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27 Capítulo 27
Oliver revirou na cama tentando voltar a dormir. Seu quarto ainda estava escuro embora já fosse de manhã, e ele estava com preguiça demais para levantar. Tudo o que queria era poder passar o dia ali, sem falar com ninguém, sem ver ninguém, sem ir trabalhar. Não aguentava mais aquela situação com Felicity!
— Ah meu Deus! — Falou abrindo os olhos e tirando a cabeça do travesseiro. Lentamente as lembranças na noite anterior voltaram à sua mente, e ele não sabia dizer se tinha sido um sonho ou se fora real. Desejava fazer aquilo desde que a vira pela primeira vez, e pensar que finalmente tinha acontecido e que ela correspondera era quase bom de mais para ser verdade.
Ele quase podia sentir seus lábios nos dela novamente, a maciez da pele nas palmas de suas mãos, o contorno do corpo colado ao seu e o perfume dela por todos os lados. Fechou os olhos com um sorriso, louco para lhe dar um bom dia decente com um beijo demorado como desejava há dias.
Olhou no relógio ao lado da cama, eram seis horas da manhã ainda, por isso o quarto estava tão escuro. Provavelmente ninguém na casa estava de pé, poderia muito bem ir até o quarto de Felicity, acordá-la e depois se arrumar para o café da manhã sem que ninguém desconfiasse. Será que devia? Talvez ele estivesse animado de mais, fora apenas um beijo afinal... "E que beijo!", pensou.
Tomou um banho rápido, escovou os dentes e parou em frente à porta dela. Pensou em bater, mas queria acordá-la de outra forma, então simplesmente entrou e seguiu até sua cama. Felicity dormia em um sono tranquilo, parecia até um anjo. Estava mergulhada em meio a tantos cobertores que ele se perguntou como ela conseguia respirar, e seu cabelos se espalhavam ao seu redor em uma bagunça adorável.
Oliver se livrou dos cobertores, deixando-a coberta apenas por um fino lençol, e ajoelhou-se no chão, na beirada da cama, seu rosto na altura do dela. Acariciou delicadamente sua face, desceu a mão por seu pescoço até o ombro e ao longo do braço. Pousou-a em sua cintura, admirando cada centímetro daquela bela mulher. Não conseguia imaginar como uma pessoa poderia ter a coragem de tocar um dedo nela se não fosse para lhe fazer um carinho. Ela parecia totalmente indefesa, e ele desejou poder protegê-la de qualquer mal que um dia viesse a ameaçá-la.
Voltou a colocar a mão em seu rosto, o polegar desenhando círculos em sua bochecha, e deu um beijo casto em seus lábios. Felicity se mexeu na cama, virou de barriga para baixo e continuou dormindo. Então ele colocou para o lado os cabelos que lhe cobriam a nuca e distribuiu um série de beijos por seu pescoço até onde a gola da camisola permitia, para depois voltar ao seus lábios.
A loira mal acordou e sentiu um arrepio percorrer seu corpo inteiro. Oliver estava em seu quarto, a boca percorrendo sua pele e deixando rastros de fogo que não desapareciam depois que a deixava. Ele beijou seus lábios e ela abriu os olhos.
— Bom dia. — Disse com a voz rouca em seu ouvido, lhe causando outro arrepio. A barba por fazer lhe roçava o pescoço a medida que voltava a beijar sua pele e aquilo era tão bom!
— Bom dia. — Ela respondeu com um sorriso, sentindo seu corpo amolecer. Oliver parou de beijá-la e a olhou nos olhos, aquele azul da cor do céu, intenso o bastante para que ela fosse incapaz de desviar.
— Me desculpe por acordá-la tão cedo... Mas não resisti. — Falou envergonhado.
— Se for para ser acordada assim, realmente não me importo
— Ela pensou um pouco, depois acrescentou com olhos arregalados. — Não acha meio cedo para invadir meu quarto desse jeito?
— Tecnicamente eu só entrei. A porta estava aberta, e a casa é minha, então... — Disse com um ar inocente.
Ela sorriu e o puxou pela gola da camisa até estar com o corpo sobre o dela. Oliver se assustou com tamanha ousadia, mas a última coisa que faria era reclamar. Apoiou os cotovelos ao lado de sua cabeça e sorriu com um ar travesso.
— Não acha que está meio cedo para me convidar para a sua cama?
— Tecnicamente, eu não convidei. — Ela puxou a gola da camisa mais uma vez, o beijando como se aquela fosse a última vez.
Felicity agira contra todos os seus instintos fazendo aquilo, mas era quase inevitável deixar de lado sua parte racional quando estava com Oliver. Ela só fez o que sentia vontade, o que seu corpo lhe pedia, e se permitiu alguns minutos de pura felicidade. Beijou-o com calma, sentindo o gosto inebriante de seus lábios e a sensação de pura luxúria ao perceber suas mãos fortes percorrendo seu corpo. Eles eram mais que fogo juntos, eram uma explosão que os consumia de dentro para fora. Por mais lento que fosse o beijo, por mais inocentes que fossem os toques havia sempre algo a mais que despertava um desejo profundo em ambos e tornava quase impossível parar.
— Oliver... — Sussurrou ao ver que estavam indo longe de mais. Ele desabotoava o primeiro botão de sua camisola, revelando mais uma porção de pele que não conhecia. Ela segurou seu rosto entre as mãos e beijou-o uma única vez, chamando sua atenção. — Oliver! Acho melhor nos arrumarmos para o café da manhã. — Falou com o máximo de convicção que conseguiu reunir. Ele baixou a cabeça e enterrou o rosto em seus cabelos com um suspiro, como se tivesse sido derrotado.
— Não brinque assim com um homem Felicity... — Murmurou. O peso dele estava todo sobre ela, tornando possível sentir cada pequeno centímetro em que seus corpos se tocavam. Eles se encaixavam como duas peças de quebra-cabeças, um preenchendo o espaço que faltava no outro. A respiração dele era rápida, fazendo suas costas subirem e descerem em um ritmo acelerado sob as mãos de Felicity, e ela podia sentir todos os seus músculos contraídos, tensos. — Desculpe-me. Não era a intenção... Não estava pensando direito. — Ela se sentia culpada. Não devia ter feito aquilo. Já tinha perdido o controle na noite anterior e agora de novo! Onde aquilo iria parar? E a promessa que fizera a Moira?
Oliver levantou a cabeça olhando-a nos olhos. Tinha uma expressão que Felicity ainda não conhecia. Era um misto de sinceridade, paixão, vergonha, desejo e... O que era aquilo? Aquela coisa que escurecia seus olhos e ao mesmo tempo que o fazia parecer muito sério e muito adulto era capaz de arrancar-lhe um sorriso travesso dos lábios em um impulso infantil.
— Eu queria que não pensasse direito mais vezes. — Ele lhe deu um beijo na ponta do nariz e levantou. Parecia ter levado todo o calor consigo. Como aquilo era possível? Felicity sentiu frio novamente, e percebeu que suas cobertas estavam jogadas no chão. O único motivo para não estar tremendo era o corpo de Oliver contra o dela, mas agora ele não estava mais lá. Através da janela o vento balançava as árvores violentamente, o céu estava nublado. Impressionante como há alguns dias atrás o sol estava radiante e agora tudo o que se via era nuvens escuras de chuva por todos os lados.
— Nossa, você é quente! — Falou distraída, percebendo tardiamente o duplo sentido. — Literalmente, quero dizer! Em ambos os sentidos na verdade, mas... Ah, por Deus! Eu tento me corrigir e só pioro as coisas. Esqueça isso.
— Acho difícil.
— Por favor... — Ela estava cansada de pensar. Sua cabeça estava longe, ponderando a melhor maneira de concertar as coisas. Ele não devia estar ali, ela não devia tê-lo beijado daquela maneira nem lhe dado esperanças. Tinha que lhe dizer a verdade mas ao mesmo tempo não podia! Queria que ele ficasse ali mesmo sabendo que precisava mandá-lo embora.
Oliver notou que seu humor mudara drasticamente. Ela tinha a mesma expressão da noite anterior quando ele perguntara o que estava acontecendo e ela se recusara a falar.
— Felicity, no que está pensando?
— Eu... Não sei ao certo. — Fez uma demorada pausa na qual ele esperou pacientemente. — Oliver, sei que quer tentar fazer dar certo seja lá o que for isso que estamos sentindo, mas vamos com calma. Há muitas coisas acontecendo agora e sinto que é errado o que estamos fazendo. Nunca me senti assim, nem mesmo com Ray. Você parece ter uma órbita que me atrai por mais que eu lute contra, e estou cansada de lutar
— Então pare! Qual o problema em ficarmos juntos?
— Nós mal nos conhecemos! — Mentiu.
— Faz pouco tempo, eu sei, mas você é a pessoa que melhor me conhece agora, o Oliver depois da guerra, e eu pareço ser a única pessoa com a qual você se abriu desde que chegou em Starling. Outros podem saber o que aconteceu mas é comigo que você se sente segura para conversar! Há um motivo para confiar em mim, por mais que não saiba ainda qual é. — Ele esperou por uma resposta que não veio. — Você gosta de mim. Sabe disso. E não é porque está se separando de Ray, não é porque está abalada ou porque está com medo do que as pessoas irão pensar quando nos verem juntos, é outra coisa que a está angustiando. O que é Felicity?
— Não posso falar! — Ela quase gritou. — Não depende de mim Oliver! Eu quero estar com você mas não posso! O que mais quer ouvir de mim? Que eu sinto uma vontade louca de te beijar toda vez que estou perto de você? Bom, isso você já deve ter percebido. Ou que estou me sentindo uma adolescente novamente, que está apaixonada pelo garoto popular da escola? Isso também não é novidade. — Lágrimas começaram a escorrer pela sua face. — Eu só queria que não fosse tudo tão complicado! Queria nunca ter saído de Starling. Talvez estivesse em nossos destinos sabe? Nos conhecermos. Então poderíamos nos apaixonar sem mais complicações, e hoje estaríamos casados. Ray nunca teria espaço algum em minha vida pois não teríamos nos conhecido, e quem sabe eu poderia morar aqui com você, com dois filhos e um cachorro. Mas não é assim que as coisas funcionam. Eu não posso simplesmente voltar no tempo e mudar minhas decisões. Não posso quebrar minhas promessas nem me colocar entre sua família e você! — Ela tinha falado demais, se calou de repente.
— O que quer dizer com isso? — Ele perguntou desconfiado.
— Isso o que?
— Que não pode se colocar entre minha família e eu.
— Nada. Me deixe sozinha Oliver. E não entre aqui novamente sem minha permissão, por favor. — Queria encerrar aquela discussão de uma vez por todas, terminar qualquer coisa que estivesse acontecendo entre eles antes que fosse tarde de mais. O problema era que... Já era tarde de mais.
Ele não acreditava naquilo que estava ouvindo. Virou as costas e caminhou até a porta, abrindo-a com violência e voltando a fechá-la com um estrondo.
— Quer saber? Não! Eu não vou sair daqui até que me conte a verdade Felicity. E pode começar agora. — Ela sentiu o coração bater mais forte no peito, querendo sair pela boca. Não esperava aquela reação. Oliver estava sentado na cama, na sua frente, a voz baixa em um tom ameaçador embora ela soubesse que não a faria mal algum. A loira se calou, torcendo para que ele interpretasse seu silêncio como uma recusa e fosse embora, mas não funcionou. — Estou esperando! — Ele falou com impaciência.
— Eu não posso...
— Não me diga que não pode! Ninguém está te impedindo! — Era possível sentir a raiva em cada uma das sílabas que pronunciou. Felicity nunca tinha o visto tão irritado.
Ela ia esconder o rosto nas mãos para que não precisasse olhar para ele mas Oliver foi mais rápido e agarrou seus pulsos, envolvendo seus braços ao redor do próprio pescoço e puxando-a cada vez para mais perto até que estivesse sentada sobre suas pernas, os joelhos ao redor de seu quadril e os rostos na mesma altura. Ele envolvia sua cintura com força, possessivamente, prensando seu corpo contra o dela.
— Me diga Felicity. — Disse com a voz inesperadamente gentil, implorando com os olhos. — Por favor. — Ela continuava muda, as palavras presas em sua garganta, a mente trabalhando incessantemente para que conseguisse encontrar uma saída. — Eu só quero ser feliz com você! Não me impeça de fazer isso. — Ele voltou a falar, beijando sua delicada linha do maxilar. — Ou isso. — Desceu os beijos por seu pescoço, roçando a ponta do nariz na pele sensível e sentindo seu perfume. — Ou até mesmo isso. — Desabotoou o primeiro botão da camisola e puxou o tecido para baixo, desnudando seu ombro e parte do colo. Beijou a linha da clavícula e desabotoou o segundo botão, puxando para baixo o tecido do outro lado e desnudando o outro ombro. Felicity não conseguiu se impedir de jogar a cabeça para trás e suspirar. Oliver subiu as mãos por suas coxas, pousando-as em seu quadril por baixo da roupa. — Me peça para parar Felicity. — Sua voz estava ainda mais rouca de desejo, as pupilas dilatas esperando por uma resposta, mas ela não conseguia mandá-lo parar. Oliver desabotoou o terceiro botão e a camisola desceu mais alguns centímetros. Teria descido ainda mais se não estivesse presa frouxamente na região dos seios. Ele beijou seu colo e voltou ao ombros, depois ao pescoço e finalmente a boca. Beijou-a apaixonadamente, querendo guardar aquele momento no espaço mais seguro de sua memória para nunca mais esquecer. Percorreu as mãos por suas pernas novamente, voltando para o quadril, subindo para a cintura, tocando suas costas, querendo senti-la por inteiro. — Peça! — Voltou a sussurrar em seu ouvido, dessa vez mais exigente.
— Não! — Ela lhe respondeu, e apenas aquela palavra bastou.
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