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31 Capítulo 30- Final


Notas iniciais
Olá você que acompanhou essa história mesmo com alguma demora em suas postagens finalmente chega o final. Em breve esperem que dessa história sairá um livro que será disponibilizado no site do Clube do autor com o titulo Voar.

30

Final

O auditório estava lotado, meus olhos vagavam entre cada rosto, eu sabia que entre tantos desconhecidos estavam também aqueles cujo fizeram parte de meu ano.

O primeiro ano de toda minha nova jornada, eu observei o lápis escorregar de minhas mãos umas cinco vezes, o suor acumulado na região era sinal de nervoso.

Engraçado que eu estava tão tranquila todos esses meses, então tentei focar em cada acontecimento durante esse período de preparação e ver se me ajudava a ficar calma.

Pensar em Tobias era complicado, saber que depois do acidente ele perdera a sua chance no time, e que Edward tratou de se gabar a cada dia de ter ele sido o capitão na vitória do campeonato, mas Tobias estava tranquilo, e foi quando meus olhos alcançaram os dele, soltei um leve suspiro e sorri em resposta ao beijo que ele me mandou da plateia, se ele estava bem com a situação eu deveria estar.

Will e Christina que mesmo depois de muitas desavenças há alguns meses que eles estavam novamente em clima de amor jovem e leve, seu novo bebê necessitava de muitos cuidados e Will aprendeu a amá-lo tanto que surpreendeu a todos com a sua dedicação e veneração ao bichano de quatro patas que babava e fazia necessidades além do normal. Will estava sentado na mesma fila que os outros participantes da olimpíada, mas a minha posição de titular era a mais importante e saber que era a responsável por manter a nossa pontuação alta me deixava cada vez mais temerosa.

O sino soou e agora iria começar, era para valer, e o campeonato estadual estava chegando a sua última disputa, de um lado a equipe do colégio do condado vizinho, e meu coração que já havia aguentado tantas coisas esse ano agora estava martelando tanto a ponto de me fazer ofegar.

― Iniciaremos a final das olimpíadas de matemática interestadual, presidindo a mesa estão as alunas Hazel Grace e Sabrina Molina.

Novamente meu nervosismo foi a toa, as perguntas orais e escritas estavam sendo tão fáceis como se tratasse de contas de adição no ensino fundamental, no entanto a tal de Sabrina era tão inteligente quanto eu, e assim que nossos resultados bateram o desempate foi mais suado e intenso, o desgaste mental estava acabando comigo, e a cada momento que eu podia encarar a plateia podia ver o olhar de meus pais preocupados.

A sineta enfim tocou, e o lápis já apontado o mais vezes que se podia permitir caiu de meus dedos, sem ao menos pensar eu abaixei a cabeça e comecei a inspirar e expirar o ar lentamente.

― Parabéns a aluna Hazel Grace...

Depois disso eu não ouvi mais nada coerente, as bexigas de cor vermelha estavam caindo sob nossas cabeças, e eu agia automaticamente entre o aglomerado que se formava em volta, o palco estava ficando pequeno para tantos confetes e balões em meio a professores, o diretor, e os integrantes das duas equipes, a nossa vencedora e o segundo lugar.

A garota da equipe adversária chegou a minha direção e estendeu a sua mão, eu sorri repetindo o gesto.

― Parabéns, a disputa foi... Ufa... Cansativa!

― Tenho certeza de que você se entregou de cansaço, você foi muito bem. ― ela sorriu em resposta a minha tentativa de ser amigável, mas sempre aquela pontinha de orgulho estava instalada.

― Quem sabe?! ― ela demonstrou ter gostado de minha humildade, e voltou ao lado de sua equipe que receberia as medalhas de prata.

Novamente eu voltei a ser guiada pelo momento, sorrisos fotos cumprimentos e as medalhas, era como se tudo estivesse longe e meu corpo cansado estivesse somente agindo automático.

A entrega das medalhas foi longa e igualmente cansativa como a competição, eu observava a medalha de ouro em meu peito com orgulho e o troféu que entreguei as mãos do diretor ficaria sempre na estante da escola, eu podia dizer a meus filhos e netos que um dia eu fiz parte de algo e isso me fez sorrir.

― Que bom estar sorrindo, você merece, parabéns! ― a voz conhecida e reconfortante de Tobias me fez relaxar, a muleta ao seu lado me deixava triste, mas era somente uma precaução até que as sessões de fisioterapia terminassem.

― Você viu, quase que não ganhamos.

― Não seria por falta de esforço e dedicação, eles eram muito bons pelo que percebi, e aquela garota ali.

― Sim, mas eu fui melhor! ― sorri vitoriosa e enlacei seu pescoço depositando um terno beijo em seu pescoço. ― Que bom estar aqui, isso me deu muita ajuda.

― Onde mais estaria? Eu quero sempre estar ao seu lado.

― Filha que complicado é isso, achei que você fosse desmaiar. ― minha mãe chegou ao meu lado e eu logo a abracei, em seguida meu pai.

― Parabéns, Hazel.

― Obrigada.

― Vamos comemorar aonde? ― meu pai sorriu passando as mãos em meus cabelos, os fios estavam meio oleosos pelo suor.

― Eu pretendia ficar com a equipe se não se importarem.

Meus pais disfarçaram a decepção de minha decisão, não contestaram nada e sorriram.

― Posso estar com você? ― Tobias falou apressadamente e eu notei que ele não disfarçaria nada.

― Claro que pode.

A agitação estava em peso no estacionamento do auditório, a nossa sorte fora que a final caiu bem em nossa cidade, eu havia passado por cinco cidades diferentes nesse último mês e mesmo com a animação de todos nas viagens era muito exaustivo, Tobias não pode me acompanhar em nenhuma viagem, visto que para conseguir alguma bolsa em uma boa faculdade sem estar no time, ele dependia inteiramente de suas notas.

― Hazel, Tobias! ― a voz de All me fez virar em sua direção sem deixar de segurar a mão de Tobias.

― Fale All. ― foi Tobias a responder.

― Parabéns, eu sei que fui um idiota um tempo atrás e perdi meu posto de titular, mas vi que a equipe não poderia ter alguém melhor que você.

Ele estava soando sinceridade e não poderia julgar um ato de idiotice de um jovem, ele ainda iria viver muito e aprender com seus erros assim como eu, assim como Tobias assim como todos os seres humanos.

― Tudo bem All, obrigada. ― falei sorrindo e soltando a mão de Tobias mesmo com o desagrado estampado no rosto de meu namorado e enlacei meu colega em um abraço.

Ao entrar na caminhonete Tobias estava tenso.

― O que foi?

― Não gosto da forma que ele age perto de você.

― Pare de ser irritante, vamos que quero chegar antes de todos no parque.

O caminho para a praça da cidade, o lugar que Tobias e eu sempre passávamos nossos sábados livres seria nosso local de comemoração, havia a promessa de som até que a hora permitisse, e bebidas, sem álcool para constar.

Assim que seguimos as ruas do bairro eu notei que aquele lugar de agora em diante ficaria pequeno, para quem teria um mundo a sua frente, para quem estava se permitindo viver.

― O que está pensando Hazel Grace? ― Tobias me retirou de minha pequena viagem mental.

― Só em como esse ano voou!

― Dizem que a cada vez que se envelhece mais isso é mais frequente, o tempo se torna cada vez mais curto, segundo meu pai.

― Seu pai. ― bufei ― Anda escutando o que ele fala agora?

― Não comece sua coisinha irritante, ele tem mudado muito esses meses, acho que ao ver que meu joelho não seria mais o mesmo e o sonho dele de jogador não se realizaria comigo, ele tem visto as coisas a outro modo.

― Tudo bem, se você diz. ― dei de ombros e continuei a encarar tudo até chegamos à praça.

Não estava completamente vazia, porém estava tranquila, assim que Tobias parou a caminhonete eu desci, e fiquei observando a calmaria que logo acabaria com a chegada de todos. As mãos de Tobias chegaram a minha cintura me erguendo.

― Ei me coloque no chão seu maluco! ― ele me soltou no capô e eu observei a falta da muleta. ― Onde está a Escora?

― Apelido idiota que deu a ela! Para seu governo eu não preciso mais daquilo, é só uma exigência médica até eu receber alta da fisioterapia, meu joelho está ótimo.

― Se você diz, eu não irei discutir com você. ― aproveitei a posição e me coloquei em pé em cima do capô, e abri meus braços sentindo a brisa que a proximidade das árvores trazia. Fechei meus olhos.

― O que está fazendo? ― a voz animada de Tobias me fez abrir os olhos e encará-lo.

― Estou imaginando como seria voar!

― Hazel, você não precisa de asas para voar, basta estar vivendo.

(***)

A agitação que estava na praça não estava ultrapassando nenhum limite, todos respeitaram a ordem de nada de álcool, e a polícia local dava breves rondas, e aos poucos muitos da cidade se juntaram a festa ao livre que já nem lembrava o motivo.

Sons espalhados variavam em ritmos e estilos deixando a acústica confusa dependendo de onde estávamos.

Pais, alunos, professores, e até mesmo o diretor estavam ali, e eu me senti mal por ter ignorado meus pais que poderiam estar ali também, porém uma mensagem de minha mãe mostrava que ela estava aproveitando o tempo ao lado de meu pai a sós, agora trabalhando eles se viam menos, mas o amor entre os dois não estava nunca abalado, também para um casal que passou anos unidos na luta contra uma doença do coração da filha, uma luta constante contra o tempo, qualquer coisa seria tranquilo de se passar.

Meus olhos já estavam se fechando, o meu corpo pedia descanso, não somente pelo dia agitado da final da olimpíada de matemática, mas de todos esses meses. O verão chegou e eu nem vi a primavera passar, o final do ano letivo veio de uma forma tão rápida a meus olhos que me senti quase depressiva em pensar que relutei tanto a estar aqui hoje fazendo parte de tudo e agora eu estava lamentando o fim.

Era o fim do colegial, mas era o começo de uma nova etapa.

― Podemos ir se quiser! ― Tobias pareceu ler meus pensamentos, sorri para ele, observei de longe todos meus amigos ainda animados e nem fiz questão de me despedir, afinal o fim de semana traria o baile de formatura e nosso rito de passagem estaria completo.

Lutei contra o sono no curto caminho até minha casa e o beijo de boa noite não foi tão intenso, pois o sono me dominava.

Coloquei meus pés dentro de meu quarto e depois de tomar meus medicamentos e colocar meu pijama me joguei na cama rapidamente deixando o sono dominar meu corpo.

(***)

Observar no espelho a minha cicatriz mais clara me fez sorrir, agora era seria sempre o lembrete de que eu tive uma nova chance, de que eu podia sim dar valor a cada dia de minha vida.

Em cima de minha escrivaninha estava os papéis assinados para a escola de artes, meu novo começo, meu primeiro passo á minha nova jornada.

Hoje exatamente no dia do baile de formatura fazia um ano que eu voltava para casa depois da cirurgia que me proporcionou novos horizontes.

― Hazel! Tobias chegou! ― a voz de minha mãe me fez saltar, observei mais uma vez meu vestido de um rosa forte, mas de tecido bem leve e confortável, decidi que não iria usar saltos, e assim como o primeiro baile que fui eu optei por sapatilhas, meu cabelo eu finalmente consegui fazer algum penteado arrepiado atrás com os fios mais longos, e como sempre a maquiagem leve somente destacando meus olhos.

― Já estou descendo. ― o decote discreto deixava um pouco da cicatriz a mostra, isso já não me incomodava mais.

Assim que saí do quarto e cheguei ao alto da escada, Tobias estava na mesma posição de sempre, eu o observei por um tempo, queria guardar essa recordação. Ele trajava um terno cinza, e sua gravata rosa estava combinando com o meu vestido. Sorri por ter conseguido que ele a usasse.

― Está linda Hazel! ― falou quando eu finalmente decidi descer em sua direção.

A mão de Tobias pegou a minha. Ele se inclinou. Tratei de gravar mentalmente cada detalhe, seus lábios chegando a minha mão e em seguida seus olhos chegando aos meus.

― Você também está lindo. ― o sorriso que ele esboçava era tão sereno e leve, seus dedos envolveram meu pulso e logo senti o elástico da flor que ele colocava. ― Obrigada. ― falei ao observar o gesto tão doce.

Ele sorriu.

― Vamos! ― enganchei em seu braço e observei pelo canto dos olhos minha mãe com as tradicionais lágrimas. Soltei Tobias e corri em sua direção a envolvendo em meus braços. Depositei um beijo em suas bochechas sentindo o gosto salgado das lágrimas.

― Obrigada mãe. ― ela nada disse, e eu voltei a enganchar em meu namorado, e assim que e aporta se abriu uma limusine estava estacionada em frente.

― O que é isso? ― sorri para Tobias que trazia o mais largo dos sorrisos quando percebeu meu espanto.

― Não é tradição de bailes de formatura? A flor, a limusine. Quero que você tenha tudo.

― Tobias ― inclinei meu corpo sussurrando em seu ouvido ― isso não é aquela tentativa dos garotos de filmes adolescentes que depois do baile levam as garotas à cama?

― Você é esperta Hazel, sempre muito esperta. ― ele gargalhou e eu me lembrei da presença de minha mãe, que por sorte não ouviu ou fingiu muito bem.

Assim que chegamos à frente da limusine Tobias agiu como um perfeito cavalheiro abrindo a porta.

― Fiquei surpreso quando foi anunciado que teríamos um baile. ― ele comentou sentando ao meu lado.

― O diretor ficou feliz quando o time ganhou o campeonato, e nós a olimpíada.

― Tenho uma boa notícia. ― ele disse chegando a minha frente. ― Consegui resposta de suas universidades.

Meu coração se acelerou, universidade era um passo grande, e falar nisso mostrava que nós poderíamos estar separados a partir do ano que vem.

― Isso é ótimo! ― fingi empolgação, era inevitável pensar em Tobias em um lugar e eu em outro, os papéis do programa de artes eram de um curso vinculado a uma faculdade também, porém sabia que não seria a mesma de Tobias.

― Hazel?

― O que?

― Você não ficou contente por quê?

― Nada não, estou feliz claro por você... ― mordi meu lábio inferior tentando segurar a minha boca enorme e colocar tudo ali, sabia que poderia estragar o nosso momento e não seria eu a fazer isso, não hoje.

― Mas... Continue Hazel!

― Não estaremos mais juntos. ― pronto falei.

Tobias começou a rir, e eu o encarei, séria.

― Para alguém que fala de nosso relacionamento como algo passageiro você se preocupa demais com isso não acha?

― Pare, eu não me refiro a nós como passageiro, entretanto por esses imprevistos futuros que eu não fico sonhando com o ‘’felizes para sempre’’ ao seu lado.

― Qual é mesmo aquela universidade que tem o programa de cursos de artes que você foi aceita?

O encarei firme, eu não tinha o dado detalhe algum, não ainda, eu estava esperando uma oportunidade de conversar sobre isso.

― Mas como você...?

― Sua mãe, não a culpe, eu insisti muito para que ela me contasse.

― Por quê?

― Mandei cartas a várias universidades, mas sem os pontos extras do time, nem todas me responderam, porém duas me responderam, e inclusive a que você vai.

Meus olhos brilharam eu encarei Tobias, mas logo desfiz meu sorriso.

― Mas essa universidade não tem nenhum curso que te agrade!

― Hazel, vou fazer o programa básico, depois vou tentando outra, mas até lá você já fez o programa de Artes e certo estará adiantada, mas pode ir comigo se quiser...

Não esperei seu raciocínio terminar eu logo me joguei em seu braços e o beijei.

(***)

Assim que a música animada chegou a seu fim eu estava mais exausta que nunca, Tobias segurou em minha mão firme e encarou meus olhos.

― Nosso primeiro beijo foi assim, em um baile.

― Sim foi.

Mal dito isso e a música mais lenta dando início Tobias segurou firme em minha cintura, eu poderia viver vários anos, mas jamais iria mudar a sensação que eu tinha ao estar mais próxima dele.

O cheiro de seu perfume era reconfortante deitei a cabeça em seu peito e deixei que ele me guiasse.

― Hazel, vamos é hora das fotos.

Monica surgiu assim como um relâmpago segurando meu braço eu a segui, Tobias nos acompanhou.

Sorrisos e mais sorrisos e poses engraçadas, Isaac segurava o cabelo de Monica quando ela mostrava a língua e mais um flash, Will tentava fazer algo diferente, mas Christina achava tudo ridículo e por fim ele a segurou mesmo a protestos em seu colo e um flash se seguiu.

― Esse vai ser o álbum de formatura mais idiota. ― Chris falou saindo bufando ao ser colocada no chão.

― Ei parem com isso, pensem que depois do verão cada um vai para um lugar diferente. Temos que aproveitar!

― É verdade. ― disse Will. ― Só penso em nosso bebê, como vai ficar.

― Minha mãe disse que cuidará bem dele. ― Chris rebateu.

― Vamos Hazel sua vez e de Tobias!

Tobias sorriu e logo chegou próximo me enlaçando a cintura e em frente à câmera e sem nenhum pudor me beijou e em meio aos flashes eu tentava o desviar e sorrir, me virei e ele segurou a barra do vestido e o flash seguiu.

― Essa ficou muito boa. ― o fotógrafo até então que estava calado sorriu e veio em nossa direção esticando o visor da câmera digital e eu observei a foto realmente ficou animada e divertida. Eu, sorrindo e tentando escapar, e Tobias segurando a barra de meu vestido.

― Essa eu farei questão de comprar. ― Tobias falou.

Uma música animada de estilo anos oitenta começou a tocar.

― Vamos, uma dança animada!

Mesmo cansada eu acompanhei a todos, e em meio a pista vários alunos se achegaram a nossa roda inclusive All e Monica, e alguns rapazes que eram do time.

Não havia mais distinção, estávamos todos em uma mesma posição, formandos nos divertindo.

Quando a música acabou eu estava totalmente sem fôlego.

― É agora, Hazel quem sabe você ganhe para rainha do baile? ― Monica falou.

― Até parece! Para se vencer algo assim tem que se inscrever. ― eu não havia feito essa inscrição idiota, já que Tobias não fez questão, e nem teria chance se o fizesse.

― Hum! ― Christina chegou ao meu lado. ― Digamos que meio que a Monica e eu, sabe...

― Não, vocês não fizeram isso?! ― ambas concordaram com a cabeça e eu abri a boca em o.

― Mas, mas, mas...

― Ah! Tobias também, achamos que vocês dois são mais que merecedores de ter o nome lá naquelas cédulas.

― Como se tivéssemos chance. ― dei de ombros não queria criar expectativas.

― Anunciamos o rei e rainha do Baile. ― a voz da professora de história me fez instintivamente olhar em direção ao palco e claro que uma parte estava agora esperando o meu nome ser dito, mesmo não querendo, acho que é do ser humano esse sentimento.

Como previsto meu nome não fora falado e nem o de Tobias, mas Monica e Isaac ficaram radiantes e a coroa sob as suas cabeças foi merecidamente colocada, Monica se esforçou no início do ano para tudo, e mesmo depois de um acontecido idiota ter acabado com muitas das festas e bailes que ela havia planejado, ganhamos o direito do baile de formatura que ela organizou perfeitamente como sempre.

À volta para casa fora longa, e eu somente queria deitar em minha cama, o verão traria as férias, e depois nós estaríamos rumo a universidade.

(***)

Assim que as últimas malas foram colocadas na caminhonete de Tobias, eu tive a certeza que estava começando uma nova etapa.

Um pequeno pássaro estava pousado no arbusto, ele logo se colocou a voar, observando a habilidade que ele manipulava seus movimentos e em seguida deixava suas asas de uma forma que pudesse plainar eu entendi que a vida era como um voo, assim como Tobias disse, nós passamos boa parte de nosso tempo tentando entender situações rotineiras, entretanto o mais importante era entender que nada é concreto, nada é preto no branco.

Eu iria viver a minha vida e sabia o real valor disso, o amor abnegado de meus pais era a mais valiosa lição que eu carregaria na bagagem, você ter de se abnegar de certas coisas, trabalhos e de sua própria vida em prol de outra pessoa era de longe a maior demonstração de amor altruísta e de realização pessoal, podendo dizer que você fez sua parte acontecesse o que fosse, não como uma obrigação, mas sim como uma realização, um feito, um marco.

O amor de Tobias era o amor carnal a paixão os hormônios adolescentes, nada é estável, somente segue o rumo, se dedica, se reprime, concorda discorda, e no final isso tudo te faz sentir-se vivo.

Você pode deixar-se levar assim como o pássaro plainando pelo ar e seguir ao acaso ou traçar seu rumo bater as asas metaforicamente e decidir seu destino, mas de toda a forma o final desse voo será resultado de suas escolhas e ações sejam elas comodistas ou não.

O acaso era o inimigo e o amigo, vamos morrer um dia? Sim, isso era um fato, como todos, mas hoje eu só pensava no fato que iria começar a viver, iria começar a voar.

O choro de minha mãe durante a semana fora tentado disfarçar, e meu pai tentava se mostrar forte inutilmente também.

― Filha, sabe que qualquer coisa nós estamos aqui, não hesite em nos pedir qualquer ajuda!

― Ligarei todos os dias, somente quando não conseguir mesmo.

― Cuidado com as festas de universidade!

― Pai eu já sei de tudo, Tobias estará comigo.

― Isso é outra preocupação.

― Deixem de ser bobos.

Deixei-os na varanda e acenei mais uma vez assim que coloquei o cinto, suspirei e encarei Tobias.

― Vamos? Acho que está na hora.

― Sim, rumo à universidade.

― Acho que estamos começando a viver mais um pouco.

― Hazel, preparada para voar? ― temi que ele estivesse querendo correr com o carro até que me lembrei da metáfora e sorri.

― Sempre, vamos voar!

E ele colocou a caminhonete em movimento e eu observava as ruas da cidade que me pareceram grandes um dia, hoje eram pequenas e logo chegaríamos a estrada e agora estávamos rumo a enfrentar o mundo novo de possibilidades.

Notas finais
Toda história tem um final, e essa chegou, espero que tenham gostado e comentem, principalmente aguardem o livro em breve.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!