Notas iniciais
Olá, princesas e princesos. Bom dia nesta segunda-feira. Como estão todos? Como sempre, eu tenho coisas a serem ditas nas notas finais. Se quiserem saber eu ficarei eternamente grata. ••• ARTE feita pela incrível, doce, atenciosa e maravilhosa Bazzarello, qual não revelarei o verdadeiro nome porque não sei se é de sua vontade. Mas ela sempre esteve aqui, ativa e presente, e essa arte dela, como muitas quais vocês me fizeram, foi o que me motivou a continuar mesmo com tanta coisa acontecendo. Bazzarello, amor, eu já te disse antes mas volto a afirmar: você é incrível. Muito obrigada por tudo! Qualquer pessoa que queira fazer uma arte pra fanfic, por favor, não sejam tímidos. Tia Dark ama de todo coração. Sem mais delongas, boa leitura!

Suas pernas se moviam. As sentia passo ante passo, uma frente á outra caminhando de forma sutil. Foi a primeira coisa qual sentiu, e mais nada além do roçar das suas coxas uma contra a outra. Por quê caminhava? Aonde estava indo?

A próxima coisa qual sentiu fora os seus pés nus contra o chão, a extensão das suas pernas fazendo conexão com o membro que sustentava seu corpo lentamente. Parecia um formigar antes que sentisse seu pé por inteiro, movendo os dedos contra a superfície empapada qual andava. Estranho. Era frio ao primeiro toque, mas também quente, e embora o solo fosse úmido não atingia a sua pele, seus pés secos á cada passo no molhado. Gelatinoso, sentia o chão como um líquido quase sólido que entrava por entre os seus dedos á cada passo, instável, como se qualquer passo em falso fosse joga-la ao chão e ser engolida pelo mesmo, mas firme ao caminhar. Como se cada passo em falso se solidificasse assim que a ideia de cair passasse por sua mente.

Estranho.

Seus olhos se abriram para a escuridão á sua frente sem pensar, como se só agora pudesse fazê-lo. Até onde pudesse ver a escuridão á cercava, de todos os lados, por todos os ângulos. Porém não a engolia. Ela via a si mesma, as suas pernas alvas nuas, os seus pés sendo levemente engolidos pelo chão líquido preto como piche antes que se solidificasse, cada passo fazendo um barulho engraçado e suave. Ela estava vestida com uma roupa cirúrgica verde-água, reparou. Seus braços e pernas nus, a peça folgada em seu corpo ondulando á cada passo. Passos quais ela não tinha controle.

Não sabia por que, mas caminhava. Não sabia para onde, não tinha controle sobre si, mas seguia. O sentimento não era desesperador, no entanto. Apenas... Curioso. Onde seus passos indesejados a levaria dentro do breu? Por quê, de uma forma controvérsia, esse lugar qual nunca esteve parecia tão familiar? Quem ou o que era ela e o que estava fazendo ali?

Alura...

Ela piscou lentamente, ainda caminhando. Havia uma voz sussurrando, não sabia se dentro da sua cabeça ou fora dela, mas estava lá. Conhecia essa voz, mas onde?

Alura

Havia algo á sua frente. Não podia ver, mas sabia que havia, sentia. Á cada passo calmo que andava uma forma distinta se formava no escuro, e então ela parou. Não entendia como, mas sabia que ao alcance do seu braço havia uma parede sólida tão escura quanto o breu ao seu redor. Sem hesitar seu braço direito esticou em direção ao desconhecido, a ponta dos seus dedos fazendo contato com a estrutura sólida enquanto a traçava lentamente. Seus olhos abertos não via nada além do escuro mas seus dedos sentia a parede a sua frente com certeza, um padrão enrugado desenhado na estrutura. Parecia errado estar lá, então, unindo o indicador ao polegar, ela pegou a dobra de algo que parecia papel e o puxou. A fita arrancada da parede revelava uma fonte de luz de acordo era puxada, tão forte que seus olhos se fecharam com força.

Quente. Embora seu corpo estivesse neutro á temperatura úmida da negritude do ambiente, sentia a tira do calor abafado que a fresta emanava em seu corpo. Tão claro que não conseguia abrir os olhos, a luz dançando atrás das suas pálpebras fechadas era quase demais.

Alura! Você precisa estar aqui agora!

Seus olhos se abriram lentamente, a explosão de luz se adaptando nas suas íris. Ela se aproximou da parede por conta própria, tomando ação do seu próprio corpo pela primeira vez, lentamente. Rente á parede escura ela apoiou suas duas mãos, cada uma de um lado da fresta, e se aproximou, lentamente, seus olhos bem abertos e curiosos para o desconhecido. Calor. A luz era tão quente que se sentiu derreter, como um sonho, a sensação líquida em seu corpo aquecido fazendo com que o mesmo escorregasse pela fresta como seda, como se não fosse impossível. Ela respirou fundo e ofegou quando passou pela pequena rachadura, seus ouvidos sendo agraciados pelo som á sua volta, sua pele banhada pelo calor abafado. Ela piscou curiosa com o novo ambiente. Onde estava?

Passos apressados vinha atrás de si, e antes que pudesse se virar alguém atravessou o seu corpo como se não estivesse lá. Ela olhou para as costas cobertas por um manto cinza do estranho com curiosidade enquanto ele se distanciava. Decidiu que o seguiria. Tudo ao redor era claro e antigo como um templo grego, seus passos flutuavam ao chão polido de mármore branco, tão limpo que refletia a si mesma vestida com algo tão bonito em suas camadas de tons azulados, lilases, rosas, amarelos e esvoaçante como musselina de seda que ela sorriu. Sentia-se tão bem, tão fora de si mesma. A sensação era quase irreal.

— Você demorou. Alguém pensaria que uma general teria sua própria nave.

Ela ergueu os olhos da sua própria imagem refletida no chão e procurou a fonte da voz, caminhando até uma porta oval e clara de bétula ricamente entalhada com imagens quais não poderia decifrar de imensidão inexplicável, que se abriu lentamente quando ela se aproximou. Havia uma mesa delicada com duas cadeiras de um material curvilíneo e polido em meio á um imenso jardim repleto de flores nunca antes vistas, murchas, sendo banhadas por um grande sol vermelho em meio á um céu limpo e opaco que sufocava a vegetação, a grama aos seus pés não parecia natural, o ar fluía espesso. Sentada em uma das cadeiras havia uma mulher de curtos cabelos escuros ondulados com um leve sorriso em seu rosto jovial trajada de tecidos tão fluídos e claros quanto os seu próprio, seus grandes olhos azuis olhando para si com uma sabedoria além da sua idade como se pudesse ver através da sua alma, tão intenso que não conseguia falar.

— Você sabe melhor que todos o quão arriscado seria vir em uma nave-patrulha, Lara Lor-Van.

Ao seu lado estava a mesma figura encapuzada qual ela seguia anteriormente, acabando se revelando uma mulher ao tirar o capuz e o manto cinza que a cobria e caminhando com passos firmes até Lara. Ela era alta, imponente, seu rosto anguloso lapidado em vários traços duros, seus lábios cheios apertados em uma linha fina ao se sentar frente a outra mulher. Seus cabelos era longos e loiros, como se cada fio tivesse sido tecido do mais puro ouro, seus olhos eram de um tom frio de azul. Ela vestia roupas tradicionais, reconheceu. Uma longa capa vermelho-sangue, uma couraça fina tão escura quanto o breu em que estivera anteriormente se esticando em seu corpo e a abraçando como uma segunda pele até onde podia ver, abaixo de uma túnica curta branca com o símbolo de El vermelho em seu peito. Ela parecia forte, seu corpo acentuando cada músculo enquanto caminhava sobre suas botas brancas até Lara, abaixo do seu braço esquerdo um capacete dourado. Uma general , reconheceu.

— Você parece cansada. As visões não estão sendo gentis, suponho – a general comentou, seu rosto preocupado. Lara riu á sua frente, mas seus olhos brilhavam com tristeza.

— Não há gentilezas no fim do mundo, Alura In-Ze – comentou sem humor, ambas compartilhando um segundo do silêncio moribundo.

Alura. Conhecia esse nome. Seu nome era Alura! Que estranho. Por quê compartilhava o mesmo nome que a general?

— As vezes me pergunto o porquê. É tão injusto. – Lara lamentou. Seu estado cansado da insônia e fragilizado pela gravidez a fazendo murchar melancólica. Alura In-Ze suspirou.

— Sim, é. Mas sabemos o porque, nosso povo fracassou antes de nós, estamos fadados ao fracasso á milênios. O ciclo vicioso da ignorância que se instalou como uma doença precisa ter fim. – sua voz era naturalmente indúctil, embora não rude. Mas seus olhos pareciam tão tristes quanto aos de sua amiga.

— Você sempre carrega a força, Alura In-Ze. Assim como Zor-El. Mas ele é mais sensível.

Ambas sorriram. Os olhos de Alura In-Ze foram inundados de amor em menção ao seu marido, sua alma gêmea.

— Meu Zor carrega uma força inútil perante a grandeza da sua bondade. Aquele homem... – ela comentou com amor, seu tom doce. Seus olhos, no entanto, se entristeceram novamente – Eu gostaria que fosse diferente, Lara. Para todos nós. Mas temos um dever com Krypton até o fim.

— Devemos acabar assim como nosso planeta se quisermos um destino diferente para Kal e Kara. É o nosso sacrifício. Estou ciente, Alura.

— Que tipo de pais seríamos se não pudéssemos garantir a eles uma vida diferente? Eu sei que sabe disso, sei que sabe que é o melhor, afinal você mesma previra o fim.

— Sim – Lara garantiu – Eu sei, Alura. Não há como ser diferente. Em minhas visões eu viajo ao futuro provável e improvável, não há chances para nós em nenhum deles. Nossos filhos, entretanto...

Alura In-Ze sorriu em melancolia, afagando o pequeno caroço que se formava em sua barriga. Sua Kara.

— Você teve novas visões com Kal-El? Já sabe para onde devemos manda-lo?

— Á todo momento tenho visões com meu pequeno Kal, embora o lugar qual devemos manda-lo ainda não tenha se mostrado exato. Você sabe, Alura... A clarividência da minha linhagem é involuntária, há um extremo esforço para domar as visões, foi tão difícil conseguir esse feito. – Lara sorriu tristemente – Mas tudo caiu por terra quando Kal-El começou a crescer em meu ventre. Vejo sua vida como um filme se desenrolando. Os prós, os contras, os poréns e as certezas. Tão mutável, tantas possibilidades. Há tanta beleza, mas também tanta dor. O vejo só em meio á multidão. Ele... Iria precisar de mim.

Os olhos de Lara estavam marejados, Alura In-Ze engoliu o bolo em sua garganta. Compartilhava com sua cunhada a dor da maternidade arrancada de si.

— Jor-El está preocupado, Lara. Pediu para que eu viesse lhe fazer companhia. Mas não sei se posso dar-lhe conforto para a alma quando estamos ambas na mesma situação. Duas mães que jamais criarão os seus filhos. Você ao menos ainda tem a chance de vê-lo em suas visões, eu jamais verei minha Kara.

— Sinto muito. Soa tão injusto, não é? Eu deveria estar contente pelo privilégio de poder acompanhar o amadurecimento do meu menino, mas... – as lágrimas desceram pelo o seu rosto, Alura In-Ze segurou suas mãos em cima da pequena mesa – Vejo o meu filho viver uma vida de dor, sem orientação. Tão só, ninguém jamais o entenderá. Ele precisaria de nós, Alura In-Ze. Seus pais, seus tios. Meu pobre Kal.

— Você fala que ninguém jamais o entenderá, Lara, mas onde está sua companheira de alma? Você a viu, não é? Se apegue á isso, Lara. Kal-El não estará só!

— Eu sei – Lara fungou, seu rosto corado das lágrimas – Eu sei, Alura In-Ze, ele terá uma prometida graças aos deuses. Ambos nossos filhos terão. Mas o vejo a encontrando tão tarde, ele já terá sofrido tanto. Seu rosto jovem envelhecido pela amargura da solidão, sua alma chamando algo pelo qual não sabe. E a sua prometida, pobre criança, sofrendo tanto quanto meu pobre Kal-El. Eles demorarão de se encontrarem, a energia vital da sua companheira já estará além da jovialidade. Vejo em minhas visões que a prometida de Kal-El estará numa concha tão dura de se abrir, ambos tendo sofrido tanto.

— Mas dará certo, não é? É a prometida dele, por Rao, eles vão dar certo Lara!

— Eu não sei, Alura In-Ze. O tempo de vida de ambos são tão diferentes, até se encontrarem haverá uma lacuna de conhecimento entre ambos, suas experiências os moldando tão profundamente que exigirá mais uma vida até conseguirem a dádiva de pertencer. Meu Kal-El, meu pobre Kal-El...

Alura In-Ze conhecia a sua cunhada já algumas décadas, talvez centenas de anos, quão importante o tempo era? Parecia ainda ontem que a jovem Lor-Van fora apresentada como sua cunhada. Grandiosa, altruísta, tão pertencente á ela mesma que a figura fragilizada á sua frente era desconhecida. O fim era inevitável, ambas sofriam, mas Lara... Lara era a sua irmã, atormentada pelas visões de uma vida que jamais iria viver, de um fim que seria para todos. Alura In-Ze não suportava o seu sofrimento. Ela bateu um punho fechado á mesa, assustando Lara do seu estado sofrível. Em seu rosto havia determinação quando sua voz retumbou no jardim moribundo da casa El.

— Chega, Lara Lor-Van! Você não se lamenta! Se há algo que possamos fazer sobre isso, então faremos. E se não há, descobriremos um jeito. Nós duas, Lara Lor-Van, vamos fazer o que tiver de ser feito por nossos filhos. E nós duas iremos fazer o que deve ser feito pela prometida do meu sobrinho, sua futura nora, a futura senhora El. Nós não iremos nos lamentar, Lara!

Lor-Van segurou a respiração por breves segundos enquanto o comando peremptório da sua cunhada penetrava em sua pele. Ela sempre soava tão obstinadamente imutável, como se todos os problemas do mundo não passassem de galhos secos quais facilmente quebrariam sob a força dos seus passos decididos. Lara sempre confiaria sua vida á ela.

— Alura In-Ze, se soubesse o que eu vi... Não há nenhuma forma de mudar o que está previsto, não sem interferir bruscamente na história. É perigoso. Talvez precisaríamos mexer com o destino, e você sabe que mexer nas linhas do destino é algo arriscado. Zor-El e principalmente meu Jor-El jamais nos apoiaria. Você me ajudará ainda assim? – Lara limpou o seu rosto, um sorriso esperançoso brotando em seus lábios. Alura In-Ze riu arrogante se levantando, pondo as pontas dos seus três dedos da mão esquerda contra o coração.

— Eu, Alura In-Ze, prometo ajuda-la no que for preciso para que Kal-El e sua prometida fiquem juntos o mais breve possível, ultrapassando as linhas do destino e as re-costurando. Se há dor em seus caminhos, que sejam um ao lado do outro como deve ser. Meu Zor e Jor-El não podem nos impedir.

Lara se levantou cuidadosamente, sorrindo entre lágrimas, segurando sua ainda pequena barriga enquanto apontava os três dedos da sua mão esquerda contra o coração.

— Que assim seja, Alura In-Ze. Nós faremos o que tiver de ser feito. – ambos sorriram cúmplices, entrelaçando as mãos juntas umas nas outras – Obrigada, minha cunhada. És a irmã que nunca tive.

— Digo o mesmo, Lara. Porém, sabe como nossos maridos são, principalmente o cabeça dura do seu homem. Planejaremos em sigilo até a hora certa, sim? Faço questão de construir eu mesma a sonda que irá marca-la.

— Sim, Jor-El não poderá saber agora. Mas sonda? O que está planejando Alura In-Ze?

— Estou fazendo alguns cálculos rasos sem muita precisão, mas é do nosso conhecimento que a marca de um prometido á outro é algo que sabemos e ansiamos desde que nascemos. Se ambos, Kal-El e sua prometida não serão instruídos sobre os seus destinos, logo um não ansiará pelo o outro de forma consciente, logo a marca não se formará pois por tão cedo não irão se encontrar. E se adiantássemos a ordem dos fatos? E se pudéssemos não projetar uma marca pois sua prometida já estará destinada a ter uma, mas sim fazê-la aparecer e cantar por Kal-El mais cedo?

— Fazer a marca aparecer antes? Isso mudaria tudo drasticamente, Alura In-Ze, nem sei se é possível. Mas se fosse, então alguns fatores aconteceria para que se encontrassem antes? Mudaríamos o destino?

— Sim, basicamente. Talvez nós pudéssemos. Precisamos de cálculos, e máquinas, mas acima de tudo precisamos de um plano. E então?

— Eu...

Alura, a expectadora dos fatos, tinha os olhos arregalados de antecipação. Por um momento havia se fundido á história, vendo os acontecimentos entre Lara Lor-Van e Alura In-Ze, qual carregava o mesmo nome que ela mesma, como se fosse um fato acontecido muitos anos através do tempo apesar de tudo ao redor exalar um conhecimento qual seu próprio povo não teria em milênios. Como se fosse uma memória. Ela estava parada no mesmo lugar qual entrara, estática, o sangue em suas veias bombeando abaixo da sua pele com a velocidade de um trem. Expectante pelas próximas palavras de Lara Lor-Van. Algo dentro de si pulsava e coçava, algo dentro de si dizia que o que as duas mulheres estavam conversando entre si como um segredo era exatamente sobre ela.

Lara parou no tempo, seus belos olhos ficando turvos como se suas íris azuis virasse fumaça e rodopiasse em seus globos oculares. Uma visão. Alura In-Ze a segurou firme pelas mãos por longos minutos, e quando Lara ofegou e tremeu ela a sentou lentamente na cadeira qual estava anteriormente. Lara estava confusa, sua pele pálida suando. Mas em seus lábios um pequeno sorriso qual cresceu pouco á pouco de acordo ela decifrava o que havia visto, seus olhos voltando á normalidade.

— O que você viu, Lara? – o tom de Alura era preocupado. Lara, entretanto, riu e sorriu. Seu corpo tremendo não só pela visão mas pela antecipação ansiosa.

— Por Rao, deu certo... Deu certo! Nós conseguiremos, de alguma forma conseguiremos. E eu já tenho um destino! Eu sei onde a prometida de Kal-El está!

— Oh, graças a Rao e Yuda Kal! Isso facilita muitas coisas, minha irmã de alma! O que você viu? O que exatamente você viu?

— Eu os vi... Juntos. Finalmente, jovens e apaixonados. Se beijando com fome e aceitação. Eu vi os fios das suas almas dançarem juntas. Os vi finalmente darem o primeiro passo de uma vida. Eu vi a prometida de Kal-El, tão jovem e bela, ama-lo como mais ninguém no mundo amaria, ama-lo antes que soubesse. Eu a vi... Acordando em sua casa depois de enfim aceitar o destino de ambos, um novo dia brilhando sobre o seu rosto com ar puro depois do afogamento da recusa. Eu vi a prometida de Kal-El em seus braços, ambos caminhando enfim em direção á vida que lhes pertencem. Eu vi isso acontecer exatamente agora, Alura...

Acorde, criança.

̶•̶°̶Y̶R̶M̶W̶°̶•̶

Seu corpo estava quente em seu casulo de cobertores. A consciência do despertar aos poucos chegou a ela de forma preguiçosa, seus dedos acariciando a superfície fofa abaixo de si, era macio e tinha um cheiro suave masculino tão bom que ela virou o rosto e o afundou no aroma agora familiar e inalou com força, abraçando a coberta contra si. Um sorriso lento se espalhou pelo seu rosto, então seus olhos tremeluziram até se abrirem lentamente contemplando a luz da manhã banhando o ambiente organizado e desconhecido de forma quase poética.

O quarto de Clark Kent.

Seu sorriso pequeno se esticou até seus dentes estarem á mostra e seus olhos cerrarem, um sentimento quente e eufórico em seu peito e estômago batendo asas tão feliz dentro do seu corpo que ela abraçou a si mesma com força mal se contendo, a súbita vontade de gargalhar vindo tão nova quanto bem vinda. Memórias da noite anterior passaram por suas pálpebras quando fechou os olhos, seu sorriso maior do que qualquer outro que se lembrava de ter dado. Sua alma estava tão quente quanto seu corpo, corpo qual fora aquecido pelas mãos de Clark, os beijos calorosos qual trocaram empurrando o frio e a tristeza dos dias solitários sem ele até o precipício do vazio. Ela estava cheia dele, sua pele quente das suas mãos, sua boca e pescoço quente dos seus lábios, seu olfato cheio do seu cheiro, o sentimento era tão único que seu coração corria como um louco dentro do peito.

Em paz. Sua alma estava em paz.

Nada mais doía, nada mais a afligia. Ela enfim estava em paz com a decisão qual tomara de forma pensada e consciente, ela enfim seguiu seus sentimentos ao invés da sua razão estóica. Ela enfim sentiu. E sabia que a porta qual finalmente havia aberto jamais seria fechada de novo. O sentimento era tão... Poderoso. A entrega ao seu prometido era tão satisfatória, tão potente que mesmo deitada sentia suas pernas bambas. Ela quase podia gargalhar nesse exato momento. Estava... Feliz. Sua alma pronta pra se curar da distância, suas feridas prontas para se fecharem.

Ela estava pronta para ele.

Alura ergueu os inúmeros cobertores que seu exagerado e preocupado Clark Kent pôs em seu corpo quando adormeceu, se levantando lentamente da cama macia e se alongando sentindo seus ossos doídos da tensão anterior se estalarem até a libertar da sensação enferrujada. Havia tido a primeira noite de sono completa e satisfatória desde o acidente sem precisar de álcool, remédios ou Rosaly do seu lado. Ela se sentia renovada de diversas formas.

Tão suave quanto o roçar de uma pluma a marca entre seus seios formigou, uma energia tão poderosa de pertencer camuflada sob a tatuagem em sua pele. Afastou a blusa do seu decote e a contemplou macia e rosada contra sua carne. Sem dor, sem coceira, sem ardência, sem a aparência doentia, chamuscada e elevada do castigo de um ferro quente, sem o vazio insignificante de uma cicatriz qualquer. Apenas o formigar feliz de vida, o canalizador dos seus sentimentos que a unia ao seu receptor, a porta da sua alma. Alura sabia que se fechasse os olhos e concentrasse ela poderia ver aquele novo fio de ouro que se formou rodopiar e flutuar ao lado do outro, dançando uma melodia única apenas dos dois. Ela as viu enquanto o beijava desesperadamente até os seus lábios ficarem dormentes, ela as viu quando desmaiou de cansaço deitada em seu peito firme no sofá da sua sala, ela quase podia os vê-lo agora mesmo enquanto pensava na beleza das suas cores douradas vivas.

Tão confuso quanto era, Alura sorriu novamente. Mesmo que não entendesse completamente, era bom. Era deles e apenas deles. Descobririam juntos.

Amarrou seus cabelos revoltos no topo da sua cabeça numa polpa bagunçada, caminhando á passos decididos até a porta do quarto. Mal olhando ao redor ela pensou que exploraria o ambiente novo que era o seu quarto depois, descobriria os seus costumes através dos detalhes da sua casa depois, agora ela só iria atrás dele e contemplaria o prazer de ver o seu belo rosto mais uma vez depois de tantos dias sofríveis sentindo a sua falta pela sua própria recusa. Ela precisava. Sabia que o vício em algo seria uma das suas ruínas, vagamente se lembrava de algum aviso dramático que sua mãe sempre á dava em relação ao seu futuro, mas quão ruim poderia ser o vício em Clark Kent? O abrir da porta levantou um pequeno revirar ansioso em seu estômago, seus dedos estalando como se fosse encontrá-lo pela primeira vez. Seus passos eram curtos, sem pressa, e fazia tanto silêncio no apartamento que ela podia ouvir o bater rápido do seu coração dentro do peito.

E algo metálico ao longe, baixo.

Alura foi em direção a cozinha á passos surdos, o ar repentinamente tirado dos seus pulmões ao enfim vê—lo. De costas para si trajado apenas em uma camisa regata branca e calças moletons cinza Clark fritava algo no fogão á sua frente, sua grande e definida estrutura engolindo tudo que o cercava. Clark era quente, atrativo de uma forma qual nunca se interessou em seus outros pares românticos antes. Claro que ela não tinha exatamente um tipo de homem, ao menos nunca parou pra pensar sobre isso, mas o perfil atlético nunca havia atraído seus olhos e roubado o seu fôlego até ele aparecer. E depois de ontem, de sentir toda aquela montanha de poder e força pressionado contra o seu corpo a acariciando, a louvando, de joelhos e sem fôlego pelo beijo que ambos compartilharam, Alura sentiu a estranha sensação que foi irremediavelmente arruinada para qualquer outra pessoa que pudesse querer sua atenção.

Ninguém jamais seria como Clark. O irritante, dramático, rendido e terrivelmente gostoso Clark Kent.

Ela se sentia tão fora de si, mal reconhecendo os pensamentos em sua cabeça e os sentimentos mistos dentro do seu peito. Mas era tão bom, tão leve, tão certo. Em seu coração ainda havia a dor imensa da distância, e em sua cabeça, agora lá no fundo, as incertezas e os medos de tudo que englobava apostar nessa relação e tudo que ela implicava. Sua recusa intragável ainda queria estar lá, cravando as unhas em seu ser se recusando a deixá-la em paz, a serpente negra da insegurança ameaçando rodeá-la e sufocá-la até a urgência de fugir e se afastar aparecer novamente.

Mas depois de ontem, depois do sabor da sua boca e do calor da sua pele, depois dos infinitos dias quais ela permaneceu sóbria em sua certeza crua, suas pernas decididas se recusavam a dar sequer meio passo para trás. Foda-se o sibilar da insegurança e as premonições ruins da sua mãe. Engolfada agora numa coragem típica do seu sangue Murray teimoso ela só queria seguir em frente, caminhar o mesmo caminho qual eles deveriam trilhar juntos e descobrir um ritmo entre suas questões e os seus desejos, assim como os dele, juntos. Estava tão cansada da sua razão, tão aborrecida pelas consequências esperadas dos seus pedidos sem calor. Ela ainda era Alura, a intragável, egoísta e mesquinha mulher tão dona de si mesma que não suportava a ideia de qualquer outra rotina em sua vida além da que ela previamente calculou. Tão covarde para o novo quanto sempre foi.

Mas ela não queria mais fugir. Ela não podia.

Ela queria Clark Kent, Kal-El, e pertencer á tudo qual estava destinada a ele não parece tão ruim se for tão doce quanto o sabor da sua boca.

— Eu posso ouvi-la, querida – Clark soou baixo, embora audível, ainda mexendo nas panelas á sua frente. Seu coração correu como um louco ao som da sua voz embebida do recém acordar, tão mais rouca do que já era, como se ele falasse com mel em suas cordas vocais. Tão doce como sempre soou.

Alura sorriu para si mesma, seu rosto esquentando com as reações do seu corpo ao finalmente, finalmente poder ouvi-lo novamente, poder vê-lo e apreciar a atração, paixão, que ela tinha por ele sem mais negar até os ossos. Ela caiu tão fundo ontem á noite que era uma perda de tempo querer emergir.

— Ah, mesmo? E o que seus ouvidos fuxiqueiros ouvem? – ela quase não reconheceu o som da própria voz, o carinho carregado em cada sílaba embora pronunciando algo tão típico de si. Alura sentiu, mesmo de costas, que Clark sorria.

— Tudo. – respondeu simplesmente.

Ela caminhou lentamente até ele, seus passos vagarosos contrastando com a ansiedade rápida em seu estômago. Passo ante passo, ela chegou á poucos centímetros das suas costas largas. A luz do sol da janela na cozinha, os primeiros raios claros da manhã, brilhavam em seu grande corpo construído. Como se o dia amanhecesse para vesti-lo, como se a luz só existisse para alcançá-lo. Um Deus de muitas formas, nascido e atraído á tudo que brilhava e reluzia. Alura suspirou maravilhada bebendo dos traços do seu corpo, dos cachos negros em sua cabeça bagunçada pelo sono, dos ombros largos tonificados, da cintura fina construída, das pernas grandes e torneadas até o seus pés descalços.

Em seu nariz estava o seu cheiro, em sua boca o seu gosto, e mesmo de costas ela sentia a energia que fluía dos seus poros e a alcançava, enlaçando-a para mais perto. Sua marca transbordava adoração, exalava a sua paixão de forma tão crua e explícita que quase se sentiu nua. Suas mãos se ergueram antes de pensar até suas costas, tocando suas omoplatas e espalhando seus dedos até onde podiam alcançar. Ele era tão forte, tão magnífico.

Clark suspirou entredentes com seu toque como se ardesse, suas costas flexionando em suas mãos. Em seu peito Alura recebeu a carga emocional quase desequilibrada de necessidade do homem qual estava apaixonada, a fez se sentir tão... Poderosa, orgulhosa. Seu toque, ela sentiu, era o suficiente para derrubar aquele Deus aos seus pés tal qual noite passada, e embora o pensamento não fosse maldoso ela mentiria se dissesse que não encheu o seu ego qual nem sabia que tinha. Ele desligou o fogão á sua frente e apoiou as duas mãos no mesmo, sua cabeça levemente baixa, respirando profundamente. Controle, sua marca exalou. Ele procurava controle. Alura estava maravilhada como se só agora pudesse vê-lo, realmente vê-lo, a emoção tão forte que ela o abraçou pondo sua bochecha em seu corpo, suas mãos acariciando até chegarem ao seu estômago e lá cruzarem, seus braços mal conseguindo rodear sua grande estrutura. Clark ofegou com seu toque, com sua pele na dele, ela achava que ele tremia. Seus braços apertaram mais o seu tronco, seu nariz afundando no tecido á sua frente e puxando com força aquele aroma qual ela tanto sentiu falta, qual enlouquecia os seus sentidos e enchia seu corpo de sensações. Porra, ela adora o seu cheiro como nunca adorou nada antes.

Ela sentiu tanta falta dele.

— Tudo o quê? Seja específico, punk – ele parecia tão quente, tão forte e ao mesmo tempo tão macio que não teve como conter o esfregar da sua bochecha em sua pele. Parecia tão certo. Clark abraçou os braços que o cercavam com carinho, suas mãos tremendo, sua respiração pesada.

Alura o sentiu engolir em seco antes de responder.

— Se me concentro, ouço o que quero. Aprendi a dominar minha audição para que não seja um incomodo, para mim ou para ninguém. Mas com você...

— Comigo? Vamos lá, Kent. Continue – ela beijou o ponto onde sua bochecha estava, seus olhos se fechando quando deitou no mesmo lugar. O som da sua voz, seu cheiro e seu corpo tão próximo á enviando para um nirvana nunca antes sentido.

— Seu coração á denuncia. Minha feridas se curam ao som dos seus batimentos tão perto de mim, em sua presença o ouço mesmo sem concentrar. Não é um incomodo, entretanto. – em seu silêncio, Alura beijou novamente aquele ponto em que seu rosto estava descansando o incentivando. Ela sentiu Clark inalar com força antes de pigarrear e continuar com a voz afetada – Eu... soube quando estava acordada quando ele bombeou com força ao despertar, eu soube que estava aqui com o trotar ansioso soando em seu peito antes mesmo da marca avisar. É um som tão bonito e saudável.

Alura riu o apertando, o carinho em suas palavras tímidas varrendo sua estrutura de pedra á deixando nua das suas paredes, exposta para ele. Seu coração bonito e saudável. Isso se parece com algo que o nerd Kent diria, mas soava tão inexplicavelmente doce.

— Bom, ao menos sabemos que nossas idas e vindas não irão me fazer enfartar.

Clark não riu do seu humor ácido, não esboçou nenhuma reação que ela pudesse captar das suas costas. Ele ficou em silêncio. Dentro de si, Alura sentiu que havia pisado em um ponto sensível para ambos, trago um fato qual não deveria ser levado com humor. Ela sabia, com tudo de si, que a grande parte do sofrimento de ambos era culpa dela e do seu radicalismo egoísta. E sendo uma pessoa egoísta ela poderia dizer que também sofreu, que também foi punida com suas decisões de merda; Mas Clark foi incontestavelmente arrasado por suas atitudes covardes e ferinas ao longo dos meses, a última sendo um grande golpe contra sua moral, era visível para qualquer transeunte que olhasse em seu rosto.

Claro que ele quem fora embora do seu apartamento quando ela estava conversando sobriamente, ele quem a deixou morrendo com um grande buraco ilusório no lugar onde deveria estar sua marca da última vez que se viram. Mas ele o fez pelo seu bem estar, ela sabia, como também já havia percebido o sentimental dramático que ele continha e não poderia julga-lo, afinal, quem era ela pra falar de personalidade? Ele é tão forte, mas tão sensível, tão atencioso. Agora refletindo, quantas das suas decisões foram tomadas pelo bem estar dele? Ou melhor, de ambos? Não é como se ele estivesse na situação qual estavam porque havia planejado. Mas qual importância isso tinha agora, afinal? Eles precisavam reintegrar e entender o laço que os unia, e Alura enfim estava... Apaixonada. Ela ousa dizer que sim. Além da marca, se possível. Irremediavelmente, verdadeiramente e felizmente apaixonada por ele com tudo de si.

Ela não quer mais estender os momentos ruins lutando contra ele, nunca mais. Então sentiu que deveria tomar mais um dos primeiros passos que viriam para trazer a paz para ambos.

Tentar por ele como ele tentou por ela em todo esse tempo. Porque estava apaixonada por ele, como ele também estava por ela.

— Me desculpa, Clark – ela murmurou contra seu corpo, mas sabia que ele a ouvia. As palavras saíram quebradiças com a falta de uso, Alura não orgulhosamente sabia que não era uma pessoa de se desculpar. Mas o faria por ele, por eles. – Eu não sei até que ponto devo me desculpar, há tantas falhas em mim qual poderia citar que me deixa perdida, mas sou sincera quando digo que realmente sinto muito. Por tudo. Eu apenas...

Ele alcançou suas mãos enroladas no seu corpo e as trouxe frente ao seu rosto, beijando suas palmas com carinho e adoração. Alura ofegou suavemente, seu coração batendo rápido, os pequenos pelos em seus braços se eriçando. A sensação macia dos lábios que esteve nos seus ontem contrastando com os pelos nascendo em seu rosto causava um formigar tão incomum, quase pecaminoso. Então, lentamente ele se afastou enquanto se virava, seu rosto livre dos óculos qual tanto a irritava enfim visível para a derrota das suas barreiras de forma nua e direta. Seu Kal, seu herói. Alura segurou um suspiro maravilhada. Sob seu olhar azul limpo ela se sentiu exposta, mas acolhida. Tímida, mas confiante. A olhava com tanto carinho que a dor atrás das suas íris quase foram camufladas. Quase.

— Eu apenas fui uma estúpida esse tempo todo, mas senti tanto, tanto a sua falta – concluiu num sopro sentindo suas palavras sumirem com sua atenção genuína, seu rosto se esquentando sob seu olhar atento. Há tanto que queria dizer, mas palavras não faria jus ao que passava em sua mente quando o olhava, suas ideias derretendo como manteiga e a deixando estúpida á intensidade ao carinho qual ele á enviava.

As mãos soltas dele seguiram em direção ao seu corpo, um na sua cintura e outro em direção ao seu rosto, lentamente, seus dedos grandes afagando suas bochechas com a leveza de uma pena, seguindo ao seu queixo com tanto carinho que a fez fechar os olhos. O sentiu se aproximar, sua pele formigando contra seu corpo, o hálito doce repentinamente contra sua boca. Ela queria tanto, tanto o sabor da sua saliva colado em sua língua de novo que quase choramingou um pedido. Mas ele não a beijou, seguiu seu rosto contra o seu em um carinho dócil esfregando sua barba recém criada em suas bochechas, e beijou a sua testa a abraçando em seguida.

— Não consigo dizer o quanto também senti sua falta, Alura. Não há palavras que possam descrever a escuridão do meu limbo. Eu apenas não poderia mais existir – Clark se segurava, Alura inexplicavelmente percebeu através do som verdadeiro mas distante em sua voz. Segurava seu carinho, segurava seus sentimentos, até os braços ao redor de si não a mantinha com tanta força quanto normalmente ele faria.

Estava se resguardando de si, com medo. Alura quase sentiu seus olhos molharem. Embora houvesse a parte dele na culpa, fora a sua que fizeram ambos estar onde estavam agora, e mesmo que toda a situação não pudesse ser resolvida num estalar de dedos, ela realmente não sabia nem por onde deveria começar, não queria a barreira da indiferença entre eles. Queria mostrar que estava disposta, que estava aqui, com ele.

— Embora você duvide, eu sei. Mesmo que não acredite eu senti o mesmo. Ainda que não pudesse me sentir...

Sua voz falhou. Ela não poderia dizer mais nada sem que suas palavras soassem embargadas, o bolo em sua garganta arranhando e coçando. Mas sua marca, agora bem viva e alegre, enviou a Clark o sentimento de completo dessabor qual estava marcado em seu peito. Alura falava da privação de alma que ele forçou á ela, e embora quisesse acusa-lo fora ela quem o ensinou esse truque sujo, ela quem o privou primeiro. A memória doía tanto. Alura o abraçou com força encaixando seu rosto na curva do seu pescoço se erguendo com a ponta dos pés, precisando que Clark a abrace com força como ele normalmente faria para a sustentar da vergonha das suas próprias falhas.

— Me perdoe, Clark. Eu não quero mais ficar longe de você – as palavras soaram chorosas, sua marca enviando dor para o seu receptor. Mas sinceridade acima de tudo, uma verdade tão pura que ele poderia simplesmente desmaiar com a felicidade libertadora que elas traziam.

— Eu também não, Alura. Por Rao, eu também não – Clark enfim a abraçou com força enterrando o rosto em seu cabelo e inchando seus pulmões com o seu cheiro. Então, quase fundidos dentro um do outro, peito com peito, a paz de um fluiu para o outro, suas batidas se acalmando, suas lágrimas secando. Eles compartilharam o tenro momento por minutos longos, suas peles enfim se reconhecendo novamente, as peças soltas dos seus corações puxando lentamente de volta para seus lugares.

Juntos, reconstruiriam e evoluiriam. Como ele prometeu á ela tempos atrás que fariam.

Nem mesmo pensando em saírem um dos braços do outro, o estômago de Alura roncou suavemente. Seu rosto esquentou de vergonha rezando para que ele ficasse quieto, não querendo nem por um segundo sair do aconchego carinhoso, mas Clark sorriu levemente e já começava a desembaraçar os braços do seu corpo. Ela quase lamentou, se recusando a puxar os braços do seu pescoço.

— Você está com fome.

— Não – ela teimosamente respondeu, descobrindo uma parte egoísta de si que ainda não havia evoluído, o egoísmo infantil soando como birra. Não estava pronta pra larga-lo ainda, a percepção pegando ambos de surpresa.

— Querida...

— Não. – reafirmou teimosa o fazendo suspirar em meio uma risada pequena. Clark puxou delicadamente seus braços do seu pescoço, beijando suas mãos e as segurando ao ver seu cenho franzido.

— Vamos comer, e depois podemos conversar. Tudo bem? Eu prometo.

Ela franziu os lábios aborrecida. Pra ser bem sincera Alura não queria conversar, não queria nada além de estar no novo ponto de segurança qual descobrira que era os braços de Clark envolta de si, os braços do homem qual estava incontestavelmente apaixonada e só percebeu a profundeza de tudo ontem, quando se declarou, afirmou e reafirmou os seus sentimentos para o mesmo. Mas pra ser bem honesta ela adoraria aproveitar dos dons culinários do herói novamente. E por isso, somente por isso, ela concordou apertando suas mãos nas dele com carinho.

— Apenas se comer comigo – ela tentou soar séria, mas o sorriso de dentes brancos em seu rosto coberto por curtos pelos era tão adorável, as ondulações cavando em sua bochecha, que ela fora obrigada a sorrir também. Ele era tão belo, da sua aparência maravilhosa até sua alma doce e gentil, que a faria facilmente ofegar e derreter.

— Eu não irei á lugar nenhum, minha lua.

Com sua declaração de duplo sentido, a paz se instalou em seu estômago ansioso e ela pôde enfim respirar aliviada. Ela também não estará indo mais á lugar nenhum senão na mesma direção que o seu herói dourado.

̶•̶°̶Y̶R̶M̶W̶°̶•̶

O começo do outono trazia consigo o misto temporal de duas estações. Ontem quando vagou cegamente pelas ruas de Metrópolis City a garoa gelada quase cegou os para-brisas do carro de Ross, mais cedo quando despertou o sol brilhava numa luz típica da cidade que tanto adorava justamente pelo calor. Agora, entretanto, chovia. O outono era belo, mas o misto de frio e calor sempre a deixava mais rabugenta já premeditando o inverno desolador que assolaria a cidade do sol em poucos meses.

Nesse momento ela não poderia se importar menos.

Clark tinha uma pequena mesa de madeira polida acoplada em sua cozinha bem ao lado da grande janela a envolvendo num clima confortável e pitoresco, em nada parecido com a mesinha decadente de bar que ela tinha em sua própria cozinha cinzenta de janelas emperradas. Sentada na mesma, saboreando um café preto forte enquanto olhava a chuva varrer a cidade abaixo, ela suspirou. Um misto de tudo de bom com as preocupações recentemente despertas. Embora seu corpo e alma estivessem cheios de felicidade e conforto ela não poderia deixar de se preocupar com o homem qual caminhava pelo cômodo, seus passos confiantes não entregando o receio que sua marca enviava ao seu peito.

Na mesa a sua frente havia uma mistura grande demais para uma refeição matinal, todas feitas manualmente pelo homem qual roubava seus suspiros; uma jarra de suco de laranja, os famosos biscoitos envenenados que ela tanto adorou, ovos mexidos com bacon, bolo de milho, café, leite, panquecas frescas, mel e geleia de framboesa. Clark esteve ocupado, e pelo cheiro delicioso de iguarias espalhado no ambiente ela sabia que não havia como ele ter feito tudo isso em menos de duas horas. Arrastando seus olhos até o relógio na parede do lado oposto qual estava sentada ela viu que seu relógio biológico fez o primeiro trabalho decente em anos: ainda era 7:18am. Á quanto tempo Clark estava acordado?

— Você esteve ocupado – comentou vagamente, o cheiro fresco das refeições quais acabaram de sair do forno feitos por suas mãos habilidosas a fazendo engolir a saliva qual se acumulou em sua boca.

— Não comeu nada quando chegou ontem, querida. Pular refeições não é algo que deixo passar com bons olhos, admito – seus pés descalços caminharam até onde ela estava sentada, e por algum motivo ela não conseguia parar de olhar para eles. Parecia tão... atraente, tanto quanto estranho.

Vê-lo de forma tão mundana, tão casual, íntimo, que inesperadamente uma onda de algo se instalou em seu estômago. Ela não queria que mais ninguém tivesse o prazer de ver o Deus despido de sua capa, ou do repórter despido dos seus óculos. O que estava acontecendo com ela?

— Bom, se o Kent do Kansas, o general das refeições caseiras, quer manter meu estômago cheio quem sou eu pra reclamar não é mesmo? – sua voz não saiu tão irônica quanto queria, e o rubor que subiu em suas bochechas era inexplicável.

Clark não disse nada, mas seu sorriso de dentes limpos fez seu coração bater descompassado com o olhar diferente que captou em seus olhos. Um dia ela leria o tom mais escuro que seu olhar outrora simples adquirira quando ela falava algo, mas agora, no entanto, ela só queria afundar os dentes em algo de cheiro extremamente maravilhoso que ele pôs em seu prato.

— O que é isso e porque parece divino?

— Torrada francesa, minha lua. Receita da família Kent. Cuidado, está quente – ele sentou-se ao lado contrário da mesa, servindo seu prato de uma porção generosa de ovos mexidos com bacon e um grande copo de suco.

Alura franziu as sobrancelhas pro pão dourado á sua frente tão recheado que o queijo vazava. Parecia agridoce, e cheirava tão bem que não fez cerimônia com garfo e faca, sua mãe não ficaria nada orgulhosa ao vê-la pegar a refeição quente com as mãos e dar uma mordida maior que sua boca. Seus olhos se fecharam e instintivamente ela gemeu. Não sentiu a queimadura em seus dedos ou o queijo vazando por eles porque, Deus, parecia um pecado de tão, tão maravilhoso. O pão estava crocante e doce salpicado com algo que parecia canela, e embora houvesse algumas verduras dentro do seu cardápio de refeições diárias ela nunca comeu algo que parecesse divinamente fresco quanto o recheio de brócolis, cenoura e salsichas quanto o que comia agora. Isso definitivamente derrubava qualquer fast food barato que ela engolia no café ao caminho pro trabalho.

— Querida, está quente! – ele soou preocupado, mas ela não poderia importar menos. Na terceira mordida seus olhos se abriram e ela se recostou na cadeira, olhando pro grande homem á sua frente e o seu rosto bonito centrado nela.

Sim, uma boa e maravilhosa refeição com uma visão digna de um espetáculo na Broadway. Nas orações qual ela nunca fez foi exatamente isso que pediu á Deus.

— Você é uma apelação de homem, Clark Kent Concorrência injusta para o seu gênero. Deus tem um favorito, com certeza, o hipócrita.

Ele sorriu daquele jeito bonito e verdadeiro que torcia seu peito e fazia seu coração acelerar, e o sentimento em seu peito era tão forte que ela quase quis estapeá-lo. Lutar contra Clark e seu jeito simplório, honesto e dedicado era uma briga perdida desde o começo, percebeu. Ela se apaixonaria por ele independente de qualquer coisa, e ter certeza absoluta disso só encheu seu peito de mais confiança. A marca era um acréscimo, não o motivo.

— Tudo o que minha senhora precisa. – declarou simplesmente, como se o que tivesse dito não fosse causar nenhum impacto em sua estrutura. Deus, ela estava tão fodida – Há então alguma concorrência qual eu deveria saber?

Em meio á uma mordida nada elegante ela ergueu os olhos da sua torrada para ele, e a forma como ele inocentemente levava o suco á boca não enganou suas intenções. Bastardo ciumento ele era, sua mente sussurrou maliciosa. A confiança nele não erguendo nenhuma bandeira vermelha em sua cabeça, porque sabia que não existia. Os sinais que sua marca enviava era a prova.

— Nenhuma qual eu me importe, senhor El – ela replicou a forma como ele a tratava depois de engolir e limpar a boca com um guardanapo, erguendo uma sobrancelha negra maliciosamente em sua direção. Clark pigarreou e sorriu, sua cabeça levemente inclinando para o lado, aquele mesmo olhar qual ela ainda não sabia decifrar tingindo os seus olhos e enviando uma vibração ao seu peito.

— Bom.

Sim, definitivamente um bastardo ciumento. Isso poderia render algumas provocações posteriormente. Ele ainda seria o mesmo simplista Kent ou o guerreiro El protegendo o que era... Seu? Seu sorriso malicioso rasgou em seu rosto e decidiu mudar os ares do assunto ou não teriam uma conversa se sua língua estivesse formigando para pô-la em sua boca novamente. Além do mais ela não deixaria passar o receio em seu corpo que sabia não vir dela.

— Então, há bastante coisa nessa mesa. Você quem fez tudo isso?

— Além do mel, leite e geleia, sim. Eu mesmo. Desde o suco até os biscoitos alienígenas – replicou sorrindo a fazendo revirar os olhos enquanto sorria também. Convencido.

— E quando foi isso? Não me lembro de ver um banquete americano quando você me arrastou pra dentro do seu apartamento ontem á noite, tão desesperado quanto estava – provocou irônica em meio á um sorriso de lado, vendo o herói erguer uma sobrancelha incrédulo, descansar o garfo no prato e erguer levemente seu grande corpo acima da pequena mesa em sua direção. Oh-ou, ela disse algo atrevido? O sorriso em seu rosto se alargou vitoriosa. Desconcertar Clark Kent seria o seu hobby favorito.

— Deve ser porque os seus belos olhos estavam fechados enquanto sua boca atrevida estava bastante ocupada depois que você veio ao meu apartamento ontem, tão desesperada quanto estava.

Touché, caramba. Onde Clark adquiriu tamanha confiança?

O tom da sua voz. Aquele tom pecaminoso que havia ouvido poucas vezes, misturados com aquele olhar, aquele olhar qual não sabia decifrar fazendo seu estômago afundar e sua pele formigar. Alura apertou as coxas uma contra a outra, um formigamento incomum descendo dos seus mamilos até suas áreas mais sensíveis. Essa voz barítono com tanto atrevimento, com seus lindos olhos tão escuros e o seu corpo de cheiro extremamente viciante, porra, tão próximo seria o combustível perfeito para o fogo acumulado qual ela nem estava ciente que tinha.

Ou talvez não tivesse. Talvez Clark fosse o fogo e o combustível que incineraria sua pele e queimaria o seu núcleo.

— Minha boca atrevida não pareceu ruim, já que sua língua estava tão desesperada dentro dela. – ela se inclinou para ele também, apoiando seus cotovelos na mesa e ficando tão próxima que poderia sentir o cheiro da sua respiração. Clark exalou lentamente, suas mãos fechadas em punhos.

— A mostrarei o quão bom foi quando eu arrancar o ar dos seus pulmões novamente, minha lua. Vai enredar suas pernas bonitas em volta da minha cintura de novo? Contra a mesa dessa vez?

Seu murmuro entredentes fodidamemte masculino fez gotas da sua essência escorregar até sua calcinha. Merda, Cristo, não havia chances de ir devagar com Clark se o clima entre eles continuassem mudando tão rápido quanto agora. Não se ele mostrasse mais lados selvagens como esse. Eles estavam falando do café matinal, por Deus, como isso se tornou um latejar entre suas coxas por um homem de várias facetas, cada uma mais quente que a outra? Depois de tantos anos sóbria, nesse momento, ela não queria nada mais do que agarrar seus cabelos e roubar sua boca para si. Sentada em seu colo, de preferência.

— Huh – ela pigarreou tentando manter o recente e bem desperto desejo longe do seu tom – Isso depende muito do quanto meu caipira bonito vai responder minhas perguntas agora.

— Seu caipira bonito, hein? O que minha senhora quer saber?

Ela não pensou duas vezes ao se aproximar mais dele, seus narizes se roçando, âmbar e azul fervendo um dentro do outro. Ela não seria a única afetada por suas tentações. Provocativamente ela lambeu os próprios lábios, tão perto que sua língua raspou na boca do grande homem tentando se controlar á sua frente. Clark grunhiu apertando o maxilar.

— Quando exatamente você preparou esse banquete, Kal-El? – sussurrou contra seus lábios se vangloriando por dentro ao vê-lo por um fio.

— Não me provoca, Alura – ele tentou avançar sua boca contra a dela, seu instinto de desejo gritando quando ela virou o rosto para o lado. Ele a responderia sem todas as provocações, claro, mas que graça teria? Ela iria explorar esse novo mundo qual estava agora com seu Clark, com certeza.

— Responda, Kent. – ela passou os lábios nos dele, lentamente, tão rápido que quando ele lambeu os próprios lábios ela já não estava mais lá.

Clark estava tenso, seus olhos nublados, seus punhos fechados e maxilar trincado. Pela marca ele enviava seu desejo, sua urgência. Touché. Ela nunca se sentiu tão bem e poderosa em toda sua vida.

— Hoje de manhã, lua.

— Que horas?

— Cedo.

Ela grunhiu insatisfeita.

— Quão cedo? Quando acordou?

— Não dormi.

Ela estalou a língua em reprovação. Isso era muito pior do que ela tinha imaginado.

— Olhe só você, tão hipócrita falando sobre a intolerância em pular refeições mas se privou de descansar para revirar panelas e fornos. Como devo me sentir com isso, Kent?

Inesperadamente a mão direita dele se dirigiu rapidamente á sua nuca a puxando para mais perto, e maldito filha da puta, acariciando seus lábios nos dela lentamente e recuando quando ela abriu os seus próprios para recebê-lo.

— Como queria que eu dormisse com a minha senhora finalmente em minha presença depois de tanto tempo sem vê-la? Com seu cheiro em cada maldito canto, o gosto da sua boca na minha, seus ofegos em meus ouvidos? Huh? – grunhiu, o aborrecimento em seu tom incendiando seu núcleo a fazendo pulsar entre as pernas. Merda.

— Aposto que me vigiou dormindo de novo – ela cuspiu contra ele em seus dentes cerrados, a respiração levemente alterada, a raiva do beijo negado florescendo. – Como sempre fez, não é? Dentro do meu quarto enquanto eu estava em meus shorts curtos, olhando minha bunda adormecida imaginando as tocar com as mãos cheias-

— Porra, eu fiz!

O mundo virou quando Clark e sua força descomunal a ergueu enquanto se levantava, e o movimento das suas pernas se enrolando contra sua cintura foi rápido o suficiente para eles estarem enredados quando a apoiou no balcão do outro lado da cozinha com uma rapidez assustadora, e Alura morreria e chamuscaria antes de abaixar o olhar para a rocha firmemente pressionando seu clitóris contra a costura dos seus jeans, porque se o fizesse ela perderia o controle, e se perdesse o controle agora ela não sabia o que iria acontecer. Mas deus ela queria tanto, tanto ser levada contra esse balcão da forma mais desleixada e frenética como nunca quis antes. Como seria a sensação de transar com o homem que pertencia por direito á ela? Por alguém qual estava apaixonada? Nesse momento teve o clarão libidinoso em sua mente que talvez o Kent caipira doce e amável do Kansas não fosse tão tímido e inocente quanto sua mente julgadora supôs com deboche que ele era, afinal.

— Eu fiz – ele sussurrou novamente segurando seu queixo e suas bochechas com uma mão enquanto a outra serpenteava a sua cintura como se ela não pesasse nada – Eu a zelei em seu sono como também á cobicei! Todas. As. Malditas. Vezes. Consegue sentir? É assim que me deixou á cada porra de visita.

Então ele apertou sua pélvis contra sua boceta dolorida de forma rude, a pressão extremamente rígida á tocando justamente onde ela precisava, mas antes que pudesse reagir com um gemido necessitado o polegar de Clark estava pressionando em seus lábios.

— Nenhum som. Nem mais um maldito sussurro saindo dessa sua boca esperta ou eu juro por Deus, Alura, que não vou me conter.

— Você adora isso, não é, seu pervertido do caralho... – suas palavras fugiu do seu polegar grosso quando ela virou o rosto, morrendo com o beijo certeiro que Clark bateu em seus lábios.

Não teve movimentos, nem língua, mas só bastava aquilo, apenas a sua boca contra a dela a silenciando e seu corpo contra o seu, seu cheiro em suas narinas e seu pau rígido contra seu núcleo que seus olhos repentinamente quase rolaram. Aquele mesmo sentimento de pertencer, de conforto e familiaridade varreu o seu corpo da cabeça até a ponta dos dedos dos pés, tendo a sua fonte á marca vibrante e brilhante como um maldito farol. Era poderoso como nada que já houvesse sentido antes.

Aquele era o seu lugar. Exatamente ali.

Quando Clark desgrudou seus lábios em um estalo dos seus ele apoiou a testa na dela, respirando ofegante contra sua boca enquanto seus olhos estavam fechados com as sobrancelhas franzidas.

— Por Rao, você é minha. Finalmente. — sua voz bonita estava grossa de emoção, e Alura não podia julga-lo. Seu coração corria contra o peito, seu corpo doendo de necessidade, sua alma transbordando tantos sentimentos de ambos que lágrimas repentinamente brotou em seus olhos. Nada de dor, aflição, revolta, ódio ou tristeza. Felicidade. A mais pura e genuína felicidade de pertencer.

Era demais, ao mesmo tempo que não. O suficiente, ao mesmo tempo que nunca seria. Era seu. Seu Clark, seu Kal-El.

Finalmente.

— Eu nunca – sua voz vacilou afetada pelo momento, abrindo os olhos azuis e olhando para os seus ambares molhados – Nunca a toquei de forma indevida, minha lua. Nunca a persegui, nunca a invalidei e nunca a desrespeitei. Mas sim, eu velei o seu sono, eu á cobicei enquanto isso embora mantive meus olhos longe, e eu fui á ti quando sua marca clamava. Eu estive lá antes que soubesse, embora sempre respeitei-a, lutei contra a necessidade do nosso vínculo. Eu só precisava estar do seu lado, eu só-

— Eu acredito, Kal – o interrompeu, suas mãos em seu peito forte o rodeando até uma estar nas suas costas e outra em seus cabelos macios – Acredito em você.

— Eu não quero que isso acabe – ele acariciou a mão que segurava seu queixo até a lateral do seu rosto, trazendo a outra mão em seu pescoço da mesma forma – Eu não quero dormir pois não quero acordar. Não quero fechar os olhos e abri-los novamente só para descobrir que não está mais do meu lado. Eu lutei, Alura. Contra nós, depois de tudo o que me disse e eu realmente entendi, eu lutei. Mas depois de ontem... Depois de ontem, de agora, eu não posso lutar mais. Por favor, não vá embora novamente. Por favor não peça que eu vá.

O peito de Alura apertou de forma anormal, tão dolorido que as lágrimas enfim deslizaram pelo seu rosto. Embora a tensão sexual ainda pairasse ao redor de ambos como uma segunda pele em seus corpos, a dor de Clark Kent era tão clara, tão crua e tão exposta que ela se sentiu a pessoa mais horrível do mundo. As janelas dos seus olhos sempre foram claras, suas palavras sinceras e suas intenções expostas. Desde o começo. Nunca houve jogos com Clark Kent. Seu Clark, honesto e transparente Clark. Ela não podia fazer isso com ele novamente, com ambos, nunca mais. Ela não conseguiria, não depois de ontem, não depois de hoje. Nunca mais.

— Seu homem tolo! – sua voz suplicou, seu rosto choroso não se permitindo a vergonha ao olha-lo nos olhos – Como pode se privar do descanso depois de tudo? Depois de ontem? Eu fui sincera em tudo o que disse, Clark. Lembre-se do que eu disse.

— O que você disse, minha senhora? Cure os meus medos, salve a minha alma, preencha meu vazio de você. Repita para mim, eu preciso disso com a minha vida.

Ela respirou fundo e esfregou suas testas juntas, olhando fixamente em seu olhos enquanto recitava seus sentimentos.

— Kal-El, filho de Jor-El e Lara-Lor-Van – ela pôs-se a repetir suas palavras da noite passada, de forma clara e objetiva como um texto decorado, mas carinhosa e cedida pois eram as palavras do seu coração – Eu, Alura Murray-fodendo-Chelsea, sua prometida por direito, abençoada pela deusa para ser sua parceira, declaro aqui novamente a minha sincera paixão e rendição aos seus sentimentos e informo á você o meu desejo de permanecer ao seu lado por quanto tempo do caralho nós dois nos sinta de livre e espontânea vontade confortável, nesse catorze de outubro no ano dois mil e quinze depois de Cristo.

Clark esfregou seus narizes juntos, um sorriso aliviado nascendo em seu rosto causando um misto de dor e carinho em Alura. O que ela tinha feito á confiança de Clark Kent? Precisava expor o que sentia, precisava garantir não só para ele como para ela mesma.

— E eu não vou á lugar algum. – ele abriu os olhos esperançosos para ela, um pedido mudo qual ela sabia que precisava responder – Eu dou a minha palavra, Clark. Estou verdadeiramente apaixonada por você, e não estou indo mais á lugar nenhum. É uma promessa.

— Eu... – sua voz falhou enquanto rodeava seus braços em seu corpo e a dava um abraço de vida, afundando o nariz em seus cabelos e a afogando com seus músculos montanhosos e o seu cheiro absurdamente maravilhoso – Eu acredito em você, Alura. Eu acredito. Obrigada, querida.

Então a tensão saiu do seu peito de forma lenta, o abraçando com força também ao mesmo tempo em que fechava os seus olhos no conforto dos seus braços. Era tudo o que importava agora. Era tudo o que ela honestamente queria e faria.

Porque Alura Murray jamais quebrou uma promessa, caramba.

̶•̶°̶Y̶R̶M̶W̶°̶•̶

Seus olhos estavam fechados e suas pernas jogadas em almofadas fofas, braço direito apoiado no sofá atrás de si enquanto o esquerdo descansava no encosto das costas. Com a cabeça levemente inclinada para trás ela respirou fundo e exalou lentamente, tudo ao redor contribuindo para um descansar em seus músculos e nervos quase ilícito; como se estivesse chapada. Seu estômago estava bem cheio, graças ao Kent do Kansas, e o seu cheiro misturado com iguarias naturais faziam suas narinas picarem com a potência e sua língua salivar. Era diabolicamente delicioso, uma fragrância qual gostaria de engarrafar e contrabandear somente para si mesma.

Ela se sentia bem. Por Deus, ela se sentia tão, tão bem.

Depois do provocar excitante na cozinha e de ambos consolarem á si mesmos em um abraço de morte eles tropeçaram de volta á mesa e se colocaram a comer a montanhosa fartura natural do grande herói. Alura jamais, nunca, iria se esquecer da sensação certa do encaixe dos seus corpos e do quanto a dureza entre as pernas de Clark á prendeu exatamente onde ela queria e não sabia: um misto de prazer torturante, alimentando o seu fogo antes tão inóspito e o fazendo correr por suas veias. Jamais esqueceria seus músculos grandes á pegando como um amontoado de cobertores bobos, do cheiro da sua essência quando passou o nariz em seu pescoço peludo e da maciez dos seus lábios contra os seus. Ela quase se sentia estúpida. Passara tanto tempo lutando contra Clark, tanto tempo de sofrimento arduamente admitido que agora que ela estava aqui, em seu território, não se sentia estranha. Ela deveria, havia feito tantas coisas novas e assustadoras pra sua pane social que á essas alturas em outros tempos ela teria se isolado trancafiada em seu apartamento precário não querendo nada menos que o chão á engolisse por inteira.

Mas não agora. Se sentia bem, tão diferente de si, era tão irreal a sensação de ombros leves quando sabia do peso que era carregar á si mesma.

Ela quase podia flutuar.

— Haveria lugar para mim nesse sofá, querida?

Alura abriu um dos olhos acariciando sua mente perversa com a imagem deliciosa do grande homem que á olhava com um belo sorriso, um notebook prata em seus dedos da mão esquerda equilibrado como se não fosse nada. Alura mexeu os pés contra o outro preguiçosamente, rolando o pescoço antes de encara-lo de novo.

— Isso depende muito. O que eu ganho com isso?

— Oh, que vergonha. O café da manhã não foi o suficiente pra minha senhora?

Ela resmungou contra sua brincadeira, reconhecendo que havia comido como um dragão. Mas quem poderia julga-la? Ela nunca experimentou temperos misturados de forma tão divina antes.

— Você tem marcado vários touché’s, huh? É assim que os caipiras se divertem no Kansas? Ensaiando respostas ás provocações urbanas uns aos outros? – ela deu espaço para ele se sentar, cruzando as pernas ainda confortavelmente semideitada em seu sofá. Clark riu balançando á cabeça enquanto ligava o notebook, sua marca fazendo estranhas cócegas em seu ambiente de morada que ela teve vontade de sorrir também.

— Na verdade gostamos muito da temporada de colheita, apostamos muito em suas variáveis. Mas você chegou bem perto, não se aborreça.

Ela estalou a língua na boca o olhando com as sobrancelhas arqueadas. O maldito Kent tinha uma língua esperta quando queria, e não pensou que mais alguém na terra suportaria sua acidez desnecessária com diversão irreal além da própria Rosaly-pé-no-saco-Campbell. Que graça teria se ninguém se aborrecesse? Estava cercada de pessoas com humor ferrado, percebeu.

— Hilário. Mas diga-me, seu chefe o mandou cobrir alguma notícia cabeluda agora?

— Eu nunca á vi como alguém interessada em fofocas, querida – ele á olhou de soslaio com um sorriso de canto, seus dedos perceptivelmente acostumados á tarefa teclando habilmente uma mensagem de resposta ao e-mail qual seu chefe o ligou logo após eles terminarem o café da manhã e o pediu para dar uma olhada.

— Eu não sou, droga. Mas que mal seria saber de antemão? Vai que descobriram enfim a identidade do Batman.

Seu entusiasmo borbulhante deve ter feito algo com ele, percebeu, ao ver seus dedos vacilarem nos teclados por segundos quase imperceptíveis. Um sorriso lento puxou seus lábios perversos dos próprios dentes, esperando com antecipação enquanto via a garganta grossa de Clark trabalhar engolindo o que estava em sua boca e ele não explanou. Se Clark á vigiou em seu sono com a constância qual ela sabia que ele fez, com toda certeza havia visto seu pijama nada decente do Cavaleiro das Trevas. O que se passou naquela mente doce para provocar tal sensação em sua marca? Algo como... Incômodo? Ela quase podia adivinhar o que seria, mas nada pagaria o triunfo de vê-lo dizer ele mesmo.

— Quem quer saber a identidade do Batman, sinceramente?! – respondeu com descaso fingido a fazendo alargar ainda mais seu sorriso de merda.

— Vamos lá, não é uma afirmação inteligente da sua parte. Todo mundo quer saber a identidade do Batman.

— Você incluso? – o mar cristalino dos seus olhos se dirigiram pra ela em toda sua glória e Alura quase lambeu os lábios. Merda, ele era quente. E sério da forma que estava, então, a faria caminhar sob brasas apenas para ver mais de perto a natureza protetora e nada sutil do El abaixo da sua pele de bom menino.

— Com certeza, droga – murmurou entre seus dentes apertados, o sorriso de Cheshire ainda em seu rosto enquanto o olhava no fundo dos olhos – Eu tenho uma pequena queda por ele, sabia? Desde os doze anos. Ele é simplesmente... Fascinante, não acha, Kent?

Ela viu seus ombros endurecerem lentamente á cada palavra camuflada com falso descaso, sua atenção agora completamente em si enquanto ele se virava em sua direção e abandonava o computador na mesa de centro á frente.

— Torções estranhas com homens vestidos de morcegos, com certeza muito velhos para uma garotinha de doze anos. Não vejo nada fascinante nisso, Alura.

Ela mordeu o lábio com força á menção do seu nome, seu peito martelando contra sua caixa torácica num frenesi antecipado. Merda, ela arruinaria Clark Kent e a inocência em suas entranhas se isso significasse ver mais dessas reações mal controladas. Não deveria, mas a deixava tão excitada. O que estava acontecendo com ela? Quando decidiu, sequer pensou, em se sentir tão confortável provocando um homem com mais da metade da sua idade qual tinha uma ligação ancestral de relacionamento?

Ela se arrependeria disso, tinha certeza. Mas foda-se, não voltaria atrás. Havia se privado tanto dele, deles, que sua pele e marca pinicavam de ansiedade para arruiná-lo, para que ele pudesse enlouquecer em suas próprias entranhas. Como ela ficou por ele.

— Bom, eu já não tenho mais doze anos, não é? O que é uma máscara de morcego perto do corpo lapidado em seu traje? E sem nenhum poder acima de tudo, com todas aquelas ferramentas e apetrechos, é tão incrível vê-lo em ação, tão ágil e forte sendo um humano. Você não acha, Clark? Vai dizer pra mim se souber sua identidade secreta, não é? Que tipo de homem ele seria?

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Seus cílios bateram contra suas bochechas de forma quase inocente, e se não fosse o olhar maligno em seus olhos ambares ela quase poderia engana-lo se quisesse. Clark estava tenso, seus ombros rijos. A marca em seu peito enviava uma tensão que quase a forçava a querer acalma-lo, mas que graça teria? O clima ao redor era quase palpável, segundos em silêncio encarando um ao outro, nervos de ambos em alerta para o que poderia e iria acontecer se ninguém recuasse.

— Do homem morcego não me interessa nem um pouco sua patética identidade secreta, ou seus poucos feitos limitados pelo seu corpo frágil. Ele é apenas um cara com muito tempo livre e brinquedos brilhantes.

— Ai! – ela fingidamente pôs uma mão contra o peito – Tão rude, tão cheio de si. Acha que Superman pode ser melhor que o Sentinela Negro, á quem tem se dedicado a tantos anos á sua cidade?

Ela levantou mais seu tronco semideitado, se aproximando lentamente até seu rosto estar nivelado ao do herói dourado.

— Posso listar infinitas coisas quais fariam Batman parecer somente uma piada sem graça, minha lua.

— É mesmo? E quais seriam? – ele também se aproximou de si, seu corpo maior quase a engolindo quando seus lábios estavam apenas á um fio de distância.

— O primeiro e último argumento que darei é que depois de mais de vinte anos sob sua tutela inútil a taxa de crimes em Gotham tem tido números insignificantes de queda comparados á 99, em contrapartida os números de criminosos superdotados teve uma alta considerável desde 2003. Batman brinca com seus sacos de pancada humanos em sua cidade escura esquecida por deus, eu os levo á verdadeira justiça ao redor de todo o mundo. Batman não é digno da atenção da minha senhora El.

Tão nerd em suas pesquisas inteligentes, mas tão El em seu poder e proteção. Tão humano quanto guerreiro. A marca no peito de Alura pulsou de forma torcida e descompassada, lançando um frenesi em suas veias e matando sua diversão, á deixando á mercê da necessidade. Sua respiração alterada, seus mamilos empurrando contra sua blusa, o cheiro dele tão próximo a entorpecendo. Foda-se Batman e sua pouca utilidade, sua provocação tola a rendeu tantos resultados que ela não esperava, mas fodidamente apreciou, que tudo o que fez depois que as palavras sérias do seu herói saiu por seus lábios deliciosos foi avançar contra sua boca, se pondo de joelhos no sofá e crescendo acima dele enquanto abraçava seu pescoço com força.

A língua de Clark serpenteou em sua boca de forma quase rude, seus lábios se encontrando em um ritmo duro que deveria machucar. Mas não. Era perfeito, era sujo, desleixado, suas línguas tentando dominar uma á outra. Alura forçou Clark até as costas do sofá enquanto decidiu que iria montar em seu colo, jogando sua perna do outro lado e encaixando seu núcleo na elevação bastante rígida abaixo de si. Clark quase rugiu dentro da sua boca, e aquele som foi tão pecaminoso, tão primal, que sua pele imediatamente fora coberta com a camada da necessidade. Ela rapidamente estava muito molhada, tão pronta, e quase se desfez quando um dos seus braços poderosos abraçaram sua cintura contra á tentação diabólica abaixo de si. Ela queria, ela precisava.

— Gosta de me provocar, não é? Me ver louco? Falando de outro homem para mim assim!

Ele arrulhou enquanto puxava com cuidado seu rosto longe dois dedos do dele através da raiz dos seus cabelos, fazendo seu rosto ardentemente vermelho e seus olhos desejosos o encararem como se o visse pela primeira vez. A tensão sexual entre ambos tão forte que ela quase poderia pegar com os dedos.

— Você merece! Depois de ter me deixado por tanto tempo você merece minha provocação, Clark!

— Eu fui porque achei necessário! Depois de tudo o que me disse, julguei sábio apenas deixá-la em paz confortável com sua vida!

— Da próxima me pergunte se é o que eu quero também, idiota!

— Porra, Alura!

Então a boca de ambos se encontraram de novo, com força, frenéticos, desleixados. Os estalos do beijo de ambos era indecente, seus corpos moendo um contra o outro de forma inconsciente como animais primais era quase demais. Através de olhos fechados nada fazia sentido para ambos, respirar não parecia uma necessidade mesmo que os pulmões de Alura gritassem. Através de olhos fechados ela viu a corrente que os unia vibrando em ouro, seus fios entrelaçados e rodopiando contra o eco da união abençoada pelos deuses kryptonianos. Em toda excitação, sentiu paz. Em toda a necessidade avassaladora, sentiu que aquele era o seu lugar. A marca em seu peito exalava tantas vibrações excitantes pelo seu corpo que era quase demais, uma tortura, e quando pensou em arrastar sua blusa por cima da sua cabeça e aliviar a pressão em seus mamilos impossivelmente duros o beijo qual estavam perdidos fora bruscamente interrompido.

Antes de abrir os olhos Alura sentiu seu corpo ser movido com uma velocidade delicada quase assustadora, seus lábios vazios e seu corpo febril acometido pelo frio repentino. Ela abriu os olhos lentamente e piscou, ofegante, a marca em seu corpo oscilando frustração á fazendo torcer o nariz. Clark estava á sua frente do outro lado da sala, de costas para si e apoiado contra a lareira com as duas mãos, sua cabeça abaixada entre elas. Ele respirava fundo, forte, como se estivesse se afogando e conseguisse enfim ser salvo.

— C-Clark? – sua voz soou rouca e insegura, a vertigem excitada saindo lentamente do seu corpo á deixando lentamente sóbria.

Clark exalou fundo, seus ombros tensos parecia como se estivesse ferido. Alura se levantou preocupada, mas antes que desse um passo sua voz embebida de excitação soou fracamente á prendendo no lugar.

— Lua, não – seu tom oscilou trêmulo. Alura segurou um pulso contra o peito de forma incerta.

— Eu fui longe demais? Eu não... Me desculpa.

— Não me peça desculpa, querida, estou honrado. Era tudo o que pedi e além, é mais do que desejei em meus melhores sonhos. Apenas...

Ele engoliu em seco antes de falar, levantando sua cabeça entre os braços e passando as mãos de forma brusca no rosto tentando achar alguma sobriedade.

— Você se lembra do que eu disse sobre a marca, amor? Sobre o nosso pertencimento?

Alura engoliu em seco ao viajar por memórias de meses atrás, na última conversa qual tiveram qual arrancou seu coração á deixando com um buraco vazio enorme no meio do seu ser que a adoeceu, que a corrói até mesmo agora. Mas ela se lembrava, sim. De tudo, de cada palavra, de cada toque, de cada história.

— Me lembro de tudo. Você está... Voltando atrás?

Então Clark se virou para si e a olhou como se ela tivesse dito o maior dos absurdos. Ele caminhou lentamente até ela, ficando á três passos da sua pequena forma repentinamente insegura. Ele ergueu a grande palma da sua mão esquerda para si e ela hesitantemente ergueu á sua mão também, conectando seus dedos juntos sentindo aquela faísca entre eles explodir em seu corpo novamente fazendo suas bochechas corarem. De alguma forma, de alguma forma, aquele toque parecia mais íntimo do que o que estavam fazendo naquele sofá um contra o outro até minutos atrás.

— Em absolutamente nenhuma palavra, meu amor. Você teve meu coração e a minha alma além da marca, além do nosso pertencimento. Eu sou seu, e seria independente da ligação.

Ela engoliu seco a embargação sentimental que se alojou em sua garganta, aquele tom de voz tão pesado de sinceridade e entrega que só o seu honesto e simples Kent poderia transmitir.

— E-Então?

— Então que isso não anula o efeito frenético e necessitado dos nossos corpos se encontrarem, Alura. Nossas almas clamam por nós, por consumar nossa ligação e nos fazermos um do outro. É além do desejo humano, é poderoso e urgente, quase imparável. Por Deus Alura, apenas ouvir as batidas doces do seu coração me deixaria selvagem com um louco se eu não tivesse meu autocontrole lapidado por tantos anos.

— Clark, eu não... não sei se entendo completamente.

— Eu não... – ele se interrompeu enquanto entrelaçava seus dedos nos seus, puxando sua mão até seus lábios para beijar os seus dedos finos um por um com adoração pura fazendo seu coração gritar e sua marca explodir. Era quase demais, quase tão íntimo quanto suas intimidades juntas – Eu não quero pular nenhuma etapa com você, minha senhora. Até ontem de manhã eu estava trancafiado em meu limbo e perdido em minha dor, á noite quando veio trouxe consigo o sol, aqueceu meu corpo morto e trouxe meu espírito de volta a vida. Confiou á mim seus lábios e a confissão dos seus sentimentos, e agora tenho o seu corpo tão próximo e carente para mim. Eu posso sentir o seu cheiro mesmo agora, desejando-me, gritando por mim.

Então ele fechou os olhos e respirou com força, sua grande estrutura inchando e inflando com os movimentos dos seus pulmões. Quando olhou pra ela novamente os seus olhos estavam cobertos com uma fragilidade sincera que quase trouxe lágrimas para os seus próprios olhos. Tão exposto para si, tão sincero e rendido. Para ela, e somente para ela. Deus, ela não merecia nada disso e ainda sim o tinha.

— E é tão difícil de conter, meu amor. Tão difícil tocar seu corpo, sentir tudo de você contra mim, para mim e sobre mim. Se eu der voz aos meus extintos eu á farei minha agora mesmo. Contra o chão dessa sala, contra esse sofá, contra o balcão da cozinha, contra a lareira de tantas formas deliciosas que seu corpo não cantará mais nenhuma música além da que eu tocar.

Ele se aproximou da sua figura emudecida e necessitada. Alura estava envolta de tantos sentimentos nesse momento agora que não saberia descreve-los. Quando em sua vida teve a oportunidade de presenciar tais vertentes humanas? Quem havia mostrado para ela ao menos uma centelha da paixão pura que estava nos olhos do herói nesse momento?

— Mas não posso fazer isso dessa forma. Rao e Yuda-Kal concedeu á mim o milagre mais precioso de tê-la aqui e agora. E eu sei que nós estamos eufóricos e felizes, mas não quero que saia daqui e seja assolada pelo sentimento que poderia ter feito as coisas de forma mais lentas e pensadas. Eu a quero, Alura, com cada gota do meu sangue kryptoniano. Não duvide disso sequer por um momento, querida. Mas eu quero conquista-la primeiro, mostrar o lado de mim qual não sinta que esteja aqui apenas por estar dominado por tudo que nos envolve. Eu quero conhece-la, querida, para que eu possa responder todas as perguntas que me fez sobre si mesma em nossa última conversa e eu não soube responder. E quero que se entregue á mim além do nosso frenesi delicioso, quero que seja minha além do pertencer. Eu a quero, Alura. Eu quero... Que seja a minha garota, além da minha senhora.

Alura arregalou os olhos emudecida, seu corpo paralisado. Em seu silêncio ele se aproximou e a abraçou com carinho, apoiando a bochecha em sua cabeça depois de beijar seus cabelos com adoração.

— Você está dizendo-Você realmente quer dizer-

— Sim, amor. Cada palavra. Mas não precisa sentir-se pressionada, não precisamos dar nome a nada agora. Apenas... Vamos com calma. E Rao sabe o quanto essas palavras custam ao meu lado El, mas eu quero fazer as coisas certas para darem certo á longo prazo, eu quero cultivar o que já temos para ser maior do que já é. Eu quero solitude para que não possamos nos afastar nunca mais, não quero correr esse risco novamente. Eu quero fazer dar certo além do destino. Consegue me entender, minha lua?

Alura retribuiu seu abraço com carinho e agradecimento, seus olhos cheios de lágrimas escondidos contra seu peito. Havia tanto carinho e atenção em suas palavras, tanto amor e dedicação em cada promessa oculta em suas afirmações. Ela se sentiu tão... Valorizada. Além do seu corpo, além da sua personalidade de merda, além dos seus charmes padrões e dos seus desejos desenfreados. Ela se sentiu...

Amada.

E ela não entendia disso.

Mas saber que um homem direcionava essa atenção qual nunca havia visto em nenhum outro, o Deus mais poderoso talvez de todo o universo, do homem qual estava ligada pra sempre, fez suas lágrimas descerem por seu rosto de forma confusa entre felicidade e ansiedade. Ela não entendia nada disso. Mas estava tão grata á ele.

̶•̶°̶Y̶R̶M̶W̶°̶•̶

Sob suas pálpebras fechadas a vida parecia um sonho. Seu corpo embalado pelo calor do homem qual tinha tantos sentimentos bonitos a trazia uma sensação segura qual nunca antes sentiu além da sua própria pele, a carícia suave em seu cabelo a equilibrando entre dormir no conforto e acordada para apreciar com mais atenção o seu afeto. Fazia tantos anos que havia ao menos cogitado alguém tão próxima do seu coração do que o seu corpo que a fazia se sentir exposta, embora não ameaçada. Nunca ameaçada. A presença de Clark Kent era tão apreciada quanto desejada, era como cama após um longo dia de trabalho exausto; tão necessária, tão acolhedora.

Em paz. Sua mente estava em paz, seu corpo estava em paz.

Estavam deitados no sofá, um frente ao outro, um blues suave rondando o ambiente enquanto as carícias do seu homem de ouro a mantinha entre o sonho e a realidade. Embora tivessem tanto á dizer, não falavam. Não era necessário, o silêncio não era oco ou ensurdecedor. Era apenas... natural. Confortáveis um contra o outro, uma fonte de energia alimentando a outra. As vezes uma conversa suave se iniciava sem dizerem nada de importante, e se encerrava com a mesma naturalidade. Seu rosto contra o peito de Clark exigia cada gota do seu cheiro, já os lábios dele explorava cada suavidade do tecido indomável da sua cabeça agora livres da polpa que fez de manhã. Eram apenas eles dizendo tanto um ao outro sem nenhuma palavra. Parecia como o paraíso jamais descrito em nenhum livro cristão.

O céu privado para um deus e uma mortal abençoada demais em sua incredulidade.

— Eu amo os seus cabelos. São tão cheios e macios, selvagens e perfeitos. Como você – a voz murmurada veio com a típica sinceridade Kent de sempre, tão envolta de verdade que ela sorriu envergonhada contra seu peito forte. Era tão brega, mas tão maravilhoso.

— E eu que tenho fetiches estranhos – ela respondeu com humor enfim envolvendo seu braço em sua cintura o abraçando com força, sentindo o trovejar da sua risada contra seu peito largo. Ele sabia que ela estava corada, nada acostumada com tudo o que fizeram e faziam, mas podia sentir que não havia outro lugar qual ela queria estar além dali.

— Você gosta muito de blues, não é? – perguntou com interesse, quase suspirando ao ter seus dedos fortes em seu couro cabeludo numa carícia terna.

— Eu cresci envolto de blues e jazz. Principalmente por causa da minha mãe, claro. O meu pai apenas não conseguia entender que algo era bom além do country. Nenhum comentário esperto sobre isso, minha lua – ela riu com humor, engolindo a piada sobre homens caipiras e seus gostos semelhantes enquanto se permitia ser embalada pela sua voz novamente – Mas ele ouvia por ela, porque amava ouvi-la cantar. Até aprendeu a dançar para acompanhar seus passos pela casa quando se empolgavam. Eu e Spot, o bobo e enorme babão labrador qual tinha na infância, fazíamos uma bagunça tentando dançar juntos também. Dona Martha Kent ficava louca com as marcas de lama e risco das unhas de Spot no chão.

Ele falava com tanto amor, tanto carinho sobre seus pais e a sua infância. Era tão puro. Seu coração ficava feliz em saber que apesar de todos os problemas com seus dons e os obstáculos que eles o trouxeram, havia em seu lar pais amorosos que o cuidaram como pais devem ser aos seus filhos, sem olhar de onde ele veio ou para onde ele iria quando crescesse. Mas infelizmente havia aquela parte soterrada em si mesma que doía ao só poder imaginar, afinal sua infância não fora um conto se fadas. Alura nunca havia sentido o quão fundo estavam as cicatrizes da sua infância não convencional até aquele momento, onde não quis mencionar seus próprios pais. O que ela diria? O que valia a pena ser dito? Não queria estragar todo o clima quente ao seu redor trazendo coisas pelas quais já não se lamentava mais, e não estava tão pronta pra falar de si mesma.

— Você dança blues? – perguntou interessada, erguendo os olhos do seu peito e o encarando. Ele sorriu de forma brilhante levando uma mão ao seu rosto, a carícia em sua bochecha quase á fazendo tremer os cílios.

— Qualquer dança social qual eu só precise dar dois passos aqui e ali, sim. E você, querida?

Alura desdenhou um som engraçado em sua garganta, seus ambares maliciosos o encarando com ironia.

— Eu sou uma dama, Kent, por favor.

Ele ergueu as sobrancelhas enquanto sorria, curvando ainda mais seu grande corpo no pequeno sofá á dando uma sensação de casulo, seus lábios contra sua testa num beijo tenro que agitou a marca contra seu peito numa festa vibrante.

— Isso é um sim? Deus, você nunca para de me surpreender.

— Claro que é um sim, não é óbvio quão equilibrada sou em meus pés? – ela murmurou com humor, o hálito inigualável de Clark e seu perfume natural potente embaçando levemente seus sentidos. – Embora eu não tenha uma história tão amável quanto á sua.

— Quer me contar sobre isso?

— Não – respondeu rápida, internamente se estapeando pelo olhar preocupado que atravessou os belos azuis de Kent. Alura suspirou – Eu não quero dizer muito. Apenas saiba que minha mãe queria que eu fizesse aulas de dança, eu era uma criança desajeitada, pensou que pudesse me dar algum equilíbrio. É claro que danço com dois pés esquerdos e suo embaraçosamente de nervoso, mas consigo fazer algo socialmente aceitável. Não é pra mim, no entanto.

Sua resposta rápida quase soou rude, mas Alura tentou ao máximo possível não deixar sua frustração aparecer para ele. Era mais um obstáculo superado, claro, mas se fosse tão fácil porque a incomodava falar? Sua infância nunca foi algo qual teve que expor para ninguém antes, até mesmo a própria Rosaly não sabia muito. Mas de alguma forma... De alguma forma, pela primeira vez na vida, desejou que não fosse tão difícil, que não tivesse sido tão anormal. Quão bom seria falar de famílias e tradições com o homem qual estava apaixonada? Não deveria ter nenhum, e Alura sentiu o incomodo revoltante rastejar em seu estômago ao enfim perceber que seriam poucas conversas quais seus pais seriam mencionados que não deixaria um clima estranho depois. E ela não poderia evitar para sempre. Sabia que ele não a pressionaria, jamais, mas havia algo em Clark e no sentimento que pulsava em sua marca que simplesmente gostaria de faze-lo falar por horas á fio apenas para contemplar o barítono da sua voz, para apreciar o sorriso que marcava suas bochechas e o brilho apaixonado em suas piscinas oculares azuis.

E gostaria que fosse sobre qualquer assunto, gostaria que não houvesse lacunas sobre o que poderia ser mencionado ou não.

— Ei, querida – ele sussurrou contra seu rosto, lábios quentes pressionando como plumas em seu nariz. Deus, ela poderia derreter. – Você não precisa falar se for desconfortável. Sabe disso, não é minha lua?

Ela suspirou á menção do seu apelido carinhoso e seus beijos suaves, a marca em seu peito pulsando e vibrando de forma diferente, levemente esquentando o seu corpo de forma perigosa.

— Sim, punk. Eu sei disso – ela sorriu atrevida, o braço envolta da sua cintura forte o pressionando um pouco mais contra seu corpo – Podemos não falar sobre pais agora? Está bem quente aqui, e não quero desconsiderar as coisas bonitas que meu caipira honesto falou mais cedo.

— Alura...

Ela internamente se estrangulou quando a faísca ardente entre seus seios aumentou a temperatura do seu corpo, a proximidade de ambos arrepiando sua pele e causando o já característico formigar entre suas pernas. Ela precisava sair agora de perto de Clark Kent ou não acabaria nada bem, e ‘nada bem’ parece fodidamente delicioso nesse momento.

— Gosto do meu nome em sua boca, Clark. Aconselho á não usá-lo com frequência. Agora vamos, facilita e se afasta.

Clark riu, á mão em seu rosto a segurando com firmeza quando seu braço qual enlaçava sua cintura desenrolou do seu corpo e tentou pôr alguma distância entre eles. Ela o olhou de sobrancelhas franzidas em repreensão e se deparou com uma tempestade escura em seus olhos antes limpos, tão intenso e profundo como um temporal á noite. Sua boca ficou seca. Tão bonito, tão hipnótico, ela poderia olhar para os seus olhos tempestuosos por horas á fio.

Então um pensamento sorrateiro surgiu na terra fértil da malícia da sua mente: seria assim que ele a olharia quando estivesse em cima dela, deslizando pra dentro do seu corpo e a consumindo por inteira?

— Não torne isso tão mais difícil meu amor, eu preciso fazer darmos certo. – sua voz pesada parecia implorar, como se tivesse acabado de ouvir seus pensamentos e eles o fizessem sofrer para concretiza-los.

— Você é o único que me prende, Clark. Solte, não é difícil apenas pra você.

Suas palavras foram sérias, embora suas bochechas ardessem com algo além da necessidade. Admitir para a fonte do seu desejo que estava sendo difícil não transar duro e frenético com o mesmo estava arrancando cada fagulha da sua decência e orgulho firmemente construída por anos. Clark, maldito bastardo ela pensou, ao contrário do seu pedido deslizou seus dedos grossos em sua bochecha deixando um rastro de fogo onde passou, contrastando com a forma rígida qual agarrou seu queixo e firmou seu olhar para ele que a fez engolir em seco. Por breves segundos ele pareceu articular algo antes da sua voz profunda voltar á falar com igual seriedade.

— Um beijo, minha lua. Apenas um beijo e isso será tudo.

Sua língua afiada e ferina queria rebate-lo de forma sarcástica. Quem permitiu que ele colocasse as cartas na mesa quando claramente estava perdendo o jogo? Mas ficou quieta e assentiu lentamente, o desejo de sentir o seu sabor contra sua língua de novo superando sua necessidade de provocá-lo até os ossos. Isso iria ter volta, garantiria que ele sentisse o mesmo e pior em situações futuras, mas nesse exato momento ela só queria o sentir em sua boca arrancando a pouca sanidade ainda vigiando sua mente.

Clark respirou fundo enquanto cobria a pouca distância do seus rostos de forma lenta, seus lábios quentes deixando beijos delicados na ponta do seu nariz e em sua bochecha, passeando ao redor da sua boca de forma provocativa enquanto incendiava a sua pele e frustrava sua urgência. Alura agarrou a blusa de Clark em punhos fechados, e ele entendeu seu recado quando suavemente encaixou seus lábios macios nos dela.

Aquela faísca formigante se tornou um raio eletrizante, arrepiando os cabelos da sua nuca até a ponta dos dedos do pé, seus mamilos se eriçando contra o peito duro e quente do seu Deus particular. Ambos suspiraram com força, a respiração se tornando difícil, e quando Clark virou o rosto suavemente e deslizou a língua para dentro da sua boca de forma tímida e contida ela engoliu um gemido e impediu seu próprio corpo de sacudir com a euforia repentina qual assumiu seus nervos. Embora fosse injetada com adrenalina o beijo deles era lento, suave, meloso, os dois derramando xarope um do outro em seus beijos doces que arrancou o ar de ambos mais rápido do que normalmente seria. Clark puxou seus lábios dos seus calmamente, a única coisa denunciando seu estado catastrófico pessoal era sua respiração pesada e seus olhos escuros. Alura lambeu os próprios lábios sentindo seus gostos juntos, ofegante e necessitada, seu corpo quente e corado sendo pressionado contra o homem á sua frente. E maior que o transe do beijo era olhar a sua face, o rosto perfeitamente esculpido e lapidado do homem mais forte do mundo, senão de todo o universo.

E era seu. Destinado para ela pelos próprios Deuses.

Uma chama de orgulho que antes não residia ali acendeu em seu peito em cima da sensação entorpecente e eletrizante da excitação que a marca espalhava em seu corpo, tornando a situação toda tão irreal que parecia etérea. O calor dos braços de Clark era proibido, a áurea celestial que dançava entre eles e os unia para uma vida era proibido, estar em baixo dele nesse momento, com as mãos firmemente fechadas em punhos em sua blusa tão forte que as juntas estavam brancas era proibido. Alura não era religiosa, sua família toda não era, mas sua querida avó tinha a teoria que a terra era a penitência para a carne e que só experimentaríamos o paraíso quando nossa alma se desprendesse desse plano. Então como ousaria Alura sentir tudo aquilo que estava sentindo? Como atreveria ela ter tudo em abundância, seu paraíso particular com o próprio filho do sol, o Deus da sua terra?

A sensação entre eles era tão enérgica e abrasadora que os emudeceu, ambos mergulhados no olhar um do outro, seus corpos impossivelmente juntos. Mas Alura sentia dentro de si, além da plenitude da marca, que havia ganhado um pote enorme de ouro, grande demais para os seus braços carregarem. Ela não queria espalhar as moedas do seu tesouro por onde trilhasse e lamentar a ânfora vazia quando alcançasse a terra prometida, como poderia ela ser digna de tal riqueza destinado apenas para anjos e filhos do divino?

— Você é minha senhora – a voz profunda dele sussurrou, aquele timbre grosso e pesado de tantos sentimentos que seus olhos arderam dentro dos globos, como se ele lesse seus pensamentos e estivesse disposto a arrebentar suas dúvidas com os próprios dedos – Minha prometida, minha destinada, o presente moldado pelos deuses á mim, forjada da minha própria alma pela espada de Rao, cada fio que nos une tecido pelas mãos da própria Yuda-Kal.

— Como isso é possível? – Ela sussurrou de volta, sua voz incapaz de aumentar sequer uma oitava – Olhe para mim, sou apenas eu. Como podemos pertencer um ao outro? Como seus deuses podem ter nos feito o par eterno?

— Tão incrédula minha Alura, tão insegura. Não sente que somos nosso? Você é minha e eu sou completamente teu, além de posse, além de afirmação. Não sente isso?

Então a mão que residia numa carícia terna em seu rosto se moveu lentamente, polegar deslizando do seu nariz aos seus lábios, desenhando seu queixo ao seu pescoço que a fez engolir em seco. Uma trilha de choque seguia seu dedo, tão forte que ela cerrou os olhos.

E então algo extraordinário aconteceu.

Lentamente Clark trilhou seu polegar até entre seus seios de forma respeitosa e singela, mas assim que seu único dedo fez contato com a área vibrante da sua marca, por cima da sua blusa, seu corpo fora inundado com uma descarga tão forte de êxtase e euforia que ela levantou seu tronco á mão que á tocava, sua boca abrindo em um ‘o’ enquanto inspirava uma respiração forte pelo nariz como se estivesse sendo afogada. Suas pernas balançaram procurando algo para apoiar, suas mãos apertando impossivelmente mais os punhos na blusa do seu herói.

— Por Rao! – Clark puxou uma respiração aguda entre os dentes cerrados, suor acumulando na nuca e testa, seu corpo rígido sendo implorado, gritado e sugado para se fundir á peça do quebra cabeça que falta, fundindo á sua alma gêmea. E a sensação era tão forte, tão poderosa e tão arrasadora que não podia respirar.

Alura gritava por ele sem nada falar, sua alma implorando por ele, o El em seu ser se transformando numa besta irracional que arranhava e se chocava contra seu peito querendo acalentar e satisfazer a alma da sua predestinada, para salva-la do frenesi sufocante da necessidade.

— Querida, preciso que pare de chamar por mim! Minha lua, por favor — sua voz morreu na boca ao sentir a garganta inchada e seca, seus tímpanos explodindo com os sons celestiais e gritantes do coração da sua senhora, sua.

Como se um ímã segurasse seu corpo de forma nada igual á outra coisa qual tenha sentindo antes, Clark sentiu que sua mão cairia assim que tentou puxa-la do contato com a alma da sua parceira. Parecia um crime, errado, imundo não se fundir àquela chama que cintilou entre ambos, sua senhora, sua mulher inconscientemente gritando irritada quando conseguiu enfim arrastar a mão da sua marca e puxa-la pra longe, seu corpo se erguendo com urgência para se afastar. A porta escancarada da alma de ambos juntas gritou em revolta, retumbando no seu peito como traição. Amargo e doloroso.

— Respire fundo. Amor, respira fundo, não vou á lugar nenhum, estou aqui. Não vou deixá-la minha senhora, estou aqui, volte para mim. Isso meu amor, assim. Devagar. Está tudo bem. Está tudo bem, querida, estou aqui e não vou á lugar nenhum. Eu prometo, estou aqui.

Alura apertou os olhos juntos os sentindo molhados, sua boca seca e o seu corpo rejeitado frio doendo. Nunca sentiu algo tão, mas tão maravilhoso para em seguida ser transformado em algo tão negativo quanto agora. A voz de Clark causou um misto de alívio e aperto em seu coração, sua marca chorando rejeição espalhando raiva sob sua pele, fazendo seu sangue ferver. 'Ele não tem culpa, controle-se' uma voz soou em sua mente, tão clara e limpa que não se parecia como nada que surfava em seus pensamentos nesse momento. O relógio deu algumas batidas até seu corpo se conectar com ela mesma novamente, sua respiração se regulando enquanto a voz preocupada e pesada de Clark voltava á ser bem vinda aos seus tímpanos novamente.

Quando seus olhos se abriram ela sentiu-se cansada, sua boca seca. Seus braços mal a sustentou quando se arrastou numa posição sentada no sofá, tirando a bagunça de cabelos do seu rosto confuso vendo um Clark muitíssimo preocupado a sua frente com um copo d’água estendido para si qual ela aceitou de bom grado.

— Clark o que... O que foi isso? Eu não-Eu senti-foi como...

A voz morreu em sua garganta ao perceber que não havia nada, absolutamente nenhuma palavra qual seu vasto vocabulário conhecia para sequer começar a descrever o que havia acontecido.

— Eu não sei, minha lua. Eu realmente não sei. Você está bem? Sente dor?

— Sinto frio. Como se tivesse tirado o casaco do corpo quente em meio ao inverno, e ainda sim sinto meu sangue ferver.

— Eu também, querida. A mesma coisa triplicado por dez. Eu sinto muito, minha lua. Eu não sei o que houve.

— Bem... Começou quando você tocou a marca. Talve-Talvez não seja uma boa ideia a tocar até sabermos o que houve.

Clark cerrou os punhos á sua frente, seu rosto tenso e preocupado.

— Eu deveria instrui-la sobre a nossa ligação e fazer suas dúvidas irem, olhe para mim agora. Não consigo sequer pensar em explicar o que houve. Me perdoe minha lua, eu deveria ser capaz de responder as perguntas da minha senhora.

Alura quase rolou os olhos com o autoflagelo desnecessário do homem qual era seu. Clark as vezes parecia esquecer que ela podia sentir a sinceridade do mesmo até os ossos, além de ser estupidamente transparente sua própria ligação com ele, a marca, poderia ser uma grande fofoqueira se ela soubesse a ouvir. Estava mais do que óbvio que ambos estavam numa situação qual nunca estiveram sem grandes instruções de como deveriam lidar. Por que ele se culpava como se ele próprio tivesse feito isso de propósito?

— Calado Kent – disse enquanto se aproximava do lado do sofá qual ele estava sentado de cabeça baixa e mãos apertadas uma contra a outra com força o suficiente para amassar uma bola de boliche.

Alura quase riu do olhar desesperado que o pobre homem á lançou com sua proximidade, e antes que ele pudesse reagir ou pedir que ela não ficasse tão perto ela se lançou contra seu peito com força, talvez com o choque dele ela conseguiu o grande feito de deita-lo de costas no resto do sofá e descansar a cabeça em seu peito e seu corpo no dele. Imediatamente uma sensação relaxante acalmou o ferver sob sua pele, ambos suspirando de alívio ao terem suas peles juntas de novo. Não era excitante e eufórico como antes, era alívio e cura, seu corpo frio esquentando aos poucos com o contato.

— Não está aborrecida comigo, querida? – sua voz parecia pequena e insegura, temerosa. Trouxe uma amargura para sua boca que quase a fez estapeá-lo. Bate-lo por dizer algo com tanta dor, e bater em si mesma por ter plantado a semente horrorosa da insegurança no peito do grande homem.

Sentiu a inexplicável e desoladora sensação que ela teria lacunas para reparar em Clark, lacunas quais ela mesma abriu.

— Eu não vou ser uma dor na bunda quando não há necessidade, Clark. Culpa-lo não adianta, manter distância não adianta, raiva não adianta. A situação é o que é, e eu já tomei minha decisão. Descobriremos juntos, você mesmo disse, lembra? Apenas não se afaste de forma tão brusca se algo assim acontecer de novo ou martelarei suas bolas, caramba.

Clark riu um som calmante contra seu ouvido repousado em seu peito, sentindo aos poucos a confiança do mesmo voltar a ele quando um braço a rodeou com cautela extrema, o outro acariciando de forma sorrateira até criar confiança para enredar os dedos no seu couro cabelo e acaricia-lo até a tensão em sua têmpora afrouxar e escorrer para fora do seu corpo á entregando para a sonolência relaxante qual não hesitou de ceder. Foda-se se estava dormindo de novo. Foda-se se era no peito de um outro ser humano, coisa qual nunca se lembra de ter feito. Foda-se se seu corpo havia convulsionado e gritado de necessidade, clamando por Clark entrar na dor alucinante entre suas pernas e devora-la até o alivio libertar sua alma.

Foda-se.

Não iria voltar atrás, já havia tomado sua decisão e depois de ontem, hoje, queria que o sempre fosse descobrindo tudo de surreal com o homem qual sua alma estava inegavelmente amarrada. Ela era Alura Murray, porra, e não havia nada mais importante no mundo que a sua palavra. Ela nunca mais ficaria longe de Clark Kent ou tentaria afasta-lo não importa pelo o que seja.

E Deus o abençoe se ele tentar fugir dos seus braços de novo por qualquer motivo que seja, inclusive ela mesma.

Notas finais
Cá estou eu. Como estão, meninas? Eu não gosto de ser uma pessoa que quebra promessas, mas sabe, quando eu resolvi voltar a ser ativa no site eu estava recuperando de uns crise muito forte de ansiedade, me sentia melhor, estava com minha família composta por meu namorado qual amava com tudo de mim e aos meus filhos qual ele chamava de seus. Até ele decidir ir embora. Isso mesmo, bem assim. Um dia dormiu comigo, no outro foi embora alegando que não aguentava mais a caída astral que tive no último mês. Engraçado o quanto uma pessoa pode te amar imensamente em um bom momento, e no outro já não mais pois você já não tem como se doar tanto. Entrei numa crise profunda, tive febre e alucinações, passei duas semanas só chorando e pedindo á deus respostas, e se não fosse as crianças eu não sei o que teria acontecido. Eu estava vivendo a melhor fase da minha vida, nunca fui tão feliz, eu só não estava em um bom momento. Jamais achei que ele pudesse ir embora, morávamos juntos á quase um ano. Só tive a profundidade do quão descartáveis nós somos depois dele. Faz mais de um mês, ele nunca olhou pra trás nem pra saber se estávamos vivos, e eu ainda sai de ruim porque segundo ele eu estava pesando na mente dele. É mais triste do que cômico, tenho agora que lidar com terapias e remédios, mas do que adianta chorar? Desculpe-me, eu não queria deixá-las triste. Só queria explicar o porquê do meu sumiço, nem os comentários respondi. Sinceramente já havia 10k de palavras, o capítulo estava quase pronto, antes dele partir. Quando ele se foi eu não tinha ânimo nem pra levantar da cama, e só consegui abrir o word ontem á noite para concluir. Irei responder todos os comentários de forma vagarosa. Me perdoe. Dia Dark está esfarelando de novo. Minha ascenção morreu antes de se reerguer de fato. Só sinto dor e tristeza. Espero um dia que as sequelas vão embora, porque passar passa. Tudo passa. Menos os danos. Enfim, meninas. Perdoe-me. Espero imensamente que tenham gostado desse capítulo, e me perdoem se frustrei vocês em algo. Depois de dois anos ninguém quer apenas um capítulo, eu incluso, mas acreditem quando digo que dei tudo de mim para que esse capítulo fosse o mais dentro da história, feliz e amoroso possível. E não misturar a ficção com a realidade é difícil quando se está na lama, mas acho que consegui. Obrigada por tudo, por todas vocês. Minhas amigas e irmãs que estão sempre aqui acima de tudo. Vocês são incríveis e salva um pedaço de mim á cada comentário, favorito e recomendado. Preenche minha alma e me faz ter vontade de continuar. Obrigada á todas vocês. Esse capítulo é por vocês, e somente vocês. Não Clark ou Alura, não eu e minha felicidade em escrever. Vocês. Pessoas quais não conheço mas que tem meu imenso e verdadeiro afeto, e fazem os meus dias ainda mais claro. Obrigada por tudo, pessoal. Não há palavras em minha mente que possa começar a agradecer pelo apoio de vocês e a presença sempre aqui. Eu tenho as melhores leitoras do mundo e vou levar vocês pra sempre em meu coração. Cada uma de vocês. Até mais, espero ❤️
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.