You Worth My Sacrifice
19 Não posso te perdoar
Notas iniciais
Fiquei com um grande receio de levar um tapa após ter admitido para Nicolas que eu o amo. Pensei que ele imaginaria isso como uma forte tentativa apelativa para recuperar sua confiança e não como uma verdadeira declaração. E era isso que aquilo representava: uma pura e talvez até ingênua declaração.
Era o que eu sentia, mesmo que qualquer pessoa que me avaliasse me descrevesse como um ser frio, sombrio, sem sentimentos e muito apreciador do sarcasmo. Três dessas coisas se confirmam, menos a parte do ‘sem sentimentos’. Quem dera não sentir nada por ninguém, eu nunca teria sofrido com Dominic, tampouco me envolveria com Nicolas preocupando-me com os sentimentos dele.
No entanto, ainda que ele pudesse ver dessa forma, ainda que ele talvez me escorraçasse dali, eu tentaria fazê-lo acreditar que era mesmo verdade. O faria acreditar que eu o amo.
— O que disse? – Nicolas quase me derrubou da cama, remexendo-se e se colocando de frente para mim. Abri um sorriso tímido; algo raro. – Você disse que você o quê?
— Eu perguntei se era muito admitir que te amo. – Um sorriso bobo se abriu em meus lábios e eu levei minha mão até seu rosto, o acariciando lentamente.
— De certa forma, sim, é muito, porque não é verdade. Nunca te disseram que amar é uma das coisas mais fortes e poderosas? Só que não faz sentido se não for para valer. – Nicolas ressaltou aquilo de uma maneira tão bonita, que eu queria poder beijá-lo naquele instante da maneira mais apaixonada de toda a minha existência. – E não é para valer, então não deveria dizer.
— É verdade. – Sussurrei, aproximando meu rosto mais do seu e roçando meus lábios nos dele. – Eu te amo mesmo. Não estou mentindo. O que posso fazer para você acreditar?
Nicolas ficou em silêncio. Ele estava dividido, não precisava nem mesmo ler sua mente para conseguir decifrar isso. Ele estava dividido entre sua vontade de me perdoar e a vontade de me mandar embora dali. Ele queria mesmo me expulsar ou, pelo menos, parte de si queria.
Novamente passei minha mão por seu rosto, afastando um pouco minha boca da sua para contemplar seu olhar e admirar a beleza que o abrangia. Estava apaixonado por cada pequeno detalhe dele, todos os detalhes, absolutamente todos. Estava apaixonado por ele em partes e por completo, de maneira forte e maciça, de uma forma que eu não poderia amar mais ninguém, de uma maneira que eu nunca senti.
Era um sentimento que fazia um fogo tomar conta do meu corpo frio, fazia meu coração sem vida parecer estar batendo, fazia meus pensamentos se voltarem a apenas ele, fazia minha pele formigar em cada centímetro que ele tocava. Fazia eu sentir vontade de tê-lo só para mim, sempre e para sempre, e ainda mais além. Para quem tem a eternidade, como eu tenho, ter alguém como ele ao meu lado seria como viver eternamente em um paraíso criado apenas para nós dois.
E eu queria isso, só que eu sabia que talvez ele não sentisse mais o mesmo.
— Eu não posso te perdoar. – Sussurrou para mim, não conseguindo manter seu olhar fixo ao meu. Mas eu continuava o olhando. – Só que, eu ainda sinto o mesmo por você.
— Você pode sim me perdoar, Nic. – Levei as duas mãos até seu rosto e o segurei, fazendo-o me olhar. Sequei uma lágrima que escorreu por sua bochecha direita. – Caso contrário não estaria tão triste.
— Por que você fez o que fez, Elieser? Que inferno! Eu te amo e isso me dói, porque eu quero te perdoar, só que eu não posso, não consigo. – Ele começou a socar meu peito com força, descontando sua raiva. – Eu só quero extravasar minha raiva. Como faço isso?
— Pode me bater, eu não me importo. Não dói mesmo. – Dei de ombros, acariciando agora seu braço. Queria apenas acalmá-lo, nada demais. – Pode fazer o que quiser comigo, se quiser quebrar meu pescoço e me atirar em uma fogueira também não tem problema, eu mereço.
— Não quero te machucar, não me importa se você sente ou não dor, te ver sofrer machuca a mim. – Nicolas deixou de olhar em meus olhos e fitou minha boca, acabei sorrindo. – O que acontece depois disso? Eu te perdoo e o que acontece?
— Não pensa nisso, pensa apenas no agora. Pensa em fazer aquilo que sentir vontade e agora é o momento certo. Nada mais importa além de eu e você, aqui e agora.
Nenhuma resposta foi ouvida, mas não demorou para que eu sentisse a boca de Nicolas colada na minha. Beijei-o com uma vontade anormal, matando aquela saudade que eu estava de estar próximo a ele, sentindo sua pele quente entrando em contato com a minha pele gélida. Sentia tanta falta dessa mistura, era agoniante essa saudade.
— Quero te levar para um lugar. – Sussurrei em seu ouvido, sentindo ele se arrepiar.
— Mas agora?
— Sim, agora! – Levantei e estiquei a mão para ele. – Você confia em mim?
— Confio.
— Então, sendo assim, é melhor se segurar em mim. – Falei sorrindo, pegando ele em meus braços e fazendo ele se segurar em meus ombros. – E pode fechar os olhos se quiser.
Ele apenas assentiu e escorou sua cabeça em meu ombro, beijando meu pescoço em seguida. O levei dali, mesmo sendo o meio da madrugada, para um dos lugares onde eu tinha passado mais tempo nos últimos dois meses: uma casa na árvore que ficava nos fundos da casa onde eu moro atualmente com Gabriela e nossos ‘pais’.
Larguei Nicolas em cima do tapete fofo que tinha ali, junto a várias almofadas.
— Que lugar é esse? – Questionou aparentando estar maravilhado com o pequeno ambiente.
— Ah, é da minha ‘irmã emprestada’, ajudei a fazer para ela, mas como ela foi morar com uma tia por conta da escola em que está agora, isso aqui ficou abandonado e eu passei os últimos dois meses a maior parte do tempo aqui dentro. – Expliquei, sentando-me ao lado dele. – Pensei que fosse gostar de vir aqui, ainda mais porque nós moramos na parte mais alta da cidade e tem uma vista linda da janelinha da casa.
— Quero ver. – Afirmou Nicolas, levantando e me puxando.
Ele parou de frente para a janela e eu fiquei por trás dele, abraçando-o carinhosamente. A vista era mesmo perfeita, ainda mais se olhássemos após os galhos das árvores dali, incluindo a árvore da casa. Era possível ter uma perfeita vista da Lua, que estava cheia naquela noite. Escorei meu queixo no ombro de Nicolas e cheguei perto de seu ouvido com a boca, falando bem baixo em seguida:
— Namora comigo, Nic? – Apertei-o ainda mais contra mim, sentindo que suas pernas pareciam ter ficado um pouco bambas.
— S-sim... – A alegria que me contagiou foi tanta, que eu virei Nicolas para mim e o coloquei em cima da janela, já que a mesma se encontrava aberta. – Nossa, você ainda vai me matar, Eli.
— De prazer, talvez. – Sorri maliciosamente, aproximando-me ainda mais dele e já selando nossos lábios em um beijo intenso.
Quando Nicolas apertou mais meus braços e eu o envolvi mais fortemente pela cintura, acabei aprofundando o beijo. As pernas de Nicolas contornaram minha cintura e se prenderam ali mesmo, assim como suas mãos foram para o meu pescoço e logo ele estava totalmente suspenso no ar, preso em mim. Minha vontade era atirá-lo contra a parede sem pudor algum, mas eu ainda tinha consciência de que isso o machucaria.
— Você quer isso, Nicolas? Eu não quero te forçar a nada, sabe disso. – Ele soltou um suspiro frustrado quando nossas bocas se separaram.
— Quero, Eli, quero sim. Quero você. – E então eu voltei a beijá-lo, sentindo que agora sim ninguém poderia nos separar.
Nem mesmo Thomas.
...
— Wow, isso foi... – Soltou Nicolas, que estava literalmente deitado em cima de mim. Nesse instante eu acariciava seus cabelos. – Acho que estou gostando dessa sua... ‘vampirosidade’?
— E eu acho que já posso criar um dicionário para as suas palavras. – Ri alto, levando um tapa em resposta. – Você vai virar sadomasoquista daqui a pouco.
— Não teria graça, ué, você não sente dor mesmo.
— Vou fingir que nem ouvi isso que é melhor. – O abracei mais. – Sabe a noite do Halloween? Da festa?
— Claro que sei, você estava lindo vestido de vampiro.
— Pois, então... nessa noite, quando o querido Diretor fez questão de interromper nosso beijo, eu iria te pedir em namoro. Mas ele quebrou com o clima por completo. – Forcei um suspiro irritado, levando Nicolas a rir.
— Talvez fosse para acontecer tudo dessa forma mesmo. Afinal, o que é um romance sem um grande drama, não é mesmo? Em meus livros nunca encontrei nenhum. – Acabei concordando. Fazia sentido. – Eu só ainda tenho medo do Thomas. Acha que ele vai nos deixar em paz?
— Sim, ele está sob o efeito de uma hipnose. Ele não pode matar humanos, entende? Foi por isso que ele voltou, então, para me livrar dele, vou tirar essa hipnose e colocar uma específica.
— Qual?
— Vou manter ele bem afastado de você, isso é o que importa. Ele não vai fazer nada de bom, mas se estiver longe de nós vai ser menos pior. Eu também não posso exterminar os vampiros, não sei onde todos estão e para acabar com todos, a única solução seria matar eu e Gabriela. Como não faremos isso não exterminaremos eles, logo, eles continuarão perambulando por ai. E, como eu disse, o único que nos oferece verdadeiro perigo é Thomas, porque ele é tão ruim quanto eu. – Fui explicando calmamente, mas me sentindo irritado por ainda ter que falar daquele monstro vampiro que era o Thomas.
— E se ele quiser uma guerra?
— Construo uma fogueira na volta dele. Sei lá. Se ele quiser guerra, farei uma guerra com ele. Se ele pensa que é cruel, é porque não sabe que eu sou muito pior.
— Vai parecer meio doentio isso que eu vou dizer, mas ver você com essa pose de mal é tão excitante. – O vi morder o lábio e apertei sua cintura com certa força, descendo mais a minha mão e o apalpando, vendo um gemido escapar por sua boca. – Não provoca desse jeito.
— Você está excitado de novo, Sr. Henderson. Acho que terei que ser um bom namorado e terei que dar um jeito nisso para você, não é?
— Você dizer que é meu namorado só torna as coisas ainda melhores. – Apertou meus ombros, se ajeitando quando me sentei e o puxei para que sentasse em minhas pernas. – Ah, eu quero você, Elieser...
— Então você me terá... – Sussurrei em seu ouvido, mordendo sua orelha e fazendo uma trilha de beijos e leves mordidinhas por seu pescoço.
Levei minha mão ao seu membro, tocando-o enquanto ainda beijava seu pescoço, me perdendo ao beijar sua boca novamente. Nosso beijo se atrapalhava por conta dos gemidos dele, nem eu mesmo me continha. Era excitante vê-lo se derretendo em meus braços daquela forma.
Levei minha outra mão até sua entrada, vendo ele gemer ainda mais alto quando o penetrei com o dedo, preparando-o novamente. Nicolas gemia alto em meu ouvido e mordia com força o meu pescoço. Por qualquer força maior existente nesse mundo, aquilo era delicioso demais.
Puxei Nicolas pela cintura e o sentei sobre meu membro, parando com os movimentos que eu fazia com a mão nele. Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, Nicolas me empurrou e apoiou seus braços em meu peito, começando a se mover por si só, mordendo o lábio inferior. Eu podia ver seu cabelo grudando na sua testa, conseguia ver o suor escorrendo em seu corpo e conseguia enxergá-lo subindo e descendo em meu membro. Nunca me senti tão bem com algo tão erótico assim, mesmo tendo tantos parceiros quanto os que tive ao longo dos séculos. Nada se comparava a ele.
Quando ele pareceu estar perdendo a força em suas pernas, segurei-o pela cintura e me movi mais rápido, o fazendo gemer ainda mais, levando-me a fazer o mesmo. Nicolas se inclinou mais sobre mim enquanto eu me movimentava e me beijou, gemendo ainda com a boca próxima a minha:
— Eu te amo.
Aquelas simples três palavrinhas, misturadas com seus gemidos e os movimentos de nossos corpos, não só fez com que eu também dissesse que o amava, quanto me fez também chegar ao orgasmo.
Deitei-o no tapete fofo e passei a beijar seu corpo, vendo-o ainda se entregar com tudo aos meus toques. Desci minha boca até seu membro, o envolvendo com meus lábios em seguida. Os gemidos apenas se intensificaram, ainda mais com a forma que eu o provocava com a minha língua. Nicolas puxava meus cabelos sem muita força, fazendo as coisas ficarem ainda melhores.
Só parei os movimentos no instante em que ele atingiu seu ápice, então subi com os beijos até novamente me encontrar com a sua boca.
— Eu serei seu para sempre. – Encarei-o e percebi aquele lindo brilho em seu olhar. – Desde que você também queira ser meu para sempre.
— É tudo o que eu mais quero.
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