You let her go - Você a deixou ir

7 Capítulo 7 - O coração faz escolhas péssimas.


Os dias foram se passando cada vez mais rápidos, meu coração ainda doía, mas era como se eu tivesse tirado um peso dos meus ombros, nesse meio tempo Luly e Caio começaram a namorar firme, Alice continuou conversando com o namorado dela pela internet, e eu e Vinícius, bem, na primeira semana após eu ter me declarado, o clima ficou meio ruim, mesmo nós tendo prometido continuar amigos, estávamos tímidos, como se tivéssemos acabado de conhecer pessoas totalmente diferentes, mas logo fomos nos acostumando novamente e continuamos como éramos antes, só que agora, claro eu não tinha nenhuma segunda intenção. Eu também cortei o cabelo e comecei a passar rímel todos os dias. Queria me sentir uma nova pessoa, até por fora.

As férias de julho chegaram e meus pais decidiram viajar para a casa de uma família de amigos deles, que moravam numa cidadezinha perto da nossa, só para podermos descansar, ficaríamos apenas 3 dias, indo sexta de manhãzinha e voltando domingo à noite.

Era quinta-feira à noite e eu estava arrumando as malas, e logo meu celular começou a tocar, fui ver e era Vinícius, respirei fundo e atendi.

– Oi Vini.

– Oi Amy, tudo bem? — Ele estava com uma voz meio triste.

– Tudo e você?

– Tudo também... Só liguei para te desejar boa viagem.

– Ah muito obrigada... — Ficamos um pouco em silêncio. — E você vai viajar nas férias também?

– Eu acho que não, essas férias são só duas semanas, vou aproveitar e dormir. — Nós rimos. — Depois que você voltar ainda vai ter uma semana de férias né? A gente podia combinar algo, ir ao cinema, algo assim, o que acha?

– Claro, quando eu voltar eu te ligo.

– Vou esperar heim?- Ele disse.

– Eu ligo... Com certeza. -Mais silêncio constrangedor. — Então, vou indo, tenho que terminar de arrumar a minha mala...

– Ah, ok... Boa viagem de novo...

– Obrigada

– Tchau Amy.

Eu estava determinada, nesse lugar não havia internet, eu nem mesmo ia levar meu celular, queria me distanciar de toda tecnologia e de todos pensamentos que envolviam ele.

[...]

Acordei no carro, com meu irmãozinho perguntando "Tá chegando, tá chegando?" Eu e meu irmão não conhecíamos os amigos dos meus pais, eles eram amigos de infância, mas depois mudaram de cidade e ficaram muito tempo sem contato, até que minha mãe achou Mary no facebook, e combinaram de ser ver novamente. Ela disse que eles tem dois filhos pequenos, o que significa que eu iria ser a babá durante três dias.

Chegamos lá era umas 4 horas da tarde, tínhamos planejado sair cedo de casa, mas né, minha mãe mais ser pontual é igual a esperar nevar no Brasil. Estávamos saindo do carro e logo Mary e John, mais uma menininha de uns 7 anos vieram nos cumprimentar, Mary disse que seu filho estava dormindo na sala, descarregamos as malas e entramos no chalé, na sala tinha um garoto deitado no sofá. Um menino, de mais ou menos a minha idade. Não era um menininho. E ele era lindo. Seu cabelo era loiro e jogadinho para o lado, parecia um anjo dormindo.

Ficamos em um quarto só meu e do Nick — meu irmão — que era o quarto da Lia, a filhinha do casal, ela iria dormir no quarto dos pais, meus pais ficariam no quarto de visitas e Lucca — o menino / anjo — continuaria no seu quarto, arrumamos nossas coisas e fomos para cozinha, onde Mary começou a fazer café, quando eu estava indo no banheiro, senti alguém me segurar pelo braço, me virei e era ele.

– Quem é você? — Ele perguntou. Ele também era alto, não tanto quanto Vinícius, mas eu tinha que olhar para cima para ver seu rosto, e também era bem magro.

– E-eu? Sou a Amy. Filha dos amigos dos seus pais.

– Hum — Ele soltou meu braço e sorriu. — Desculpa ter feito isso. Eu me assustei e sou mau humorado quando acabo de acordar. Ah e eu sou o Lucca.

–Ok... Posso ir agora? — Falei apontando para o banheiro.

Nós rimos e ele disse "claro".

Quando voltei para cozinha, ele estava sentando tomando café, Mary começou a dizer:

– Ah, ai chegou a minha norinha.

Arregalei os olhos e falei:

– QUE? — Todos riram, até Lucca.

– É ué, meu filho não é bonitinho? — Mary disse, bagunçando o cabelo do filho.

– E olha Amy, ele é só um ano mais velho que você, nós não moramos na mesma cidade, mas com essa tecnologia de hoje em dia...

– Mãe, para tá? — Ele disse corando.

– Eu apoio totalmente, porque já sei que ele vem de boa família. — Minha mãe disse, e olhei para ela com uma cara fuziladora.

– Enfim né. — Falei querendo mudar de assunto.

Eles começaram a falar sobre como os filhos crescem rápido, escolhas de faculdade, etc, logo estava anoitecendo e fomos todos para a sala, menos Mary e minha mãe que começaram a preparar o jantar, Lia começou a me puxar até o seu quarto para me mostrar seus brinquedos, começamos a brincar de barbie e Lucca entrou no quarto, ele disse:

– Vamos brincar de casinha? Eu sou o papai, a Amy é a mamãe e a Lia é a filhinha. — Ele era totalmente oposto de Vinícius, era extrovertido e bem, como puderam perceber, sem vergonha.

Olhei para ele com uma cara incrédula, e fiquei sem reação, até que Lia começou "Vamos! Vamos !Vamos! ".

– Acho melhor não... — Falei. OK, ele é lindo, só que eu não queria nada, ainda pensava em Vinícius, e me apaixonar por alguém que não mora na minha cidade estava fora de questão.

Logo minha mãe entrou no quarto nos chamando para o jantar. Ufa. Salva pelo gongo.

Depois que jantamos, meu irmão veio trazendo jogos na sala, para todos brincarmos, Lucca veio e sentou do meu lado. Decidimos jogar detetive, rimos muito durante o jogo, John era muito engraçado, até no final Lia começar a chorar porque perdeu, enquanto meu irmão fazia cara emburrada porque Lucca ganhou. Decidimos jogar mais uma vez, dessa vez Lucca ajudando Lia, e eu ajudando meu irmão, nós ganhamos, Lia começou a chorar de novo, jogamos novamente e eles ganharam. Decidimos dormir porque já estava bem tarde, me arrumei e quando deitei logo adormeci.

Acordei com meu irmão me chacoalhando e dizendo : "Acorda Amy, vamos tomar café da manhã". Detalhe, sempre sou eu que tem que acordá-lo mas hoje ele estava super animado, não sei porque. Troquei de roupa, fiz minha higiene pessoal e fui até a cozinha, Lucca ainda não havia acordado, tomei leite e comi um pão com manteiga, e todos decidiram sair um pouco, para conhecer a cidade, só ele não foi porque continuava dormindo. Quando voltamos já era de tarde, ele estava deitado no sofá assistindo tv e disse :

– Nossa nem me chamou né.

– Você disse que fica mau humorado quando acaba de acordar. — Respondi.

– É verdade. Foi bom ter ficado aqui mesmo.

Todos estavam assistindo filme, meus pais, Mary, John e meu irmão dormiram, mas Lia disse:

– Amy, vamos brincar de casinha? Vamos Lucca?

– Quem chegar por último é a mulher do sapo. — Ele disse saindo correndo para o quarto.

Quando chegamos lá, Lia disse que os "pais" dela teriam que brincar, jantar e por ela pra dormir, e nesse momento estávamos deitados os três numa cama de solteiro, Lia no meio de nós, estávamos contando historinhas para ela dormir, e ela acabou dormindo de verdade, no qual achei que ficaria um momento constrangedor, mas ele bocejou e falou:

– To ficando com sono também. Amy faz cafuné pro papai dormir?

– Sem vergonha. — Falei bagunçando o cabelo dele, mas ele segurou a minha mão, colocou sobre a dele, e falou:

– Olha que mãozinha pequenininha. — Ele fechou os olhos e começou a acariciar o próprio rosto com a minha mão, até que uma hora ele parou e percebi que havia dormido de verdade. Eu fiquei olhando-o e também adormeci.

Acordei com meu irmão dizendo:

– Amy e Lucca se amam, lálálá.

Olhei em volta, Lia ainda estava dormindo, para meu alívio, já que achei que estávamos só nos dois na cama, Lucca me olhou com cara de confuso, o cabelo bagunçado e os olhos inchados, nos levantamos e já era hora da janta, depois que jantamos assistimos mais tv, e logo nos deitamos para dormir, eu demorei um pouco para dormir, já que tinha dormido de tarde mas depois adormeci.

[...]

Vinícius veio até mim e me abraçou, depois ele olhou nos meus olhos e disse que gostava de mim, de verdade, que largaria tudo para ficar comigo, que só eu o fazia completamente feliz, e então ele disse que me amava, e eu disse que o amava também, e ele estava se aproximando para me beijar e...

Eu acordei. Claro.

Acordei no meio da noite, e vi no relógio, ainda era uma hora da manhã, fiquei completamente sem sono e decidi ir até a cozinha tomar um copo de água, chegando lá a luz estava acesa e até fiquei com medo, mas chegando mais perto, vi Lucca sentado na mesa da cozinha, com as mãos na testa, com cara de preocupado.

– Lucca? — Perguntei.

– Ah, Amy, o que tá fazendo aqui?

– Te pergunto a mesma coisa, bom eu tive um pesadelo e não consegui voltar a dormir.

– É, mas no meu caso foi um sonho mesmo. — Ele disse.

– O meu também, nada a ver com monstros ou fantasmas. Uma coisa que me machuca mais quando soube que era só um sonho... Quer falar sobre?

– Só se você prometer falar do seu também.

– Fechado.

– Bom, teve uma menina do meu colégio, que sempre corria atrás de mim, só que eu nunca dei bola pra ela. Até que um dia eu resolvi só ficar com ela, e tal, por um dia, sem nenhum sentimento, eu sei, fui super cafajeste, mas então, dai ela continuou vindo atrás, me ligando, e eu depois daquele dia não quis saber dela. Até que uma hora ela desistiu, e parece que depois disso ela não saia mais da minha mente, e eu voltei atrás dela, pedi desculpas, só que dai era tarde demais, e ela já ta namorando outro. Eu já estava desencanando, até fiquei muito feliz de te ver aqui, só que hoje eu sonhei com ela, ela tava voltando atrás de mim, como ela fazia antigamente, e dessa vez eu tinha dado valor pra ela no tempo certo...

Coloquei o braço no ombro dele, mas ele falou:

– Agora conta o seu.

– Bom, esse ano entrou um menino novo no meu colégio, dai começamos a nos conhecer e tal, e eu comecei a gostar dele de verdade, mas dai um dia ele me apresentou a namorada dele. Nós nunca tínhamos falado sobre nossa vida pessoal antes, então aquilo pra mim foi um choque. Daí eu decidi esquecê-lo, mas não consegui, então vi que só se ele me desse um fora eu ia conseguir esquecê-lo de verdade. Então eu me declarei, e ele não foi grosso nem nada, mas ele disse que não poderia ficar comigo, óbvio. Hoje eu sonhei que ele estava falando que gosta de mim, e que largaria tudo por mim. É complicado, o coração faz escolhas péssimas.

Nesse momento ele me olhou com uma carinha que deu tanta dó, nós dois com o coração partido, e eu precisava tanto de consolo, e ele também precisava, e quando vi já estava fazendo isso.

Nós estávamos chegando cada vez mais perto um do outro, eu realmente não sei o que deu em mim, mas eu encostei meus lábios nos dele, e ficamos assim um tempo. Não foi um beijão, foi só um selinho. Calmo. Eu voltei e pedi desculpa e comecei a olha para minha mão no meu colo. Ele então pegou meu rosto e aí sim nos beijamos de verdade. Era calmo, lento, acalmava meu coração. Não era aquilo que eu sentia quando via Vinícius, aquela escola de samba dentro do peito. E era exatamente aquilo que eu estava precisando naquele momento.

Notas finais
Não me batam kkkkk espero que tenham gostado, comentem !! ; )