Aquela noite Felicity adormeceu com batidas insistentes de Ray na porta ressonando em seus ouvidos. Conseguiu ignorá-lo completamente, até que pela manhã ele a chamou, soando sóbrio, cansado e arrependido.

— Meu amor, abra a porta, por favor! Me desculpe por ontem. Nunca quis te magoar, e sei que estou tendo problemas com a bebida. Vou tentar melhorar, eu prometo.

Felicity cedeu aos seus pedidos, sem perdoá-lo por completo. As agressões, tanto verbais quanto físicas, ainda lhe doíam profundamente.

— Escute Ray, eu realmente estou sem paciência para as suas mentiras. Há três meses você me promete mudanças, mas tudo o que faz é piorar! Como espera que eu acredite dessa vez?

Ray mal conseguia olhá-la. Encarava o chão enquanto suas palavras perfuravam fundo sua consciência. Ele a tinha machucado, falara coisas que não mereciam perdão, nem sabia como ela ainda conseguia ficar naquela casa com ele. Quando levantou os olhos percebeu os hematomas que se espalhavam por seus braços e ombros, coisa que o chocou. Estendeu a mão para lhe acariciar a pele, mas ela se esquivou.

— Já falei, para não me tocar. — Sua voz carregava tanta raiva! Ele nunca esperou ouvi-la falando de tal maneira, nem o olhando como seu fosse um monstro.

— Me dê mais uma chance, só uma! Vou compensar tudo o que fiz, vou fazer você feliz de novo. O que você quer que eu faça? Quer que eu implore? Isso não é problema. — Falou ele se ajoelhando e pegando suas mãos.

— Ray! Pare de ser ridículo, levante. — O homem se levantou, mais parecendo uma criança, com a cabeça e os olhos baixos. — É sua última chance, se não aproveitá-la, eu vou embora.

— Obrigada! Ah meu Deus, obrigada! Eu te amo tanto! Não vai se arrepender, eu juro! Já sei até do que precisamos, vamos viajar para Starling, visitar sua mãe, o que acha? Não parece perfeito?

— Sim... Parece uma boa ideia. — Falou ela receosa. A viagem poderia ser tanto maravilhosa quando um completo desastre, mas não custava tentar uma última vez.

— Ótimo, arrume as malas. Vou apenas avisar ao meu chefe que tirarei alguns dias de folga e quando eu voltar partimos, tudo bem? — Ele estava realmente animado. Talvez aquela viagem fosse tudo o que precisassem afinal.

— Tudo bem, não demore. — Fechou os olhos enquanto ele lhe dava um leve beijo na bochecha, e pensou no que os próximos dias a reservavam.