– Mãe! Arranjei um emprego! — Oliver entrou na biblioteca da mansão Queen já anunciando a novidade.

– Que bom querido! Onde é? — Moira olhou para o filho, que trazia um olhar travesso em seu rosto. — Oliver... Por favor, me diga que usará terno e gravata.

– Bem... Não exatamente. Mas terei um uniforme. — E retirou de uma sacola suas novas roupas. Uma calça cáqui, uma camiseta vermelha, e um avental verde. Moira fechou os olhos, torcendo para que aquilo fosse apenas um sonho.

– Mãe, não fique assim, não é tão ruim! E veja bem, nem precisei usar meu nome para persuadir o Sr. Brickwell. Posso dizer que o mérito deste emprego é todo meu. — Ele disse orgulhoso.

Moira não sabia se ria ou se chorava. Seria verdadeiramente cômico, se não fosse trágico. Imagine só, um Queen, trabalhando em um mercadinho! Oliver só poderia estar ficando louco!

– Oliver, com tantos empregos que poderia ter, tantas oportunidades que seu nome lhe oferece, com toda sua qualificação, você quer ir trabalhar como zelador de mercado?

– Tecnicamente, sou um supervisor, faxineiro e organizador de prateleiras. — Sua mãe empalideceu de tal forma que ele começou a se preocupar. — Não fique assim mãe! Por favor... Muitas pessoas tem empregos comuns, e são muito felizes.

– Você acha que esse trabalho o fará feliz? Espere até começar... Não durará uma semana Oliver, escute o que estou lhe dizendo!

– Mãe, olhe nos meus olhos. — Moira o fitou, sentindo que seu coração amolecer. Aqueles olhos azuis... Tão lindos! Como dizer não à um olhar daqueles? Desde pequeno ele sempre a convencia das coisas. — Prometo que será temporário, está bem? Só quero levar uma vida normal, ter tempo para me acostumar com Starling novamente, e esse é o trabalho perfeito!

– Oliver... — Ele estava com aquela cara, de cachorro que caiu da mudança, segurando suas mãos enquanto a olhava em expectativa. — Oh, tudo bem, faça como quiser. Apenas se cuide, combinado?

– Combinado! — Beijou suas mão, lhe deu um meio sorriso, e saiu pela porta.

O que fazer com um menino daqueles, Moira se perguntou. Oliver era bom, realmente bom. Quer dizer... Não por ser seu filho, mas sim porque era verdade. Ele tinha um senso de justiça, e uma vontade de fazer o bem que era rara no restante das pessoas, mas infelizmente, estava perdido. Moira sentia, como mãe, que ele não estava feliz. Que se sentia deslocado, ainda mais quando o observava sem que ele soubesse. Passava minutos encarando o nada, com uma expressão enigmática e sombria, como se estivesse lembrando de momentos ruins.

Ela não sabia como haviam sido esses seis anos que ele passara longe, e nem perguntava muito, pois podia ver a dor em seu rosto toda vez que mencionava o período. Oliver tinha se fechado para tudo e para todos, e não havia dor maior para uma mãe do que ver seu filho nesse estado.

Ele não era mais um jovem ingênuo, que ria despreocupadamente no jardim de casa com os amigos enquanto jogava baseball. Estava mais calado, tinha a postura rígida de um soldado, e sorria muito pouco. Moira sabia que talvez tudo o que ele precisasse era de uma família. Mas não a que ele já tinha, e sim uma esposa, filhos, talvez um cachorro... E torcia, com todas as suas forças, para que ele logo encontrasse.