You Set Me Free_1ª Temporada
35 Knowledge is power
Notas iniciais
Achei rapidamente uma roupa para sair , uma saia preta com borboletas vermelhas até a metade da coxa, uma cacharel preta de lã , e botas até o joelho de couro. Amarrando meu cabelo com força e agilidade para o lado desci as escadas do segundo andar para o primeiro. A bolsa no meu ombro pendia aberta para eu ver a hora no visor do celular.
O último degrau chegou me fazendo caminhar para a saída da grande área que sempre me lembraria uma praça. Então eu vir pela primeira vez nos sofás antigo a ferro trincado, em um trabalho artístico, dois homens me encarando.
De primeira não os reconheci , porém um segundo olhar me fez lembrar de uma caverna. O loiro estava sentado no sofá, mas o moreno se levantou para demonstrar uma educação meio burlesca. Ambos usavam roupas simples no estilo de quase cowboys.
– Olá. – Disse calma ao sorrir suavemente para me aproximar de forma educada.
– Oi … – O moreno sorriu nervosamente levantando a mão direita para me cumprimentar. – Eu sou...
– Jackson , eu me lembro. – O cortei apertando sua mão com animosidade o fazendo sorrir mais relaxado. Me voltei para o loiro que agora tinha se levantado com um sorriso zombeteiro e malicioso ao mesmo tempo. – E você seria?
Jackson riu não se controlando da expressão ofendida do loiro.
– Oliver. – Respondeu ele secamente voltando a se sentar como uma criança que perdeu a chance de ser ouvida.
Jackson se voltou para min ainda rindo baixinho. Não deixei que o silencio ficasse constrangedor, ao falar logo.
– Bem … Há a algo que eu posso oferecer a vocês? Uma bebida talvez? – Não sei porque dei uma de “dona de casa” , mas tomei a liberdade.
– Não precisa , estamos esperando Klaus. – Garantiu Jackson cruzando os braços fazendo ele parecer maior do que era.
Balancei a cabeça concordando , pronta para dizer qualquer coisa para sair dali. Porém o barulho de passos nos fez virar para um dos corredores do lado esquerdo. Aonde Hayley , Elijah e Klaus vinha como um só exército caminhando até nos.
Deveria ter saído antes. Pensei comigo mesma lembrando do trato que eu e Elijah fizemos. Não sair sozinha depois de certa hora. Tudo bem que era precaução , porém eu sempre saia de fininho para não ouvir a pequena orientação que ele me dava.
– Que tal irmos para o escritório? – Perguntou Klaus antes de chegar até nos.
Ele deu um sorriso mínimo por um segundo me encarando , depois passou ao redor de min e seguiu adiante fazendo Jackson e Oliver o seguir para um dos corredores escuros de salas não utilizadas. Hayley seguiu de forma mais devagar os homens com uma face dura de quem não estava gostando de ser deixada para trás. Ela não me encarava de maneira nenhuma.Era como ser parte da decoração para a castanha , coisa que eu sinceramente agradecia.
Me voltei para Elijah que passou um dos seus braços ao redor da minha cintura fazendo eu me virar completamente para o encarar.
– Deveria saber o que esta acontecendo? – Questionei com um sobrancelha levantada.
– Aparentemente chegaram mais lobisomens na cidade,muitos na verdade. Jackson quer tentar os liderar , porém eles são liderados por Francesca.– Comentou ele de forma seca. Elijah não parecia ser fã de lobisomens, na verdade uma ora ou outra ele soltava a palavra “besta” para se referir a eles. – Deixarei isso com Klaus.
Balancei a cabeça concordando.
– Vou tomar uma bebida com Cami . – Comuniquei me deixando ser guiada para a porta de saída.
– Esperava que fosse comigo visitar Rebekah. – Comentou ele em um tom baixo, deixando sua boca perto de mais do meu rosto. Mas especificamente da minha clavícula.
Novamente a sensação de estar em uma banheira quente me dominou.
– Eu adoraria , porém prometi conversar com Cami sobre … algumas coisas. – Sorrir inocentemente de lado , esperando que ele não me pedisse mais. Era meio impossível negar algo para ele.
– Não tem problema realmente. – A mão livre dele foi para o seu bolso da calça. Já a minha foi para sua cintura. Andávamos praticamente abraçados lado a lado. – Me ligue quando for voltar, eu te busco.
Deixei minha expressão alegre morrer.Apesar de começar a pensar em ter uma relação íntima com Elijah. Eu não havia desfrutado muito da parte suave. Todas as vezes que ele deixava claro que queria algo , que não incluía minha vontade. Meu lado feminista queimava.
– Não vai adiantar te dizer que eu não preciso de babá não é? – Perguntei ao parar de andar , me afastando para o olhar de baixo com o queixo elevado em desafio. Elijah simplesmente sorriu mostrando seus dentes. O que me deixou visivelmente mais irritada. – Qual é a graça?
– Isso parece quase … – Ele abaixou a cabeça abotoando seu terno, parecendo parar de propósito sua fala para achar alguma palavra que procurava. Depois disse me encarando – Humano. Poderíamos começar até uma discussão não acha?
– Se fala D.R hoje em dia. – Disse meio irônica cruzando meus braços na altura do peito. – E não , não vamos começar nenhuma discussão. Vamos deixar para depois do casamento.
– Combinado. – Concordou ele de forma tão séria que me fez rir. – Agora é sério. Me ligue quando for voltar.
Levantei as palmas da mão como quem se rende. Não adiantava discutir com ele mesmo.
Elijah levantou a mão até minha bochecha deixando ela quente , e eu levemente sem fôlego . Sua mão se arrastou de forma calculada e calma até minha nuca aonde seu polegar rodava como uma carícia. Ele não precisou usar força , apenas deu a entender que queria que eu me aproximasse e assim eu fiz até sentir seu peitoral me barrando.
Suspirei fundo absorvendo o perfume dele , depois sentir seus lábios tocarem minha testa respeitosamente. Meu coração já batia loucamente com aqueles pequenos gestos de demonstração de afeto.Era como diziam , o valor de uma boa jornada é mais importante do que a chegada em si.
– Bella. – Sussurrou Elijah me fazendo abrir os olhos , que eu nem tinha dado conta de que os fechei , ele se afastou para eu o ver melhor e perguntou pausadamente. – Se eu te pedisse para fazer um feitiço , um feitiço simples de localização pra min , você faria?
– Sim. – Garantir antes mesmo de pensar nas palavras dele.
Uma parte da minha mente tentou dizer “ Você é uma bruxa , é um feitiço simples , porque não fazer para alguém que você gosta um feitiço desse?”. Já outra , a parte desconfiada que eu muitas vezes não dava ouvidos dizia. “Porque ele pediu agora? Bem agora que você se encontra como uma garotinha apaixonada que faria qualquer coisa por ele? Pense , tem algo aí …
Essa parte foi completamente calada por um beijo do vampiro. Era como se ele soubesse que eu estava pensando de mais. O que só fez eu me sentir …
Meus pensamentos ficaram desconexos quando sentir sua língua invadir minha boca de forme suave. Correspondia aquele beijo de maneira automática. Assim como meu corpo que se assentia como uma árvore de natal com aqueles momentos. Não havia como negar que eu estava sentindo algo forte por ele , muito forte.
– Elijah. – como um balde de água fria separamos nossos lábios rapidamente. Deixei minha cabeça pender virada para a porta de saída ao deitar no seu peito tentando recuperar o folego . – Klaus gostaria de ter você na reunião.
As palavras secas de Hayley me fizeram tremer ligeiramente de nervosismo. Não era como as piadas maliciosas de Klaus quando ele tinha nos pegado em um beijo. Era como se farpas na voz da híbrida tocasse minha pele me perfurando de forma dolorosa.
– É um assunto de lobisomens , não vejo em que posso ajudar. – Comentou Elijah duramente profissional , tirando a mão da minha cintura me fazendo ser afastada para virar e encarar junto a ele Hayley que tinha os olhos levemente amarelados.
– Não sou garota de recados! Diga você mesmo! – Exclamou ela grosseiramente em um quase grito girando seu corpo rapidamente para voltar de onde tinha vindo a passos pesados. Mas não antes de me dar um olhar maligno que me deixou arrepiada.
Elijah suspirou profundamente, encarando as costas de Hayley até ela desaparecer.Me afastei dele dizendo.
– Amanhã estou disponível para o seu feitiço. – disse apressada a ele que só me encarou balançando a cabeça.
Antes de sair completamente da casa , tive a certeza que ele tinha voltado para dentro para a tal reunião. E não sabia se era por Klaus. Tentei me convencer que não deveria me importar com aquilo.Era um contrato de casamento! Por Deus! Não deveria ter sentimentos envoltos aquilo.
Mesmo em nossos beijos e o que poderia vim depois. Envolvia ou não sentimentos … Envolvia?
A dúvida bateu no meu coração fazendo minha cabeça latejar minimamente de dor. Eu não poderia estar apaixonada por ele , poderia?
Deixei todas aquelas dúvidas trancadas para avaliação posterior antes de ter um ataque de pânico e me encaminhei ao encontro de Cami a passos apressados.
~~x~~
Cami não me encontrou como esperado no seu apartamento. Mas em um barzinho no centro. Era de tarde por isso o lugar já começara a encher. Encontramos uma mesa mais afastada aonde pedimos duas margaritas, ela parecia tensa e encarava os lados toda hora. Cansada do silencio respeitoso para ela fazer sua vistoria eu me debrucei um pouco sobre a mesa afim de me aproximar dela do outro lado.
– Tudo bem? – Perguntei pausadamente em um tom alto e firme , fazendo a outra loira me encarar.
– Estou sendo seguida. – Contou ela fazendo minha postura relaxada mudar para uma tensa.
– Por favor me diz que é um ex namorado que não levou na boa o término, e é muito normal? – Sorrir inocentemente esperançosa que todas as minhas palavras pudessem ser verdadeiras.
Cami abaixou a cabeça encarando o cardápio com um falso interesse. Bufei frustrada levando uma das mãos a queixo como apoio.
– Acho que são os caras da Francesca. – Contou Cami em um sussurro.
– Porque eles te seguiriam? – Talvez fosse muita curiosidade perguntar aquilo. Mas só de pensar na tal Francesca me apontando uma arma , qualquer informação sobre ela atiçava meu lado vingativo.
– Bem eu acho que eles querem uma coisa , e isso envolve Davina. – Cami parou de falar abruptamente quando a garçonete se aproximou com nossas bebidas.
Esperamos ela colocar e sair para voltar a conversa.
– Não entendi . – Resmunguei sincera experimentando o ardo gostoso da minha bebida.
Levantei meus olhos para a outra loira que parecia mais pálida do que o normal. Ela encarava além de min. Mas especificamente atrás do meu ombro. Lentamente fingi arrumar meu cabelo aproveitando para girar o pescoço. No final do balcão do bar havia dois homens se sentando. Um negro e outro meio indiano. O negro nos encarava a cada meio segundo. Claramente deveria ser eles a estarem seguindo Cami.
– Precisamos sair daqui antes. – Disse a outra loira pronta a ser levantar.
Porém eu segurei seu braço a encarando com um sorriso divertido.
– Acho que você esqueceu que eu sou uma bruxa Cami. – Brinquei de forma sombria. – Só preciso de umas gotas de seu sangue , e confie em min. Eles vão ficar horas aqui, imaginando que estamos sentadinhas conversando como boas garotas.
Voltei meu corpo para atrás abrindo minha bolsa para pegar minha carteira. Peguei algumas notas e coloquei embaixo do guardanapo para pagar pelas bebidas e pelo tempo gasto ali. Cami tinha o rosto em plena confusão mas balançou a cabeça concordando.
Achando um alfinete furei meu dedo deixando a cota de sangue cair no meio da mesa. Passei o alfinete para Cami que fez o mesmo. Abrir as palmas das minhas mãos na madeira da mesa. Sentindo minha magia sendo concentrada naquele sangue sussurrei.
– La couverture de brouillard dans les regards . – a gota do meu sangue se evaporou em uma pequena fumaça roxa. – La couverture de brouillard dans les regards. – Agora fora a gota de Cami.Me voltei para ela sorrindo satisfeita e fiz um jesto com a cabeça ao mesmo tempo que me levantava.
A outra loira ainda encarando a mesa aonde não havia mais sangue , se levantou me seguindo. Entrelacei meu braço no seu para não nos separarmos no meio de tanta gente ali.
– O que vai acontecer agora ? – Perguntou ela em um sussurro no meu ouvido.
Lhe dei uma piscadela divertida. E parei de andar do lado da porta de saída, esperando que as pessoas entrasse para podemos sair. Apontei com um dedo para a mesa que estávamos a um minuto antes. Cami deixou seu queixo cair literalmente. Lá na mesa havia cópias perfeitas de nos conversando. Como se nunca tiversemos saído.
Puxei o braço da loira para saímos quando a porta se encontrou livre.
– Feitiço de ilusão. – Dei de ombros como se não fosse nada realmente difícil.
– Porque uma gota de sangue ? – Perguntou ela de forma curiosa e profissional ao mesmo tempo.
– A maioria dos feitiços da meu coven tem sangue no meio. – Respondi andando lado a lado com ela. – Não é por menos que temos magia sanguínia. Sangue é um elemento essencial para vampiros , bruxas , lobisomens e humanos. Contem o que os cientistas chamam de DNA. Mas para nos , um parte da pessoa.
– Por quanto tempo a ilusão ficará ali ? – Ela perguntou parecendo tentar entender tudo que eu tinha dito.
– Algumas horas. – mordi meus lábios dando de ombros. – Agora é sério Cami. O que descobriu sobre Davina e porque daqueles caras estarem te seguindo ?
– Tenho que mostrar um lugar antes.
Foi as últimas palavras da loira por uns bons quarenta minutos. Encontramos meu carro e com as instruções dela fomos para um tipo de apartamento na rua Sigamore. Cami olhou ao redor antes de abrir a porta do pequeno prédio e entrou na minha frente sendo minha guia. Não havia mais de três andares ali. Era bem limpo e quieto. Como se não ouve-se moradores. Subimos um lance de escadas aonde a outra loira abriu a porta do apartamento 310.
Eu poderia até ouvir uma música de suspense antes , mas naquele momento que eu entrei no apartamento vendo uma mesa pequena de madeira marrom com três cadeiras , uma geladeira antiga amarelada , a música tinha ido embora. As paredes eram todas em verde musgo e branco. Parecia limpa mas sem garantias de que alguém vivia ali.
– Aonde estamos ? – Perguntei indo até uma das duas grandes janelas com panos laranjas por cima.
Na rua não havia movimentação , e nas casas ao redor nenhum sinal de vida. Talvez fosse por ser longe o suficiente de bares e etc. Mas não me agradou a falta de barulho.
– Você verá. – Garantiu Cami abrindo a única porta que tinha ali.
Fui atrás dela vendo por sobre o seu ombro um closet com cabides com roupas em sacos transparentes, em sua maioria casacos de inverno. Ela afastou aquilo , e puxou com força a madeira da parede. Não qualquer parede , mas uma parede falsa. Ela se abriu como uma porta de passagem mínima para uma pessoa por fez. E foi assim que Cami entrou primeiro e eu depois. O lugar parecia quase uma mini biblioteca ou um arquivo de um escritório de advogacia. Porém o que não combinava com nada, era os enfeites dignos de Halowen. Havia caveiras , crucifixos , quadros de pessoas de décadas atrás, e mais e mais objetos pequenos por toda a parte.
Inclinei minha cabeça para ouvir mais atentamente um tipo de zumbido que vinha de toda aquela sala. Não achei nenhum instrumento musical ou aparelho ligado. Encarei Cami que me olhava com os braços cruzados, quando a ficha caiu.
– Objetos negros ?! – Não era exatamente uma pergunta porque eu sabia a resposta.
– Meu tio armazenava muita coisa aqui. E em sua maioria … Armas. – Cami levantou os braços fazendo um gesto abrangente com as mãos. – É isso que os caras de Francesca parecem querer.
– Eu até ficaria impressionada se meu coven não fizesse isso também. Quero dizer guardar seus artefatos. – Disse caminhando cautelosamente entre as estantes. – Porém segundo eu sei , seu tio era um humano.
– Um humano envolvido com a causa sobrenatural. – Corrigiu Cami acendendo a luz do candelabro na nossa cabeça. – Venha aqui por favor.
Me voltei para Cami que tinha uma das mãos na base plana de uma estante aberta. Nela havia várias caixas de madeira. Peguei uma sem ser barrada e abri vendo uma planta ressecada pelo tempo. Era meio violeta com um cheiro forte de enxofre. Era bem velha para ter aquele tipo de odor.
– Artémisia. – Fechei a caixa e a girei em minhas mãos na frente de Cami. – Mais conhecida como uma planta extremamente rara se for afogada em raiz de mulungu por mais de cem anos. Usada em muitos tipos de feitiços
Expliquei vendo Cami suspirar fundo e apontar para as outras caixas.
– A maioria possui ervas assim. Ervas que Davina vem roubando. – Cami contou aquilo de forma rápida, como se tirasse um curativo.
– Roubando ?! – Eu quase gritei pelo choque. – Tem certeza ?
– Absoluta. – Cami cruzou os braços ficando mais séria se fosse possível. — Eu conversei com ela como tínhamos combinado , porém ela agil de forma suspeita e muito preocupante ao meu ver. – Cami apontou com um dedo outra prateleira . – Ali são objetos negros , que eu tenho certeza que tinha mais. Eu não me importo realmente se ela pegue, porque não tem muita utilidade para mim, mas a pergunta é...
– Porque ela esta pegando isso. – Concluir por nos duas. – Eu vou descobrir. – garantir confiante.
– Nos vamos. – Corrigir a outra loira sem parecer se importar se era ou não perigoso aquilo.
– E agora. – Peguei meu celular e disquei o número da jovem bruxa.
Veria ela naquele dia mesmo.

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