You See Me Gerard?
3 Íris MattlandeR
Notas iniciais
CAPITULO 3 – ÍRIS MATTLANDER
Os homens do hospital o levaram. Eu segui com meu carro atrás da ambulância. Sinceramente eu não sei como cheguei lá, eu via a luz, ouvia a sirene da ambulância, mas de resto, só via borrões. Cheguei lá por sorte.
Ele foi levado, foi para uma sala a qual eu não tinha acesso. Sentei-me no banco de espera. Foram minutos insessáveis de tensão. Eu sentia o coração palpitar forte, o que me dava a impressão de que as pessoas ao meu redor o ouviam. Eu sabia que Gerard um dia teria um "treco" e que daria nisso, mas, quando acontece, você se sente desamparado, desprevenindo, como se até aquele instante aquilo não fosse provável de acontecer.
Fiquei me remexendo naquele sofá, até que 1H depois apareceu o bendito médico para me dar às notícias. Ele me disse que Gerard tivera um "piri-paque" por causa do auto teor de álcool no seu corpo e que teria que ficar internado até expelir esse álcool. Eu poderia entrar no quarto e passar a noite lá, mas ele não sabia quando Gerard acordaria.
Entrei no quarto e sentei-me na poltrona que havia ali. Ele estava em um quarto de luxo, afinal, tínhamos dinheiro. No quarto, alem da cama do doente e do cabide do soro, tinha uma cama para "visitantes", uma poltrona reclinável, televisão com tv a cabo, frigobar, armário e banheiro. Exagero? Nãããoooo, para expelir a quantidade de álcool que aquele garoto tem no corpo deve demorar quase um mês, pelo que o médico falou.
Sentado confortavelmente na poltrona olhava aquele lugar. Nunca gostei de hospitais. Aquelas paredes brancas, aquelas roupas brancas, médicos entrando e saindo de salas para dar notícias boas ou ruins as famílias dos doentes, gente morrendo, gente nascendo, a vida e a morte de mãos dadas, passeando unidas por aqueles aposentos, em um balé de ritmos diferentes, a qual cada uma toma as rédias em algum ponto, em algum lugar, aleatoriamente. Eu sentia que a qualquer momento aquelas duas dançarinas entrariam nesse quarto e a morte tomara tais rédias, tomando como parceiros a mim ou ao Gerard. Aquilo me assustava. Sentia almas vagarem por aquele lugar, almas de quem morreu naqueles quartos. Sentia frio naquele lugar. A possibilidade de alguém já ter morrido na cama em que meu irmão esta deitado nesse momento me faz sentir um arrepio na espinha. Mas, teria de me acostumar, afinal, seria um mês freqüentando aquele antro de medos.
Decidi sair daquele quarto e ir até a capela. Talvez lá me senti-se mais confortável, afinal, provavelmente meu irmão demoraria a acordar.
Cheguei na capela, ao contrário do "centro" do hospital, aquele lugar me fazia sentir bem. As paredes pintadas de vermelho me davam uma sensação de calor, de aconchego. As rosas e tulipas espalhadas pelo lugar davam-no aparência viva. As imagens de santos e de Jesus davam a impressão de estarmos sendo vigiados por olhos que nos ajudariam a qualquer momento. Ali tocava uma musica para dançarina solo, e essa dançarina era a vida, iluminando aquele lugar com sua graça e leveza. O ar aqui não era pesado e se você fechasse os olhos, o silencio que emanava de uma fonte escondida atrás de alguma daquelas paredes te dariam a sensação de que você flutuava em cima de uma nuvem. Eu flutuava em minha nuvem quando alguém resolveu me derrubar. Uma moça muito bonita, de cabelos vermelho fogo, quase no mesmo tom que aquelas paredes me cutucava, fazendo-me cair de minha nuvem de sonhos.
- Hei, Hei, acorda, aqui não e lugar para dormir! — Ela me cutucava, sem muita força para não machucar.
- Ah! Eu não estava dormindo, estava tentando ter um pouco de paz! — Eu disse grosseiramente para a dona daqueles olhos azuis que me tiraram da calmaria de minha mente.
- Desculpe-me, achei que estivesse dormindo — disse-me ela, esboçado um grande sorriso que me fez, automaticamente, devolver-lhe o ato, esboçado também um tímido sorriso.
- Michael James Way. — Apresentei-me estendendo-lhe a mão direita.
- Íris Mattlander. — Apresentou-se a mim, apertando minha mão estendida também com sua mão destra.
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