Notas iniciais
Olá *-*

A música do meu despertador era "Save You Tonight", mas eu não tinha nem 1% de vontade de cumprir a promessa que tinha feito aos meus pais de desarrumar as caixas da mudança. "I-, I wanna save you, wanna save your heart tonight"

-Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai, vai salvar a mãe e me deixa dormir! — resmunguei e desliguei o despertador,voltando a me enfiar debaixo das cobertas porque era mais uma manhã cinzenta em Londres e isso não faz ninguém querer pular da cama tão cedo.

Porém, neste dia tão "comum" não tive tanta sorte em ficar debaixo das cobertas. Alguns minutos depois, lá estava a minha mãe, tentando tirar da cama sua filha de 13 anos — vulgo eu — e obrigando-a a ir se arrumar.

Para começar o dia MARAVILHOSAMENTE BEM, tomei um tombo ao levantar da cama e bati a boca no chão. Que coisa amazing, só nas primeiras 42 horas em que estava morando ali já tinha levado mais de dez tombos.

Acordei então, com aquela vontade gigante de infernizar o diabo (então Emely, conte-me mais sobre como é infernizar alguém que já mora no inferno...) , prendi o cabelo fazendo um coque e me prontifiquei a desarrumar as caixas.

- Filha, estou indo no supermercado, quer alguma coisa?

-Macarrão instantâneo, Pringles e Coca-Cola mãe, por favor.

-Certo.

Subi para o meu quarto e sentei na minha BayWindow, aquelas janelas com três faces projetadas para fora e um sofázinho, e abri a janela, colocando a cabeça para fora. Londres estava normalmente deserta, com casinhas iguais, os carros, aquele Audi R8 — Parecido com o do meu ídolo Harry Styles- estava estacionado na casa ao lado e os vizinhos que eu ainda não conheci nenhum, estavam enfiados em suas casas.

Eu não tinha medo de altura. Geralmente não. Porém nesse dia, ao me sentar na BayWindow senti o medo percorrer meu corpo. Claro, se eu caísse dali do segundo andar, eu morreria, na certa. Eu estava morrendo de medo que sei lá, escorregasse e morrese com pombos negros comendo meu cérebro. Nesse pensamento super otimista, só fiquei feliz em saber que o Louis Tomlinson gostaria de ver me ver morta para finalmente achar um Kevin que esteja vivo.

Estar ali sem morrer? Ok, missão impossível.

-Garota, o que você está fazendo aí em cima? — Gritaram lá de baixo. Não vi quem era o dono daquela voz, só que a senhorita equilibrio aqui, não gosta de sustos, principalmente quando está prestes a morrer, sentada em uma BayWindow no segundo andar da casa, fazendo exatamente nada.