela garota chegou, abraçou, depois deu um beijo em Vinícius, e ele ainda disse: ”Amy essa é a minha namorada”, eu me esforcei o máximo para dar um sorriso, tenho certeza que saiu totalmente falso, porque naquele momento meu mundo estava desmoronando, dei uma desculpa de que a Luly estava me esperando no pátio. Sai andando rápido e logo que sai do salão principal, comecei a correr até o banheiro. Chegando lá entrei numa cabine, me tranquei e comecei a chorar, soluçar, sinceramente acho que fazia uns bons anos que eu não chorava daquele jeito, feito uma criança que não tinha conseguido o que queria. E naquele momento eu estava me sentindo assim mesmo, uma criança que havia descoberto que o papai noel não existia.
Tentei parar de chorar, eu poderia passar a noite inteira chorando, mas aquele não era o momento, lavei meu rosto com água bem fria, mas ainda assim meus olhos estavam inchados e vermelhos, e quando estava saindo encontrei Alice, Luly, e Caio, Alice vindo em minha direção.
– Onde você estav... – Alice começou, mas vendo meu estado parou rapidamente.
– O que aconteceu ?? — Luly disse.
– Por favor, depois eu explico, mas venham na minha casa comigo? — Respondi.
– Claro, vamos logo. — Luly se apressou.
Caio ficou com uma cara meio de assustado mas não disse nada, acho que não queria se intrometer, Luly disse que iríamos embora e ele perguntou se precisava de ajuda, ela disse que não e começamos a ir andando para minha casa.
No caminho, para meu alivio elas não disseram nada, chegando no meu quarto eu desabei de novo. Eu disse que ele tem namorada, e elas fizeram uma cara de assustadas e ao mesmo tempo com dó de mim.
– Nossa que cretino! Ele nunca disse que tinha namorada. — Luly disse.
– Na verdade eu também nunca perguntei, nós nunca tínhamos chegado a esse assunto... E para falar a verdade a culpa não é dele, eu que via coisa onde não tinha nada, eu me iludi... — Falei.
– Mas Amy, a carinha que ele te olha, o sorrisinho que ele te dá quando você fala algo, é a mesma cara que o Caio olha para Luly...
Comecei a chorar mais.
– Vai ver esse é o jeito dele e ele é assim com todo mundo. Mas agora eu estou tão triste, quando eu achei que poderia confiar em alguém de novo, descubro que é melhor ficar quietinha no meu canto mesmo!
– Mas você viu Amy, ele é um bom garoto, não é igual a todos os meninos. Ele... só já tem namorada. — Luly disse.
– Eu sei. Eu não quero gostar de ninguém, nunca mais. Gostar de alguém dói. Faz partir nosso coração em pedacinhos. Faz a gente não saber para onde ir.
– Mas gostar de alguém também faz nosso coração se sentir vivo, e quando é correspondido nos faz se sentir a pessoa mais feliz do mundo. Amy, quando você achou que iria dar certo, não foi assim que você se sentiu?
– Foi, mas porque nunca dá certo? Porque sempre tem algo no caminho que me faz cair de cara no chão? Porque quando decido confiar em alguém o destino me prega peças? Porque quando eu não escolho o cara certo, eu não escolho o momento certo?
– Ah Amy, você só ainda não encontrou o cara certo no momento certo, porque quando ele chegar, você vai ver como valeu a pena esperar.
[...]
Quando percebi já estava no colégio, quinta-feira as aulas eram normais, eu estava parecendo uma zumbi, por fora e por dentro também, meio morta, parecia que estava no automático, só me lembro da Luly e da Alice ontem indo embora e eu chorando mais, depois dormi. Cheguei na sala e deitei sobre minha mochila na carteira. Depois de uns 10 minutos senti alguém me cutucando, era Luly.
– E ai Amy, tá melhor??
Fiz que sim com a cabeça.
– Não fica tristinha não tá ?? Vai nos deixar triste também. — Ela disse.
Logo Alice chegou e a aula começou também, nunca vi uma aula demorar tanto na minha vida, mas os professores meio que estavam deixando todos conversarem sobre o resultado da gincana, no qual o grupo vermelho ganhou. Resolvi dormir, para dispersar daqueles pensamentos, o Vinícius beijando e abraçando outra pessoa...
Quando percebi tinha dormido por três aulas e logo o sinal do intervalo tocou, Alice e Luly disseram que iam comprar alguma coisa para comer mas já voltavam, eu continuei deitada na carteira, não queria pensar na possibilidade de ver ele lá.
Elas voltaram e começaram a conversar comigo, querendo me fazer rir, e pela primeira vez desde ontem eu consegui me animar, e agradecer por ter amigas assim, que queriam meu bem, queriam me fazer feliz.
Mais alguma aulas entediantes e o sinal da saída tocou, eu me despedi delas e comecei a andar o mais rápido possível, não queria ter que me explicar para o Caio porque ontem eu estava chorando e fui embora desesperadamente e muito menos encontrar o Vinícius.
Minha missão falhou, porque o Caio apareceu do meu lado e falou:
– Ta fugindo do que?
– Hã? Ah, não to querendo chegar em casa logo porque estou com fome. -Tentei forçar uma risadinha.
– Hum, sei... — Ele disse em um tom totalmente irônico, lógico que ele não estava acreditando em mim.
– Cade o Vinícius? — Eu perguntei, mas no fundo era um alívio ver que ele não estava ali.
– Ele não veio hoje...
– Ah ta. — Ufa, não teria que ver ele. Pelo menos hoje.
– Ei Amy, posso te fazer uma pergunta?
Fiz que sim com a cabeça.
– Porque ontem você foi embora daquele jeito?
Fiquei com cara de assustada e corei. Droga. Ele chegou a esse assunto. Tentei dar mais um desculpa.
– É que minha mãe ligou falando que meu irmão tinha caído de bicicleta, e ela estava desesperada, e eu fiquei preocupada achando que tinha sido grave, mas ele só torceu o braço e ralou um pouco o joelho...
– Hum.
Realmente ele não estava acreditando. Com razão. Mas o que eu poderia dizer? Ah eu estou apaixonada pelo seu primo e ontem vi que ele tem uma namorada. Lógico que não.
Logo mudamos de assunto, falamos sobre a gincana, como tinha sido injusto o vermelho ganhar, que nosso time estava muito melhor, cheguei em casa e dei um tchauzinho sem graça para ele, odeio mentir, e sempre fico muito culpada depois, mas não havia outro jeito.
Esquentei o almoço para o meu irmão, porque eu estava totalmente sem apetite, e fui para o meu quarto. Lembrei que uma vez eu tinha visto numa revista adolescente que escrever ajudava a desabafar, e organizar os pensamentos, e eu estava precisando disso, resolvi escrever uma carta para Vinícius, que claro ele nunca leria, ele nunca saberia a existência disso.
"Eu queria te dizer tanta coisa, mas eu sei que nunca vou ter coragem para isso, então vou escrever, mesmo sabendo que você nunca lerá, é melhor do que deixar tudo preso dentro do meu peito. Agora mesmo depois do que eu vi ontem, nunca terei coragem de demonstrar o que eu sinto.
Eu gosto de você.
Não posso dizer que é amor, mas é quase isso. Chocante? Quem sabe, ou talvez você desconfiava disso faz tempo? Não sei.
Tenho que admitir que gosto de você desde a primeira vez que te vi, no primeiro dia de aula, claro que a primeira vista eu só te achei bonito, mas depois de um tempo eu vi que você é muito mais do que isso. Você é tímido, mas depois que você se abre, é uma pessoa engraçada, que se importa com as outras, e tem um sorriso lindo. É, que droga de sorriso é esse? Faz minhas pernas tremerem, meu coração bater a mil, e meu estômago cheio de borboletas. Quando você sorri eu tenho vontade de entregar meu coração todinho nas suas mãos.
Ah que droga, eu não quero gostar de você. Você me faz um bem danado, mas também me faz mal pra caramba te imaginar com outra pessoa. Saber que nunca poderei ser nada para você além de amiga. Eu chorei tanto, tanto, eu sei, não é sua culpa, eu sou apenas uma garotinha iludida. Mas porque você é assim, tão apaixonável?
Eu prometo que vou te esquecer.
Amy".
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