You Set Me Free_1ª Temporada
11 Interpreted Evil Words
Notas iniciais
Seus olhos era castanhos , mas tinha um toque verde musgo , bem perto da íris. Ele quando me encarava não me deixava envergonhada como Kaleb fazia e descobri o motivo , Elijah não me olhava maliciosamente , mas me olhava com muita curiosidade e não entendia porque não me sentia acuada com seus olhos.
Ele se levantou elegantemente no estilo dos filmes aonde quando uma moça chegava os homens se levantavam e aquilo o deixou mais charmoso .
– Senhorita Anabella.- Falou polidamente e eloquentemente , sua voz com sotaque era encantadora.
– Vejo que se lembrou do meu nome.- Disse educadamente tentando parecer casual.
– Sim eu lembrei.- Ele balançou a cabeça e sorriu minimamente , mas o sorriso não chegou nos olhos.- Por favor sente-se.
– Ah não , não .- Balancei a cabeça apreensiva .- Realmente não desejo te incomodá-lo...
– Aqui esta senhor Mikaelson .- Quem tinha falado tinha um sorriso brilhante , que logo morreu a me ver .
Elijah tinha se virado com a mão direita no bolço da calça para uma garota de cabelos pretos amarrados em um rabo de cavalo que usava óculos de grau , ela parecia fazer o tipo nerd ao ficar envergonhada e encantadora ao mesmo tempo , mudando rapidamente para constrangida.
– Pode deixar na mesa Talisa , e por favor traga ...- Elijah me encarou e depois caminhou ao redor da mesa enquanto a garota deixava uma bandeja de duas xícaras de café e alguns bolinhos brancos com frutas secas no meio da mesa com uma toalha vermelha , ela sempre mantendo a cabeça baixa , ouvir uma cadeira sendo arrastada e o Original sorriu mais abertamente mostrando um pouco os dentes perfeitos.- O que gostaria de tomar Anabella?
– Ah ...- Segurei a alça da minha bolsa e fui até a cadeira sentando e colocando a jaqueta do híbrido no meu colo.- Um chá?- Não foi um pedido foi uma pergunta , a garota me encarou agora e juro que a vir revirar os olhos e depois saiu rapidamente sem falar nada.
Elijah contornou novamente a mesa redonda com um sorriso divertido nos lábios finos mas rosados , se sentou e pegou uma xícara de café com uma espuma marrom.
– Tem certeza que não deseja um café? São os melhores da cidade.- Ofereceu mexendo com uma espátula branca o seu café misterioso.
– Oh sim , eu realmente desejo.- Pensei em todos os grãos que tinha visto e como seria delicioso tomar um café de verdade e não solúvel. Elijah tomou um gole e levantou a sobrancelha me encarando com uma pergunta muda.- Eu sofro de insônia e tenho mais energia do que uma criança, então nada de café.- Expliquei dando de ombros puxando a cadeira para mais perto da mesa .
– Eu não fico um dia sem um bom café , acho que me faz lembrar bons tempos.- Comentou mais pra si mesmo dando de ombros.Provavelmente sentindo um pouco de pena de min por esta em uma Cafeteria sem poder me servir.
Sorrir cruzando as pernas olhando tudo ao redor mais atentamente do que quando entrei , o teto era de madeira envernizada e tinha claramente um segundo andar , havia castiçais pregados nas paredes com velas sem aroma deixando a luz amarelada preencher o ambiente caseiro meio sofisticado e com toda certeza antigo , a janela que dava pra a rua tinha uma cortina pesada e vermelha em dois lados da cafeteria , parecia mais um pub do que antes. O ar exalava café o que era delicioso.
Me voltei para o Original que me encarava sério demais , o que foi assustador ao ponto de eu engolir em seco , ele parecendo notar meu súbito medo e abaixou a cabeça e quando voltou a levantá-la era o mesmo vampiro simpático de segundos atrás.
– É um lugar muito bonito.- Falei quebrando o silencio um pouco pesado.
– Sim é , e um pouco exclusivo.- Concordou também olhando para os lados e depois tomou mais um gole do seu café e deixou ele na bandeja pegando a outra xícara, essa era só café preto mesmo.- E a senhorita como esta?
A pergunta não passou de algo meramente educado de ser feita.
– Bem , mas me chame de Bella.- Juntei minhas mãos na mesa e depois suspirei pesadamente me perguntando aonde estava com a cabeça ao me sentar ali com ele.
Mas lembrando bem foi ele que não me deixou saída.
– Espero que nenhuma de vocês tenham se machucado ontem a noite?- Elijah perguntou tão delicadamente que jurei que vir mais do que curiosidade ali , talvez até mera preocupação.
– Então sabe o que ouve ontem.- Rebati mordendo meus lábios e balançando a cabeça para não pensar naquilo e por mais que eu não quisesse as imagens vinham na minha mente.- Não ninguém se machucou.- Falei rápido e também desconfortável com o assunto.
Sentir meus batimentos cardíacos acelerar um pouco e quase comecei a hiperventilar. Pensei que poderia ser algum tipo de reação pós traumática , mas logo recuperei o controle. Elijah me encarava agora visivelmente mais interessado e curioso.
Felizmente a garçonete voltou com o meu chá , o que era um eufemismo , pois ela tinha trazido uma bandeja com um bule de porcelana branca com flores rosas ao redor , duas xícaras transparente e alguns saquinhos de chá. A garota colocou aquilo na minha frente e depois saiu meio emburrada.
– Que serviço diferente.- Comentei divertida despejando a água quente do bule em uma xícara e colocando um saquinho de chá que estava escrito que era de camomila com limão vendo a água ganhar uma tonalidade verde amarelada.
– Um dos melhores.- Garantiu o Original defensivamente porem educado.- Meu irmão chegou a me contar o que ouve ontem, segundo ele vocês não tiveram opções a não ser se defenderem.- Voltou a me encarar de um jeito mais duro dessa vez.
Fiquei um pouco em silencio colocando açúcar no chá.
– Eles não iam nos deixar sair sem uma boa briga ou nossa morte.- Fui direta não querendo dar brechas para aquele assunto. E pedindo mentalmente que ele não falasse mais sobre aquilo.
– Mas você não gostou das opções .- Garantiu pegando um dos bolinhos de fruta fresca cortando com os dedos longos.
Rir amargurada e até um pouco triste , mas sorrir petulante.
– Parece que eu sou transparente!- Exclamei me fingindo de ofendida.
– Não diga isso como se fosse uma coisa ruim.- Pediu solene e sério.- Em Nova Orleans encaramos tudo que é falso todos os dias , as pessoas deveriam dizer e demostrar o que querem e sentem .
– Como o senhor?- Perguntei infantilmente ficando envergonhada do seu olhar duro professoral. — Me desculpe senhor Mikaelson , hoje não é o melhor dia para o limite da minha boca.
Ele riu pela primeira vez , algo suave que só fazia seus ombros se movimentarem e eu ficar séria, seu riso era diferente de tudo que ouvir , algo entre o contido e o exuberante , poderia ficar horas tentando analisar aquele riso . Balancei a cabeça dispensado aqueles pensamentos idiotas.
– Novamente não peça desculpas por ser sincera demais , mesmo quando você não fala , seus corpo revela como se sente repudiada e também enojada de acabar com vidas , mesmo que fossem de lobisomens que te matariam sem pensar duas vezes .- Elijah falou tudo aquilo me deixando abismada , ele realmente estava certo . Seus dedos levaram até seus lábios um pedaço do seu bolinho.
– Parece que vocês vivem em uma monarquia.- Apontei tomando o chá quando pareceu frio o suficiente.- Não existe paz na cidade? Ou só ninguém tentou fazê-la acontecer ?
– Ouve muitas falhas no plano da paz entre facções , muitas até mesmo minha.- Explicou obscuro e ligeiramente derrotado.
– Ah agora entendi.- Sentei mais relaxada na mesa e sorrir conhecendo um pouco do vampiro na minha frente.
– Entendeu?- Perguntou tentando saber do que eu falava ao mesmo tempo que dobrava seu corpo na mesa e me olhando mais diretamente possível.
– Sim , você é um político , por isso nossa Mãe o escolheu para ser o marido de uma de nos.- Dei de ombros franzindo meus lábios e o estando depois.- E não o seu irmão.
– Uhn …. Realmente não tinha pensado nisso.- Elijah disse voltando a se sentar ereto e terminando de comer seu bolinho.
– Não somos brutas senhor Mikaelson , não gostamos de guerras , nem mesmo guerras humanas , segundos nossos históricos já ajudamos bem mais do que o senhor acreditaria ser possível.- Dei de ombros terminando o meu chá.
– Você fala tão convicta , como uma historiadora.- Sorriu educado e diplomático.
Eu rir com aquela versão contraditória de reunião de negócios e depois falei.
– Eu fiz faculdade de história , tecnicamente ainda devia fazer já que falta um ano para eu ter meu diploma.- Dei de ombros.
– Porque não faz? Nova Orleans tem ótimas faculdades.- Novamente Elijah parecia oferecer a solução para meus problemas , porém ele não sabia que era meu problema, o que fazia tudo ficar mais divertido sadicamente falando .
Soltei uma risada mais alta , e coloquei meu cotovelo na mesa e meu queixo na palma da minha mão.
– Eu não faço porque estou disponível para o senhor.- Deixei as palavras saírem maliciosas para ele entender mais rápido.E ele entendeu ficando paralisado.- E quando a escolhida a sua noiva ser bem , escolhida , ela viverá para fazer o senhor feliz , fará o que o senhor mandar e fará o que o senhor desejar, é assim que funciona o meu mundo , nos mulheres não temos muita voz se não tivermos atributos para comandar.
– Isso não parece justo.- Murmurou e sentir que ele estava a ponto de pedir desculpas , mesmo que não soubesse do quê exatamente.
– A vida não é justa.- Falei mais desanimada colocando minhas mãos em meu colo.- Mas encare pelo lado positivo , eu tenho uma entre onze chances de voltar a ter uma vida , se não me casar é claro.
As vezes eu falava sem me dar conta e quando as palavras eram analisadas pelo meu cérebro me dava conta da merda que falava .
– Nossa isso foi muito revelador.- Disse Elijah sorrindo brilhantemente e para a minha surpresa calmo.- Tenho certeza que isso foi uma recusa bem normal de um pedido de casamento que nem ocorreu. Mas eu nunca trataria qualquer mulher de qualquer forma que a rebaixaria a não ter voz própria.
Sentir um pouco de consolo em suas palavras , ao pensar em Gabrielle ou até mesmo Zoey se casando com ele e poder ter um pouco de uma vida já me deixou intimamente feliz.
– Fico feliz por ouvir isso senhor Mikaelson .- Sorrir sem me conter o olhando nos olhos.
Ficamos daquele jeito por uns segundos , mas o suficiente para eu admirar sua beleza burguesa britânica. Realmente não me sentia desconfortável com ele , mas também não era confortável , estava entre o meio termo com toda certeza.
– Me chame de Elijah .- Pediu com um olhar vazio e distante , não parecia meramente educação me pedir para o chamá-lo pelo seu primeiro nome.Talvez fosse um voto de confiança?.- Então o que lhe trás a cidade?- Perguntou voltando ao assunto.
– Eu estou procurando uma pessoa .- Contei dando de ombros.- Mas acho que quer saber porque te incomodei não é?- Tentei fazer piada e até mesmo rir brevemente , mas ele não pegou a essência da coisa.
– Não foi incomodo nenhum.- Elijah pareceu voltar ao normal quando voltou a sorrir com os cantos dos lábios e não com os olhos.- Mas admito que agora quero mesmo saber o motivo que lhe fez vim falar comigo.
Segurei a jaqueta do híbrido com mais força no meu colo , ainda podia sentir o perfume amadeirado que era muito masculino que ela exalava , podia sentir a textura do couro gelado em contato com minhas mãos quentes , trazendo à tona o nervosizo de estar com algo que não me pertencia.
– Eu só gostaria de lhe pedir um mero favor .- Mordi meus lábios o vendo sorrir como se já esperasse por aquilo e também como se já estivesse se familiarizando com a minha presença, o que foi um pouco estranho.
– E que mero favor seria esse?- Perguntou já esquecendo o resto do seu café e seus dois bolinhos que sobraram na bandeja no meio da mesa.
– Creio que alguma hora voltará para a sua casa , aonde acho que mora com o seu irmão Niklaus não é mesmo?- Questionei e ele balançou a cabeça confirmando minhas suposições , porém quando toquei no nome do seu irmão sua postura mudou completamente de relaxado para suspeito. Ele deveria seguir a carreira de policial , pensei debilmente.- Bem só queria pedir que devolvesse isso para ele.
Lhe mostrei a jaqueta segurando na gola com um dedo . Agora foi a vez dele morder os lábios de aparência macia , estreitando os olhos encarando a jaqueta como uma bomba prestes a explodir.
– Aonde ele deixou isso?- Perguntou Elijah ficando com um ar preocupado e não achei que era pelo seu irmão.
– Ele meio que me emprestou ontem.- Respondi sentindo-me acuada sobre sua investigação.- Estava chovendo e eu estava sem blusa de frio , na verdade foi muito cavalheiresco da parte dele. -Comentei sorrindo esperando que ele também fizesse aquilo , e admitisse que seu irmão era muito educado , mas ele não fez.
– Quantos anos tem Ana?- Perguntou mais sério e mais firme como se precisasse chamar minha atenção de algo errado que eu tinha feito , do nada ele me faz pensar que tinha perdido alguma coisa na nossa conversa , será que eu tive um colapso temporal talvez ?
– Vinte e um , mas porque quer saber …- Comecei a perguntar mais ele não deixou.
– Com certeza não é mais uma garotinha .- Elijah me encarou dos pés a cabeça me deixando constrangida , sentir minhas bochechas corarem e engolir em seco cruzando os braços de forma petulante não acreditando que ele me olhava daquela forma.- Desculpe-me foi mal educado da minha parte.- Concedeu-me um pedido de desculpas e um sorriso pela primeira vez nervoso perdendo a posse por segundos.
– Não se preocupe sempre me olham como se eu estivesse há venda.- Acusei zangada.
– Não foi minha intenção Ana , mas você faz o tipo dele.- Avisou o Original sobriamente em um alarde árduo e seco.
– Tipo de quem?- Rebati meio ofendida e curiosa. Elijah pendeu sua cabeça para o lado elegantemente falando sem palavras “Jura que você não sabe?” . Era surreal como seus olhos simples podiam falar tanto sem nem dizer.- Niklaus? -Perguntei achando um absurdo aquela dedução do Original de terno , mas ele confirmou que eu estava certa com um aceno de cabeça.- Oh Deus não! Claro que não!
Percebi que tinha falado um pouco alto demais pois um casal bonito do tipo biscuit de geladeira para terceira idade virou a cabeça para nossa mesa. Esperei alguns minutos e Elijah ainda me encarava sem expressão.
– Da onde tirou essa ideia?- Perguntei em um sussurro não querendo passar vergonha novamente.
– Você é loira .- Apontou o óbvio e o meu queixo caiu literalmente. Ele pareceu se dar conta do que falou pois suspirou fundo ficando com um ar constrangido ( e deveria). — Quer dizer …
– Que eu sou burra de cair na cama do seu irmão?- Perguntei muito ofendida e fula da vida de raiva, peguei minha bolsa na cadeira ao lado que estava vazia e joguei algumas notas na mesa sem olhar a quantia.
– Ana não por favor.- Pediu sobre o dinheiro já tirando a carteira do bolso para pagar como um cavalheiro agora .
Revirei os olhos e me levantei de supetão apertando novamente a jaqueta do híbrido no meu peito.
– Não precisa senhor Mikaelson , não sou tão burra para dever nada ao senhor e quer saber , talvez eu encontre seu irmão na cidade e devolva pessoalmente o que é dele e tire a dúvida de que sou ou não o tipo de mulher para ele.- Falei rapidamente e ele se levantou sério e irritado , mas visivelmente preocupado de ter me ofendido permanentemente.- Passar bem .
– Ana ...- Me chamou mais eu já tinha começado a sair de perto dele e não sentir que ele ia me seguir como Kaleb fez .
Antes de sair de perto pudi ouvir o casal de velhinhos que estava me encarando antes falar.
– Filho que idiotice .- Falou a voz do velho e na minha imaginação o senhor de cabelo branco balançava a cabeça negativamente.
– Vá atrás dela e peça desculpas …- Falava a voz da senhora em tom repreendedor sumindo quando eu bati a porta com mais força do que exigia e me misturava as pessoas no meio da rua tentando andar o mais rápido que minhas pernas permitiam para garantir que não iria ver Elijah Mikaelson tão cedo.
Nossa você notou como isso foi assustador? Perguntou aquela voizinha na minha cabeça depois que comecei a pensar o que tinha acontecido e como as coisas podiam desandar tão rápidas. O que é assustador? Perguntei para min mesma. O fato de você e ele parecem um casal brigando?!
– Oh não , claro que não .- Resmunguei baixinho para min mesma virando uma esquina passando por uma garotinha que segurava a correia do seu cachorro peludo e pequeno com diversão.
Então tá! Mas imagine a reação de Jeofrey se visse você com uma jaqueta de outro homem? Eu devia precisar fazer terapia urgentemente para ficar debatendo comigo mesma . Mas se eu lembrasse bem o rosto de Elijah quando lhe mostrei a jaqueta ele deduziu o pior como qualquer homem faria , e o pior era que eu tinha dormido com seu irmão. E o fato de eu dormir com o irmão dele fez ele pensar que eu fosse apenas mais uma loira clichê que teria mais beleza do que inteligência. Pronto! Novamente eu estava irritada.
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