Notas iniciais
Não tive tempo de revisar, qualquer erro me avisem. Espero que gostem 😊

Assim que Oliver saiu Ray a puxou pelo braço até uma parte mais escura do jardim, onde não havia ninguém. Não era mais possível escutar os barulhos da festa, muito menos as vozes das pessoas, e ao perceber isso Felicity foi dominada pelo medo. Ray era seu marido, uma pessoa que ela devia apenas amar, não temer. Sua vida estava tão errada! "Como as coisas ficaram assim?", ela pensou. Deveria haver alguma coisa que indicasse que tudo estava indo por água abaixo, que eles estavam seguindo o caminho errado e que deveriam dar meia volta e recomeçar para fazer certo, mas as coisas iam acontecendo aos poucos, e quando se davam conta já era tarde demais.

O aperto em seu braço só ficava mais forte enquanto se afastavam cada vez mais da mansão. A propriedade era enorme, e eles foram para um lugar com árvores o bastante para os esconder de toda aquela agitação.

Sem falar nada ele a empurrou contra uma árvore. Ela sentiu suas costas baterem no tronco áspero e a fina renda do vestido rasgar. O rosto de Ray estava a menos de um palmo de distância do seu, e ele apoiava os dois braços na árvore, na altura do rosto de Felicity. Por baixo de toda aquela embriaguez havia um olhar que misturava ódio e desprezo.

— Agora vai me dizer o que realmente estava fazendo com aquele homem? — Ele não gritou como ela esperava, muito pelo contrário. Curvou-se até seu ouvido e sussurrou aquelas palavras, fazendo-a se arrepiar e engolir em seco. Não era como quando Oliver tinha feito, há poucos minutos atrás. Ray estava sendo movido somente pelo álcool, não queria fazer aquilo para provocá-la, era apenas uma ameaça silenciosa e ela podia sentir isso em cada sílaba.

— Eu já disse Ray. Ele me convidou para ver o jardim, e eu aceitei. Não foi nada de mais. É um lugar lindo, eu mesma posso te mostrar. — Ela estava nervosa, e não queria mostrar a Ray onde estivera com Oliver. Era um lugar especial, e os momentos que passara lá tinham sido mágicos, chegando a parecer que tinham acontecido em outra vida, mas ela precisava convencê-lo.

— Por quê não acredito em você? — Por uma fração de segundo seu rosto demonstrou mais dor do que qualquer outra coisa. Como se tivesse sido traído. — POR QUÊ??? — Sua voz se elevou e ele deu um soco na árvore, ao lado do rosto de Felicity. Ela se encolheu, temendo que o punho viesse em sua direção.

— Não sei. Eu realmente não sei porque toda vez que você fica bêbado começa a desconfiar de mim. Nunca te dei motivos, sempre estive ao seu lado! Mas Ray... Eu não aguento mais isso. É mais do que posso suportar, você entende? Você está me machucando de todas as formas possíveis e eu sei que mereço mais que isso! Mais do que viver com medo, mais do passar todas as noites desejando um milagre e acordar percebendo que nada mudou. Me desculpe, mas eu disse que seria sua última chance, e você falhou. — Ela falou aquilo com lágrimas escorrendo por seu rosto, sentindo o peso da verdade em cada uma daquelas palavras que os levava ao inevitável fim. Seus olhos estavam grudados nos de Ray, que pareciam estar congelados. Ele levou algum tempo para assimilar o que ela disse, para entender o que estava acontecendo ali.

— Você não está me deixando Felicity. Não pode fazer isso. — Tinha uma expressão dura no rosto, como se lutasse para se controlar. — Eu te proíbo de me deixar!!

— Você não pode me impedir Ray. Acabou, me deixe ir. — Ela empurrou seu braço, mas ele nem se moveu. — Eu estou falando sério, me solte ou...

— Ou o quê? Seu amiguinho não está aqui. Ninguém está. E eu não vou te deixar sair.

. . .

Oliver acomodou-se em uma das mesas perto da entrada do salão para que pudesse ver quando Felicity e Ray entrassem. Já havia se passado quinze minutos e a cada segundo ele ficava mais inquieto. Seu instinto lhe dizia para voltar ao jardim e ver o que estava acontecendo, mas sua mente o advertia para esperar e não invadir a vida de duas pessoas que ele mal conhecia. Tentou comer um pouco, se distrair, mas uma sensação estranha que lhe provocava um incômodo enjôo não o abandonava.

Por fim o instinto venceu e ele desceu as escadas correndo. Os dois não estavam mais onde os havia deixado, o que deixou Oliver em pânico. Ele já havia passado por situações muito piores, com reféns, bombas e armas, mas aquilo era diferente... Ele precisava encontrá-la. Saiu em disparada pelo jardim, procurando ao redor da mansão, mas eles não estavam em lugar nenhum. Pensou em gritar e chamar por Felicity, mas algo em sua mente dizia que Ray não iria permitir que ela respondesse. Precisaria fazer aquela busca em silêncio e o mais rápido possível.

...

Ray a pressionava ainda mais contra a árvore, e Felicity pensou em gritar mas não havia ninguém para ouvir. As mãos do homem agora estavam em seus ombros, descendo delicadamente por seus braços até seus pulsos. Estava longe de ser algo que a machucasse, para falar a verdade, em outra ocasião seria muito bom, mas neste momento a incomodava.

— Ray, me solte, por favor. Não é hora pra isso. — Ela tentou se desvencilhar dele mas não havia como, ele estava por todo lado.

— Você disse que te machuco. Estou machucando agora? — Afastou uma mecha de cabelo que lhe caía pelo pescoço e roçou seus lábios na pele sensível.

— Não, mas é só uma questão de tempo. — Ela espalmou suas mãos no peito dele e tentou empurrar, sem sucesso. — Você teve sua chance Ray, acabou!

— Eu disse que não acabou! Você não me deixará, está entendendo? NUNCA! Você é minha esposa, minha mulher! Sabe o que irão falar de você se pedir o divórcio? — Soltou uma risada irônica. — Nem queira imaginar! Não serão coisas boas.

— Não me importo!!! Me largue Ray, AGORA! — Empurrou-o novamente, desta vez com mais força, e ele se afastou um pouco, mas logo a puxou pela braço e a colocou na mesma posição de antes, apertando seus ombros contra superfície áspera.

— Não! Eu quero você Felicity, e quero agora. — Se inclinou para beijá-la, a boca pressionada contra a sua de um jeito rude, a beijando mesmo que ela não correspondesse. Era possível sentir o gosto da bebida em seus lábios, e aquilo a deixava enjoada. Tentava se debater de todas as formas que podia mas ele era muito maior e mais forte.

Felicity virou o rosto, separando as bocas, mas ele não desistiu e partiu para seu pescoço ao mesmo tempo que as mãos apertavam sua cintura. Felicity se debatia e conseguiu acertar, por acidente, o joelho na perna dele. Um pouco mais para a esquerda e teria conseguido se libertar.

Aquilo pareceu deixá-lo ainda mais furioso, e ele a segurou pela nuca, puxando seus cabelos e deixando o pescoço a mostra enquanto a outra mão levantava o vestido, subindo rapidamente pela panturrilha até a coxa que ele apertava de um jeito que doía.

— Você vai se arrepender por tentar resistir. — Falando isso, rasgou uma parte do vestido, a que cobria sua perna, e virou-a bruscamente de frente para a árvore, arranhando seu rosto. Felicity sentia lágrimas escorrendo pela face, não de dor, mas de raiva. Queria correr para longe dele, e pensou em Oliver que havia sido tão gentil com ela.

— SOCORRO!!! — A loira gritou, embora não tivesse esperanças de que alguém ouviria. Ray tapou sua boca e acabou de destruir os detalhes nas costas de seu vestido, que já estava arruinado.

— Não tenha medo docinho. Não é nada que já não tenha feito antes. — Ele colocou uma mão ao redor do pescoço dela, apertando e deixando marcas vermelhas na pele a medida que levantava o que tinha restado do vestido.

Felicity estava tentando pegar ar para gritar novamente quando seu corpo foi subitamente abandonado pelas mãos dele. Ray tinha sido arremessado para longe e se encontrava amontoado no chão com as mãos esfregando a lateral do rosto. Parecia meio tonto e mal abria os olhos.

Ela olhou na direção oposta e lá estava Oliver com o terror estampado na face, e o punho ainda levantado sem acreditar no que tinha acabado de fazer. Sem parar para pensar ela se jogou nos braços dele, e ele a envolveu, deixando que chorasse, finalmente sem medo.