Tinham chegado, finalmente! Felicity estava exausta, louca para esticar suas pernas em uma cama confortável e dormir por doze horas seguidas. Enquanto Ray tirava as malas do carro ela foi até a portaria e pediu para que o senhor que trabalhava ali não avisar sua mãe de que estava subindo, queria fazer uma surpresa.

Estava feliz por rever a mãe. Elas não eram muito parecidas, e às vezes não se davam muito bem, mas era a única família que tinha, e sentia muita saudade. Entrou no elevador com um sorriso tímido ao perceber que Ray estava um pouco nervoso. Os dois juntos eram uma coisa no mínimo... Engraçada.

Donna era uma mulher falante e espalhafatosa, que fazia o que lhe vinha na cabeça sem ligar para a opinião alheia, e na maior parte do tempo falava pelos cotovelos, característica que Felicity herdara. Já Ray era mais tímido, recatado, e apesar de se soltar um pouco mais com Felicity, tendia a ficar extremamente sério e tímido perto de sua mãe, ainda mais quando ela lhe fazia perguntas indiscretas.

A porta do apartamento abriu assim que a loira bateu, e uma mulher com bobs nos cabelos e uma escova de dentes na mão surgiu na entrada. Assim que viu sua filha soltou um gritinho e a abraçou, pulando de alegria.

– Aaaaaaah, Felicity!!! Não acredito que não me falou que viria, sua pestinha! Passei o dia ligando para sua casa ontem, precisava falar com você, fiquei até mesmo preocupada, mas agora está tudo explicado. — Deu um beijo na bochecha da filha, que sorria de orelha a orelha, e depois puxou Ray para um abraço apertado que o deixou um pouco desconfortável.

– Queria fazer uma surpresa mãe, por isso não avisei. Estava com saudade!

– Ah, eu também meu anjo. Tenho novidades!!! E pelo que vejo vocês também têm! Não apareceriam aqui sem motivo. — Virou-se para Ray com olhos arregalados e inquisidores. — Então, você já engravidou minha filha?

Felicity segurou o riso, olhando para Ray e deixando que ele respondesse, mas sua função atual era adquirir a cor de um tomate.

– Não, Donna, eu... Não, quero dizer... — Ele gaguejava, tornando a cena ainda mais engraçada — Nós viemos apenas visitá-la, uma visita de rotina. — Concluiu, engolido em seco.

– Ah, que pena... Mal posso esperar para ser avó. Claro que não quero ter a aparência de uma, mas crianças são tão adoráveis! Trate de me dar muitos netos garoto, ou teremos um problema sério. Agora entrem, devem estar com fome. — Ela foi na frente, guiando-os pelo apartamento.

O casal deixou suas coisas no quarto, e enquanto Ray tomava um banho Felicity ajudava a mãe a preparar o jantar. Estavam apenas colocando o papo em dia, quando Donna disparou sem rodeios:

– Então, o motivo de estar tentando falar com você o dia todo ontem é bem simples: Vou me casar!!! — Ela sorriu, mostrando um anel dourado para a filha.

– O QUÊ??? — Felicity deixou cair no chão o prato que estava em suas mãos. Ela tinha entendido bem? Sua mãe iria se casar? De novo?? Por acaso isso era possível? E iria se casar com quem, pelo amor de Deus?

– Felicity!!! Sua estabanada, olhe só o que fez! — Donna se abaixou para juntar os cacos de vidro. — E sim, vou me casar, não entendo o porquê dessa sua reação!

– Mãe, como assim? Não vejo você há seis meses, desde o dia do meu casamento, e de repente você decide se casar? Com quem? Quando? Espere... Isso é legalmente possível, por acaso? — Ela tinha muitas perguntas!

– O nome dele é Walter, ex-militar, nos conhecemos há dois meses, e sim, é possível, pois nunca me divorciei, meu marido morreu! Ah, e será daqui três dias! — Ela estava sorrindo, com o maior orgulho, como se tivesse acabado de fazer algo extraordinário.

– Três dias??? Você sequer pensava em me convidar para o seu casamento? — Felicity tinha a impressão de que seus olhos poderiam saltar de seu rosto a qualquer momento.

– Claro meu amor, por isso passei o dia te ligando ontem. — Sim... Isso era típico dela. Pensar que todos poderiam largar suas vidas e seus compromissos apenas porque tinha os convidado para algo. Mas Felicity não iria se zangar por causa disso naquele momento, afinal, ela estava ali, não estava? E tinha outras preocupações mais imediatas.

– Okaay... Hmm.... — Ela não sabia nem por onde começar. — Parabéns, eu acho? — Deu um abraço em sua mãe. Ela era realmente uma caixinha de surpresas.

– Obrigada!!! — Donna cantarolou, mais feliz do que Felicity a via em muito tempo. — Amanhã iremos atrás de vestidos, para nós duas! Primeiramente eu iria sozinha, mas agora que está aqui será bem mais divertido. Ray pode ficar em casa e fazer companhia a Walter... — Ela continuou tagarelando sobre os preparativos para o casamento, uma tal de Moira Queen iria planejar a festa, que seria no jardim de sua mansão, e ao que tudo indicava seria uma cerimônia surpresa, pelo menos para os convidados. Enquanto jantavam Felicity tentava assimilar todas aquelas informações. Sua mãe parecia verdadeiramente feliz, e era isso que importava no fim das contas.

Quando contaram para Ray ele parecia em estado de choque, sem saber o que pensar ou falar. Praticamente vomitou um "Parabéns" à sua sogra, e mergulhou em pensamentos durante o resto do tempo.

Naquela noite todos eles custaram a dormir. Donna estava ansiosa, Felicity estava confusa, e Ray sem saber o que pensar. Mas por fim o cansaço venceu a todos, e adormeceram em um sono profundo e sem sonhos.