Notas iniciais
Guardando as pedras, em 3, 2, 1...... Sério gente, vamos com calma, vamos com calma xD Já faz um tempo que eu não posto cof cof, mais de um mês, admito, mas sinceramente eu espero um pouco de compreensão. Minha vida anda tão corrida, e a falta de tempo, combinada ao desanimo para escrever me assolou como uma sombra de um chupa-cabra! *Aqueles seres que sugam a 'vida' da gente* O fato, é que eu não conseguir escrever, juro, juradinho, por semanas! Estava ficando desesperada, porque vejo que a fic estar sendo visualizada, quando lembro de entrar no Nyah... Sacam? Então, depois do desanimo, vinha a forte vontade de jogar tudo para o alto, e deixar a fic em "Hiatus" permanente, e parti para outra coisa... mas, eu não farei isso, me decidir, e quando me decido, saim da frente. Eu preciso terminar essa fic, porque se começar a parar quando as coisas estão difícil, nunca mais termino nada. Então, cá estou, esperando que vocês me perdoem, de mil e uma maneiras, e que compreendam que todo escritor tem uma faze negra. Então... Nesse capítulo, vamos ter um pouco da Isís pertinho de Mystic Falls, e muito da Bella em NOLA! :) Estamos de volta bitches! Boa leitura!

Em Denver — Whitmore...

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Galhos sem folha se entrelaçavam acima da minha cabeça. O cheiro seco de poeira das folhas caídas faziam cócegas no meu nariz. A pilha de tijolos que formava o bloco aonde estava a torneira da mangueira, que eu usava, estava barrando meu calcanhar, e a torneira aberta até o talo, enquanto eu regava as plantas do jardim, e esperava que as sementes de lírios, crescessem logo. Talvez, se eu pelo menos trabalhasse em um feitiço noturno, agilizasse meu trabalho.

Terminei de regar as plantas, o que eu tinha feito todas as manhãs, e entrei novamente na mansão Whitmore, para me trocar e ir para o curso preparatório de medicina.

Não via a hora das aulas, de verdade, começarem, e pelo menos a casa se encher de pessoas, cada rangido de madeira, me deixava um pouco nervosa, principalmente quando ele não estava tagarelando no meu ouvido.

Subi dois lances de escadas, até chegar ao meu quarto, e começar a tirar algumas roupas que eu tinha lavado dois dias antes, havia passado também, transformando o guarda-roupa de correr, meu santuário obsessivo, assim, como examinar o celular de uma e uma hora, para esperar ver se uma mensagem de Bella, minha irmã mais velha, tinha chegado, depois de dois dias, que a última informação sobre ela, e sua preocupação me tocou.

Balancei minha cabeça, espantando aqueles pensamentos, e apertei um pouco mais, meu rabo de cavalo.

Desci novamente, já arrumada, e entrei na biblioteca, aonde eu passava minhas noites, e esdruxulamente as tardes também. Peguei os livros preparatórios, que a doutora Laughlin havia-me mandado comprar. Eram pesados, e tinham cheiro de tinta e folhas novas. Havia, porém, marca-texto em várias páginas, que eu li. Os abracei, contra o meu peito, e puxei um pouco a alça da minha bolsa, antes de sair da mansão. Parei na varanda, e comecei a girar a chave na maçaneta, para trancar a porta... Foi quando eu sentir. Cheiro de biscoito de mel e chocolate, gel incolor, e um toque de sabonete de algodão, que fez minha boca salivar.

Tentei segurar meu grito, quando me virei, lembrando perfeitamente bem, de estar sozinha segundos antes. Então sufoquei uma lamúria, e empurrei com a palma da mão, o peito largo que tremia pelo riso alto.

— Que inferno, Kai! Odeio quando você banca o homem invisível. — Briguei, o empurrando novamente, agora, para sair do meu caminho.

— Tecnicamente... — Ele gargalhou novamente, uma risada meio latida que as vezes, principalmente quando estava escuro, me dava arrepios. — Eu estava invisível. — Bufei, revirando os olhos, passando por seu ombro, para descer as escadas pequenas da entrada. — Não me ignore... — Pediu ele, ainda com aquela voz animada, passando por mim, andando de costas, enquanto me encarava com as sobrancelhas erguidas, e um brilho de rapina nos olhos que me lembrou uma serpente. — Parece que sua irmã, ainda não dar notícias, em?

— Não acho que isso seja da sua conta. — Resmunguei de bate-pronto, tentando soar firme e sarcástica, mas se os meus ouvidos notaram o toque nítido de melancolia na minha própria voz. Eu não tinha chances contra o bruxo. — O que você quer? — Perguntei, começando a andar pela calçada limpa, sentindo o sol ameno na minha pele.

— Mudando de assunto em? Boa jogada! — Parabenizou Kai, como se me conhecesse, e infelizmente, ele me conhecia já um pouco. Ele se virou rapidamente, em um círculo ligeiro, andando agora, ombro a ombro comigo, ou apenas no meu lado, já que ele era maior, bem maior do que eu. — Eu preciso saber... — Seus lábios se apertaram, e estalaram, e notei como suas bochechas ficaram cor de pêssego, não seria nada notado se eu não estivesse tão perto do garoto pálido, e aquilo aguçou minha curiosidade. — Você tem um vestido legalzinho?

— Em? — Guinchei com uma careta, demostrando confusão.

Ele tossiu, e riu sem graça, depois coçou entre as sobrancelhas fartas, ignorando me olhar.

— Eu preciso ir a uma festa... — Ele riu novamente, baixinho, e olhou para o outro lado da rua. Alguns carros passavam por ali, mas a época de férias, tornava Denver uma cidade meia deserta. — E achei que seria legal, não ir sozinho...

Dois mais dois, era uma equação simples, e como um estalo, eu o interrompi.

— Está me chamando, para ir á uma festa? Com você? — Minha voz saiu mais ultrajada do que eu deveria demostrar, mas sinceramente, eu achava que Kai não tinha se expressado da melhor forma.

— Deus! — Ele ergueu as mãos para o céu, e bufou antes de me encarar com um tiquinho de raiva. Lá vinha sua bipolaridade. — Você mal me deixa terminar... — Exatamente como uma cobra, ele moveu seu braço, e tomou meus livros das minhas mãos, para leva-los. Pensei em retrucar, mas realmente estavam pesados. — Não é um encontro, mas uma festa de “Boas vindas” para uma... — Ele pensou por um momento, mordendo o interior da sua bochecha. — Conhecida, que voltou a pouco tempo e ... — Ele coçou a garganta envergonhado, e irritado, estranhamente, consigo mesmo. — Não é minha fã.

— Uau. — Levantei minha mão, pedindo para ele parar de falar. — Você, pelo menos, foi convidado? — Perguntei, pausadamente, como se temesse os olhos afiados do bruxo.

Kai gruiu, e encolheu seus ombros. Ás vezes, eu podia jurar que ele mal sabia disfarçar seu desagrado, e estranhamente, aquilo era o melhor dele. Ao meu ver. Não saber fingir irritação, tristeza, e raiva. Durante um pouco mais de um mês, vivendo em Denver, me acostumei com as formas como o rosto daquele pálido bruxo, tinha a capacidade de passar tantos sentimentos... Me deixava até zonza. E nervosa, minimamente nervosa.

— Não, não fui, okay?! — Exclamou realmente zangado, e com toda certeza, com ele mesmo. — Mas, eu preciso pedi desculpas a ela! E dizer que sinto muito! — Ele praticamente gritou as últimas palavras, com a testa franzida, e o rosto vermelho, ele mal respirava. — Eu sinto muito...

Uma gotícula de suor, na base da sua orelha, escorregou. E eu mal tive tempo de avisá-lo para se controlar, quando a luz de um poste, dois passos a nossa frente, antes apagada, se acendeu, e depois explodiu. Segurei um grito, e pulei para o lado, com o coração pulsando dolorosamente.

— Kai! — Gritei seu nome, enquanto ele olhava para os caquinhos da lâmpada, e só para confirmar, dei uma checada ao nosso redor, não vendo ninguém por perto, felizmente. — Kai, respira. — Segurei em seu ombro, e o balancei com força, até ele voltar a piscar, e tomar uma longa golfada de ar, gradativamente, seu rosto perdeu aquela tonalidade vermelha que cobria até suas orelhas. — O que está acontecendo?

As intensas sobrancelhas dele, se juntaram, enquanto vincos eram apertados na sua testa. Ele então me encarou firmemente, parecendo se lembrar do fato, de que eu estava ali.

— Eu... — Ele mordeu os lábios, e voltou a andar, fazendo meu braço cair na lateral do meu corpo. O seguir com passadas rápidas, já vendo o campus por perto. Então, ele parou, e seu cabelo preto brilhoso e denso, foi coberto pelo sol brilhante, fazendo as madeixas parecerem estranhamente azuladas. — Preciso pedi desculpas para ela. — Contou como um segredo.

Pensei em todas as vezes, naquele mês, que achei que gostaria de ficar sozinha, apenas me dedicando ao meu futuro. Aos livros. E, quando não conseguia apenas ouvir mais minha própria respiração, Kai aparecia, com suas falas cheias de humor-negro, ou piadas inapropriadas, e o jeito que ele adorava a internet, era tão irritante, que se tornava divertido.

Achei que quando Bella, havia me pedido para ser amiga do líder da Gemini, apenas estava me dando uma obrigação, como todas as pessoas tinham no meu coven, mas, com o tempo, Kai se tornou um amigo, e confesso, o único que eu tinha ainda, alguém que quebrava a tensão e pânico, de morar em uma cidade nova.

— Okay... — Suspirei fundo, e voltamos a caminhar, lado a lado, como ele fazia algumas vezes por semana. — Eu vou com você, e te ajudo a pedi desculpas para uma garota... — Levantei a mão gesticulando.

— Uma bruxa. — Explicou, me corrigindo. Voltando a ficar bem sossegado, sorrindo lateralmente, até uma covinha aparecer. — Ela é uma bruxa, Bonnie Bennett.

Dei de ombros, porque achei que fosse meu máximo ali. Peguei meus livros de Kai, ouvindo ele falar que ia me buscar as oito, para irmos até Mystic Falls, aonde seria a festa de boas vindas.

— Tá, então nos vemos depois. — Garantir, com um aceno de despedida.

Então, já me afastando, Kai me chamou, e me fez girar o pescoço, para saber o que ele queria.

— Use um vestido bonito, sim? — Pediu, mais mandando, olhando descaradamente minhas pernas, nas calças jeans que eu usava, com uma sobrancelha levantada. Abrir a boca abismada com a ousadia. — Você parece ter belas pernas.

Rangi os dentes, e ele riu, voltando a sua alegria habitual e bipolar.

— Cretino. — O xinguei, e voltei a andar mordendo meus lábios, quando ouvir a risada alta, meio latida do meu amigo. Minha vontade era volta-me novamente, e o xingar bravamente. Mas, eu não tinha tempo.

Em New Orleans...

Acordei cedo demais, com a cabeça latejando de dor, meus músculos travados e doloridos, por todo o corpo. Minhas costas pareciam barras de ferro retorcido, e tinha algo errado com meu braço esquerdo... Porque minha cabeça estava sobre ele, o transformando em um peso morto, que fervilhou como agulhas quando eu tentei mover meu dedos. Eu suava pelas pernas e coxas, mas, o vento que vinha da janela enorme, que dava para o rio, fez eu me esfriar, quando empurrei o cobertor com meus pés. Era estranho, eu nunca dormia de cobertor se fosse possível, apenas lençol enquanto o aquecedor fazia todo o trabalho, e agora o peso extra era como uma segunda, e quinta, pele.

Ouvir uma movimentação, a provável causa de eu acordar, e me levantei segurando minhas costas, como uma velha com medo de o osso da coluna se quebrar, ou algo assim. Com passos lentos, enquanto eu coçava os olhos, empurrei um pouco mais a cortina, que impedia o sol seco entrar, e vir algumas pessoas caminhando na frente do prédio de Marcel. Sentir fagulhas, de pura eletricidade, ondular por meus poros, e me acordar completamente, quando me toquei que eram bruxos.

Os vampiros, pareciam proteger a porta da frente da entrada do galpão de Marcel, e o próprio vampiro negro apareceu, como um elegante movimento fluido e rápido.

Vir Josephine Larue, dando um passo a frente, e Marcel exclamou algo, acalmando os seus, enquanto tratava com a mulher de duras feições. Acho que cocei os olhos, por um tempo longo demais, quando Rebekah... Não, o corpo que Rebekah possuía, apareceu, e os bruxos pareceram ter ela como seu objetivo, eles deram um passo para frente, e agora Elijah aparecia, como um flash rápido e elegante.

Acho que deveria ter me movido, e ido até lá também, como apoio, ou só saber o que estava acontecido... Mas, só pensar em andar, me sufocava, assim como o fato de uma costela, a minha direita, começar a arder como uma queimadura viva.

Esperei alguns segundos, e Elijah falou algo, fazendo Josephine assentir com a cabeça, e voltar ao seu caminho com suas bruxas que exalavam poder. Marcel chamou os seus vampiros, gesticulando para eles entrarem no galpão, aonde eu sabia possuir quartos no subsolo. Como tocas...

Elijah, talvez sentindo meu olhar, ergueu a cabeça, e inclinou a cabeça em minha direção me observando. Me segurei com uma mão aberta, na parede ao lado da janela, e com força, me empurrei dali, voltando ao quarto.

Esperei, menos de dois minutos, sentada em uma cadeira baixa demais, com encosto alto e fofo, e segurei minha costela direita, imaginando porque ela pinicava e doía tanto, quando meu marido apareceu.

— Você teve febre, pela madrugada, tem que descansar. — Sua voz amena informou, não conseguindo barrar a preocupação evidente ali.

Certa emoção, fez algo doce correr pelas minhas veias, algo que aplacou a dor um pouco.

— Eu estou bem. — Apertei meu joelho com minha mão, que não descansava na costela direita, e o encarei fixamente, com um sorriso pequeno, e não duradouro. — O que foi isso lá fora? — Perguntei um pouco preocupada, apontando com o queixo a janela.

Elijah suspirou, já na minha frente, e eu podia sentir sua perfume e limpeza, em cada centímetro do seu corpo, e roupa. Seus cabelos estavam brilhosos, com um pouco de gel neutro. Sua gravata, hoje, era negra, em contraste perfeito com a brancura excessiva da camisa branca de botões. Ele se ajoelhou nos calcanhares, e tocou sua mão gelada na minha testa. Eu estremeci, e tirei sua mão com um tiquinho de força, da minha pele que parecia sensível.

— Acho que devo chamar um médico. — Disse ele, mas para si mesmo.

Bufei achando graça, e cobrir a boca quando tossi me encolhendo, agora, pelo vento que entrou mais forte.

— Vou me sentir melhor depois que tomar um banho. — Decidir séria, ficando corajosamente de pé.

Mordi os lábios, para evitar uma careta de dor.

— Anabella. — Ele falou meu nome, como um aviso, que eu ignorei quando entrei no banheiro, fechando a porta atrás de mim.

Mesmo sua preocupação sendo tocante, e elevando meu ego um pouco, eu precisava tirar algumas conclusões sem ele. Sentindo o frio do azulejo escuro sobre as plantas dos meus pés, caminhei até o final do banheiro, vendo o espelho de corpo todo, refleti a bagunça que estava meu cabelo, e camisola branca antiga que usava. Puxei aquelas mangas cheias de rendas, as abaixando pelo ombro, e encontrando um dos laços das costas, o desenrolei ate que o pano ficasse tão leve quanto uma pluma, caindo nos meus pés.

Coloquei meu antebraço no meu seio, tampando um pouco aquela nudez, e vir a tatuagem entre a base da minha coluna direita. Era tão bonita quando eu me lembrava, em tonalidades azuis e verdes, desenhando uma parte do meu corpo. Só havia algo de estranho nessa parte, e eu odiava admitir aquilo. A tatuagem estava avermelhada, e as runas, tão pequenas, e quase invisíveis que estava desenhada nas penas do apanhador, pareciam pinicar e ondular. Seria um truque de ótica para tolos, mas algo profético para quem conhecia os sinais.

Tinha algo errado em meu corpo.

...

Sair do banheiro, me sentindo um pouco melhor, quando selei algumas runas da minha tatuagem. E mais viva pelo banho que relaxou minha tensão. Coloquei uma roupa um pouco aquecida, querendo não deixar que Elijah se preocupasse mais.

Sentir o cheiro de chá pela cozinha, assim que desci, e o vir cortando um limão para colocar uma rodela na minha xicara. Tínhamos um timing tão perfeito as vezes, que me desnorteava.

— Vai me contar, o que ouve lá fora? — Indaguei, não me esquecendo da cena de meia hora atrás.

Me sentei na cadeira alta, em frente ao balcão, e aceitei com um sorriso o chá quente de erva-cidreira e limão.

— Duas crianças... — Ele suspirou antes de continuar, colocando uma palma da mão aberta sobre o balcão, e a outra na cintura, depois de afastar o terno. — Uma morta, e outra desaparecida no Tremé, hoje de madrugada.

Sentir o chá, repleto de mel silvestre, não ser tão doce quando fora dias antes. Afastei um pouco minha xicara, batucando meus dedos na borda, quando encarei meu marido, que passava certa preocupação no olhar.

— Foi os vampiros? — Parecia uma pergunta idiota, depois que foi feita, e ele apenas fez um aceno negativo. Era claro que Marcel cuidava dos seus, a tal ponto que suas regras valesse na concepção honrada de Elijah. Regras. Não matar crianças. — Então?

Ele suspirou novamente, movendo seu tórax avidamente.

— Eles acham que foram Rebekah, ou melhor Eva. — Contou em um tom baixo, encarando as pontas das suas unhas, sobre a bancada. — Prometi encontrar o culpado até a meia noite... Mas também tenho problemas acirrados com Klaus, lidando com Freya... — Ele me encarou agora, pensativo, enquanto eu franzia as sobrancelhas em completa confusa. — Não lhe contei, o que aconteceu ontem.

— Não, não me contou. — Garantir esperando pela historia toda.

— Vincent Griffith. Eu o encontrei ontem, como falei para a madame Larue que faria....

A historia, sobre Freya veio logo a seguida, de eu saber que Finn não seria mais um problema. E que, Vincent estava sob os cuidados de Marcel, que pretendia o interrogar.

“Se eu acordei de meu sono, Dahlia também, e ela caçará sua criança.” Foi o que Freya disse a Niklaus, deixando Elijah preocupado. E, eu, com aquela familiar sensação de perder algo. Uma informação, ou lembrança.

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Virei com rapidez a massa na frigideira e sorrir orgulhosa, sentindo o cheiro apetitoso me dar mais fome.

— Se ela mostrou uma visão real, dar pra saber, a forma as cores, ou mesmo a dor transmitida deve ser... — Hesitei terminando de colocar a panqueca no prato, e encarei Elijah do outro lado da cozinha do complexo.— Como uma relembrança realmente, sua.

Elijah assentiu com a cabeça, e voltou a sua expressão pensativa enquanto eu fazia mais panquecas.

— Eu podia sentir os flocos de neve tocando meu rosto. — Ele contou mais um pouco de seu encontro no cemitério com Freya, sua irmã pródiga, que de alguma forma tirou Finn do corpo de Vincent que agora era hóspede de Marcel. — Os gritos de Freya, criança, ou mesmo o de minha mãe, sendo agônicos nos meus tímpanos. — Elijah encarou o chão com a mente longe, no que tinhas visto. — Era real. — Decidiu por si só.

— Hunn... — Mordi meus lábios, não sabendo como colocar meus pensamentos em palavras.

— O quê? — Perguntou Elijah se aproximando do balcão, tão diferente de nossa casa. Parando de falar quando um dos garçons entrou rapidamente de modo silencioso, pegou a cesta com frutas e saiu.

Eu suspirei fundo, ofereci um dos pratos decorativos com panquecas que ele pegou, e eu peguei o outro depois de desligar o fogo para dar volta no balcão.

— Eu pesquisei um pouco sobre a casa de Fauline. — Comecei lentamente em um sussurro quando saímos da cozinha. Elijah levantou a sobrancelha. — Também tenho minhas fontes. — Sorrir enigmática o fazendo sorrir também. — Enfim, se você teve o que acabou de dizer como uma visão real, isso significa que meu temor seja real. — Girei meus pés andando de costas quando chegamos no pátio interno. — Ela é poderosa. — Pensei no óbvio apenas, quando continuei. — Acabou com barreiras de pura magia negra que impedia qualquer bruxa de sair daquele lugar, como também evoca visões na mente de vampiros Originais, sem esforço.

Elijah parou de andar me fazendo também parar também, a água da fonte bem no meio do pátio fazia um barulho suave.

— Ela disse que acordou de seu sono. E, que Dahlia também, mas falou isso com medo... — Ele suspirou fundo. — Há algo que não estou entendendo. — Terminou para si mesmo.

Dahlia. Porque todas as vezes que ele falava aquele nome eu sentia uma inquietação no meu cérebro? Como se houvesse alguma coisa no precipício das minhas memórias, que impedia que alguma informação pulasse pra fora?

Balancei a cabeça não pensando muito naquilo.

— Sem falar que é super estranho, ela vi com um aviso depois de ter salvado Finn. — Resmunguei mordendo os meus lábios. — Sei que você precisava manter sua promessa a madame Larue, mas sério, esse irmão doido teve ajuda pra encontrar você e Hope em Kansas. — Lembrei como um aviso afiado.

— Ajuda de Freya, você quer dizer. — Elijah tirou as palavras da minha boca, mas pareciam certas na dele.

Com uma família, tão grande quanto a minha, eu sabia que não dava para falar mal, ou suspeitar tão abertamente de familiares.

— Só... — Foi minha vez de suspirar fundo. — Não acho que devemos confiar nela, pelo menos não agora. — Opinei.

Elijah pareceu surpreso com minha própria cautela.

— E eu concordo! — A exclamação nos fez virar o pescoço em sincronia, para encarar Klaus descendo a escada com agilidade. — Mas por enquanto, porque não tomamos café da manhã em família, e... — Ele parou no pé da escada, e colocou suas mãos atrás das costas as cruzando em um gesto típico. Seu sorriso era felino. — Saber tudo que ela sabe sobre Dahlia, o inimigo que ainda não foi visto?

— Porque acho que você não soa verdadeiro, irmão? — Perguntou Elijah quando o loiro parou a dois passos na nossa frente.

— Bobagem. — O sorriso de Klaus era uma linha fina sem humor agora. — Mas, eu mandei a Hayley e seu pobre marido pra Bayou, testar suas novas condições de híbridos. — Ele sorriu mais largamente. — Nos deixando com liberdade para conduzi esse problema familiar. — Tão rápido que eu mal vi, Klaus pegou meu prato, e sorriu para a comida. — Panquecas, eu adoro. — Elogiou, sarcasticamente, dando meia volta, em Elijah, e entrando na sala de jantar.

— Ele estar tramando, não é? — Perguntei polidamente, nervosa.

— É provável. — Disse Elijah tirando meu cabelo do pescoço com sua mão livre, e fazendo um doce arrepio ondular pela minha coluna. — Tem certeza que quer estar aqui? Nisso?

Ele, na verdade, queria saber se eu estava bem. E depois de perguntar algumas vezes, e responder sempre as mesmas respostas, eu sabia que ele não se abriria tão facilmente, quando estávamos prestes a sermos mais unidos, do que nunca.

— Bem. — Eu encarei sua gravata negra, que brilhava em ondas suaves na luz do dia. — Vai ser ótimo. — Tentei soar animada mas não funcionou, e ele abriu um sorriso mínimo, me entendendo perfeitamente. Seguimos por onde Klaus tinha acabado de passar.

— E como está se sentindo? — Indagou baixinho fazendo seu queixo tocar no meu ombro nu.

Fiz uma careta pra ele, e o ignorei não encarar o garçom que abria a porta para nós. Sério, eu queria mesmo saber como Klaus conseguia organizar um café da manhã típicos de hotéis, quando eu mesmo só ficaria feliz com minhas panquecas. Parecia que o híbrido, quis se mostrar com aquela superioridade.

Como se lesse minha mente, Klaus nos esperava, me encarando com a sobrancelha levantada, esperando por alguma pergunta. Revirei os olhos para ele, enquanto ele sorria sombriamente e se sentava na cadeira de cabeceira.

— Quero que saibam que se tem chance da Freya... — O tom de desdém não passou despercebido, porque ele não parava de sorrir como um psicopata, todas as vezes que mencionava a irmã mais velha. — Saber, sobre qualquer informação que possa proteger minha filha, eu vou fazer com que ela compartilhe... — Ele levantou um dedo em riste. — Sobre os meus termos, é claro!

— Então porque estamos aqui? — Indaguei maliciosamente sarcástica, retirando uma uva verde do cesto de fruta, que decorava o meio da mesa. — Vá lá, pegue sua coroa e brinque de xadrez. — Pedi zombeteira, fazendo Elijah sorrir enquanto segurava a cadeira a sua direita para mim.

Me sentei, mastigando a doce fruta, como um aperitivo.

— Apoio sempre é bom. — Ditou Klaus sem perder o sorriso. — Olhe, estou ouvindo nossa convidada! — Exclamou ele ficando de pé.

Também fiquei de pé com Elijah, e olhamos em sincronia para a porta da entrada da sala elegante demais para um café simples da manhã.

— Por favor, irmã! — A exclamação de Klaus criou uma expectativa estranha no clima, como se ele quisesse soar agradável para a jovem mulher entrando na sala, e mesmo o próprio ar ao seu redor, não saber como agir.

Se aquela era Freya, a irmã mais velha dos Mikaelson, era estranho vê-la tão nova. Talvez no máximo vinte e cinco anos, com cabelos loiros queimados e olhos claros. Apertei meus lábios, para não deixar minha boca se abrir, de choque.

Mas o choque era por sua aparência ser tão parecida com as de Charlotte, ou mesmo qualquer prima próxima que eu tinha. Mesmo no sorriso ligeiro que ela deu quando Niklaus falou para ela se sentir em casa, ela parecia... Familiar.

— Essa é Anabella, minha esposa. — A voz de Elijah me tirou dos meus pensamentos.

Eu sorrir sem mostrar os dentes para a bruxa, que também sorriu. Meu estômago embrulhou, e tentei soar simpática, mas a verdade é que, era espantoso encarar Freya.

Nos sentamos finalmente e as velas, mesmo na manhã ensolarada precisaram serem acessas para ficamos com o ambiente ameno. Aquela sala era escura sem janelas, e tinha um ar um pouco antigo e sufocante que fazia a comida parecer menos apetitosa, mesmo assim, aceitamos ser servidos.

— Rebekah não se juntará a nós? — Perguntou finalmente Freya fazendo sua voz soar pelo local, era rouca e com timbre banhado em um sotaque que parecia inglês.

Pensei em Rebekah, que tinha ido ver Davina, e só esperava que desse tudo certo. Tinha algo acontecendo, eu podia sentir, um rastejar lento, anunciando algo grave.

— Em breve. — Foi tudo que Elijah disse, quando encheu sua xicara com café preto sem açúcar.

O clima ficou meio tenso, enquanto Klaus se servia de qualquer coisa por perto dele, ele estava na cabeceira da mesa, Elijah a sua direita, e eu a direita do meu marido, enquanto a visita, á nossa frente na esquerda de Klaus.

Freya parecia um pouco nervosa, e não achei que pudesse ser diferente quando eu sabia a pressão de conviver com uma família nada amistosa á primeira vista.

— Então... — Freya começou a tentar puxar assunto e acabar com o silêncio constrangedor, mas me escolheu como ponto fraco daquele trio que devia parecer diferente aos seus olhos, aos meus, parecia. — Anabella... — Me chamou, parecendo me ver, como uma brecha mais fácil. — Gosta de morar em New Orleans? — Perguntou polidamente, em algo de praxe quando se conhece alguém novo.

— Tem seus pontos fortes. — Dei de ombro cortando mais um pedaço do bolo de cenoura que estava no meu prato.

— Aonde está morando, irmã? — Perguntou do nada Elijah suavemente também entrando no protocolo “quebra de silêncio”.

— Ainda estou procurando algo fixo. — Respondeu simplesmente, e não pareceu inclinada a partilhar mais informações.

Mais silêncio, mais comida sendo empurrada para dentro.

— Que tal sem mais delongas, imos direto ao ponto? — Klaus indagou sorrindo sem mostrar os dentes, e limpou a boca com um guardanapo de linho, antes de continuar a fingir que queria comer. — Freya... — Chamou o híbrido fazendo a loira o encarar. Era estranho pensar que não havia aquela pequena doçura que Klaus garantia a Rebekah, quando falava com a mais velha. — Eu te convidei para cá, na esperança que compartilhe os segredos da Dahlia.

Um silêncio mais profundo se prolongou, e notei como só havia nós quatro ali presente na mesa, envoltos naquela tensão.

— A primeira coisa que precisam saber sobre Dahlia... — Freya parou de encarar o híbrido e deu um longo olhar para Elijah, e um rápido em minha direção. — É que ela é a bruxa mais poderosa que eu já vi. E ela tem sede de mais poder. — O café da manhã foi esquecido quando as palavras da bruxa começaram a parecer o começo de uma história de terror. — Agora ela é como eu. — Continuou Freya. — Limitada a um ano de vida por século. Mas ela quer, sempre quis, se livrar da restrição. Para ganhar a imortalidade permanente. Por isso creio, e tenho certeza que ela virá para cá, porque se eu acordei, ela também acordou. — Ela suspirou e se virou para Klaus que tinha cruzado as mãos no queixo, enquanto descansava o cotovelo na mesa. Um bom ouvinte. — Atraída pela magia única, e preciosa, da sua filha, para tomar o poder da criança para ela. E ela, matará qualquer um que ficar em seu caminho... — Ela deu uma pausa dramática. — Que a desafie.

Só eu notei a familiaridade que ela falava “ela’’? Acho que não, porque Niklaus se movimentou um pouco.

— E mesmo assim você a desafia. — Observou Elijah, afastando seu prato quase intacto de alimento.

— Eu não tenho escolha. — Rebateu Freya com uma máscara de pesar e fúria encoberta. Sentir um estalo de pura intuição, zumbir em meu cérebro. — Ela nunca vai me soltar, minha única chance é me juntar a vocês... — Sua mão bateu na mesa. — E, preparar-me para matar Dahlia.

— Já que parecemos tão bem motivados... — Klaus relaxou na cadeira, e abaixou suas mãos — Seja mais especifica — Mandou o híbrido, em um tom encoberto de pedido.

Eu esperava, que tudo fizesse sentindo, pelo menos, com o tempo, e mais informações.

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Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.