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15 Capítulo 15
O caminho de volta ao salão pareceu mais lento do que na ida, devido ao silêncio que se instalara entre os dois. Nenhum deles sabia o que falar ou o que fazer. Aquele momento mágico que compartilharam parecia ter acabado definitivamente, e voltaram a ser dois estranhos mais uma vez.
A noite continuava linda, mas nada era capaz de distrair Felicity da sensação de que alguma coisa muito ruim estava prestes a acontecer. Geralmente ela tinha um bom sexto sentido, e frequentemente estava certa, mas neste caso não era uma boa coisa. Ela se sentia nervosa e inquieta, as mãos suavam e o coração batia forte em seu peito. Mas o que ela tinha feito de errado? Quer dizer... Excluindo o fato de que tinha abandonado seu marido por mais de uma hora para conversar e ter um momento extremamente constrangedor com outro homem.
— Ah meu Deus, eu estou tão ferrada! — Ela pensou alto sem perceber.
— O que disse? — Oliver a olhava curioso.
— Oh, nada. Estava pensando alto. — Ela conseguia ser muito desligada às vezes.
Seus pensamentos continuaram em Ray, torcendo para que ele ainda estivesse se divertindo e conversando com prováveis sócios, ocupado de mais para reparar que ela tinha sumido.
Os dois estavam perto das escadas que levavam de volta ao salão quando viram alguém andando no escuro. Era um homem e parecia estar embriagado. Murmurava coisas ininteligíveis para o nada, parecia estar chamando por alguém. Se aproximaram um pouco mais, tentando descobrir quem era, mas Felicity já sabia a resposta.
— Oliver, você pode voltar lá para dentro, eu vou ficar por aqui.
— Felicity, se você não percebeu tem um homem bêbado aqui. Posso não ser o mais apto a falar alguma coisa, mas ele não parece em seu juízo perfeito, e você está deslumbrante esta noite. Não posso te deixar sozinha, não com ele.
— Não se preocupe, é o Ray. Meu marido. — Ela lhe dirigiu um sorriso falso.
— Oh... Neste caso, ele precisa de ajuda?
— Não. Posso lidar com isso sozinha.
Oliver percebeu o nervosismo dela, algo estava errado ali.
— Eu insisto. — Lançou-lhe um olhar que a advertia a não discutir e continuou andando até o homem. Felicity desenlaçou os braços e tomou uma certa distância dele, não parecia confortável com a situação.
— Felicity? Onde você está? Estou te procurando há horas!! — Escutaram o homem dizer.
— Ray, estou aqui. — A loira se aproximou dele, tocando seu rosto com um olhar preocupado. Oliver não gostou daquilo. — Está tudo bem?
— Mas é claro que não está tudo bem! — O homem respondeu com a voz repentinamente alta e clara. — Onde você se meteu??? O que estava fazendo de tão importante que nem ao menos me avisou? — Ele tinha uma postura ameaçadora, era um homem alto, e quando se curvava sobre Felicity a fazia parecer ainda menor, apesar de ela não se encolher. Oliver se pronunciou antes que ela pudesse falar alguma coisa.
— Ela estava comigo. Sou Oliver Queen, muito prazer. — Estendeu-lhe a mão para um cumprimento que não foi retribuído, em seu lugar houve uma expressão de puro ódio.
— Felicity, o que você estava fazendo com esse homem? — Sua voz trazia uma desconfiança desnecessária.
— Se acalme Ray, ele só queria me mostrar o jardim. E não avisei porque não queria interromper sua conversa.
— Uhum. — Ray agarrou o braço da mulher de forma brusca. — Você pode nos dar licença? Precisamos ter uma conversa em particular, eu e minha esposa. — Se dirigiu a Oliver pela primeira vez.
— Hey, não foi nada de mais. Não precisa tratá-la assim. Eu insisti para que fôssemos. — Oliver se aproximou dos dois com cautela.
— O que você quer com ela? — Ray trazia um olhar desvairado em seu rosto.
— Nada! Somos apenas amigos! Agora solte-a, vamos voltar para a festa e podemos conversar.
— Eu já disse que não. Agora nos dê licença.
Felicity olhava de um para o outro sem saber como reagir. Aquilo não estava indo nada bem, mas ainda havia mil e uma maneiras de piorar.
— Ray, não precisa ser rude. — O aperto em seu braço se intensificou e ela não conseguiu reprimir uma careta de dor. — Oliver, nos deixe a sós, por favor.
Mas ele não foi. Ao invés disso se aproximou ainda mais, tocando carinhosamente o braço que Ray não apertava e dirigindo ao homem um olhar ameaçador.
— Felicity, acho melhor você entrar. Eu posso lidar com Ray até que ele se acalme.
— Não toque nela! — Ray praticamente gritou, puxando Felicity para trás de si.
— Oliver, só vá, por favor! Você aqui só irá piorar as coisas. — Os olhos dela eram suplicantes, assim como suas palavras, e ele estava dividido. Não sabia como poderia ajudar, não sabia o que aconteceria assim que virasse as costas, e não tinha um bom pressentimento quanto àquela situação. Mas eles mal se conheciam, e era tão confuso o jeito como ele se sentia perto dela... Não queria se distanciar, mas algo o impedia de continuar ali, e os olhos dela estavam cravados nos seus, podendo atravessar sua alma a hora que bem entendessem, e ao mesmo tempo que ele tinha medo uma desesperadora vontade de ser decifrado por ela o dominava. Então ele cedeu, sem saber ao certo se era a decisão certa a ser feita, só porque ela estava pedindo.
— Está bem. Estarei lá dentro se precisar. — Virou as costas e subiu as escadas, sentindo o peito afundar como se uma âncora o puxasse para baixo.
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