You Set Me Free_1ª Temporada
27 Divas on the Rise
Notas iniciais
França Dois Meses Antes.
O gosto de chá de menta adocicado queimou minha garganta por um segundo , fazendo-me sentir mais quente. O dia frio era delicioso , infelizmente , meu corpo não aguentava tanto frio. Com o jornal aberto na sessão de cultura eu tomava meu café da manhã , procurando qualquer coisa para fazer no final de semana tedioso.
– Cinema? Museu ?Teatro? – Perguntei olhando por um segundo , por sobre o jornal , os cabelos castanhos claros de Jeofrey que passava as panquecas para seu prato a quase trinta minutos , eu sabia que ele não ficaria satisfeito até ter comido todas.
– Não . – Seu tom de voz calmo e passivo , me fazia imaginar um peteleco em um mosquito. Algo normal, que você nem fazia questão de imaginar porque fazia.
– Sabe se você quer voltar a ser meu namorado , deveria fazer o que eu quero. – Comentei fechando o jornal e voltando para meu pão com queixo derretido pela metade. – É tipo, o protocolo!
Ele riu por um segundo , enquanto eu o encarava brava.
– Eu estava pensando em algo mais suave. – Comentou ele me encarando , seus cílios longos batiam charmosamente dando complemento ao seu sorriso maroto , como um menino travesso. – Que tal a casa em Versalhes? Um banho no lago , com um piquenique , jantar no jardim , terminando a noite em frente a lareira com um bom vinho.
– Uau , olha só quem esta fingindo que é romântico?! – Zombei sarcástica , mas sem evitar o sorriso alegre.
– Eu preciso voltar a ser seu namorado, não aguento mais banhos gelados. –Disso malicioso ,dando de ombros , pegando a jarra de suco para se servir de mais.
– Vou fingir que não ouvir isso Joff . – Revirei os olhos sorrindo duramente.
Ele bufou , como sempre , quando ouvia seu nome diminuído. Rir adorando. Quando percebi que não tinha mais chá , me curvei um pouco , para pegar o bule de porcelana , no meio da mesa , mais Jeofrey em um movimento rápido segurou meu pulso , arrastou sua cadeira e me puxou com força para seu colo. Me debati um pouco no começo , porém logo me rendi aos seus lábios nada suaves. O beijo fervoroso e as mãos bobas dele que passeavam pelo meu corpo me acendeu como uma árvore de natal. Minhas pernas se abriram , quase , automaticamente , para me acomodar melhor em seu colo , sem desgrudar , sentir minha camisa sendo levantada e as mãos geladas dele na minha pele nua , me fizeram tremer e gemer ao mesmo tempo.
Como um soco , a campainha tocou , e eu acordei do momento de entrega total me afastando de Jeofrey.
– Ma Belle est près de trois mois . – Disse ele completamente irritado , puxando os cabelos em total rebeldia .
– Não interessa se faz um ano … Não é a hora . – Declarei ajeitando a blusa ao mesmo tempo que caminhava em direção a porta , arrumando meu cabelo.
Se eu estava sentindo minha pele ainda arder? Sim! Se eu queria poder fazer amor , com meu quase antigo , novo namorado depois de três meses? Oh céus, sim!
Porem nada daquilo importava mais , principalmente naquele segundo , quando abrir a porta e vir Hela , minha antiga tutora. Ela ainda se parecia exatamente como eu a vir pela primeira vez aos cinco ou seis anos. Exuberante e glamorosa , como as primeiras damas que se veem na televisão, com direito a terninhos e tudo mais
– Lady Hela. – Cumprimentei ela formalmente.
– Pequena Anabella. — Seu sorriso pequeno e já conhecido , tomou conta do seu rosto. E como sempre , ela foi direto ao assunto. – Você foi convocada.
– Para quê? – Eu me sentir completamente fora de min , quando falei aquilo , era óbvio que eu sabia o que era ser convocada , todavia minha mente parecia precisar de confirmação , e até meus pulmões precisavam de alguma palavra para , voltarem a respirar normalmente .
– Se casar , com a autorização do seus pais , e de toda a família. – Explicou Hela pausadamente , e pelo segundo , quase vir pena em seus olhos , não era segredo que ela não era feliz com o seu marido , que também era meu tutor .
Sentir minha nuca coçar e olhei para trás vendo Jeofrey nos encarando com uma expressão tão dura e fria , que me fez engolir em seco , o copo de suco que ele segurava em suas mãos caíram no chão se espatifando e sujando o tapete.
Nova Orleans Agora
Ao abrir os olhos na luz fraca , só encontrei um teto cheio de plantas … Plantas. Havia algo de familiar naquilo.Minha mente não estava raciocinando tão rápido , fiquei, o que pareceu minutos , pensando , porque meu quarto teria plantas até no teto. O vento suave ali , me trazia o perfume agridoce de terra , alecrim ,limão e muitos outros que conhecia desde criança.
Tentei me mover , e meu corpo todo reclamou de dor , principalmente meu pescoço . Tive noção naquele segundo aonde estava deitada , uma base dura e áspera .Meus pés estavam um pouco para fora , depois de alguns minuto decidir me levantar e ignorar a dor , tomando impulso conseguir , a muito custo , me sentar. Tudo ao meu redor rodou ,como se ouve-se um pano nos meus olhos . Passei as mãos nos meus olhos esperando nervosamente que tudo fizesse sentindo.
Quando comecei a associar o tipo de lugar aonde me encontrava , a primeira coisa que pensei foi.Eu estava sentada em uma mesa , e o que parecia , horas antes , dormindo.
– Céus. – Resmunguei massageando meu pescoço dolorido , com minhas mãos geladas que me fez tremer.
Passando minhas pernas para a lateral da mesa , pensei em descer , porem , só o pensamento de me mover mais, me doía. Barulhos de passos me chamaram a atenção . Levantei meu rosto na direção de uma porta no fundo do que parecia uma estufa , novamente parecia que eu já estava ali . Tudo ao redor era cheio de plantas , e nas mesas havia tubos de ensaio , e objetos que já tinha lidado antes.
A porta se abriu revelando um sorridente Kaleb . Prendi o ar com a lembrança do que havia acontecido no beco. Eu podia ser forte , mais o medo de estar em uma situação daquelas , aonde eu não sabia exatamente o que podia acontecer , ou , o que estava acontecendo , me paralisou. Com muito esforço , deixei meu rosto sem expressão , enquanto ele se aproximava.
Ao chegar perto , não sentir nada nele , nem mesmo uma gota de magia rondar ao seu redor.
– Bom dia . Trouxe para você. — Disse ele mostrando uma sacola de papel marrom média , aonde , não vendo que eu reagia , a abriu mostrando um copo descartável colorido , o cheiro de café forte chegou até min. – Não esta brava comigo , esta? – Kaleb virou um pouco o pescoço , sorrindo de lado de modo travesso , novamente algo nele me fazia ter a nítida sensação de estar lidando com alguém conhecido , ou só a personalidade familiar.
– O que esta acontecendo? — Cruzei meus braços de forma dura , respirando fundo .
– Ela achou que estava na hora de falar com uma de vocês . – Ele deu de ombros colocando a sacola na mesa , aonde ainda me encontrava sentada , e me estendeu o café , como uma oferta de paz. — Ninguém vai te machucar ok? Só seja essa garota adorável que eu sei que pode ser. — A voz matreira e suave dele me fez suspirar .Ficamos nos encarando por alguns segundos , e finalmente peguei o café.
– Quem é ela? – Perguntei , esperando saber mais , antes de me desesperar completamente. Podia sentir ,mesmo na estufa fria , meu corpo suar de forma nervosa e ansiosa.
– A nova líder das bruxas do French Quarter. — Os olhos claros dele brilharam em algo parecido com falsa devoção , o que foi estranho. – Ela precisa de um favor do seu coven , e ... — Ele levantou um dedo em riste . — E porque não dizer , se apresentar finalmente?!
– Meus amigos pesquisaram antes ... -- Mordi meus lábios de forma nervosa . — Não há líder das bruxas no French Quarter. Nem bruxas direito há!
– Só porque as pessoas não veem , não ouvem , e não acreditem , não significa que não exista. — Kaleb riu , tocando , quase naturalmente demais meu joelho, me retrair tentando não parecer amedrontada. E sua mão se afastou automaticamente quando ele percebeu que eu não queria que ele me tocasse . – Olha vai ficar tudo bem , só tome seu café e não tenha medo.
Não entendi porque ele me encarou tão seriamente e tão persuasivo , quando mandou aquilo , como se esperasse que só por um olhar eu o obedecesse.
– Eu não sou fã de café. – Conversei secamente , colocando meus pés no chão , o salto e toda a roupa que tinha vestido para o encontro com Elijah ainda estavam intactos, mas amassadas. Eu me sentia amassada também e muito abatida. — Mais se você não trouxe suco ... – Dei de ombros , vendo ele morder os lábios de forma irritada , e experimentei o café.
Seu sorriso veio tão rápido que foi de certa forma assustador . Mas logo ele relaxou.
– Venha . – Pediu ele , em uma quase ordem , me oferecendo a mão.
– Vá na frente. – Ignorei sua mão e ele balançou a cabeça deixando de sorrir.
A coragem não é a falta de medo , mais a superação de seus pesadelos. Era meio estranho pensar em frases motivacionais quando se ver a pior cena de terror, no mundo real. Uma onda de náusea e repudio , me fez pensar em abaixar a cabeça ou sair correndo , tá , converso , só pensei em sair correndo. Quando saímos da estufa , descemos uma escada , a escada levou a um quarto , repleto de um cheiro agridoce , de medicamentos e sangue .
A pior parte era cerca de oito macas , como nos hospitais , colocadas umas na frente das outra , assim ficando quatro de cada lado do grande quarto . O primeiro homem que vir , me fez lembrar de um sonho distante , e o famoso Déjà vu , veio a minha mente , eu já tinha estado ali , já tinha visto aquilo em um sonho , aonde acordei gritando e chorando. Mais não podia fazer aquilo ali , não mesmo.
O corpo do homem estava da cintura pra baixo com um lençol , mais seus pés estavam vermelhos , como uma queimadura de óleo quente , aonde o pus pulsava em grandes bolhas . E da cintura para cima , não estava nada melhor. A pele dele , parecia queimada no óleo quente.
– São lobisomens e bruxos , sinto se mentir para você , mas sim , estou mancomunado com lobisomens. Bem , a minha família pelo menos …
A voz de Kaleb vinha de longe , como um rádio fora de frequência , por um segundo vir tudo rodar , a sala , as pessoas , e depois engolir em seco , pensando em como continuar viva.
– Olá. – Uma voz doce e quase infantil , me fez virar todo o meu corpo.
Uma garota , menor do que e com toda a certeza mais nova , me encarava com um sorriso mínimo. Seu rosto era quase angelical , mas seus olhos eram afiados , e profundos. O que tirava toda a inocência que ela podia ter. Seus cabelos eram bem curtos , com uma parte jogada para o lado como uma franja.
Do seu lado , um passo atrás. Uma mulher , de aparência mais velha , me encarava com seus olhos puxados , de forma seca e superior. Sua pele bronzeada e seus cabelos pretos abaixo dos ombros , lhe dava um ar um pouco cherokee.
– Eu sou Cassie , e essa é Francesca. Temos muito o que conversar. – A garota se apresentou , fazendo um gesto simples para sua amiga. E depois deu as costas para min , assim como a outra.
– Acho melhor você seguir elas. – Orientou Kaleb , com a mão na base das minhas costas me empurrou levemente.
A sala pequena , em nada lembrava um gabinete ou escritório , mas a aura sim. Cassie tinha se sentado na minha frente do lado da mesa , depois de segurar a cadeira para min. Já Francesca parecia querer ficar em pé. Ela andava de um lado para o outro , fazendo seus sapatos de grife criar um barulho irritante. Kaleb não se encontrava a vista , mas homens de terno do outro lado da porta aberta , estavam eretos parecendo seguranças.
– Acho que viu nosso problema não é? – Perguntou Cassie , me fazendo a encarar. – Sim você viu. Estamos com esse terrível problema a mais de um mês.
– E? – Soei um pouco mais firme do que eu esperava , me orgulhei daquilo.
– E? Que buscamos ajuda , nos grimórios que temos , em objetos negros , mas só uma poção pareceu ajudar. – Cassie colocou os braços em cima da mesa , cruzando as mãos. – Mas a poção só ajudou no começo , depois eles pioraram , meus aliados, entendo o quanto isso é problemático pra min?
– O que quero entender mesmo, é o que eu ,tenho a ver com isso. – Cruzei meus braços , e as pernas ao mesmo tempo. Engolindo o medo , o mais profundamente possível.
– Não seja tola garota. – Francesca falou pela primeira vez , parecendo mais que irritada. – Seu clã aparece do nada , se alia aos originais , tem a intenção de fazer Nova Orleans , outro lugar para seus negócios. É claro que você não é burra , para não saber poque esta aqui.
– Você vai nos ajudar . – Disse Cassie tão convicta , que lembrava aquelas líderes , que toda mulher anseia seguir.
Atrás dela , eu via pela janela aberta , o céu acinzentado , ganhando um brilho dourado no fundo. O dia estava amanhecendo. Cassie me encarou e por um segundo , a garota exalou tanta magia como a torre Eifel no ano novo .
– O que esta insinuando ? Que eu posso só piscar um olho e dar a solução para seu problema? – Soei tão sarcástica quanto possível. – Ou que eu tenha uma varinha mágica? Desculpa não sou a Hermione Granger.
Cassie suspirou de forma cansada , e pareceu pesar por algo que poderia ou não fazer.
– Se a garota não pode fazer nada , arrancarei a língua afiada dela , que esta começando a me irritar. – Francesca falou quase de forma casual . O que só deixou o clima mais tenso e sombrio.
Engolir em seco , me voltando para Cassie , que tinha novamente um sorriso pequeno no canto dos lábios , seu olhar parecia gritar “ Sei seus segredos , não adianta esconder”. Talvez ela tenha notado o quanto Francesca me assustou , e aquilo a deixou em um estado de conteplação.
– Você entende que somos uma grande família Anabella? Todos que possuem magia , e não só seu coven? – Cassie soava como uma mulher que já tinha passado por todas as fases da vida , que eu ainda sonharia em passar , até tinha um toque de cansaço , como uma boa atriz. – Eu acharia mal educado ter que matar você … – Ela parou de forma dramática e encarou minhas mãos que apertavam com força o encosto da cadeira . – Tão jovem , com tanto potencial. Eu sei a poção para desfazer a maldição … Mas falta algo , e já perdemos três lobos, e um bruxo as experimentando. Me conte e pode ir embora.
– Posso mesmo? – Desafiei encarando os homens na porta ao longe , nos observando atentamente. Depois Francesca que parecia uma negociadora , pronta para tudo. – Porque é óbvio que os homens que estão morrendo , estavam querendo algo em nossas terras , posso saber o que? Se não , não teriam ativado as proteções , se não , não estariam morrendo com um feitiço tão horroroso como aquele.
– É verdade . – Contou Cassie encarando Francesca.
A morena levantou um pouco seu terno na lateral e colocou a mão na cintura , me olhando altiva.
– Eles queriam matar vocês , as garotas , que poderiam ser a escolhida para casar com Elijah Mikaelson , assim acabar com uma aliança futura , ficaram rondando dias ali , agiram precipitadamente é claro. – Os olhos de Francesca por um segundo ficaram ligeiramente amarelos e seus dentes , em um sorriso inumano , apareceram . – Se eu soubesse que uma garota como você seria tão fácil de ser capturada … Bem , não estaríamos aqui.
Sentir meu coração bater mais rápido , pensando em como sair daquela situação com vida. A merda de tudo era que como Cassie tinha realmente falado , faltava um ingrediente para a liberação do feitiço , qualquer sangue puro da minha família , como o meu . Engolir em seco , encarando as duas divas do momento na minha frente , imaginando aonde me encaixava ali.

– Um feitiço de magia negra , como aquele , requer algo não é Bella? Posso lhe chamar assim? – Cassie se levantou e se sentou na mesa a minha frente , ela era pequena e magrela , sem muitos atrativos , principalmente com um vestido longo e largo como aquele. Não respondi sua pergunta. Ou prefere Ana? Me ajude sim? Eu posso ser uma boa aliada , principalmente por seu terrível infortúnio de ter que se casar com um vampiro. Só pra quê? Dar mais poder ao seu coven …
– Minha família . – A corrigir de forma brusca. – O que garante que você não me matará depois de eu te ajudar?
– Isso. – Um click e um olhar duro de Francesca , me vez ver a arma de fogo prateada , apontada para min. Francesca sorriu presunçosa e orgulhosa. – Nos ajude, ou você morre, tipo , agora.
Respirei com dificuldades , sentindo também meu rosto congelar. Eu nunca pensei muito em como morreria ,mas o fato era que eu não queria morrer , não daquele jeito. Pensei em fazer qualquer coisa , mas antes de pisar olharia para o chão , me deixaria levar para saber o que estava começando a acontecer em Nova Orleans. E bem , os homens , independentes de serem inimigos , mereciam ajuda. E só de lembrar nos lobos que morreram naquele ataque quando tinha chegado , me dava anseio pela paz. Eu não queria lutar de novo , talvez não naquele momento. Mas me preparei.
– Pare Francesca , eu disse que cuidaria das coisas e vou! – Exclamou Cassie irritada. – Ela vai nos ajudar.
Tomei uma decisão naquele segundo , eu ia dar a volta por cima , mas antes , teria que cair. E engolir meu orgulho. Evitaria usar minha magia até que eu não tivesse mais opções.
– Meu sangue . – Sussurrei , ouvindo as palavras saírem da minha boca, quase, sem consentimento.
– Só isso? – Perguntou Cassie , fazendo com um gesto de mão , a arma de Francesca voar para longe.
Cassie sorriu , e tocou levemente meu rosto , como um gesto de carinho, não conseguir me mover , mas me contrair interiormente. Falei novamente que era só sangue que era necessário , e ela se afastou sorrindo amplamente.
– Boa garota. – Foi tudo que ela disse, a dor aguda na minha cabeça me desorientou , e mesma sensação de antes de cair no sono pesado me tomou.
Minhas pálpebras pesaram , e meus olhos se fecharam sem a minha permissão.
Fale com o autor