Já estava tudo pronto para a viagem. Seriam dois dias de carro de Pittsburg até Starling, e Felicity torcia para que tudo desse certo. Pelo menos acreditava que, sabendo que teria que dirigir, Ray ficaria bem longe de suas bebidas, e assim poderiam aproveitar a viagem.

Não se preocupou em avisar sua mãe, queria fazer uma surpresa. Fazia muito tempo que as duas não se viam. Felicity se mudou para a cidade em que atualmente morava logo depois da morte do pai, e nunca mais voltou. Não aguentava mais andar por aquelas tão conhecidas ruas e lembrar de como era mais feliz quando seu pai a acompanhava. Então, do dia para noite, decidiu que era hora de partir. Tinha apenas dezenove anos quando isso aconteceu, e foi um escândalo para todos que a conheciam. Uma moça jovem como ela saindo de casa tão cedo, boa coisa não deveria ser. Mas ela não se importava, apenas pegou seu carro e dirigiu enquanto teve vontade.

Quando se cansou, parou em uma adorável cidade, com ruas estreitas, montanhas que a cercavam, e uma infinidade de casas simples com lindos jardins. Lá ela conheceu Diggle, que a abrigou e cuidou dela como um irmão mais velho faria, até que pudesse se estabelecer. Começou a trabalhar, fez alguns amigos, e quando menos esperava encontrou o amor.

Ray fora muito galante quando se conheceram. Era sexta-feira a noite, e ela estava em um charmoso restaurante conversando com algumas amigas. Sua mesa ficava na calçada, lhe dando uma linda visão da lua cheia. Enquanto riam, um homem passou na calçada, bem ao seu lado. Elas não lhe deram muita importância, até que ele passou mais um vez, e de novo, e de novo... Na quinta vez ele tomou coragem e foi falar com Felicity.

– Com licença, pode me dizer o seu nome? — Ele se dirigiu apenas à loira.

– Hmm... Felicity. Por quê? — Ela respondeu, com alguma suspeita.

– Acho que acabei de conhecer a mulher da minha vida. — E lhe deu um sorriso de tirar o fôlego.

Fora simples assim. Os dois saíram para um passeio, deixando as amigas de Felicity embasbacadas na mesa, e foram se conhecendo cada vez melhor. Ray era nada menos que o solteiro mais cobiçado da cidade, e sabia como conquistar uma mulher. Durante dois meses lhe mandava flores pelo menos duas vezes por semana, e quando se viam pessoalmente fazia questão de beijar sua mão, olhá-la como se fosse a única mulher do mundo, e convidá-la para jantar.

Certa noite, em um desses jantares, no final do primeiro mês, ele lhe deu um colar de prata e brilhantes. Era simplesmente lindo, e ela mal conseguiu aceitar, mas ele insistiu. Para seguir a tradição, no fim do segundo mês lhe deu outra joia, dessa vez um anel de noivado. Ela sabia que estava indo muito rápido, mas não conseguia lhe dizer não, por isso, depois de quatro meses que se conheciam, já estavam casados. E mais três meses depois, começou o pesadelo que atualmente estava vivendo. Mas ela deixou isso de lado, disposta a perdoá-lo, se merecesse. Caso contrário, ela partiria novamente, sem destino nem planos.

Enquanto isso, em Starling City, Donna, mãe de Felicity estava se arrumando para um encontro. Ela era viúva, mas ainda era razoavelmente jovem, e acima de tudo, não tinha morrido junto com seu marido. Ela o amava? Claro que sim, e tinha sofrido muito quando ele partira, mas já tinha passado da hora de superá-lo e voltar a ser feliz.

Iria sair com Walter, um ex-general do exército. Nunca havia se casado, e não se metia em escândalos. Sabia que ela era viúva, e não se importava. Os dois se conheceram em uma festa para a alta sociedade de Starling e desde então se viam regularmente.

Donna realmente gostava de Walter, e não se importava com o que as pessoas iriam falar quando soubessem que estavam juntos. Se ao lado dele estava feliz, era isso que importava. Mal podia esperar para contar a Felicity, estava com tanta saudade! Mas agora era hora de sair. Olhou-se no espelho uma última vez, e sorriu com o que viu. Ela ainda era uma mulher bonita.