You belong with me.
21 Capítulo 20
Notas iniciais
Papai bateu na porta três vezes antes que a mãe de Luke atendesse a porta.
–- Como vai Edward?- ela sorria olhando-o dos pés a cabeça.
–- Muito bem, obrigada Elise. — papai respondeu sorrindo.
Ela abriu a porta por completo e deu espaço para que nós entrassemos.
–- Nicole, você está tão linda! — Elise sorriu olhando para o vestido que eu usava.
–- Obrigada. — falei, minhas bochechas corando de levemente.
Jocelyn abriu a boca para falar alguma coisa mas desistiu assim que ouviu uma batida forte e vozes gritando.
–- SEU IDIOTA! — uma voz feminina gritou da cozinha.
–- EU SOU IDIOTA? SE FOR ASSIM VOCÊ É ESTÚPIDA! — a voz de Isaac saiu da cozinha.
–- ELE NÃO PODE FAZER ISSO! — eu finalmente reconheci a voz feminina, era Sarah, a irmã de Luke. — ELE VAI ACABAR MACHUCANDO ELA!
–- É CLARO QUE NÃO!
–- É CLARO QUE SIM!
–- EU NÃO ESTOU DIZENDO PARA ELE IR PARA A CAMA COM ELA!
–- PELO JEITO QUE FALA PARECE SER PIOR!
–- NÃO SEJA RIDÍCULA!
–- EU ESTOU SENDO RIDÍCULA?
–- ELE SÓ VAI PROVAR!
–- VOCÊ ESTÁ A TRATANDO COMO SE FOSSE UMA BRINQUEDO!
–- VOCÊS PODEM CALAR A BOCA! — a voz de Luke surgiu na gritaria.
–- ELE ESTÁ TENTANDO FAZER COM QUE VOCÊ FAÇA COISAS ERRADAS! — rugiu Sarah.
–- EU SEI. — Luke respondeu. -MAS EU PEDI A AJUDA DELE, NÃO A SUA!
–- ENTÃO VOCÊ PREFERE FAZER O ERRADO? SABENDO QUE ELA VAI TE ODIAR?
–- EU NÃO QUERO QUE ELA ME ODEIE!
–- ENTÃO ME OUÇA!
–- CALE A BOCA SARAH! — gritou Isaac. — DEIXE ELE DECIDIR O QUE QUER FAZER!
Elise massageou suas têmporas com os indicadores.
–- Eles estão fazendo isso desde de manhã. — suspirou. — ignorem, por favor.
Um som de alguma coisa quebrando veio da cozinha.
–- O QUÃO REPUGNANTE VOCÊ PODE SER? — perguntou Sarah.
–- EU NÃO SOU REPUGNANTE, EU QUERO QUE ELE SEJA HOMEM!
–- EU SOU HOMEM! — gritou Luke.
–- CALE A BOCA! — revidaram Sarah e Isaac ao mesmo tempo.
Elise suspirou novamente.
–- Eu vou dar um jeito nisso. — a mãe de Luke saiu andando em direção a cozinha, os braços cruzados na frente do peito.
A gritaria cessou assim que ela passou pela porta da cozinha, dando lugar a uma conversa a vozes baixas onde a única que elevava a voz era Elise que parecia muito irritada.
Cinco minutos depois Elise e os três filhos saíram da cozinha em uma fila, como se tivessem combinado antes de sair.
Sarah correu e me abraçou. Os cabelos pretos e olhos azuis brilhando juntamente com seu sorriso de dentes brancos.
–- Como você está linda! — ela falou, pondo as mãos em meus ombros e olhando em meus olhos, era algo que todos da família de Luke tinham em comum.
–- O-obrigada. — gaguejei.
Olhei por cima de seu ombro, Luke me encarava. Os olhos verdes preguiçosos atentos a mim.
–- Realmente se fosse um pouco mais velha... — comentou Isaac recebendo um beliscão da mãe e um olhar raivoso de Sarah. — Desculpe. — completou.
Luke sorriu levemente com a desgraça do irmão.
* * *
Levei mais uma garfada da lasanha de beringela a boca. Ate hoje não sabia quem cozinhava melhor, Jocelyn ou a mãe de Luke, ambas eram excepcionais com um fogão e panelas.
Sarah e Isaac lançavam um para o outro olhares raivosos, cada um mais agressivo que o outro, mas pareciam não afetarem nenhum dos dois. Eric e Jordan comiam desajeitados um pedaço de bife e acabam por melar as camisas de algodão tão bem passadas por Jocelyn. Papai passava as mãos pelo cabelo enquanto conversava com Luke sobre basquete. Jocelyn e Elise riam de alguma coisa que os gêmeos haviam feito. Apenas eu não tinha algo para me entreter (é claro, alem da minha deliciosa lasanha de beringela).
Desde meus doze anos minha familia e a de Luke faziam a ceia de Natal conjunta, desde que o pai de Luke morreu.
–- ... Elise, eu gostaria de saber se você, Isaac e Sarah gostariam de ir a uma festa de Natal conosco. — meu pai falou me tirando do transe.
–- Eu não posso ir. — Isaac relatou, levando mais uma colherada de puré de batata a boca. — tenho muito trabalho a fazer.
–- Até mesmo no dia de Natal, Isaac? — Jocelyn perguntou.
–- Infelizmente, a faculdade está me ocupando bastante.
–- Claro. — resmungou Sarah com ironia. — a faculdade de literatura é muito mais complexa que a de medicina.
–- Sarah, por favor. — resmungou Elise.
–- Eu adoraria ir, Edward.
–- Eu também gostaria bastante. — respondeu Sarah sorrindo.
–- Ótimo! — exclamou papai. — deixarei Nicole, Jordan e Eric em casa e voltarei em alguns minutos para irmos.
–- Eles podem dormir aqui. — falou Elise. — está muito perigoso crianças ficarem sozinhas em casa até tão tarde, além do mais os meninos não ficariam sozinhos, o que dificultaria achar a casa destruída quando voltarmos.
–- você acha realmente que a casa estaria destruída quando voltassem? — indagou Luke com uma sobrancelha levantada.
–- É claro, porque não acharia? — perguntou Elise. — depois do que fizeram? Das brigas?
–- Acho bem possível que estivesse. — resmunguei.
–- Não é a única, querida. — resmungou Isaac em resposta.
* * *
Os gêmeos roncavam alto do outro lado da cama, dormindo pesadamente as cabecinhas ruivas deitadas em um travesseiro comprido e os narizinhos rossando no lençol macio.
Sorri, passando os dedos nas mechas ruivas e encaracoladas de Jordan, que parecia mais imóvel que uma pedra nesse momento.
Uma fresta na porta se abriu. Os olhos verdes e nariz que tanto conhecia apareceram no pequeno espaço aberto na porta.
Luke abriu um pouco mais a porta, deixando mais da luz do corredor entrar no cômodo, e entrou na ponta dos pés, fazendo o mínimo de barulho possível.
Ele foi devagar até o meu lado da cama de casal e me encarou por um momento no escuro, como que se para ter certeza de que eu estava acordada. Ele deu mais alguns passos, se agachando de frente ao meu rosto ficando da altura dos meus olhos.
Ele moveu os lábios lentamente formulando as palavras: " me encontre no meu quarto." saindo em seguida da mesma forma silenciosa de que entrara (sim, nesses momentos ele me lembrava um ninja).
Levantei-me da cama com o máximo de cuidado possível para não acordar meus irmãos, mesmo tendo certeza de que as pequenas pedras não acordaram até amanhã de manhã.
Saí do quarto fechando a porta lentamente sem emitir nenhum barulho.
Andei nas pontas dos pés até o final do corredor, abrindo a porta do quarto de Luke e entrando silenciosamente.
O quarto parecia um santuário para o dono. A cama desarrumada, roupas pelo chão, pôsteres de bandas de rock presos na parede com fita adesiva (lembro-me que maioria eu que havia colado), uma bola de basquete jogada em um dos cantos e dois porta retratos em cima da escrivaninha bagunçada e repleta de papeis, uma foto de Luke com o pai pescando quando tinha dez anos e outra nossa de quando ainda eramos crianças.
Luke estava sentado na cama, sorrindo ao me ver observar o quarto.
Ele bateu em um espaço ao lado dele no colchão e indicou para que eu fosse a seu encontro.
–- Por que tanta urgência em me ver? — perguntei baixinho.
–- Eu precisava manter nossa rotina de pedir desculpas. — ele cochichou.
–- É impressionante como nós estamos brigando tanto. — resmunguei.
–- Eu sei. — ele falou. — mas dessa vez eu peguei pesado, não deveria ter falado nada daquilo.
–- Tudo bem. — sorri.
–- Não, não esta tudo bem. Eu estava com ciumes... Ciúmes de tudo.
–- Ciúmes de tudo?
–- Eu estava com ciúme de você e Bruce, com ciúmes dos idiotas que ficavam babando por você estar de vestido, com ciúmes de sua amizade com Dylan, com ciúmes de tudo, mas principalmente por causa daquele maldito beijo.
Meu coração acelerou.
–- Eu estava com ciúmes de Bruce ter te dado seu primeiro beijo, você merecia algo mais especial que aquilo, você merecia receber um beijo de verdade por alguém que você sentisse algo mais que amizade.
–- E como você sabe que eu não sinto mais do que amizade por ele?
–- Pelo jeito que você olha, qualquer um poderia ver isso, Nick.
Não, não qualquer um, apenas você.
–- De qualquer jeito, eu não te chamei aqui só para isso.
–- Não? — indaguei.
–- Não.
Ele enfiou as mãos em baixo das cobertas e puxou uma pequena caixa de jóias, não maior do que sua mão. Ele a abriu devagar e mostrou para mim. Um colar de prata com um pequeno pingente em forma de chave.
Luke sorriu.
–- Feliz Natal, Nick.
–- Luke, eu não posso aceitar isso, é muito... Muito lindo e eu não tenho nada para você.
–- Não se preocupe, apenas tenha em mente que não te darei um presente de aniversário pelos próximos três ou quatro anos.
Eu sorri.
–- Eu posso me conformar com isso.
Ele retirou o colar de dentro da caixa e eu me virei, deixando que ele pudesse prender o colar em meu pescoço.
Senti ele tentando encaixar o feixe com dificuldade, mas logo depois soltando-o e deixando-o cair pelo meu pescoço.
Me virei para ele sorrindo feito uma idiota.
–- O que achou? — perguntei.
–- Está linda. — seu sorriso estava quase maior que o meu.
Ele passou a mão pela lateral do meu rosto e se aproximou devagar. Senti o hálito dele em minha pele, cheirava a hortelã e pasta de dente. Ele se aproximou ainda mais... Ai ele me beijou.
Senti meu rosto arder tremendamente, meu coração batia a toda velocidade dentro do peito, pisquei os olhos varias vezes para ter certeza de que não estava errada e que aquilo não era um sonho. Luke estava me beijando.
Seus lábios eram doces e tinham gosto de pasta de dente sabor hortelã e Nutella, eram macios e gentis, eram... Perfeitos.
Ele retirou os lábios, seu rosto estava sério.
Eu coração estava batendo rápido e meus lábios seguiram sua vontade.
–- Luke, eu... E-eu sempre fui...
–- Apaixonada por mim. — ele completou. — eu sei, eu sempre soube.
Pude ouvir meu coração quebrar, se estilhaçar.
Merda.
–- V-você sempre soube?
–- Sempre, desde o início. — ele resmungou.
–- Então, por que nunca fez nada? — perguntei. — por que nunca falou nada? Que não sentia o mesmo por mim ou que não passava de amizade.
–- Não queria te machucar, eu nunca iria querer.
–- Então... — minha voz falhara por um momento. -... Por que você me beijou?
–- Eu não sei.
Lembrei-me da discussão na cozinha, dos três irmãos, de como Luke poderia machucar alguém, mas o quanto ele tinha vontade de fazer alguma coisa. Eu era a pessoa, eu poderia ser machucada, eu poderia odiá-lo. Eu não o odiava, mas a dor que eu sentia, nunca poderia ser comparada a nenhuma que já cheguei a sentir na vida.
Lágrimas caíram pelo meu rosto.
–- Merda. — resmunguei.
–- Nick, eu sinto muito...
–- Merda.
–- Nick...
–- Por que você fez isso? — perguntei entre soluços. — por que? Se não sente nada por mim porque simplesmente não fala... Não fala o que não sente?
–- Eu sinto muito, Nick. — seus olhos estavam preocupados.
–- Eu sei, eu sei que sente. — falei me curvando para frente. — mas por que me beijar, simplesmente por quê? Só por que não quer perder para Bruce? Só por que acha que isso vai me fazer sentir melhor?
–- Não, eu nunca...
–- Mas parece. — minhas voz falhou novamente. — Eu... Eu desisto.
–- Desistir de quê? — sua voz estava preocupada.
–- De você.
Seus olhos soltaram das orbitas, ele estava assustado.
–- Como assim?
–- Eu desisto. Desisto de me machucar, desisto de sofrer, desisto de chorar, desisto de lutar por algo que sei que nunca vou ter. — meus soluços estavam mais fracos. — eu desisto do que eu lutei dentro de mim, do que eu senti, das noites que chorei. Eu não quero mais isso.
Ele ficou calado me olhando aflito.
–- Pode voltar para sua líder de torcida encantada e ser o jogador encantado dela, podem voltar a sentir o que sentia antes, eu nunca mais vou interferir em nada.
–- Nick, eu não quero que você saia da minha vida.
–- Eu não vou, eu só quero um tempo para mim, só isso.
Eu me levantei da cama e sai do quarto. Não ousei levantar meus olhos do chão ate que estivesse novamente na cama de casal do quarto de hospedes, junto com meus irmãos, longe de tudo.
–- Nick? — eu me virei na cama, Jordan e Eric haviam acordado, possivelmente por causa dos soluços.
–- O que foi? — perguntei.
–- você está chorando?
–- Não, é só uma crise de alergia. — respondi.
Eles não engoliram, mas decidiram não falar nada. Eles apenas se aproximaram e me abraçaram, como se eu fosse a criança chorona e eles os irmãos mais velhos.
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