Fazia meia hora que eu chegara em casa, a casa se encontrava escura, sombria e fria. Lembro-me de que a última coisa que fiz até que adormecesse, foi escovar os dentes. Ignorando a maquiagem no meu rosto, as roupas coladas, e o meu enjoo por causa da bebida ingerida na festa. Simplesmente me cobri com as primeiras cobertas que vi, e depois não lembro de mais nada; Foi quando Patch entrou no meu sonho. Pelo menos, achava que era no sonho.

Vi ele esgueirando-se da porta de meu quarto até a janela, ao lado de minha cama. Quando acordei, ele estava pairando ali, com os olhos negros fitados em mim, acompanhados de um sorriso sombrio.

"O que faz aqui?" perguntei, meio tonta.

"O que faz com essas roupas?" ele perguntou. "E com toda essa maquiagem?" ele disse.

"Não é da sua conta" eu disse, fria.

"Só estava lhe testando..." ele disse, e eu esperei uma explicação. "Você não lembra? Eu estava na festa, dei uma surra em Scott quando vi que ele estava se passando com você e..."

"Você não tinha o direito! Eu que resolvo quem se passa comigo ou não!" falei, o interrompendo, com voz determinada.

"Não confio nele, e sabia que podia machucar você..." ele disse, se aproximando de mim, que só agora notara que estava pairando sobre o chão. Me sentei, e ele se sentou ao meu lado.

"Não é mais da sua conta quem me machuca ou não." eu disse.

"Isso é o que você acha" falou ele. "O que aconteceu depois da festa?" ele perguntou, com voz inocente. "Porque está assim?"

"Não importa, você não deveria estar aqui!" eu disse, me levantando. "Saia do meu sonho. Não quero mais te ver, nem hoje, nem nunca! Volte para ficar com Marcie, tenho certeza que ela iria muito mais longe com você do que só alguns amassos!" Falei, apontando para a porta. "Porque não a visita nos sonhos dela? Aposto que ela adoraria!" eu disse, segurando as lágrimas que se continham em meus olhos.

"Não me importo com Marcie, me importo com você." ele se levantou, e começou a acariciar meu rosto delicadamente. Senti seu toque morno queimar na minha pele transbordando de desejo. Sabia que se fosse apenas um pouco mais longe que isso, não conseguiria mais resistir.

"Está mentindo" eu disse, virando o rosto com resistência.

"A Marcie preenche meu vazio, que foi deixado por você Nora. Se nós pudéssemos fugir, se esconder dos Arcanjos, sei que meus dias teriam mais sentido. Estaria ao seu lado." ele falou. "Não importa o que falam, o que nos contém, são nossos sentimentos. Nora, me escute!" ele disse, com um tom que nunca tinha ouvido sair de seus lábios. Um tom desesperado, ao ver que meu olhar se mantinha longe do dele. Se olhasse em seus olhos, sabia que minha resistência acabaria.

Mas como sempre, eu não resistia a ele, meus sentidos acabavam, minha identidade se perdia. A presença dele ao meu lado me consumia por inteiro. Levantei o olhar e encontrei

seus olhos me fitando profundamente, procurando por uma resposta.

"Eu queria..." falei, sem pensar. "Queria a coragem"

"Não é preciso, Nora, olhe para mim" ele falou. "Isso não a encoraja? Sei que sou sombrio, fiz maldades, não a mereço, pois você é boa, tem bom coração. Mas isso não muda nada para mim. E para você?" Ele me puxou para mais perto dele ainda, afundando os dedos na minha cintura. Quando vi, já sentia sua respiração perto de meu rosto, sentia o seu cheiro mais forte do que nunca, e de repente, sem realmente ter pensado naquilo, o puxei para mais perto ainda de mim, se é que aquilo era possível, pela blusa.

Passei a mão pelo seu corpo, até chegar no seu pescoço, na nuca, nos cabelos, até que ele finalmente enterrou seus lábios nos meus, em um beijo intenso e profundo. Cheio de desejo, cheio de sentimentos, arrependimentos, um beijo inexplicável, quente, sombrio e apaixonado.

Mais do que nunca, o desejei. Desejei fugir com ele, viver este amor, e deixar o destino por nossa conta. Afinal, o que valia os dias sem ele? Era melhor ter nossos poucos dias contados, do que o tê-lo por perto, mas sem poder nem o tocar. Quando o beijo acabou, ele olhou nos meus olhos, um olhar sincero. Olhar que nunca se encontrava em Patch. Esperava uma resposta.

"Vamos, Patch" falei, na adrenalina do momento. "Não aguento mais um dia sem poder ter você ao meu lado" Sorri para ele, que retribuiu meu sorriso, me olhando alegremente.

Ele me pegou no colo, joguei minhas pernas em volta de sua cintura e nos beijamos mais uma vez, e mais outra vez, e mais milhares de vezes seguidas, enquanto ele passava sua mão carinhosamente sobre o meu cabelo, minha nuca. Depois, acariciava minhas costas, e me lançava olhares provocantes. Retribuía seus carinhos, e, de repente, meu mundo se tornou colorido novamente.