You could be Happy
14 Capítulo 13
Notas iniciais
Contar a meus pais não foi tão complicado como imaginei, porém estar sentada na sala de jantar da casa dos pais de Tobias me deixava mais nervosa do que eu ficava antes de meus exames.
Demorei duas horas exatamente para achar uma roupa ideal, porém como sempre de última hora eu acabava trocando.
Minha camisa de renda azul era minha preferida e preferi usar algo que me ajudasse a ficar mais calma.
Fiquei encarando minhas unhas que estavam completamente roídas novamente no toco, porém estavam pintadas de um rosa escuro que Christina levou ao colégio essa semana e pintamos dentro do banheiro durante a nossa aula vaga quando a professora de matemática faltou.
A senhora Eaton estava servindo o jantar enquanto eu tentava não olhar em direção do senhor Eaton, acho que por ouvir dele através de Tobias isso me deixou temerosa.
— Então Hazel Grace Lancaster não é mesmo? — ele me perguntou me fazendo encará-lo naquele momento.
— Sim senhor Eaton.
— Minha querida, o chame de Marcus. — a mãe de Tobias falou serenamente.
— Bem, eu me lembro de um Lancaster na época do colégio, ele era um ótimo jogador do nosso time.
— Sim, era meu pai, ele jogava. — respondi tranquilamente.
— Como percebo que agora Tobias vai frequentar mais sua casa, seria interessante seu pai conversar com ele, às vezes os filhos escutam mais os de fora, ele precisa de incentivo para voltar ao time.
— Pai. — Tobias falou meio tenso.
— Tobias, eu estou só conversando, você deveria ver seus erros e conversar com o técnico, Hazel minha querida seu pai cursou que faculdade?
— Meu pai ganhou uma bolsa com o time, mas ele fez arquitetura, deixou de jogar no primeiro ano de faculdade, mas suas notas o mantiveram com a bolsa.
— Viu só Tobias? — notei imediatamente o que estava acontecendo, eu não queria ser o pivô de uma briga, mas esse estava sendo o caminho se as perguntas de Marcus continuassem com esse foco.
— Marcus querido, vamos jantar em paz.
— Estou em paz Evelyn, só quero mostrar para Tobias a importância do time, veja ele não precisa seguir depois, apesar de ser a melhor opção.
O clima ficou tenso.
— É só isso que você pensa pai? — Tobias estava nervoso. — Eu trouxe Hazel para conhecer vocês e não para ela ouvir sobre o time!
— Tobias nós estamos tendo um agradável jantar e uma conversa extraordinária, e Hazel pode muito bem entender meus argumentos.
— Ele não precisa pai, e se me dão licença, desculpa Hazel, depois de jantar estou em meu quarto.
Tobias se levantou deixando seus pais e eu ali sentados, fiquei sem palavras e continuei a comer calada, considerei sair atrás de Tobias, mas não queria ser mal educada em uma casa que era convidada.
Marcos entrou mais no assunto do time, e o resto do jantar se resumiu a Evelyn perguntar um pouco de minha recuperação.
— Minha querida você sente dores?
— Não, apesar de sentir fadiga por conta dos pulmões eles trabalharam muito tempo praticamente sem a cooperação do coração que era falho, mas os remédios ajudam.
— Ouvi dizer que pode haver rejeição de um órgão transplantado mesmo depois de um longo tempo. — A pergunta de Marcus foi meio tensa, e até provocadora, porém eu estava ciente de tudo e respondi normalmente.
— Sim, o coração é o pior de todos. A vida toda eu devo tomar medicamentos, e evitar esforços desnecessários, porém posso viver quase normalmente.
— Marcus, não vamos aborrecer a Hazel com essas amenidades. Querida quer sobremesa?
— Sim. — assim que ela levantou-se eu repeti seu gesto. — Eu te ajudo.
Segui a senhora Eaton até a cozinha.
— Não fique chateada com Tobias, a relação dele com o pai anda meio tensa.
— Eu não estou chateada com ele, o entendo, mas fico preocupada e sem reação, em minha casa não temos isso, meus pais eu acho que são de outro mundo mesmo.
— Querida e também não se chateei com Marcus, ele é ranzinza e às vezes vê o mundo do ângulo dele, mas é um homem bom. — lembrei-me de Tobias comentar que a sua mãe não escolhia lado nenhum.
Pegamos as taças de flan e fomos até a mesa, depois de comermos Marcus se levantou.
— Vou ver o noticiário estarei na sala de TV, Evelyn.
Levantei junto com a senhora Eaton e estava recolhendo os pratos, me deu uma tristeza de ver o prato de Tobias quase intocado.
— Pode deixar minha querida, leve uma taça de sobremesa a Tobias.
— Obrigada, o jantar estava maravilhoso.
Subi as escadas e senti um leve cansaço, eu não conhecia a casa, mas um corredor era longo com portas espalhadas eu fui andando até encontrar uma porta cheia de adesivos. Bati três vezes e em seguida abri.
Tobias estava sentado próximo a janela em um banco. Ele estava com uma bola de futebol em suas mãos.
— Essa bola foi autografada e meu pai a venera. Ele me deu como símbolo de que eu sou importante na vida dele, mas para mim é mais um lembrete de que eu devo seguir o futebol.
— Eu trouxe a sobremesa. — falei caminhando até ele.
— eu não deveria ter te trazido aqui.
— Não estou reclamando, sua mãe é maravilhosa e o flan dela é espetacular!
— O bolo da sua mãe é o melhor que já comi!
— É isso eu não posso negar. — sorri deixando a taça em cima da escrivaninha que era quase vazia, apenas seu notebook e um pote de canetas estava em cima.
Observei o quarto de Tobias e entendi o motivo de ele achar meu quarto cheio. Tinha a cama, a escrivaninha e uma pequena estante de troféus e fotos.
Tobias levantou-se colocou a bola em cima da estante em um aparador, e veio em minha direção, ele enlaçou seus braços em minha cintura e me deu um beijo nos lábios.
— Estamos em meu quarto. — ele falou sorrindo, mas sem se afastar.
— Eu percebi, isso é perigoso?
— Quem sabe? — ele deu de ombros.
Não fiquei muito tempo em sua casa, Tobias me levou para a minha e antes que eu descesse do carro ele segurou minha mão fortemente.
— Desculpa te deixar sozinha com eles na mesa hoje, mas se eu ficasse lá, aí eu te constrangeria mais.
— Não importa depois que você saiu tive uma conversa excelente com eles sobre meu estado, e você perdeu o seu pai me lembrando da chance de rejeição de um transplante.
— Ele não tem jeito mesmo. — Tobias balançou a cabeça. — Desculpa por isso também.
— Tobias, eu já sei tudo, sou quase uma cardiologista de tanto que li sobre isso. E estou ciente de tudo e isso me faz falar normalmente dessas coisas.
— Por isso que eu te amo, você é destemida.
— Espera... Repita!
— Você é destemida!
— Não isso, a parte antes disso.
Ele sorriu e olhou para baixo depois me encarou.
— Por isso que eu te amo.
— Eu também te amo Tobias.
Ele me levou até a porta quando minha mãe apareceu.
— Olá Tobias!
— Olá senhora Lancaster.
— Espere, tenho algo para você.
Ela entrou, eu olhei perplexa a Tobias, e ela voltou com um embrulho.
— É bolo de chocolate, eu fiz, mas vocês chegaram tarde.
— Obrigado! — Tobias sorriu, eu imaginei que isso ele comeria, pois não tocou no jantar e nem na sobremesa, mas deveria estar com fome.
Ele voltou animado até sua caminhonete, entrei e minha mãe me encarou com os olhos brilhantes.
— E aí como foi?
— Normal.
— Normal, mas como normal?
— Jantar em família, depois sobremesa e eu conheci o quarto do Tobias.
— Calma aí, quarto?
— Calma mãe, Tobias até já esteve no meu! — lembrei a ela para tranquilizá-la.
— Mas vocês não eram namorados naquele dia.
— Não. — dei de ombros.
— Então, as coisas são diferentes acha que quando ele vier aqui vai ficar em seu quarto com ele?
— Pretendo, aqui em casa só tem uma TV e você e o papai ficam grudados, meu quarto é o melhor lugar para conversar, ver a internet.
— Minha querida, você acha que vai ficar na internet? Garotos têm outros planos quando se trata de quarto!
— Mãe, Tobias não é assim!
— Mas ainda assim é um garoto, então já sabe porta aberta sempre!
— Mãe se eu for perder a virgindade um dia não será em meu quarto com meus pais na sala de baixo. — dei ombros e fiz cara de nojo. — Ui só de pensar me dá arrepios! Eu vou pensar em algo mais emocionante. — pensei em provoca-la. — Acho que a picape do Tobias é bem espaçosa.
— Hazel Grace!
— Mãe, pare de ser careta! — mostrei a língua para ela.
Subi as escadas sorrindo.
Segunda-feira eu não ia para escola, eu teria consulta com a doutora Fells, e uns exames novos, pensei seriamente se eu falava de meus cansaços, e as pontadas no peito.
Chegamos ao consultório da doutora Fells, era menos traumatizante ter as consultas aqui, pois o hospital sempre era algo que demostrava que você estaria doente e em todo caso eu não estava, era uma consulta de rotina.
— Hazel Grace Lancaster!
A enfermeira que era a recepcionista me chamou, senti falta de Veronica, mas a moça era simpática.
— Qual seu nome?
— Mary.
— Mary trabalha há pouco tempo com a doutora Fells não é mesmo? Sempre que vim aqui era outra enfermeira.
— Sim, a outra enfermeira tirou licença. E acho que assim que ela voltar eu ficarei com menos funções, mas ficarei.
— Isso é bom. — sorri quando ela me entregou a camisola que eu vesti.
Minha mãe como sempre estava ao meu lado acompanhando cada passo da consulta.
Assim que a doutora entrou me senti mais a vontade, eu me consultava com ela desde meus sete anos.
— Olá Hazel como estamos hoje?
— Bem.
Deitei na maca ela examinou minha cicatriz.
— Está cicatrizando muito bem.
Ela colocou o estetoscópio em meu peito, mediu minha pressão, um exame de rotina.
— Vou pedir para que a enfermeira retire sangue, quero mandar fazer alguns exames de rotina, tudo bem para você?
— Sim.
Depois eu coloquei minha roupa e fomos à sala ao lado sentando em frente a sua mesa.
— Hazel a princípio está tudo indo muito bem, mas preciso lhe fazer algumas perguntas.
Eu sabia que essas perguntas se referiam a forma que eu me sentia então eu sem pensar muito falei.
— Mãe, eu poderia ficar a sós com minha médica?
— Por que filha? Eu sempre fico e...
— Eu acho que tenho esse direito não é mesmo?
A doutora Fells reprimiu um sorriso, mas ela encarou minha mãe.
— Pode ficar tranquila senhora Lancaster, sabe que por Hazel ser menor de idade qualquer coisa você pode saber sem problemas.
— Tudo bem. — mesmo relutante minha mãe olhou frustrada, mas saiu.
— Então Hazel por que pediu a sua mãe para sair?
— Essa de ela poder saber é verdade?
— Hazel, eu sou sua médica, e o sigilo é fundamental em minha profissão, porém você é menor se acontece algum problema eu tenho que informar seus pais, é a lei.
— Entendo, bem não é nada muito grave, é que ando sentindo muito cansaço e não quero preocupar meus pais, e às vezes sinto uma pressão na nuca, uma pontada, mas sempre é depois de algum estresse.
— Entendo, vejamos vou pedir aqui alguns exames mais profundos, porém preciso da autorização de seus pais para isso, algum problema?
— Não, acho que é só preocupação.
— Sim creio que é estresse, e agitação, você voltou a estudar esforços maiores tendem a dar um pouco de fadiga, não esqueça que mesmo comum coração novo, você foi sedentária uma vida toda.
— É o que eu penso, mas tem outra coisa.
— Diga.
— Eu... Bem, comecei a namorar e...
— Conte mais, isso é bom Hazel.
— Então quando estou com ele eu sinto mais essas pontadas.
A doutora Fells sorriu.
— Explicado, emoções fortes, você é jovem, e não é à toa as pessoas ligarem o coração ao amor, é um dos órgãos que mais trabalha quando estamos apaixonados, ele bombeia mais sangue, os hormônios...
— Sim eu conheço as reações químicas envolvidas, e é exatamente neste ponto que eu quero chegar.
— Hazel, está me perguntando sobre sexo?
Ela soltou uma gargalhada leve, nada constrangedora, mas o suficiente para eu sentir meu rosto queimar.
— Eu acho que estou.
— Bem, a princípio eu aconselharia você procurar outro médico, especialista em ginecologia, sabe ele te orientaria, mas você teria que ir junto com sua mãe e estar acompanhada. Como sei que isso não estará em questão...
— Completamente não. — falei mais que rapidamente.
— Então, como você disse está ciente da química que isso envolve, mas tem outras coisas, há doenças, e ainda a probabilidade de uma gravidez que é o que acontece com dois jovens saudáveis quando se envolvem mais intimamente.
— Eu sei de tudo isso, existe camisinhas, pílulas, mas enfim, e meu problema no coração?
— Hazel, você não tem mais problema no coração, ele é saudável esqueceu? Porém é transplantado e seu risco está mais na rejeição, e seus pulmões que estão me preocupando um pouco, mas no mais você é uma garota com saúde completamente cheia de hormônios como eu vejo.
— Então se por acaso acontecer eu não vou enfartar no meio ou nada assim, pois nem quero imaginar eu morrendo em uma situação destas seria uma vergonha pós-morte.
A doutora Fells deu mais uma gargalhada.
— Acho que você não vai enfartar em uma hora destas, porém não conheço seu namorado para saber se ele pode causar tanto estrago.
— Eu acho que causaria um enfarto em uma garota normal, imagina comigo.
— Hazel, eu só te aconselho a se prevenir.
— Tudo bem.
— Só isso?
— Eu acho que só.
— Melhor chamar sua mãe para assinar os papéis, vou dizer que é rotina, mas não posso ficar mentindo assim para ela, se realmente você se sentir muito mal terá que falar a ela imediatamente, isso é muito importante entendeu Hazel?
— Entendi, eu não vejo a hora de ser maior de idade!
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