You could be Happy
29 Capítulo 28
Notas iniciais
Ycbh 28
Uma musica animada tocava ao fundo, o contraste com meu humor que não estava bom com o que estava acontecendo, o medo que me invadiu por Tobias sair nervoso de nossa mesa em direção à mesa dos jogadores foi invadido pela raiva de sua atitude quando ele estava agora rindo com as piadas de seus amigos.
— Servidos! — o garçom chegou com nossas bebidas e eu o encarei tão friamente que o sorriso que o rapaz esboçava se transformou.
— Não se preocupe, não tem álcool, é somente uma bebida leve que trazemos aos novatos e te garanto muitos pensam que estão se embriagando.
— O que está havendo Hazel? — Chris me perguntou.
— Nem eu sei, Tobias... Ah deixe.
Monica que havia chegado com Isaac me observava.
— Me diga como anda a olimpíada de matemática? — percebendo o meu estado ela tentava amenizar a situação.
— Acho que está indo.
— Hazel é modesta, ela arrasa deixa All no chinelo, e tenho certeza de que ela nos dará um troféu esse ano.
— Will que exagero!
Em meio a descontração eu deixei de lado a preocupação de ver Tobias me abandonar e ficar ao lado do time, o problema foi ver que a mesa deles estava ficando lotada de bebidas.
— O que houve com Tobias? — Chris observou o instante que ele levou um copo aos seus lábios.
— Não faço a mínima ideia! — o tom desanimado em minha voz deixava claro que minha noite passara de uma noite de novas possibilidades a uma de novas irritações.
— Deixe-os! — Will comentou segurando firme a mão de Chris, que se demostrava tão irritada quanto eu estava.
— Não vou deixar, ele trouxe a minha amiga aqui estamos juntos e agora ele dá uma de babaca inconsequente igual ao ano passado, eu já vi isso acontecer e não vou admitir que ele faça isso com você também. — ela ignorava seu namorado e me encarava firmemente.
— Chris pare. — Monica interferiu.
— Até você Monca?! Parece que se esqueceu de tudo, lembra-se que foi assim ano passado na temporada com Tris?
O nome dela me fez tremer e levar a minha mão ao meu peito imediatamente.
— Não esqueci, só acho que não podemos confundir as coisas, Tobias mudou muito só que...
— Ele teve uma discussão com o pai antes de sair, deve ser isso. — falei sem emoção tentando convencer a mim mesma que ele estava descarregando essa sua frustração, se havia algo que atingia Tobias era seu pai.
— O fato é que eu não vou ver outra amiga chorar pelo abandono do namorado, quando ele ficar de bebedeiras com o time, já basta os constantes treinos as concentrações.
— Ei Chris acho que Monica tem razão, ele nunca fez isso comigo. — tentei defendê-lo, mesmo estando irritada, achei que era algo que cabia a nós dois e não precisava envolver a todos e muito menos o nome de Tris.
— Sempre tem a primeira vez e aí depois vêm as demais e isso vira vício.
Pelo humor de Chris ela já havia visto muito desse lado de Tobias que até então eu desconhecia.
Mesmo com os assuntos leves eu não podia parar de observar que Tobias estava indo além, sabia que o motivo principal era seu pai e ele queria de alguma forma descarregar isso, entretanto ele estava me atingindo.
— Pronto o babaca chegou, agora a turma está completa. — Monica falou desanimada, segui seu olhar e vi Peter entrar, e sabia que desde a festa de inverno ela estava revoltada com All e Peter, por conta da idiota ideia de bebida no ponche ficamos sem mais nenhuma festa ou baile e com risco de perder a nossa formatura.
— Temos que retirar o foco da mesa do time, vamos lá falemos assuntos mais amenos. — Isaac arrancou o sorriso de todos.
— Você realmente usou essa palavra “Ameno” nossa cara isso é coisa de nerd. — Will debochou.
— E somos o que? — dei um tapa no ombro de Will e os nossos sorrisos invadiram o clima tenso.
— Acho que hoje a escola em peso marcou de se encontrar aqui. — a voz melosa mais de forma mais leve de Molly me fez girar o pescoço e a encarar.
— Você? — Chris perguntou duramente, pelo contrário dela eu sorri em direção a garota, de uns tempos depois do final do inverno acho que o clima da primavera havia mudado algo nela que passou a me tratar com mais cordialidade.
— Molly, quer se sentar? — falei tentando de qualquer forma desviar a imagem de Tobias interagindo com o time.
Não era como se fosse algo errado, porém era para ser nosso dia, ele passava tempo demais com os seus colegas, e ali mesmo durante toda aquela descontração nos assuntos Nerds que a Molly tentava interagir, eu ainda ficava chateada pelo fato dele estar longe e literalmente fazendo parte daquela turma.
Edward, Peter rapazes que há alguns meses só o fizeram mal, ou a algum de nós, isso era uma afronta. Em uma de minhas encaradas inúteis, pois os olhos de Tobias não me alcançavam, eu fui flagrada por Peter que me lançou um olhar impertinente levantando o seu copo em minha direção, assim que iria desviar vi o momento que Edward falou algo no ouvido de Tobias.
— Aquele babaca. — falei baixo, porém não o bastante, meus amigos perceberam que eu já estava farta de toda aquela situação.
— Acho que devemos ir embora! — Chris disse, mas logo o olhar de Will foi a minha direção e eu percebi que havia alguém atrás de mim.
— Ele está aqui não está? — falei e ao me virar Tobias sorria.
— Está cedo, o que acham de unirmos as mesas? — encarei duramente meu namorado, ele não podia estar fazendo essa proposta!
— Tobias, eu acho que Chris tem razão, está na hora de ir. — falei levantando da mesa.
— Ei, espere, o que houve? — ele segurou meu braço, eu encarei seus dedos em volta de meu bíceps e sorri sarcástica subindo o olhar até encarar seus olhos que estavam levemente avermelhados.
— Não ouse fazer isso, me solte, e amanhã conversamos. — desfiz de seu pequeno aperto e fui caminhando em direção à saída, Chris tirou uma nota da bolsa jogando na mesa, nem me dei ao trabalho de pagar a minha parte, quanto mais rápido eu deixasse aquele local melhor eu ficaria.
— Ei, deixe-a, vocês são namorados, mas não estão grudados. — não pude evitar olhar para trás e identificar a voz de Edward.
Continuei caminhando a passos largos e os comentários de Chris e Molly e Monica eram todos em volta do nome de Tris.
— Escutem uma coisa vocês três. — assim que meus pés estavam na calçada eu girei encarando as garotas as fazendo parar de falar. — Eu não sou a Tris, então esse é meu problema, meu namorado então chega de comparações.
— Hazel espere! — Tobias estava vindo em minha direção. — Eu te levo.
— Tobias volte para seus amigos, e certamente aproveite a noite de folga, eu não vou embora com você depois de beber, como disse seu “amigo” nós não estamos grudados.
O deixei ali parado na calçada, e entrei no carro de Christina, observei que Molly estava no banco de trás.
— Pedi uma carona também. — ela disse e Chris ligou a chave colocando o carro em movimento, ignorei tudo a minha volta e deixei que as lágrimas rolassem em meu rosto.
— Não faça isso, ele não merece... — Molly tentava me acalmar, se não fosse a raiva que estava eu tentaria identificar se isso era falsidade ou não, porém estava tão absorta em minha raiva.
— Me deixe em casa Chris.
— Podíamos ir para minha casa chamo a Monica dispenso Will.
— Ei eu estou aqui! — Will se manifestou.
— Mas vou te dispensar se isso for melhor para Hazel, há momentos que devemos ficar com as amigas.
— Não Chris, me deixe em casa e aproveite seu namorado, era isso que eu pretendia fazer hoje.
— Não se compare a ele, uma coisa é deixar o namorado ou a namorada por amigos de verdade outra bem diferente é abandonar a namorada em um passeio para se reunir com babacas que sempre deixaram claro ter inveja dele, aquele Edward não passa de uma sombra agora que Tobias voltou a ser capitão, mas a primeira oportunidade irá dar a rasteira nele sem dó.
Deixei que as palavras ficassem sem resposta somente deixei a raiva se tornar dor, e a dor se tornar mágoa.
Assim que chegamos a frente de minha casa eu tentei ao máximo me recompor, ao colocar os pés para dentro a TV na sala fazia o som de Algum filme isso mostrava que alguém estava acordado a espera de minha chegada.
— Filha! — A voz suave de meu pai me fez sorrir.
— Cheguei e não bebi. — falei sorrindo fazendo a minha voz soar mais animada. — E estou bem. — essa parte eu menti.
Dei graças que meu pai continuou assistindo o que fosse, enquanto subi apressadamente ao meu quarto, senti as leves pontadas do estresse e do esforço fazerem efeito e me lembrei de meus remédios, os tomando logo.
Em reflexo observei meu telefone e nenhuma chamada ou mensagem, Tobias iria aproveitar bem a sua noite e quem sabe amanhã depois de meu treino com a equipe de matemática ele viesse se retratar, já que não teria treino de futebol.
Juntamente com meus remédios tomei um calmante leve, deveria dormir bem essa noite e se eu ficasse pensando nos acontecimentos isso não aconteceria, aos poucos a inconsciência me dominou.
(***)
Pela manhã a primeira coisa que fiz após desligar a música do meu despertador foi verificar as caixas de entradas de mensagens e ligações inutilmente, pois nada de novo, nada de Tobias.
Lentamente ainda sentindo a cabeça pesada em resultado do calmante, eu girei as pernas e me coloquei sentada esticando meus membros superiores, a pouca luz que refletia pela janela mostrava a manhã de sol que chegava, e mesmo sabendo que ainda restava o frio do inverno a primavera estava começando a dar seus sinais.
Um novo dia me faria bem, eu tentei não focar em nada que me desagradasse, era uma meta que eu iria cumprir, se viver era conviver com as alegrias a outra porção de cobrança constante que se seguia era aprender a vivenciar as decepções e desilusões. Estava tentando aceitar todas as porções, e esse momento era de aceitar a decepção que Tobias me trouxera.
Respirei fundo levantando em busca de uma roupa confortável, as cores que escolhi eram uma tentativa de trazer alegria à um dia que teria tudo para ser desgastante, primeiro depois de me encontrar com a equipe de matemática, mesmo que Tobias não me procurasse eu ira até ele, éramos namorados e uma briga não colocava fim nisso, e nosso assunto ficou inacabado.
Desci as escadas e tentei disfarçar cada detalhe de minhas preocupações.
— Bom dia filha!
— Uau, está linda! — minha mãe vestia um cardigã e uma saia de mesmo tom rosa, e por mais que cardigãs deixassem uma pessoa mais velha, ela estava deslumbrante e jovial.
— Tenho uma reunião hoje. — eu ainda não entendia muito bem no que minha mãe estava trabalhando, mas sabia que tinha a ver com decoração, nada que ela fizesse antes, porém meu pai havia arrumado um de seus contatos da construtora e ali ela estava trabalhando e feliz.
— Hoje é sábado!
— Esses clientes são muito ocupados terão de fazer a reunião hoje.
As panquecas feitas as pressas estavam como sempre deliciosas.
— Vou te levar até a escola para o treino de matemática tem como voltar para casa com seu namorado?
— Irei ligar para Tobias, darei um jeito, pode ficar tranquila. — por mais que estivesse irritada com Tobias seria uma boa maneira de ter uma conversa.
Durante o caminho eu me sentia aflita observando o visor do celular a cada segundo.
— O que houve Hazel? — minha mãe perguntou sorrindo. — Percebo que está impaciente.
— Nada não.
Minha mãe estava na fase de me dar espaço e aceitar que agora que eu teria minha vida e isso de uma forma estranha era bom, porém senti falta de suas antigas especulações, talvez eu começasse a tagarelar e acabasse contando tudo, isso a faria desistir dessa reunião, mas sua nova forma de agir a fazia ficar calada e me deixava a opção de me calar também.
Assim que desci do carro o estacionamento estava vazio e eu queria desesperadamente que uma alma viva e amiga aparecesse. Eu certamente desabaria em lamentos a uma de minhas amigas, mas foi bom estar sozinha, lembrei que todas elas poderiam fazer comparações com Tris e eu não estava preparada para isso.
Caminhei até a entrada quando o zelador me avistou.
— Ei o que está fazendo na escola no sábado?
— Tenho treino de matemática.
— Creio que não querida, hoje a escola está fechada para limpeza geral, não foi avisada?
— Não. — imediatamente peguei meu celular e digitei uma mensagem para Will.
“Belo amigo você, estou na frente da escola e ninguém me avisa que não teremos treino hoje.”
A mensagem não estava sendo enviada e eu certamente sabia que minha mãe havia pagado a conta, esperei por um tempo enorme, até que desisti.
— Essa merda de tecnologia! Vou ter que reiniciar.
— Falando sozinha, minha jovem? — o zelador perguntava quando eu reiniciava meu aparelho.
— Não, estou xingando esse aparelho idiota que quando se precisa deles não funcionam!
— Sei exatamente como é, esses aparelhos só faltam passar um bom café, mas quando se trata de urgência em uma ligação ou mensagem eles deixam a desejar.
Sorri com a comparação do senhor que logo estava dando uma volta no jardim.
Assim que o aparelho se religou uma infinidade de apitos foi proferida, e-mails e mensagens descarregadas com velocidade, realmente eu não teria como saber de nada.
Meu sorriso ficou largo ao ver as mensagens bobas e digitadas certamente por Tobias avançado em uma bebedeira, isso poderia ser ruim eu odiei a situação, mas vendo pelo lado bom eu teria mais um episódio normal em minha vida, uma briga com o namorado uma bebedeira seguida de muitos pedidos de desculpas.
Poderia parecer bobagem, mas era algo tão normal algo que eu só via em filmes e séries e eu agora estava vivendo.
E quando o sorriso bobo estava estampado em meu rosto eu observei as mensagens do professor de matemática, de Will e logo a preocupação me tomou ao abrir a mensagem da mãe de Tobias perguntando se eu estava com ele.
A hora avançada na mensagem o qual eu estava desmaiada com os remédios em minha cama me preocupou.
Meus dedos dedilharam os números de Tobias imediatamente, e nada, o telefone estava desligado.
— Calma Hazel, ele deve estar ainda desmaiado e de ressaca.
Tentei o número de sua casa e nada, o telefone somente tocou até que a ligação caísse, e quando eu poderia estar muito preocupada eu tentava imaginar o melhor, meu telefone vibrou em minhas mãos.
— Alô? — atendi imediatamente quando o nome da mãe de Tobias piscava no visor.
“Hazel, está em casa?”
— Não, estou na escola, Tobias não chegou aí?
Imediatamente a raiva me invadiu ele deveria ter passado tanto na bebida e passado a noite na casa de um dos colegas do time.
“Hazel ele também não está em casa... — soluços ao outro lado da linha me fizeram ficar além da preocupação, as batidas de meu coração começaram a acelerar. — Hazel, estamos no hospital, Tobias sofreu um acidente de carro!
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