You could be Happy
23 Capítulo 22
Notas iniciais
YCBHCapítulo 22
Abrir os olhos pela manhã começou a ter um sentido mais intenso, olhava constantemente para a janela esperando que os primeiros flocos de neve chegassem, mas o que antes me animava agora me deixava completamente de mau humor, o frio.
Os dias seguintes foram se passando lentamente, a escola estava agitada por conta do inverno chegando, e das festas de fim de ano, muitos estavam ansiosos por conta dos feriados, outros pelo baile de inverno que seria nesse fim de semana, eu só me preocupava se estava agasalhada o suficiente.
Como eu havia prometido a meus pais e a Tobias, eu continuaria a minha vida "normal" e me preocuparia com as coisas simples, já que eu não teria controle com o que poderia acontecer com meu corpo de uma hora para outra.
Mesmo com as muitas trocas de medicamento, eu sabia que meu corpo estava lutando contra o coração que estava em meu peito. Será que meu sistema imunológico poderia deixar de ser teimoso?
O dia de ação de graças passou, tradicionalmente foi com minha família já que Tobias também passou com a sua, porém esperava que no natal pudéssemos aproveitar mais juntos.
Ele estava de folga de seus treinos, a temporada deu uma pausa e retomaria depois dos feriados, e do inverno rigoroso e a entrada da primavera.
As Olimpíadas de Matemática só teriam início depois do retorno das aulas.
As pessoas agora estavam mais agasalhadas, o refeitório ficava mais cheio, pois ninguém queria sentar ao lado de fora onde estava frio ou até mesmo garoando alguns dias.
Eu gostava do frio quando ficava em casa, era uma época que eu acordava mais tarde, lia mais, via filmes antigos com meu pai, ele acendia a lareira quase todas as noites que eu estava em casa. Mesmo em meus dias de hospital o frio não me incomodava, porém agora eu realmente estava revendo meus gostos.
O nariz gelado e avermelhado pela manhã, o carro que custava pegar, carregar os materiais escolares e ainda estar vestida com metade de suas blusas quentes do armário era difícil.
— Hazel o dia da neve se aproxima! — Isaac falou animado assim que chegou a fila do almoço.
— Pena que não esteja tão animada para isso. — eu podia sentir que meu humor se refletia em minha expressão.
— Por que esse mau humor?
— Agora entendo porque as pessoas reclamam do frio, sair de casa é uma tortura. — Isaac sorriu encerrando o assunto quando viu que eu não estava nem um pouco animada.
Depois de servir uma sopa, e pegar umas torradas sentei dei a minha breve olhada como sempre até avistar Tobias chegando à fila, ele sorriu em minha direção.
A nossa mesa ficou cheia, mas All não estava conosco, ele não mais se sentava ali, assim que voltei com Tobias de nossa breve separação ele começou a andar com o aluno Peter, e os dois estavam em um estágio dark adolescente, seus cabelos escuros estavam geralmente em seus olhos, e pude ver que até as unhas dele estavam pintadas de preto.
— Acho que o Peter entrou nessa de emo, depois que foi expulso do time. — Isaac comentou quando observou onde meus olhos estavam fixos.
Peter tentava entrar no time de futebol da escola, ele jogava bem, porém suas notas não estavam ajudando, então antes da pausa de inverno o treinador o retirou do time com a ordem de melhorar as suas notas se quisesse entrar novamente para o time, nesse meio tempo ele procurou All para ajudar, mas os dois começaram andar juntos e se afastar de todos.
— E quanto a All, qual é o motivo? — Monica perguntou.
— Acho que o motivo dele começa com H. — Will falou e sorriu, ele acabara de se sentar à mesa seguido de Christina que lhe deu um tapa em seu ombro.
— Pare de ser idiota, Will. — observei o casal que andava se implicando muito ultimamente, era uma implicância natural, e no mesmo minuto que os dois se desentendiam, bastava outro segundo para que eles estivessem aos beijos.
— Que foi? Todos aqui sabem e não é mistério que ele gosta da Hazel desde o primeiro dia! — Will tentou se defender de Christina e sorria em minha direção.
— Quem gosta de minha namorada? — Tobias perguntou, ele chegou por trás, estava segurando a bandeja de seu almoço e assim que sentou a mesa e me deu um selinho de leve, eu ainda sentia minhas bochechas esquentarem quando tínhamos essas demonstrações de afeto em público, ainda mais quando esse público é meus amigos.
— Estávamos falando de Peter e All, e como eles estão mudados de umas semanas pra cá. — respondi naturalmente tentando não demonstrar a importância desse assunto mais do que era, eu sabia, mesmo sem entender, que Tobias não gostava muito de ambos os rapazes em questão.
Tobias olhou em direção a mesa que os dois sentavam, estava cheia de alunos variados, porém os dois não interagiam com ninguém.
— Acho que eles querem chamar atenção. — Tobias falou abrindo a lata de refrigerante e me oferecendo.
— Não, obrigada , quero me aquecer e não beber nada gelado.
— Há varias forma de se fazer isso. — ele sussurrou em meu ouvido, corei imediatamente e olhei em volta ninguém ouviu foi um alívio. Olhei em sua direção e ele bebia seu refrigerante com um sorriso e o seu olhar malicioso.
— Como você pode ser tão pervertido? — sorri levemente sem graça, eu sabia que Tobias não era muito de ser indiscreto, o que mostrou que sua intenção era clara de desviar o assunto de All, não sei o motivo de ele se incomodar com a situação, pois realmente para mim não havia situação nenhuma, pelo menos de minha parte.
— Podem parar com a bolha particular, por favor? — Christina chamou a nossa atenção, como éramos três casais de namorados e amigos, tínhamos chegado como em um acordo, de que sempre quando estávamos reunidos, nada de bolhas particulares, deveríamos sempre interagir como um todo.
— Vamos falar do baile de Inverno! — Monica saltitou batendo palminhas. Ri com a reação exagerada de minha amiga, ela era de longe a mais animada com tudo que se referia a festas, bailes ou qualquer coisa que reunisse pessoas, decoração e música.
— Você e suas festas. — Christina bufou enquanto comia seu pedaço de pizza.
— Vocês têm que ficar animados, depois da festa de inverno, vem os feriados, eu, por exemplo, irei viajar, e nós só nos veremos depois do final de ano e a volta das aulas, e além do mais a próxima festa vai demorar muito. — Monica estava desesperada defendendo os motivos para estar tão animada pela festa.
— Não se preocupe, quando voltar de viagem meu aniversário estará perto, pode se divertir novamente. — no mesmo instante em que as palavras saíram de minha boca eu me arrependi delas, pois olhei para Monica que ficou tão emocionada que seus olhos encheram-se de lágrimas, ela saltou praticamente sobre a mesa, deu a volta em minha direção, sem se preocupar com Tobias que estava ao meu lado, ela se jogou em meus braços em um abraço tão apertado e espalhafatoso que quase virei a minha cadeira para trás.
— Ai Hazel que... Que... Emoção! Você não vai se arrepender vai ser a festa do ano, vai superar qualquer coisa!
— Calma, vamos com calma! — falei tentando entender a alegria daquela garota por uma simples festa.
Monica voltou a seu lugar, percebi que Isaac não estava muito contente, vinquei minha testa tentando entender a expressão dele, quando percebi que nada tinha a ver com a alegria de Monica em realizar mais uma festa, e sim pelo fato de que ele passaria o final de ano longe dela.
— O que há com ele? — Tobias perguntou.
— Monica vai viajar. Os pais dela têm uma casa em Aspen, nem é preciso dizer que eles são realmente ricos.
— Oh! — Tobias entendeu.
Quando entrei na sala de artes, o professor nem me deixou ir até meu cavalete de pintura, ele praticamente me arrastou para o canto da sala, seus olhos brilhavam quando ele me entregou a ficha de inscrição da bolsa de estudos.
— Hazel é importante que seja entregue antes dos feriados para que você tenha mais chance.
Segurei aqueles papéis em minhas mãos sentindo um pequeno aperto em meu peito o que me fez lembrar-me de um fator primordial, eu estava naquele ponto do buraco negro, porém eu tinha que tentar, e ao longo desses meses eu aprendia a dar valor a pequenas coisas, então senti agradecida sinceramente por ter essa oportunidade.
Depois da enfadonha aula de história, que só não foi tão ruim pelo fato de que Tobias tentava sempre me animar com bilhetinhos idiotas que ele mandava.
***
Eu mal acreditava que as festas de fim de ano estavam chegando, o baile de inverno foi tranquilo em se organizar, porém ia ser grande.
A decoração em estilo medieval foi ideia de Will, o que nos impressionou e agradou Monica.
Desta vez fiquei com uma das partes mais fáceis, a venda de ingressos, e mesmo Tobias não fazendo parte da comissão ele me ajudou ferrenhamente.
— Três meses e três grandes eventos, acho que somos a melhor comissão de formatura de todos os tempos.
— Acho que com sua animação, Monica, teremos uma festa por mês.
— Não dá. — ele fez um biquinho. — Se não fossem as provas semestrais...
Rimos juntos imaginando que realmente se ela pudesse era isso que faria.
O sábado que tradicionalmente eu passava com Tobias, hoje estava dedicado aos preparativos do baile.
— Bem, meu trabalho está feito, e eu tenho muitas coisas para fazer antes do baile, vou indo.
Estava me levantando do chão depois de ajudar a amarrar alguns dos tecidos que eram espalhados pelo ginásio para dar um ar mais medieval.
— Como? Temos muito mais na decoração a ajudar!
— Christina, você e seu namorado estão responsáveis por isso, a minha parte eu já fiz e muito bem feita, vendi muitos convites.
Eu não estava sendo egoísta, mas na hora de vender os convites eu teria feito isso sozinha se não fosse Tobias.
— Tudo bem, mas é que Will inventou tanta coisa para essa decoração que acho que nem vou ter tempo para me arrumar.
— Tudo bem, então eu te ajudo a colocar mais algumas coisas e vou, eu tenho hora no cabeleireiro e Jean é muito chato com atrasos, se eu perder a hora ele só vai marcar para depois de uma semana.
— Tudo bem Hazel, vá, eu entendo de verdade!
Nem perguntei duas vezes, saí correndo do ginásio antes que ela mudasse de ideia.
Escutei antes de sair ela praguejar Will e dar uns gritos com ele, realmente esses dois andavam brigando demais.
Cheguei ao salão de beleza sentei imediatamente, olhei no relógio tinha dez minutos para meu horário fiquei revirando as revistas femininas separei duas edições da minha preferida. Foquei em uma matéria onde falava sobre as crises de casais modernos, naquele instante eu me dei conta de que os problemas em um relacionamento nunca acabavam, fiquei ali lendo os depoimentos de mulheres, e até mesmo algumas dicas, não que eu fosse usar, mas eu gostava de me distrair com essas coisas.
— Hazel minha linda quanto tempo! — Jean chegava a minha direção juntando suas mãos e com aqueles traços imitando um homossexual. Eu dizia que ele fingia por alguns boatos que minha mãe ouviu de algumas clientes de que na verdade ele gostava de mulher e era um galinha, mas a sua reputação poderia fazê-lo não ter clientes.
— Jean. — respondi sorrindo.
— Sua mãe não veio hoje? — sua testa vincou de dúvida, nunca estive no salão sozinha.
— Não, ela tinha muitas coisas nesse sábado, mas eu tenho uma festa hoje e resolvi vir sozinha.
— Uau, festa isso me dá ideias!
— Nem vem Jean, sabe como gosto das coisas.
— Nem vem queridinha, vamos sente-se que vamos trabalhar... Maria! — ele gritou o nome em um sotaque mexicano e uma mulher de feições latinas apareceu. — Vamos deixar as unhas dessa garota dignas de uma festa.
— Jean, quanto ao cabelo, eu só acho que vou deixá-lo crescer então não mexa no comprimento.
— É tudo que sempre quis Hazel, mas então fique quieta leia aquela revista ridícula que você gosta enquanto meu processo criativo trabalha.
Deixei que ele finalmente se realizasse em fazer algumas luzes mais claras em meu já louro escuro, Maria pintou minas unhas dos pés e das mãos com um tom engraçado de rosa, Jean insistiu que queria fazer uma maquiagem leve e eu deixei que ele se divertisse na pior das hipóteses eu teria de lavar o rosto, no entanto eu gostei do resultado.
Assim que passei o cartão que minha mãe me entregou pela manhã, sai caminhando tranquilamente, mas antes de virar a esquina para meu carro, um pequeno estabelecimento me chamou atenção.
Estava em frente ao estúdio de tatuagem analisando quando uma ideia me surgiu.
Sem pensar muito entrei fazendo o sino na porta soar, a moça que estava na recepção tinha a pele tão branca como a minha, seus cabelos eram de uma cor escura cortados na altura de sua orelha e umas mechas azuis se estendiam pelas pontas.
Ela estava folheando algum catálogo com seus braços debruçados no balcão, uma rosa vermelha entre um emaranhado de espinhos era tatuado em seu braço, da extensão do cotovelo até o ombro.
Fiquei em sua frente, ela me encarou com os seus olhos azuis intensos e sorriu, o que me deixou menos tensa.
— O que posso lhe ajudar queridinha?
— Quero fazer... Uma tatuagem.
— Tudo bem, eu tenho vaga para... — ela abriu uma agenda e começou a folhear. — Bem só se for agora, ou somente para segunda-feira.
— Pode ser agora. — dei de ombros.
— Tudo bem, mas eu preciso de seus documentos. — ela me encarou sorrindo.
— Precisa? — arregalei meus olhos vendo que seria mais difícil do que imaginei.
— Se fosse há algum tempo eu nem pediria, porém devo seguir as regras e sem estar acompanhada de um responsável, menores não fazem tatuagem.
— Então aguarde só um pouco.
— Tudo bem. — ela voltou a folhear o catálogo, eu peguei meu celular em minha bolsa, eu tinha muito tempo ainda antes da festa, e eu estava decidida.
Como sempre minha mãe deixou tudo que estava fazendo para vir ver o que eu precisava, me senti culpada por fazer isso com ela.
— O que foi meu amor o que você precisa? Meu Deus como seu cabelo está lindo! — ela falou ofegante.
— Obrigada, e calma não é o fim do mundo, eu só preciso de sua autorização.
— Autorização? — ela ergueu uma sobrancelha.
— Sim, olhe não vai surtar ou nada assim, eu quero fazer uma tatuagem.
— O que? — ela ficou acho que de várias cores possíveis antes de inspirar o ar e voltar a falar.
— Você não pode fazer uma tatuagem, isso é loucura!
— Você tem uma! — rebati lembrando que eu vi a tatuagem que ela tinha nas costas feita em sua juventude.
— Não é assim que as coisas funcionam mocinha, o que aconteceu para essa súbita vontade de marcar seu corpo?
— Você me disse, tenha experiências de uma adolescente normal, então, eu estou na escola, arrumei amigos vou a bailes, e até tenho um namorado, uma tatuagem não é um bicho de sete cabeças, não acha?
— Hazel é para sempre, é uma decisão muito importante, temo que eu deva perguntar a seu pai.
Aquilo estava indo longe demais, ela não podia estar falando sério.
— É sim uma coisa importante e é para sempre, mas há muitas outras coisas que são para sempre e que nem pedimos autorização dos pais antes de fazer. — vi meu erro assim que a última palavra saiu de minha boca, aquele não era o momento para minha mãe saber que sua filha não era mais virgem, nem a hora e nem o local para isso. Torci para que ela não ligasse as coisas e abaixei a cabeça.
Porém ela me conhecia mais que muitos no mundo, então segurou meu queixo e encarou meus olhos agora suplicando para que ela não surtasse.
— Quando Hazel?
Engoli a saliva e respirei, minha mãe se apoiou no poste em frente ao estúdio de tatuagem.
— Antes do derrame pleural, no dia em que vocês saíram no evento com os pais de Tobias.
Ela nada disse, ficou um tempo calada, o que foi pior, naquele momento desejei que ela fizesse uma cena tudo menos ficar calada ali remoendo algo que só as mães devem entender.
— Vamos, eu vou com você para fazer essa tatuagem.
Ela seguiu em direção ao estúdio eu já nem sabia se queria mais, enquanto a moça foi arrumar a sala ela me entregou uma pasta.
— Prefiro eu mesma desenhar, será que você consegue fazer ao menos parecido?
— Depende. — ela me entregou uma folha e um lápis, eu sentei ao lado de minha mãe apoiando a folha em uma das revistas da recepção.
Depois que eu estava com o desenho quase pronto, minha mãe quebrou o silêncio.
— Foi bom? — a encarei firmemente.
— Não vou falar dos detalhes!
— Com suas amigas tenho certeza que falou. — notei uma pontada de ciúmes.
— Não falei, eu não sou esse tipo de pessoa e você sabe disso.
— Oh! Na minha época contávamos tudo umas as outras!
— Ainda bem que não estou na sua época, apesar de que deve ter gente assim ainda, mas acho que isso é algo meu e do Tobias somente. Mãe me desculpe, sabe, por não ter contado.
— Você cresceu, e eu vou ter que me acostumar que esse aqui pode ser o último momento que vou precisar autorizar algo em sua vida, você logo terá dezoito anos e será adulta, aí vem a faculdade, depois o primeiro apartamento enfim, ser mãe é duro, Hazel!
— Foi por isso que você queria que eu fizesse pelo menos um ano no colegial antes de ir à faculdade?
— Acho que sim, não sei se estou preparada para me despedir o dia que você carregar suas coisas para um alojamento, e nem sei se vou!
— Te amo mãe! — a abracei.
— Ei, será que tudo é bem limpo e descartável, sabe de sua imunidade.
— Mãe relaxe um pouco. — sorri.
Eu podia ver as caretas de dor que minha mãe fazia quando a agulha penetrava na minha omoplata e aqueles pequenos choques e a ardência só diminuíam quando a agulha era retirada em pequenos segundos.
Demorou mais do que eu poderia imaginar, porém ainda estava em tempo de me arrumar, o problema era que a tatuagem deveria ficar coberta com uma pomada gosmenta e um plástico.
Seguimos até em casa eu dirigindo o carro do papai e minha mãe no dela, mesmo sabendo que sua curiosidade não ficaria contida ela naquele dia não comentou mais nada sobre o outro assunto.
Desta vez meu vestido era rendado e tinha um pouco mais de tecido de algodão do que cetim, a cor rosa estava em destaque entre os detalhes brancos, era delicado e simples, na altura de minha coxa, um pouco mais curto do que eu era acostumada deixando boa parte de minhas pernas a mostra, uma manga até meu cotovelo também preenchida de rendas deixava meus braços cobertos, porém o desenho de seu decote mesmo sendo discreto deixava um dos pequenos pássaros da minha tatuagem que terminava em minha nuca a mostra.
Ele delineava minhas poucas curvas, o que me deixava receosa.
Quando ouvi a campainha soube que era Tobias vindo me buscar.
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