You Set Me Free_1ª Temporada
16 Night Perturbed
Notas iniciais
A coisa mais boba era saber que não era um encontro e mesmo assim era , mas sem o efeito da palavra romântica. Não sabia se devia esta ali mas uma hora atrás estava deitada na cama olhando minhas unhas , não tinha nada o que perder . A não ser sua vida. Sussurrou aquela voizinha paranoica na minha mente.
Mesmo assim não evitei me arrumar um pouco para sair , com um vestido preto colado sem decote na frente , mas com as costas nuas e os cabelos em cachos até abaixo dos ombros , e uma maquiagem leve achei que acertei quando entrei no Laffite's , aquela noite timidamente.O bar que Klaus tinha falado.
Era um espaço grande e aconchegante com uma banda de Blues tocando suavemente no palco e casais multi-raciais dançando colados em uma pista de dança , o clima exalava a uma saída calma com os amigos, pena que estava sozinha.
– Senhorita Anbella.- Falou a recepcionista para meu espanto me reconhecendo ( não sei como) quando me aproximei da pequena recepção , ela era alta e bonita.- Venha comigo por gentileza.
Aquilo era muito bizarro , mas me lembrei que vampiros podiam hipnotizar as pessoas então a seguir passando por um bar de ouvintes atentos que ficavam se remexendo no acento. Logo o vir se levantar de uma mesa afastada com um banco privado em forma de meia lua digno dos anos sessenta, ele usava roupas casuais , mas não menos elegante.
– Eu assumo daqui, nos traga alguns petiscos e uma garrafa de vinho tinto .- Mandou Klaus olhando para a recepcionista que balançou a cabeça saindo de vista, depois me encarou sorrindo charmosamente e pegou minha mão dando um beijo na palma.- Esta linda Bella . Posso lhe chamar assim ou prefere Anabella ou Ana?
– Bella esta bom.- Falei dando de ombros e ele segurou minha mão passando o polegar em círculos ao mesmo tempo que me empurrava suavemente para a mesa aonde me sentei do lado direito e ele do lado esquerdo , mas na mesa ficamos praticamente no meio da meia lua.- Não sabia se você ia estar aqui.
– Eu não falto com um compromisso , principalmente um tão bom.- Respondeu me fazendo balançar a cabeça negativamente com um sorriso.
Dispensando claramente seus gracejos.
– Não me diga que é daqueles homens que falam o que pensam sem filtrar as palavras?- Perguntei esperando que a bebida chegasse logo para eu não ficar tão envergonhada como estava.
– Pelo ao contrario , sempre penso antes de falar , mas diferente de alguns não temo falar o que penso.- Klaus sorriu de lado e depois pegou sua bebida que devia ser vodca pelo cheiro forte e encarou a banda que terminava uma música , depois aplaudiu animado.- Uma das melhores bandas de Blues de Nova Orleans. Você gosta de Blues?- Perguntou se voltando para min.
– Sim gosto , também como Jazz e Rock , sou bem eclética.- Respondi olhando para os lados , ninguém parecia sequer nos notar e a luz fraca só vinha de luzes no teto amarelada fazendo o ambiente ficar um pouco nas sombras , todavia ninguém parecia se incomodar.
– Elijah é fã de opera francesa.- Me contou em um sussurro como um segredo.
– Porque me conta isso?- Perguntei franzindo meu cenho.
– Talvez porque no futuro precisará puxar conversa com ele.- Klaus sorriu maliciosamente colocando duplo sentido em suas palavras.
– Seu irmão não é o homem mais fácil de conversar.- Apontei rendida cruzando meus calcanhares embaixo da mesa e inclinando meu corpo mais confortavelmente no banco.
– Talvez seja verdade , mas Elijah não é o assunto que eu gostaria de tratar contigo hoje.- Klaus olhou para os lados e eu seguir seu olhar vendo uma garçonete trazendo uma bandeja de prata com petiscos e uma garrafa antiga de vinho e duas taças de cristais.
Klaus me serviu elegantemente . O vinho era dos bons e antigos , meu preferido ,se não me controlasse iria acabar bêbada o que era uma péssima ideia.
– E qual é o assunto que deseja tratar?- Perguntei mais relaxada.
– É óbvio que eu quero cobrar o favor de ajudar você outro dia.- Ele levantou o dedo em riste quando percebeu que eu ia falar algo. Klaus falou de um jeito calmo e exorbitante.- Mas não significa que não pode ser um acordo benéfico para ambos os lados.
– Você quer uma aliada.- Disse sem saber como me segurar mais. Estava um pouco confusa mas obviamente acertei quando ele falou mais firme e até um pouco assustador.
– Sim love , e eu já tive uma cota bastante grande de aliados traidores para não ficar com o pé atrás com suas irmãs. Waleska e Briana.- Seus olhos ficaram afiados e eu fiquei tensa sentindo a atmosfera ficou pesada.- Mas lidar com elas não parece ser o mesmo que lidar com você.
– Porque?- Eu era uma bruxa e não me sentia confortável dele falar das minhas irmãs daquele jeito.
– Porque você me deve uma.- Klaus deu de ombros e voltou a beber sua vodca deixando de lado o vinho e a taça limpa.- E eu devo uma a elas. Pode ver a diferença agora?
– Uhn ….- Fingir pensar e dei um sorriso inocentemente irônico.- Não sei ...Me ilumine? Ou acha que eu sou burra para não ver o óbvio?
Ele riu suavemente e chegou mais perto colocando sem pudor as mãos atrás do meu ombro fazendo seu corpo ficar quase sobre o meu. Me sentir mais que encurralada quando seus olhos me prenderam de um jeito desconfortável.
– Não acho que seja burra.- Seu hálito banhou minha bochecha e nariz me fazendo respirar mais lentamente possível porque se não dividiríamos o mesmo ar. — Acho que só precise de um tutor que te ensine como lidar com Nova Orleans para sair ganhando. — Ele segurou meu queixo quando desviei os olhos para seu colarinho cheio de correntes hippies.- Com os seus poderes e seu lindo rosto e a possibilidade de entrar na minha família , acho que nos daremos bem.
Respirei fundo sentindo meu coração bater mais forte e segurei sua mão que apertava meu queixo delicadamente a tirando com um grande esforço.
– Não preciso de um tutor que leu a coleção completa de Maquiavel.- Disse exitante sentindo minha garganta se fechar. Ele ainda me encarava e em algum momento tinha enrolado com um dedo uma mexa do meu cabelo a rodando sem parar.- Se deseja ser meu amigo tudo bem , mas não sou usada ou pisada por ninguém. Quer um favor? Ótimo eu farei. Mas não espere confiança da minha parte se você não se mostrar confiável.
O sorriso que Klaus abriu foi o maior que eu já o tinha visto , seus dentes ,com toda certeza afiados ficaram a mostra e sadismo não era a definição mais apropriada para aquela expressão. O híbrido para minha alegria saiu daquela posição de praticamente me esmagar contra o banco e meus pulmões receberam o ar que eu estava necessitando dançando tango.
– Eu não me lembro de te contar a história sobre os anéis da lua.- Falou mais pra si mesmo enquanto eu sorvia o resto do vinho na minha taça.
– Pois conte-me.- Pedi curiosa me perguntando se seria muita falta de educação dizer que ia ao toalete e fugisse pela janela. E se ele perceberia. Mas a curiosidade venceu aquela plano insano.
– São doze anéis ao total , pra doze lobisomens ligados diretamente a min.- Klaus dessa vez não se serviu da garrafa de vodca que estava na mesa . Pegou o vinho voltando a encher minha taça e fez o mesmo com a dele.- Quando um lobisomem não se transformam pelo feitiço do anel eles pegam meus poderes durante o ápice da lua.
– Caramba.- Sussurrei em choque entendendo um pouco a complexidade da situação e ele assentiu com a cabeça para confirmar que complexo era pouco o que acontecia.
– Acredite não é agradável .- Klaus bufou em completo ódio.- Eu pensei em acabar com eles ,mas você disse algo sobre não ser uma boa ideia , antes de continuar quero saber porque disse aquilo.
Ele me encarou e me sentir completamente exposta.
– Bom .- Mordi os lábios exitante.- Acho que vou ter que contar um pouco sobre min se você quer entender o que pensei na hora.
– Por favor conte-me.- Pediu ele curioso se tornando novamente agradável.
– Quando eu tinha quase quatorze anos eu não gostava de me sentir trancada.- Encarei as últimas gotas de vinho na taça e deixei ela de lado me policiando para não beber mais.- Minha Ama de criação não aceitava bem minhas escapulidas e fez um feitiço ao redor da casa que me impedia de sair.
– E você obviamente desfez o feitiço.- Apostou Klaus alto demais ao meu ver, ou queria só me agradar mesmo.
– Ah não , não conseguir quebrar o feitiço era muito antigo e forte e bem , eu era nova.- Continuei contando a história sem me abalar.- Mas como eu disse não gostava de me sentir trancada , principalmente quando você fica um mês em uma casa sem ver o mundo ao redor. Então um dia fiquei muito zangada e minha Ama deixou um brinco cair nos corredores. Antes de devolver pra ela eu liguei ele a min , roubando assim a energia dela.
– Como os anéis da lua fazem comigo?- Perguntou ele chegando mais perto de novo.
– Sim como os anéis , na verdade não acho que seja igual porque deve ser muito complexo … Todavia parecido.- Deixei claro minha opinião.- Hela é o nome da minha Ama. Não era burra e obviamente quando eu sair do “campo” mágico usando sua força vital ela notou e reverteu a situação.
– Reverteu?- Klaus massageou as palavras fazendo seus lábios rosados serem umidificados por sua língua ele encarou o além pela primeira vez.
– Sim , em vez deu ficar mais forte me sentir mais fraca e perdida seguir meus instintos.- Me lembrava enquanto falava passos pesados me viam a mente , meu coração levantando um peso exorbitante.- Quando eu voltava pra casa , cada passo me fazia me sentir melhor até que a única solução foi pedir desculpas e ela reverteu o feitiço o desfazendo completamente. Mas eu juro que a maldita ficou dias com mais da minha energia.
– E como se pode reverter uma ligação?- Klaus mexeu no seus bolsos e tirou uma carteira do bolso pagando a conta.
– Bom eu teria que pesquisar , acreditando é claro que é esse favor que você quer de min.- Ele assentiu com a cabeça e fiquei meio tensa quando ele segurou meu braço e me levantou sem problema nenhum. Peguei minha bolsa de mão rodeando a cortinha ao redor do meu pulso ficando confusa.- Já vamos?
– Sim preciso te mostrar uma coisa.- Klaus segurou minha cintura me fazendo andar mais rápido depois de pagar a conta. Passamos pela porta e o vento morno e salgado tocou meus braços.
A rua estava agitada e meus passos tentavam o acompanhar.
– Dar pra ir devagar.- Pedi mimadamente o fazendo rir.
Klaus me guiou até um beco escuro e em segundos me levantou me segurando nos seus braços no estilo noiva , segurei um grito de terror rodeando meus braços ao redor de seu pescoço e ele pulou para cima do prédio como um gato faria . Mas não tão rápido.
– O que você esta fazendo?!- Perguntei sem resposta.
Ele pulou novamente mas agora para o prédio próximo sem nenhum barulho. Fechei os olhos tentando não ter um ataque que me faria debater em seus braços e depois eu cairia. O vento assoviava ao meu redor enquanto me agarrava na sua camisa fazendo minhas unhas se cravarem na sua pele.
– Ok sei que sou irresistível mas agora pode me soltar.- Falou a voz dele divertida me colocando no chão mas não conseguir o soltar.
– Você é maluco.- Acusei me sentindo tonta quando me soltei o vendo rir zombeteiro da minha atitude normal ao meu ver.
– Um pouco.- Ele apontou um dedo para a frente e seguir ele vendo uma casa ao meu ver normal com uma grade enorme de proteção e câmeras por todos os lados , estávamos embaixo de uma árvore.- Eu tentei entrar lá , mas um feitiço não deixou.
– E você quer minha ajuda? Pera ai! O que tem lá dentro?- Perguntei me segurando na árvore para me estabilizar porque minhas pernas ainda tremiam.
– Lobisomens Guerreira , também conhecidos como Correia.- Klaus colocou uma mão em tronco em cima da minha cabeça fazendo ele ficar sobre min , sua voz era baixa e eu precisava me concentrar pra o ouvir.- No começo eu queria que você me ajudasse a entrar lá sim. Mas agora preciso saber se você pode reverter a ligação dos anéis da lua que a maioria dali usam. Acha que pode fazer isso?
– Acho que sim .- Mordi meus lábios pensando nas probabilidades do caso.
– Acha ou pode? Não gosto de meios termos.- O loiro parecia uma versão até carismática de uma cobra prestes a dar o bote de descontentamento.
– Sim eu posso.- Não sabia aonde me metia ao pronunciar aquelas palavras. Mas talvez como Dimitri tinha tido eu precisava saber aonde pisava.
– Temos um acordo.-Klaus acertou todos os acertos de um contrato imaginário falando aquela frase.
– Porque me trouxe até aqui?- Perguntei não entendendo.
– Ainda preciso entrar, e acho que talvez precise de um objeto para trabalhar não é mesmo?- Perguntou olhando para a casa.
– Você sabe muito sobre feitiços.- Cruzei os braços pensando que uma boa noite de encarar minhas unhas era tentadora naquele segundo que o sorriso megalomaníaco que ele deu me fez tremer dos pés a cabeça.
– Já disse lidei muito com bruxas.
Os próximos quinze minutos da minha vida foram os mais longos e curtos que já tinha vivido. Sim não fazia sentindo , pois quando desfiz a proteção ao redor da casa Klaus entrou e me disse pra esperar ele na árvore perto da casa dos Guerreira.
Como eu daria tudo pra voltar no tempo , mas exatamente mês passado aonde meus problemas se resumia a estudar e lidar com Jeofrey.
Uma explosão alta fez meu coração saltar e alarmes de carros serem ativados, também me fez colocar minhas mãos nos ouvidos que zuniam incomodamente.
– Que merda é essa?- Me perguntei me encolhendo mais atrás da árvore.
Passos pesados quebraram galhos perto de min e o híbrido estendeu um anel de prata com uma pedra preta. Exitante o peguei e vir a Ametista vedada em magia brilhar na pouca luz.
– Não é um diamante mas a diversão foi garantida.- Klaus bateu a poeira da jaqueta e notei em choque o sangue manchar sua camisa na altura do peito.
– Céus você tá ferido!- Exclamei em choque ouvindo sirenes distantes se aproximar.
Ele franziu o senho e acho que também ouviu porque me segurou pelos ombros e me guiou até o final da rua.
– Não é nada demais , só havia um Guerreira na casa , e ele era forte , logo estarei curado.- Esclareceu despreocupadamente divertido , seus olhos brilhavam em excitação e prazer.- Franchesca vai ficar doida quando saber.- Ele soltou uma gargalhada maquiavélica .
Não falei mais nada e não respondi. Ele havia acabado de matar um lobo e com a minha ajuda. Aquilo me deixou … Não sabia como me deixou , mas o bile subiu pela minha garganta e agradeci aos céus que não tinha jantado se não vomitaria quando ele me levou por sobre os telhados e depois até meu carro. O Anel da lua obviamente masculino só coube no meu dedão. O perder não era uma opção por isso o apertava dentro do meu punho. Perdi a noção do tempo e voltei quando Klaus abriu a porta do meu carro cavalheiresco.
– Acha que esta bem para dirigir?- Perguntou olhando os carros que passavam quando eu entrei no banco do motorista.
– Você não se importa então não precisa perguntar.- Disse tendo noção de como pareci rabugenta ao ligar o carro.
Quando voltei a encarar ele estava sério e com a testa franzida claramente confuso com o meu estado de humor.
– Uhn … Talvez seja melhor eu te levar.- Propões ele a si mesmo , porque não sentir que ele falava comigo ou me via como pessoa.
Talvez aquele pensamento fora o primeiro verdadeiro que eu tive desde que deixei o charme dele me induzir a fazer coisas como o ajudar.
– Não precisa , amanhã é o ritual e eu preciso ir logo … Descansar.- Disse esperando a reação que meu cérebro estava começando a associar a Niklaus Mikaelson , um sorriso .
– Ah claro que precisa , Elijah esta ansioso e você?- Perguntou ele colocando as palmas da mão da janela.
– Não muito , eu vou trabalhar no feitiço e nos vemos depois certo?- Fingir cansaço e ele assentiu com a cabeça.
– Nos vemos depois sweet.- Klaus sorriu satisfeito e se afastou do carro me observando rodar o volante e acelerar para longe dele.
Ao voltar pra casa tudo que eu pensava era que ficava feliz que Niklaus não era o escolhido para o acordo de casamento. E até o conhecer melhor , garantiria que ficaria mais longe possível dele.
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