Notas iniciais
Etto... Tive uma súbita inspiração e decidi escrever... Muito obrigada pelo carinho o/
Aqui está mais um capítulo para vocês.

Ele chegou na escola no horário de sempre. Entrou na sala olhando o chão como sempre. Sentou no lugar de costume e olhou pela janela.

Os pássaros voavam.

Ela adoraria ver os pássaros voarem.

Suspirou.

Pouco a pouco as pessoas se multiplicavam em torno dele. Seu corpo começou a ficar curvo, como acontecia quando estava com muitas pessoas. Todo dia era a mesma coisa. Todo dia ele tinha que dar um passo.

Sentia que estava recuando.

Pegou um caderno e abriu. Não escrevera nada. Não sentia nada. Não por coisas normais.

Começou a pintar de preto a página. Inconscientemente escreveu o nome dela. Arrancou a página e a rasgou. Seu sangue fervia.

Qual era o problema dele?

O garoto sentia as vozes. Elas penetravam e chicoteavam na sua pele. Mas ele tinha uma camada que criara a partir do momento que ela morrera.

Por quê?

O professor entrou e fechou a porta. Kaito começou a tremer. A outra não viria para a aula hoje.

Ele teria um momento de paz.

Olhou para fora novamente e se perdeu em pensamentos.

Tudo voltou novamente.

"Miku era empurrada no balanço. Ela subia e descia, com um sorriso maravilhoso. Kaito a empurrava, e os longos cabelos verde-água de Miku balançavam.

Kaito era feliz ao vê-la.

Logo foram chegando, Len, Rin, Gakupo, Meiko e Luka. Luka chegou atrasada, trazendo uma pilha de livros infantis. Ela contava histórias para todos eles apesar de serem todos da mesma idade.

Kaito parou lentamente de balançá-la.

Eles sorriram e Miku começou a dançar. Não sabiam porquê Miku fazia essas coisas tão diferentes em momentos normais mas essa era sua principal qualidade. Ela era feliz. E levava felicidade à todos.

Puxou Len, Rin, Meiko. Tirou os livros de Luka e colocou nas mãos de Kaito. Gakupo entrou por conta própria e começou a dançar algo nunca visto.

Miku riu. Ela ria por qualquer coisa.

E então chamou Kaito. Foi sua vez de segurar os livros. Ela gostava de observar Kaito. Ele era muito tímido. Kaito ficou parado. Ele não dançaria, não sem ela."

- Vocês precisam estudar cada vez mais! O futuro de vocês depende disso! — o sensei gritou.

Futuro.

" — Nee, Gakupo, o que você quer ser no futuro? — perguntou Meiko.

Gakupo começou a mexer os dedos como se tocasse um teclado invisível. Isso responderia a pergunta de Meiko.

- Quero ser monge. — anunciou. Todos olhavam para ele. — E você, Rin?

A loirinha pensou um pouco.

- Serei desenhista. Len será minha musa.

Todos riram. Rin não sabia o que significava ser musa, além de Kaito e Luka, mais ninguém sabia.

- Eu serei a musa de Rin! Esse é meu futuro!

- Eu vou ser modelo! — gritou Meiko.

- Ei, Meiko-chan, você não pode ser modelo. Modelos são bonitas. — Gakupo se arrependeu no mesmo instante ao falar aquilo. Meiko desferiu um golpe em seu estômago e o fez cair.

- O que foi que disse, seu balofo? — Meiko gritou.

Eles riam. Miku parecia preocupada.

- Pa-parem de brigar. — pediu Miku, baixinho.

Kaito sabia como o comportamento deles afetava Miku. Ele faria algo para proibir Meiko de bater em Gakupo.

- Pare! Meiko! — gritou Luka.

Todos a olharam. Ela nunca gritara.

- Kaito? E você?

Kaito mexeu um pouco no cabelo. Era muito tímido. Ele respirou fundo.

- Vou dominar o mundo. — comunicou.

- Uuuh! Sugoi! Você é incrível, Kaito! — gritou Gakupo.

- Por que você quer fazer isso? — questionou Len.

- Ah... Que incrível, Kaito! — murmurou Miku. Seus olhos brilhavam.

- Eu vou salvar o mundo! Eu farei dele um lugar melhor! — Kaito estava empolgado.

- E como fará isso? — perguntou Rin.

- Eu vou usar meu cérebro! — assumiu.

- Ah..! Como você é esperto Kaito! — gritou Miku. Ela levantou e começou a pular.

- Só faltam as duas."

Alguém bateu a porta.

Luka Megurine entrara na sala, seu cabelo rosa escorrido caído até a cintura. Ela não o prendera. Parecia apavorada e assustada. Tinha medo de algo. Mais especificamente de alguém.

- Gomen, sensei! — pediu, baixinho.

Kaito fechou os olhos. "Não é a Miku, é apenas a Megurine. Não é a Miku. Concentre-se."

- Megurine... Não terá uma próxima. Você sabe que apenas os melhores estudam aqui, e para ser melhor exige a pontualidade. Que isso não se repita nunca mais. — O sensei estava irritado.

"Fique calmo, Kaito" Seu peito batia fortemente. Ele respirava rápido. "Calmo. Respire. Calmo."

- Sim, sensei. Não acontecerá novamente. — Megurine falou, a voz diminuindo a cada momento.

"Kaito, não exploda."

Megurine passou por ele. Seu cheiro... Seu cheiro era igual ao dela.

Ele bateu na mesa.

- Ahhhhhhhhh! — gritou. Saiu correndo.

Ele começou a chorar enquanto fugia. Nunca conseguiria ser normal. Nunca foi normal, mas Miku mantinha sua sanidade. Tudo começou a desmoronar depois que seus pais morreram e teve de morar no orfanato. Miku era sua luz, a pessoa que faltava. Os outros também. Junto deles, ele sentiu que tinha uma família.

Sua família foi destruída no final daquela tarde, seis anos atrás.

Ele sabia o caminho de cor, ia todos os dias lá. Não teria tempo de comprar um alho poró, ou um onigiri.

Seguiu cada vez mais rápido.

O desejo de tentar vê-la.

Correu, as lágrimas embaçando sua visão.

Chegou ao cemitério. O túmulo dela estava lá. A frase era: Você mudou nossa vida.

Não era mentira, pelo menos, não com ele.

Sentiu seu corpo ceder enquanto chorava. Se ajoelhou e chorou no túmulo de Miku Hatsune.

Nunca mais poderia balançá-la. Não tinha sentido ser inteligente se ela não estaria lá para elogiá-lo.

Ele não sabia que estava sendo observado.

Ela, escondida, chorou também.

Notas finais
Curtinho, mas o que acharam?