Notas iniciais
TheEvilQueen & TheOnlyOne (IAmTheDarkness): Hoje viemos em meio de uma única mensagem e só queríamos desejar uma ótima leitura para vocês ♥

Chegar na escola andando de mãos dadas com Elieser foi uma das coisas mais estranhas que já me aconteceu. E, por mais que fosse estranho, era bom. Todos nos encaravam, olhavam da cabeça aos pés para nós dois, mas tão pouco me importei. Estava feliz por estar assim com ele, ainda mais por estarmos quase que oficialmente namorando. Lembrando: quase.

Mas, ninguém deve estar entendendo o que está acontecendo, não é mesmo? Vou explicar desde o início, hoje é sexta, isso aconteceu na segunda e durante os dias só foi ficando melhor.

...SEGUNDA-FEIRA...

Cheguei na escola no mesmo horário de normalmente. Brian e Andrew ficaram conversando comigo, inclusive Andrew me disse que viu Elieser na livraria e eu acabei corando por isso. Ainda não tinha caído a ficha de que ele me presenteou da forma que fez, sem nem mesmo um motivo aparente para tal presente, mas não reclamei.

Thomas sentou ao meu lado, recebendo um olhar fulminante por parte de Elieser quando o mesmo passou com Gabriela ao nosso lado. Não pude deixar de sorrir com aquela sua ação. Era bom saber que havia algum efeito em mim sobre ele.

O professor entrou na sala e distribuiu alguns panfletos para todos nós, parando na frente de toda a sala para explicar.

— Como vocês bem podem ver nesse panfleto, estamos anunciando o baile desse ano, que será à fantasia, como o do ano retrasado. Os alunos do primeiro ao quarto ano estão convidados, lembrando que não podem trazer ninguém que seja de fora da escola. – Sorri ao ouvir aquilo. Não tinha ido ao baile ainda, não tive companhia no primeiro ano e recém estava no segundo. – Lembrem-se, quem quiser ajudar na preparação da decoração do baile pode vir aqui após às quatro da tarde todos os dias ou nos dias que puder para apoiar os alunos do quarto ano. Apenas fiquem atentos, daqui dois anos serão vocês a arrumar o baile.

— Então, Nic, você quer ir comigo? – Perguntou Thomas, me encarando penetrantemente.

O que eu iria responder? Eu não queria ir com ele, queria ir com Elieser, como já era de se esperar, não?

— Na verdade, eu nem vou ao baile... – Disse, calmo. Era a melhor resposta que eu tinha para o momento.

— E você, Elieser, vai? – Thomas perguntou, virando-se para trás.

— Não com você. – Respondeu o Chermont, piscando em seguida para mim. Acabei sorrindo de maneira boba.

...TERÇA-FEIRA...

— Nicolas Henderson, você está me evitando. – Elieser disse. Havia marcado comigo de nos encontrarmos sob a arquibancada do ginásio.

— Não estou te ignorando. – Me escorei na beirada da parte de trás da arquibancada. – Apenas não tive tempo para conversar.

— Inventa outra, Nicolas. – Riu ele. – Eu vi quando você disse para Thomas que não ia ao baile. Por que não vai?

— Porque a pessoa com quem eu queria ir não me convidou. – Desviei meus olhos dos dele, mas percebi quando ele sorriu e se aproximou de mim, me puxando.

— E você acha mesmo que eu iria com alguém que não fosse você? – Perguntou ele, me beijando rapidamente. – Isso é, se você quiser ir comigo.

— É óbvio que eu quero ir com você, Elieser. Eu não iria com nenhuma outra pessoa além de você. – E ele novamente me beijou, acabei sorrindo.

...QUARTA-FEIRA...

Elieser e eu nos encontramos em frente à loja de fantasias. O baile já seria no sábado, então precisávamos decidir o que usar. Eu queria, honestamente, algo místico, sombrio, mas sabia que se eu me vestisse como eu realmente queria iria pagar um grande mico.

Entramos na loja e passamos a olhar possíveis fantasias. Existia ali todos os tipos de fantasias imagináveis. Tinha fantasia de pirata, policial, super-heróis, vampiros, feiticeiros, bruxos, príncipes, até mesmo uma fantasia de Dona Morte.

Passamos a experimentar algumas opções. Elieser ficou muito bem vestindo uma capa dessas de fantasias de vampiros, parecia até mesmo o tão famoso dos filmes e livros Conde Drácula. Fiz um sinal de “joinha” para ele, que começou a rir sem parar, dizendo que podia se vestir totalmente de preto e alugar apenas a capa e eu assenti para ele.

— Tudo bem, o que você vai usar no baile? – Indagou Elieser, mas eu ainda não tinha pensado sobre o assunto. – Por que não se veste como eu?

— Porque pensei que não quisesse que os outros pensassem que estamos vestidos iguais como se fôssemos um casal. – Expliquei, vendo ele mais uma vez rir.

— Nós somos praticamente um casal, Nic. Não sei qual o problema em irmos parecidos.

Meu sorriso ficou tão enorme que quase não cabia em meus lábios. Eu não sabia nem mesmo o que dizer após ouvir aquela frase vinda dele, eu realmente nunca esperei. Talvez esse fosse o motivo de tanta alegria, não? A tal conhecida “surpresa”.

...QUINTA-FEIRA...

Acordei sentindo braços me envolverem. Pela primeira vez eu havia acordado com Elieser ainda ao meu lado após uma noite juntos, nem esperava por isso, já estava esperando estar sozinho. Virei-me lentamente e percebi que ele já estava acordado e me encarando, deixando um sorriso aparecer em seus lábios quando o encarei.

— Não quer matar aula e ficar comigo? – Inquiriu, me dando um selinho.

— Só se conseguir me convencer. – Disse risonho, sentindo ele me encher de beijos no rosto. – E vai ter que ser melhor do que isso.

E o pior é que ele conseguiu me convencer sem muito esforço.

...DIA ATUAL...

E hoje eu acordei sozinho, mas não podia ser diferente, já que eu dormi sozinho noite passada. Mas o que mudou, é que hoje cedo Elieser me buscou para irmos juntos para a escola, junto com sua irmã, que sempre era tão amigável comigo.

Quando estávamos a ponto de entrar na escoa, senti a mão de Elieser se entrelaçando na minha e vi um sorriso em seu rosto quando o encarei. Não pude deixar de sorrir e muito com aquilo e apenas dei de ombros, deixando sua mão na minha e seguindo com ele.

Ao invés de soltar minha mão e ir para o seu lugar ao lado de sua irmã, Elieser se sentou comigo e até mesmo conversou com os meus amigos, sobre assuntos diversos. Thomas passou por nós e seu olhar se tornou tão sombrio quanto o que eu estava acostumado a ver em Elieser, nem mesmo me importei. Minha alegria falava mais alto no momento.

[...]

O sábado à noite finalmente chegou. Elieser e Gabriela iriam comigo ao baile, sendo que Gabriela era a acompanhante de Andrew; Brian iria sozinho, mas iria mesmo assim conosco. Todos nos encontraríamos em minha casa às sete e meia, mas às sete eu já estava pronto.

Me vesti totalmente de preto, calça e camisa e coloquei a quase capa, como tinha combinado com Elieser. Como minha mãe ama maquiagem e essas coisas, pedi para ela me deixar ainda mais pálido do que eu normalmente já sou e acabei ganhando uma mancha de sangue escorrendo da minha boca e umas olheiras sinistras. Minha mãe é a melhor.

Elieser chegou, assim como Gabriela, Andrew e Brian, como se tivessem combinado de chegarem juntos. Brian estava vestido de pirata, como ele mesmo me disse que estaria. Gabriela estava de vampira, assim como Elieser e eu, mas ela era uma vampira feiticeira, então sua fantasia era muito mais elaborada que a nossa, além de que a maquiagem dela e de Elieser estavam muito mais reais do que a minha. Andrew estava vestido com as roupas iguais as dos alunos de Hogwarts, e sim, estou falando exatamente de Harry Potter.

Nós cinco fomos juntos para a escola, conversando animadamente e rindo feito loucos cada vez que alguém passava na rua e nos encarava estranho. Até parece que nunca viram cinco adolescentes fantasiados em uma data bem distante do Halloween, não é mesmo? Isso é tão normal.

A escola estava enfeitada desde a entrada. Parecia mesmo Halloween. Mas não era. Haviam teias de aranhas e aranhas tudo falso espalhado por todos os corredores, tais que estavam com apenas algumas velas – que na verdade eram pequenas luminárias – os decorando.

No ginásio a decoração era bem repleta de variedades. Haviam grandes abóboras, fantasmas pendurados, velas por todos os cantos, decorações em roxo e laranja, além de preto. Até a música estava inspirada no puro sombrio possível. Nem era uma festa das bruxas, era só um baile à fantasia, não precisava estar tudo tão do mal assim.

Até mesmo os pratos e copos que tinham ali eram roxos, laranjas, pretos ou as três cores combinadas.

O som só começou a tocar música quando se passava das oito e meia, até lá eram apenas sons um pouco assustadores ou trilhas sonoras de filmes de terror. Quando as músicas começaram a tocar, nós cinco ficamos em grupo dançando juntos no meio da pista de dança. Ao contrário do que eu imaginava, meus melhores amigos não reagiram mal quando me viram beijar Elieser, na verdade, desejaram felicidades para nós dois. Ser aceito por eles era magnífico, já que com meus pais eu não tinha problema algum, ainda mais depois de Elieser ter se desculpado com eles pelo que disse no outro jantar. Sim, ele realmente se desculpou, nem eu acreditei nisso.

Avistei Thomas, ele estava bem afastado de nós e me deu um olhar muito do fulminante ao me ver ali após eu ter dito que não iria ao baile. Ele nem mesmo estava fantasiado, apenas estava ali sentado e tomando refrigerante, já que nenhuma bebida alcoólica foi autorizada no baile.

— Eu quero te roubar um pouquinho dos seus amigos, posso? – Elieser perguntou em meu ouvido e eu apenas assenti, me deixando ser puxado por ele.

...ELIESER CHERMONT...

Tirei Nicolas rapidamente do baile e o levei para um corredor vazio. A culpa que eu sentia por ter praticamente o traído ainda me consumia, mas eu já me sentia melhor. Precisei ameaçar Thomas, caso contrário ele já teria contado para Nicolas o que aconteceu. Prometi a ele que se ele se mantivesse em silêncio, sua hipnose só duraria por mais seis meses. Ele aceitou sem nem protestar, algo raro de se acontecer.

Nicolas elogiou a “maquiagem” em meu rosto no momento em que viu eu e minha irmã, mal sabe ele que esses olhos trincados e esses dentes que mais parecem presas não são falsos e sim a pura realidade de como eu verdadeiramente sou, mas claro que não vou contar isso a ele. Não foi para isso que o tirei de lá do ginásio, foi para outra coisa.

— Por que me tirou de lá? – Perguntou Nicolas, ainda sorrindo. – Você fica muito bonito vestido assim, sabia? – Queria eu poder contar a ele que isso, tirando a capa, não é uma fantasia.

— Você também está lindo vestido assim. – O elogiei, puxando-o para mais perto pela cintura. O abracei e encaixei meu pescoço em seu rosto, fingindo estar tirando os “falsos dentes de vampiro”, que não eram falsos. – Eu só queria te beijar de uma maneira que não podia fazer lá. Eles morreriam de inveja.

— Ah, claro. – Riu ele, botando as mãos em meu pescoço e se aproximando para me beijar.

O beijei com calma, mas também com intensidade. Queria dizer tudo para ele, toda a verdade sobre mim, sobre minha irmã, minha família e, também, sobre Thomas. Queria que ele soubesse todos os detalhes sobre quem sou e o que fiz, não queria esconder mais absolutamente nada. Eu estava mesmo gostando dele, estava me permitindo sentir uma paixão, ainda que eu tivesse medo de acontecer a mesma coisa que aconteceu na única vez em que fui capaz de amar alguém. Eu sentia que Nicolas era diferente.

Eu não podia ser azarado o suficiente para viver duas vezes a mesma tragédia, não é?

— Nic, eu andei pensando. – Comecei, segurando sua mão e a beijando suavemente. – Eu estou mesmo gostando de você e...

— Nicolas Henderson e Elieser Chermont, nada de ficar se pegando pelos corredores. O baile é no ginásio, façam outras coisas depois, em casa. – O diretor chegou nos alertando. Justamente quando eu iria pedir Nicolas em namoro. Que inferno! – E boa festa para os dois.

— Você estragou o clima. – Reclamei, saindo a passos pesados dali com Nicolas.

— O que você ia falar? – Nicolas me encarou. Eu acabei perdendo a vontade de fazer o que faria, passou o clima.

— Nada demais. Eu vou pegar um ar, volto logo, ok? – O avisei e me afastei, o deixando com minha irmã e Andrew, Brian não estava ali.

Eu realmente saí para pegar um ar. Precisava espairecer, minha mente estava até um pouco pesada. Talvez não fosse para eu o pedir em namoro, talvez aquilo fosse um sinal do destino. Pode ser, não? O que importa é que talvez esse não fosse o momento ideal, talvez eu precise esperar.

Encontrei uma pessoa qualquer assim que saí da escola e a puxei para um canto, precisava me alimentar, precisava de verdade. Tomei todo o cuidado do mundo para não sujar minha roupa e me alimentei daquele ser humano. Sentia raiva de mim mesmo por tudo que estava acontecendo. Minha mente estava uma bagunça e a culpa era totalmente minha.

Eu estava tão bagunçado que nem percebi a besteira que eu tinha feito. Quando a pessoa já estava totalmente sem vida em meus braços, me prestei a olhar em seu rosto. Me apavorei no mesmo instante.

Eu tinha acabado de matar Brian, melhor amigo de Nicolas. Agora sim, eu estava perdido de vez. Ele nunca me perdoaria por isso.

Eu sou um monstro.

Notas finais
TheEvilQueen & TheOnlyOne (IAmTheDarkness): O que vocês acharam do capítulo? E, o que vocês acham de dois capítulos por semana? Digam a opinião de vocês, nos vemos no próximo capítulo. Beijão ♥