Notas iniciais
Oi oi gente! Aqui vai mais um capítulo e como eu não tenho o que falar... Não tem notas descentes hoje! Tomara que gostem *-*

–- Cala a boca, ninguém pediu sua opinião. — falei.

Clarisse andou um pouco mais até ficar na minha frente, mordendo mais um pedaço do hambúrguer.

–- Você vai acabar tendo alguma doença futuramente por não comer proteínas. — ela reclamou.

–- Não se eu continuar a comer carne de soja e ovos, uma grande fonte de PROTEÍNA.

–- Escute aqui. Eu estou tentando te alertar de que você futuramente poderá sofrer algum problema por sua teimosia de não querer comer carne.

–- Não é teimosia. — reclamei. — é um princípio.

–- Tem varias inspirações para um princípio, e você escolhe o pior possível.

Franzi o cenho e bati o pé no chão.

–- Você gostaria de ser depenada completamente, em seguida mutilada e deixada em um frigorífico até uma pessoa ignorante escolher comprar você e cozinha-la ate você virar crocante?

–- Não... Mas isso não vem em questão. Qual será seu próximo passo? Deixar de se depilar e morar em cima de árvores?

–- Eu não vou virar uma hippie! Muito menos deixar de me depilar. — resmunguei esfregando uma perna na outra pra ver se os pelos estavam muito grandes. — eu só escolhi uma alternativa diferente.

–- Grande alternativa. — ela falou comendo o último pedaço do hambúrguer.

Eu desembrulhei a maçã que segurava intocada e a mordi.

Clarisse e eu viram os mais um corredor alguns alunos nos olhando de relance e cochichando uns para os outros. Tentei ignorar, mas aquilo era estranho, na verdade era incomum, nem eu nem Clarisse eramos muito notadas o que mudara?

–- O que foi? — perguntou a carnívora que agora devorava uma barrinha de chocolate.

–- Estão olhando pra gente.

–- E daí?

–- Isso não é comum.

–- Eles devem ter percebido o quanto nós somos bonitas. — ela fez um gesto com a mão dando de ombros. Ela e Dylan com certeza eram irmãos.

Continuamos a andar pelos corredores, algumas garotas agora se juntando aos cochichos, ouvi algumas dizendo o nome de Luke.

Chegamos ao corredor da nossa sala. Clarisse não se importava com nada a sua volta agindo como sempre, já eu estava mais atrapalhada que o normal. As pessoas já estavam me deixando nervosa. O que havia mudado? Seria algo em mim? Não, não poderia. Se houve algo em mim Clarisse teria visto e falado, também não era nada nela.

A voz de uma garota me tirou dos meus pensamentos.

–- Com licença você é a Nicole, não é?

Eu me virei debilmente conseguindo não tropeçar nos meus próprios pés. Emily Clearmont estava na minha frente. Merda.

* * *

Ela parecia uma espécie de princesa usando uniforme de líder de torcida. Os cabelos castanhos avermelhados lisos soltos balançando ao vento, as maçãs do rosto redondas, os dentes branquinhos, os olhos azuis brilhantes, o corpo curvilíneo. Comparada a árvore na qual a princesa e o príncipe ficavam trocando amassos encantardos.

–- Sabe, eu sempre quis ter sardas. — falou Emily de repente.

–- Perdão?

–- Eu sempre quis ter sardas, como as suas, mas elas não ficariam bem em mim. Elas ficam mais bonitas em rostos redondos, como o seu.

Ela chamou meu rosto de bola?

–- Obrigada. — eu acho, acrescentei mentalmente. — por que você me chamou para dar uma volta? — perguntei sem conter minha curiosidade.

Ela soltou uma pequena exclamação semelhante a um suspiro.

–- Eu soube que você é amiga de Luke... — apenas amiga? Pensei, eu sou a melhor amiga dele. Ela continuou.-... desde pequena, de muito pequena mesmo, então eu quis te conhecer, sabe, conversar um pouco, saber como ele era quando criança...

–- Entendo. — resmunguei. Por que ela não poderia falar com a mãe de Luke? Ela poderia mostrar as fotos dele pelado na banheira quando tinha um ano, que por sinal eram fofas.

Ficamos em silêncio constrangedor por alguns segundos até que ela quebrou o gelo.

–- Eu te vi no jogo do outro dia. — ela sorriu, um sorriso doce de mais por sinal. — ele me falou que você era uma grande amiga e por isso que foi com ele. — ela fez uma pausa. — vocês são vizinhos, certo?

–- Sim, nós somos.

–- Você conhece os irmãos e a mãe dele?

–- Sim, Sarah e Isaac, os irmãos mais velhos, e Helizabeth, a mãe. — não sei porque falei desse jeito, tão detalhado, eu queria mostrar para ela que era mais do que uma simples amiga.

–- Verdade, eles são ótimos, uma pena que não pude conhecer Sarah. — ela havia ido conhece-los? Porque Luke não me contara? — tudo bem?

–- Sim, eu estou bem. — falei. Eu tenho de parar de falar apenas sim, não quero que ela vá até Luke dizendo que eu havia sido mal educada.

–- Pareceu meio pálida por um momento...

–- Não. — eu sorri. — eu estou ótima.

–- Que bom. — ela sorriu.

Continuamos a andar, nós estávamos próximas ao ginásio e bem distantes da minha sala. Pra onde estávamos indo afinal? Eu estava apenas seguindo ela...

–- Eu achei estranho que no dia do jogo você estivesse com o casaco dele. — ela falou me assustando de ter falado de uma forma tão repentina. — geralmente quem usa o casaco dos jogadores durante o jogo são as namoradas deles. Eu tive uma briga horrível com ele de noite.

–- Eu soube. — falei sem perceber. — vocês foram até as duas da manhã discutindo...

–- Ele te contou alguma coisa?- seu rosto pareceu nervoso por um momento, mas voltando a estabelecer a aparência perfeita de sempre em seguida.

–- Não eu só estava acordada de noite e vi que ele ainda estava acordado e falando pelo telefone e...

–- Como você viu ele? — sua voz se elevou.

–- Sua janela fica de frente para a minha. — falei tentando manter minha voz calma.

Ela sorriu de um jeito sinistro dando continuidade a conversa anterior.

–- De qualquer modo eu tive uma briga horrível com ele naquele dia. Por sua causa. — sua voz estava acusatória. — então eu decidi conversar com você sobre uma coisa.

Eu engoli em seco.

–- Eu não quero você perto de Luke enquanto nós namorarmos. — ela falou, curta e grossa. — mas já que eu não posso fazer com que aquele idiota te despreze já que ele "te ama como uma irmã" — essas palavras me atingiram como um soco no estômago. — eu decidi fazer uma pequena brincadeira com você.

–- Como assim uma pequena brincadeira? — perguntei, minha voz havia voltado, mas o som que ela mostrava era similar a um sussurro.

–- Essa brincadeira.

Tinta caiu em cima da minha cabeça. Uma lata inteira segurada por dois jogadores que eu reconhecia ser do segundo ano. A tinta vermelha escorreu de minha cabeça até meus ombros, melando também a jaqueta blusa e o jeans que eu usava chegando a ter alguns respingos nos tênis all star azuis escuros.

–- Considere-se avisada. Você não vai contar a Luke sobre o que nós conversamos. E sobre isso — ela indicou a tinta que estava grudando as mechas do meu cabelo. — você vai dizer que foi apenas uma brincadeira boba de amigas e que nós não queríamos que passasse dos limites. Entendido? — sua voz era autoritária.

Eu não respondi. Eu saí correndo de lá em direção aos banheiros. Não ligava se as poucas pessoas que estavam andando pelo pátio me olhavam ou se algum dos funcionários da limpeza ou da coordenação do colégio me vissem, eu só queria desaparecer dentro de um dos boxes do banheiro e não sair de lá, nunca mais.

Fechei a porta do box com força e comecei a chorar. Eu queria gritar, berrar, fazer qualquer coisa.

Luke me amava como irmã, isso eu já sabia, mas ela me humilhou, ela mostrou que eu nunca seria boa para que ele gostasse de mim. Eu nunca seria uma garota como ela.

Meu telefone tocou, era o toque do celular de Clarisse, All about that bass. Ouvir essa música me deixaria animada em algum outro dia, mas hoje acho que nada poderia fazer isso.

–- Alô? — falei.

–- Nick? — Clarisse perguntou, sua voz mais alta e ansiosa que o normal. — meu deus, Nick, o professor já está dentro da sala. Eu estou aqui com Bruce e Dylan. Alguns alunos do nono ano falaram que te viram correndo coberta de tinta vermelha. Eles perguntaram se foi alguma brincadeira.

Eu não consegui falar, eu queria que Clarisse estivesse aqui, ela sempre sabia o que fazer.

Eu solucei alto.

Ela soltou uma exclamação por trás do telefone.

–- Nick, onde diabos você está? — eu não respondi. — por favor, nick. Eu estou preocupada e você esta chorando, isso não é nada bom. Por favor, onde você está?

–- No banheiro atrás da cantina. — falei em meio a soluços e lágrimas. — o que ninguém usa. Estou no terceiro box contando a partir da porta.

–- Quer que eu leve alguma coisa? Qual quer coisa? — sua voz estava preocupada.

–- Uma muda de roupa e um sabonete. — solucei.

–- Certo, eu e os meninos estamos a caminho.

Notas finais
bye bye