Notas iniciais
Homenagem para o aniversário deles no dia 20, postada também no Spirit, aliás, a capista também é de lá.

Capítulo Único — We Birthday

A garota formou um bico de desaprovação ignorando o olhar e sorriso malicioso do outro ao ouvir a sugestão do melhor amigo. Não duvidava que ele já havia feito aquilo, mas não era algo que ela queria fazer, algo que combinava com sua personalidade. Estava em aflição, faltavam poucos dias para o aniversário de seu namorado, que por acaso do destino também era seu aniversário, e aniversário de namoro de um ano de ambos.

Konan conhecia Yahiko o suficiente para saber que estava na mesma situação que ela, seria a comemoração de três aniversários em apenas vinte e quatro horas. Yahiko poderia ser bobo e brincalhão, mas detestaria magoar a namorada. Konan pensou nas coisas que ele gostava, mas não seria legal passar o dia jogando Deus da Guerra com Nagato e Kisame, comendo apenas pizza. Procurou pelo melhor amigo, para saber se ele teria alguma sugestão, afinal o loiro era o maior festeiro entre os amigos. Ele tinha algumas sugestões de presentes, várias na verdade, porém elas eram um tanto inapropriadas ao ver da garota de orbes âmbares.

Esperava que ele pudesse ajudar indicando alguma pintura ou escultura, pois o mesmo é um artista, porém recebeu apenas sugestões de brincadeiras e fantasias sexuais que Deidara havia realizado com o namorado, não que o loiro havia falado diretamente, mas como ele saberia tão bem se não houvesse as realizado? Ignorou quando ele disse para ela se vestir de neko, ou comprar chicotes, vendas e algemas, e gostaria de ficar surda quando ele ofereceu que praticasse BDSM, agora entendia o motivo do amigo ter passado um dia inteiro sem mexer-se direito e todas as marcas roxas e vermelhos no corpo.

Claramente Deidara não daria outra opção decente, refletia sobre isso enquanto ele havia se levantado para buscar água para ela. Ouviu barulhos de chaves e virou o corpo para o lado, no sofá, vendo uma figura morena e de terno passar pela porta. O loiro correu para fora da cozinha, sem a água que prometeu trazer para ela, para abraçar o “marido”, Konan indignou-se pela segunda vez. Isso se poderiam ser casados, haviam feito a cerimônia há alguns anos em uma capela na cidade do pecado, Las Vegas, aparentemente o casamento continuou quando voltaram para Konoha. Com muito ciúmes de Itachi, pelo casamento de seu melhor amigo e seu irmão mais novo.

— Oi Sasuke. — cumprimentou com um sorriso caloroso o, de consideração, cunhado, sendo retribuída por um aceno de cabeça. O moreno saiu da sala e Deidara o seguiu, Konan pensou se deveria ir embora ou ficar, ainda não tinha saciado sua dúvida, que a levou para o apartamento de luxo do amigo, comprado pelos Uchiha.

Virou o rosto e começou a observar o lugar, por mais que fosse um apartamento em um dos últimos andares, haviam várias plantas e janelas, deixando o ambiente mais natural, além das pinturas do amigo nas paredes originalmente brancas, alguns dos móveis em madeira, lustres de cristais, e uma televisão de várias polegadas, que ela não fazia ideia do número. Ouviu sons animados, logo sabendo que Deidara havia voltado, levantou-se e arqueou uma sobrancelha desaprovador para o loiro que revirou os olhos e a puxou para fora da sala.

— O quê? — indagou curiosa com a repentina troca de humor do amigo, que antes estava extremamente animado em ajudá-la na procura do presente perfeito para o amigo.

— O Sasuke teve um péssimo dia na empresa e me pediu ajuda para desestressar. — respondeu-a com um sorriso ladino e voz maliciosa, a puxando mais para perto da porta de entrada, ou saída. — Eu nunca vou negar o fogo do Sasuke, agora com licença, eu preciso de sexo. Não seja uma empata foda, Konan. — completou em um tom brincalhão, enquanto tirava os sapatos e a camisa, a garota envergonhada decidiu melhor não perder seu tempo lá e saiu, enquanto andava pelo corredor ouviu a porta ser batida e trancada.

Poderia pedir ajuda de Nagato, mas ele poderia estar tão perdido quanto ela, o garoto de cabelos vermelhos nunca deu presente para os amigos, em seus aniversários dava algumas notas para comprarem o que acharem melhor, era uma boa ideia, ela obviamente não ia adivinhar o que Yahiko gostaria de ganhar, mas temia a reação do namorado, ele poderia ter comprado algo incrível para si, enquanto ela dava dinheiro, ia parecer que ela não o conhecia, o que não era o caso, ela apenas não conhecia todos os seus gostos. Poderia levar em consideração a ideia de Deidara mas o alaranjado não se importava com esse tipo de relações, Yahiko era intenso, extrovertido, amigável e sincero. Konan pensava que não o merecia.

[...]

Outros poucos dias haviam se passado, e faltavam exatamente um um dias para o dia. Dia que ela não estava nenhum pouco ansiosa — embora sentisse que deveria —, em nenhum momento ela conseguiu pensar em nada, procurou uma amiga do colégio também, Sakura, a garota de cabelos rosas não pode ajudar por não conhecer Yahiko, mas seu namorado, Rock Lee, disse que havia ideias. Konan se arrependia de ter o pedido para dizer, nada das sugestões do garoto com cabelo de tigela havia a ajudado, ele apenas falava sobre juventude e atividades ao ar livre, coisa que Yahiko detestava.

Levantou-se da cama após pensar em algo, tentativa falha, não encontrando o namorado na casa, provavelmente havia ido à casa de Kisame jogar videogame como na maioria das vezes, antes da faculdade de design gráfico, ele adorava desenhos e cartoons, não era à toa que haviam lençóis de cama de Hora de Aventura e Gravity Falls, que eram seu favoritos. Observou as fotografias que ficavam em cima de uma cômoda de madeira perto da escada, tinha uma com ela, Nagato, Yahiko e Jiraiya, o último cuidou deles quando eram órfãos, ele fazia parte da família Namikaze, logo conheceram o seu neto, Nagato e se tornaram inseparáveis, com cinco anos. Ao lado dessa tinha uma de quando tinha nove anos, Yahiko coçava a nuca com vergonha, Nagato sorria timidamente e a garoto os abraçava com um belo sorriso, era da festa de nove anos de Nagato, o mais novo dos três.

E por fim, uma com a moldura laranja, nela estavam Jiraiya e Yahiko, pescando, a alegria do menino era contagiante mesmo por uma foto colorida e desbotada, ele havia conseguido pescar um peixe grande pela primeira vez e estava radiante, Konan lembrava perfeitamente desse dia, pois foi o dia em que ele falou que finalmente estava pronto para alcançar seus desafios e declarou-se para a jovem, no momento ela não soube como reagir, mesmo que sentisse o mesmo, porém ela estava fazendo origamis e teve a ideia de o dar um presente, não seria mentira se dissesse que foi a melhor flor que já fez em toda sua vida, porém mesmo sendo recíproco começaram à namorar apenas depois de se formarem para não interferir na escola.

Despertou de suas doces lembranças com o toque de notificações do celular que havia jogado no sofá quando desceu para tomar café, dirigiu seu corpo até a sala, encontrando o objeto que cabia perfeitamente em suas mãos pequenas e delicadas vibrando em cima da almofada salmão do sofá, agarrou e viu que estava sinalizando por uma mensagem de seu namorado Yahiko. “Encontre-me amanhã no lugar que o Jiraiya-sensei nos levava.”, sorriu com a ideia de que Yahiko a estivesse preparando uma surpresa, o que era bem provável, empolgou-se e mandou uma mensagem para o amigo loiro falando para se encontrarem no salão de sempre, deveria estar perfeita e quem melhor que Deidara para ajudá-la.

[...]

Estava inteiramente divina e cabal, passou à tarde no salão da Yamanaka, parente distante do amigo que a acompanhou, arrependia-se um pouco disso pois não conseguiu pensar ou comprar algo e estava com vergonha de ir até o alaranjado de mãos vazia enquanto provavelmente ele passou a tarde preparando uma surpresa para ela, porém não poderia mais reclamar agora, não na frente da porta de entrada.

A empurrou para a frente e passou, já se encantando pelas inúmeras flores feitas com papel lilás, igualmente aos seus cabelos curtos e sedosos. Estava cada vez mais encantada com o panorama que via à cada passo, Yahiko havia arrumado juntas, duas das coisas que mais gostava, origamis e flores, com sua cor favorita, azul, em apenas um pequeno corredor. Não poderia imaginar o que atinaria ao passar pela porta para a sala, não tinha nada de extravagante em mente, não por ele, provavelmente ia deparar-se com o mesmo que viu nos corredores atrás de si, porém em maior quantidade.

Se apostasse teria acertado, ao adentrar pela porta decorada por origamis de borboletas avistou várias das mesmas juntas de flores, porém também havia flores reais, mais especificamente tulipas, outra de suas coisas favoritas, que mais amava. Na parte mais alta tinha uma mesa redonda, com as coisas chiques que eram vistas normalmente em restaurantes de luxos, os pratos embaixo dos cloche, os talheres ao lado, um pano azul claro cobrindo a mesa, um vaso de vidro com tulipas dentro rodeado por velas.

Ela esperava por uma surpresa de Yahiko, porém não algo à esse nível, estava tudo perfeitamente e estrategicamente arrumado para que ela se sentisse confortável no ambiente, e ele havia conseguido, se esforçado tanto, deu seu máximo enquanto ela apenas se preocupou se ele gostaria do seu corte de cabelo quase idêntico ao antigo ou o perfume que usava. Quando ouviu passos atrás de si já lacrimejava sentindo-se indigna e não merecedora do que recebeu como presente.

— Tudo isso está tão… Perfeito! — falou enquanto usava o indicador para rodar pelo lugar, apontando-o para todos os lados, não queria mirá-lo, não se sentia o suficiente para ele.

Yahiko percebeu as fungadas da namorada e guardou a caixa que segurava no bolso da calça social apertada que o incomodava há minutos, a abraçou por trás, conseguindo livrar a tensão que ela sentia, a virou para a frente de si, seus olhos e nariz vermelhos, passou o dedo levemente pela face pálida sorrindo para ela.

— Tudo isso é para você. — falou, desceu suavemente sua mão pelo seu rosto até tocar a mão da garota, puxou a levemente até a mesa redonda, como um bom cavalheiro que era, puxou a cadeira para que ela se sentasse.

Não queria que tudo passasse rápido demais mas também não tinha vontade e nem necessidade de que fosse lento demais, estava tudo como ele queria, como ele, com ajuda de Itachi, planejou, ele não esperava que tal fosse a reação de Konan, mas não demonstraria desespero por algo não sair como gostaria.

Levantou o cloche do prato, o colocando ao lado de sua cadeira, Konan repetiu o ato, sendo observada pelas orbes castanhas e empolgadas, no prato havia peixe grelhado, Yahiko aumentou mais ainda o tamanho do sorriso, com orgulho, fazendo com que Konan soubesse que o namorado havia o pescado. Ficaram em silêncio, enquanto apreciavam o bom gosto da comida que havia ali para eles. Yahiko era bem calmo, mas toda aquela espera estava o angustiando, mais ainda quando percebeu que a namorada evitava o olhar, ainda estava com vergonha.

Ficou demasiadamente feliz quando ela finalizou a janta e colocou novamente o cloche no prato, levantou-se da cadeira em direção dela, esticou sua mão, percebeu o hesitar dela entretanto correspondeu, a levantou-a da cadeira indo para o centro do local, onde havia vários ramos de flores e a parte do teto era de vidro, os permitindo ver o céu estrelado.

— Yahiko, eu não mereço nada disso, não apenas por hoje, mas por sempre. — afirmou lembrando-se de todas as vezes em que o alaranjado fazia de tudo por ela e para ela, sendo que não correspondia nem de forma mínima.

— Não se preocupe. Eu tenho tantas coisas para falar, er… — levou o olhar para o lugar ao seu redor, procurando as mais belas palavras. — Eu sempre gostei de você, eu nunca esperei ou implorei que você me retribuísse em nada, um presente é algo fútil para mim se você não estiver ao meu lado. Konan, eu amei você desde o momento em que coloquei meus olhos na garota sorridente que estava brincando com o Nagato, eu amo você até hoje, e tenho total certeza que vou amar-te no futuro, em outras dimensões ou galáxias, em universos alternativos, porquê você é a única pessoa que completa todo o vazio em mim. — a garota continha um sorriso sentindo seu coração acelerar mais em cada segundo que passava, o sorriso era totalmente genuíno, como ela podia se apaixonar mais por Yahiko? — Não importa o número de pessoas que existem no resto do mundo, nunca nenhuma delas vai ser como você ou você, é por isso que eu amo você incondicionalmente, você é a única pessoa no mundo todo que me trouxe alegria e felicidade apenas com um sorriso. — com uma mão segurava o queixo da menor, impedindo-a de desviar o olhar, e a outra puxava discretamente a caixa que jogou em seu bolso quando a viu chorar. — Nosso amor é perene e enternecido, eu não preciso de mais nada, pois você é o meu presente! Um presente que eu não sei de onde veio, mas que vai ficar marcado em mim para sempre. — ela não tentou conter as lágrimas de emoção ao vê-lo abaixar-se, sabendo exatamente o que faria à seguir. — Então, Konan, aceita se casar comigo? Um idiota, bobo e vários outros defeitos mas que ama você.

Konan não precisava pensar na resposta em nenhuma vez pois era praticamente óbvia, ela sempre foi mais prática, não precisava de um discurso belo para demonstrar seus sentimentos, seja os bons ou ruins. Ela puxou o garoto para cima, o abraçando, ao se separarem olharam-se profundamente, conseguindo desvendar todos os mistérios de uma vida inteira. Ela selou seus lábios rosados aos de Yahiko, ficaram parados apreciando do calor alheio, até separarem-se, ela pegou a caixa de sua mão e analisou o objeto que continha seus nomes. E então falou por fim:

— Eu obviamente aceito.

Notas finais
mereço comentários?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!