You and Me. Forever.
1 — Oneshot.
Apertei os livros contra meu corpo, tentando evitar olhar pra qualquer aluno durante meu percusso para a biblioteca. Eu havia tido pesadelos de novo e todos sabiam o que aquilo significava. Quartos tremendo, objetos flutuando e yep! A aberração da escola volta a dar as caras de novo.
Depois da batalha com Apocalipse achei que as coisas iriam melhorar e até melhoraram... Nesses dois meses alguns mutantes haviam se aproximado mais de mim.
Mas claro que eu tinha que acabar com tudo.
Sufoco um grito de repente, quase deixando meus livros caírem, quando sou puxada por trás para atrás de uma estante assim que chego na Biblioteca.
— Scott...! – É a única coisa que consigo dizer antes dele selar nossos lábios.
E claro, há Scott Summers.
O único que não me temeu. O único que teve coragem para sentar ao meu lado no jardim em minhas tardes solitárias. O único que conseguia ser meu alicerce e me desestabilizar ao mesmo tempo.
— Oi minha linda. – E o único que insistiu comigo. Não que eu tivesse sido muito difícil, depois de tudo que passamos, eu me surpreenderia se ele continuasse agindo feito um babaca. – Você está bem?
— Sim. E você?
— Está mentindo. – Acusa pegando meus livros de minhas mãos e os apoiando em cima de alguns outros na estante. — Jean...
— Não estou não.
— Está sim.
— Como pode ter tanta certeza?
— Olho pra você e ao invés de me encher de alegria, só sinto preocupação.
Um frio se instala em meu estômago. Então era isso que ele sentia sempre que me via? Alegria? Quer dizer, eu sabia que ele gostava de mim. Não estaríamos juntos se ele não gostasse. Mas era tudo tão novo...
— Tempestade bateu no meu quarto às duas da manhã dizendo que o quarto dela estava tremendo. – Mordo a parte inferior da bochecha abaixando a cabeça constrangida. – Ei, eu não estou te julgando. Eu só quero saber o que foi.
— Um pesadelo. – Respondo.
— É? Eu fui até seu quarto.
— Aaaah, e também ouviu as piadinhas?
— Não.
— Como não? Até eu ouvi os risos. – Tento não olhar pra ele, mas é inevitável com sua frase a seguir:
— Estava ocupado demais vendo você chorar pela fresta da porta.
— Achei que Hank tivesse mandado todos voltarem pros quartos...
— E mandou. – Ele cruzou os braços sério.
Rondo sua mente, vendo que ele não me daria uma resposta.
— Kurt. — Rolo os olhos. É claro que o teletransportador iria ajuda-lo. – Você não precisava ter visto aquilo.
— Eu vi você abraçar o Charles. Eu vi o quão desesperada você estava. E eu senti... – Ele pega minha mão e leva até o lado esquerdo de seu peito. – Bem aqui,.. – Posso sentir as batidas de seu coração. – Dor. Estava doendo não só ver você daquele jeito, mas também não saber o porquê daquilo.
— Scott...
— Jean, ainda dói.
Aperto os lábios, sentindo um bolo se formar em minha garganta.
— Por favor, Jeanie. Não me deixa angustiado.
Certo, ele se importava muito comigo.
Mais do que qualquer um. Talvez até mais que Charles. Me perguntei como ele conseguia me desarmar daquela forma? Eu podia simplesmente dizer que não e dar as costas pra ele, mas eu não queria. Não queria... Perde-lo. Não queria deixa-lo daquela forma, tão preocupado.
— São... – Vejo a mudança em seu rosto, ele parece mais atento agora. – Quer dizer, é...
— Sim...?
— Eu tenho esses sonhos... Mas não são sonhos. – Eu me arrepio. Meu olhar perde o foco e eu me tento lembrar-me dos detalhes. – São como... Visões. Eu já falei com o professor, mas ele nunca me dá uma resposta concreta, eu não consigo entender, eu... – Me volto pra ele. Não leio sua mente, quero ouvir a verdade de sua boca. – Você acha isso ridículo, né?
— O que? Não. – Posso ver suas sobrancelhas franzirem em indignação. – Não acho. Pelo contrário, também quero entender. Quero que se abra comigo.
Quero que confie em mim. Posso ouvi-lo dizer em pensamento. Ele sorri torto apertando minha mão na sua. Assim como eu confio em você.
Alguma coisa se aquece em meu peito, e eu retribuo o carinho que ele demonstra entrelaçado nossos dedos. Em pouco tempo, aquele garoto se tornou uma das pessoas mais importantes na minha vida. Como Charles, ele não me temia. Estava sempre disposto a me ouvir e me guiar. E eu o agradeceria sempre por isso.
— Você... – Paro pensando em como explicar. – Acredita em... Universos alternativos?
— Universos alternativos? – Arqueia as sobrancelhas. Uma sombra de riso se forma em seu rosto e ele sorri. – É... Não sei, eu nunca parei pra pensar nisso. Tipo, outros mundos? Teoria da relatividade, algo assim?
— Tá, vamos começar com isso. – Falo e ele assente confiante que irá entender. – Imagine que exista um universo onde só há destruição e maldade.
— Estou imaginando.
— E nesse universo, exista uma versão de cada um de nós... Assim como em todo universo.
— Sim...
— Eu sonho com eles... Scott. – Finalizo séria. – Não são sonhos, eu sinto a vida neles. Não sei o porquê. Charles diz que sou sensitiva demais. Eu sempre tento salva-los, Scott. Da destruição. E é só no final que eu percebo que não estou os salvando e sim... destruindo-os.
Ele me parece chocado quando eu termino.
Meus olhos lacrimejam e eu abaixo a cabeça. Eu matava a todos.
Eu matava Scott. Sinto o desespero querer voltar só de lembrar.
Há quanto tempo esses pesadelos me afetavam? Desde que meus dons despertaram, talvez, afinal não foi uma situação bonita.
— E há um homem lá... Um pobre homem... Ele é obrigado a me parar, eu sinto a sua dor... Ele... — Agoniada, me calo. Não parecia ser necessário compartilhar aquilo com Scott, não queria dramatizar ainda mais do que já estava. Coloco as mãos sobre o rosto. — Deus me ajude. Não acho que lidarei bem com mais um desses pesadelos.
— Ei. – Sua mão solta a minha e toca em meu queixo, erguendo meu rosto. – Olhe só pra nós. – Ele começa com uma voz suavemente surpresa. – Há uns dois meses enfrentávamos Apocalipse e agora... Olhe só pra nós.
— É um avanço e tanto.
Ele faz uma cara pensativa e eu aproveito pra dizer:
— Você era um completo babaca.
— HEY!
Sorri, desviando o olhar. Teria sido tão fácil odiá-lo, mas não consegui. Nem no primeiro momento.
— Jean, essas visões... Tem que esquecê-las. É como se fosse uma prova, sabe. Quanto mais nervosos ficamos, mais erramos. Não se preocupe com elas.
— É, Charles disse basicamente isso.
— Viu? Somos homens sábios. – Dá de ombros e é impossível não rir.
O abraço, suspirando alto. O calor de seu corpo me faz relaxar. Ele me aperta forte. Obrigada. Digo telepaticamente.
— De nada. – Ele acaricia meus cabelos. – E eu acredito.
Rompo o abraço devagar, ainda ficando muito próxima; não queria me afastar dessa zona confortável que é estar perto dele nem tão cedo.
— Em quê? – Faço desenhos imaginários em seu peito. Suas mãos seguram meus pulsos e descem pelos antebraços fazendo um carinho.
— Os universos alternativos que falou. – Ele desvia o olhar por alguns instantes. – Quantos existem?
— Não faço ideia. Talvez muitos.
— E em cada universo uma versão nossa, certo?
— Fala de mutantes? – Tento acompanhar seu raciocínio.
— De qualquer coisa. – Balança a cabeça despreocupado. – Eu espero que sim.
E então, ele se vira pra mim. Mesmo com os óculos, consigo sentir seus olhos adentrando nos meus, sempre procurando o inalcançável. E sempre causando borboletas em meu estômago.
— Eu não sei o que seria de mim sem você. — Gelei com suas palavras, meu rosto perde total reação. — Em pouco tempo, você parece ser a única a me parar. Em qualquer situação, você sempre me trás a razão. Seja nos treinamentos, ou nas saídas sem permissão.
— Eu gosto muito de você. – Admito de uma vez só sentindo minhas bochechas queimarem. Meus pés batem nervosamente contra o chão. — E você está cada vez mais responsável, se quer saber. Seus surtos de 'Olhe pra mim, eu sou um mutante' diminuíram bastante.
Ele fica quieto por um instante, absorvendo minhas palavras, e me puxa pra mais perto, beijando minha bochecha e rindo contra meu rosto. Seu riso me contagia, e eu me apoio em seus ombros.
Sinto-o se inclinar em minha direção cada vez mais.
— Desde que nos conhecemos, sempre houve um eu para você, e um você pra mim. Jean, isso nunca vai mudar, estaremos aqui um pelo outro. E eu espero que se universos alternativos existam, continue sendo você e eu. Até o fim. Pra sempre. – Ele diz baixinho colando nossas testas. Fecho os olhos suspirando. – Eu espero que sempre haja um "nós". Em todos os mundos. Em todas as histórias.
— Do jeito que fala, é como se estivéssemos destinados.
— Quem sabe não estamos? — Scott faz uma cara pensativa. — Não importa o que o amanhã vai trazer, nós vamos enfrentar isso juntos, okay? Você confia em mim?
Meu coração parecia querer sair da boca com suas palavras.
Coloco meu braço direito em volta de seu pescoço, e deixo que minha mão esquerda se agarre na sua jaqueta buscando equilíbrio. Scott não perde tempo em se aproximar selando nossos lábios. Em perfeita sincronia, me prende delicadamente entre a estante e seu corpo. Seu abraço me acalma e minha pernas balançam trêmulas.
Primeiro amor é assim? Que ele seja o meu último também, por favor.
— Eu tenho certeza que existem. — Murmuro rompendo o contato por um instante.
Ele acaricia minha cintura.
— É a única certeza que eu tenho. — Como ele, balanço a cabeça despreocupada. — Não existe Jean Grey sem Scott Summers.
— Sabe, eu estava pensando-
— Vocês sabem que eu estou ouvindo isso certo? — Dou um pulo assustada e olho pra trás. Do outro lado da estante, cabelos prateados se fazem presentes. — Quer dizer... Toda essa história de universos alternativos é muito legal, mas... Quanta melação.
— Peter, o que você tá fazendo ai? — Scott treme indignado.
— Nem vem, eu cheguei aqui primeiro.
— Peter, você é um idiota. — Digo suspirando cansada.
— Eu sei, mas quem não ama um idiota? Olha com quem você está. — Ele rapidamente retira alguns livros de nossa frente, deixando seu rosto mais visível. — Eu aposto que em algum mundo por ai, todas as meninas caem de amores por mim.
— Talvez você tenha levado um tiro. — Scott revira os olhos.
— Ou seja um assassino psicopata.
— Talvez eu seja uma pessoa completamente normal com a saúde mental saudável, obrigado. — Ele rangeu entredentes a minha afirmação. Sorri arqueando as sobrancelhas. — Talvez um ator de TV.
— Vai sonhando, Mercúrio. — Meu namorado cruza os braços para o homem, que apenas sorri esperto e sai correndo. — Sabe, eu me admiro como um homem de quase trinta anos aja como um adolescente.
Sorri, abaixando a cabeça e olhando meu relógio de pulso.
— Oh, a próxima aula é daqui a pouco. — Me afasto andando pra trás. Rondo a biblioteca mentalmente e dessa vez tenho a certeza de que não há ninguém ali.
— Acho que é melhor nos irmos. Quer que eu leve seus livros?
— Ou... — Travessa, seguro a gola de sua jaqueta e o puxo pra mim. — Podemos aproveitar o tempo que temos e nos atrasar só um pouquinho.
— Meu Deus, o que eu criei? — Rindo, we puxando-o para a parede, eu o beijo demoradamente.
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