You & Me - 2 Temporada
2 Rastros
Notas iniciais
“Alguns rastros desaparecem com o tempo.
Outros… ficam escondidos nas pessoas que ainda lembram.”
POV EDWARD
Subúrbios têm um talento curioso para reagir ao perigo.
Eles não entram em pânico imediatamente. Não como cidades grandes, onde tragédias viram manchetes e desaparecem no ciclo infinito de notícias. Subúrbios funcionam de outra maneira. Primeiro vem o silêncio. Depois a preocupação educada. E então, lentamente, a paranoia coletiva começa a se espalhar como uma infecção discreta.
Madre Linda estava exatamente nesse estágio.
Eu percebi isso quando saí para pegar o jornal naquela manhã e encontrei três vizinhas conversando na calçada do outro lado da rua, as vozes baixas, os rostos tensos, os celulares constantemente nas mãos como se estivessem esperando uma notícia que ainda não tinha chegado.
O desaparecimento de Elena Salvatore havia se tornado o assunto central do bairro e isso era um problema.
Eu entrei novamente na casa segurando o jornal, mas não precisei abrir a primeira página para saber o que estava lá. Bella estava na cozinha com Tony no colo, balançando-o lentamente enquanto ele mastigava distraidamente um pequeno brinquedo de borracha.
Ela olhou para mim quando entrei.
— Já começaram a falar — disse ela.
Eu coloquei o jornal sobre a mesa.
— Claro que começaram.
— O que estão dizendo?
— Que Elena desapareceu.
Bella suspirou devagar.
Tony soltou um pequeno resmungo irritado.
— Isso vai piorar — disse ela.
Sim.
Vai.
Eu observei minha esposa por alguns segundos. Bella parecia calma, mas eu conhecia cada pequena mudança na expressão dela. O jeito que seus dedos apertavam o tecido da blusa de Tony, o ritmo da respiração um pouco mais acelerado.
— Eles estão organizando uma busca — disse ela.
— Onde?- perguntei
— Na floresta atrás do bairro.- disse ela preocupada— Você vai?
Interessante.
Bella levantou os olhos.
— Nós temos que ir.- disse
Porque quando você faz parte de uma comunidade como Madre Linda, ausência é suspeita.
— Ótimo — murmurou — Então vamos procurar uma mulher que sabemos exatamente onde está.
POV BELLA
A floresta atrás de Madre Linda parecia mais escura do que eu lembrava.
Talvez fosse apenas o clima estranho que se instalou no bairro desde o desaparecimento de Elena, mas enquanto caminhávamos pela trilha cercada de árvores altas e densas, eu tinha a sensação constante de que todos ali estavam olhando para mim.
Talvez estivessem.
Talvez fosse apenas culpa.
Havia pelo menos quarenta pessoas espalhadas pela trilha naquele momento, grupos de vizinhos segurando lanternas, chamando o nome de Elena com vozes tensas que ecoavam entre as árvores.
— Elena!
— Elena, você está aí?
Eu tentei me concentrar na caminhada, no som das folhas secas sob meus pés, no peso de Tony preso ao meu corpo no carregador infantil. Edward estava alguns passos atrás de mim, conversando brevemente com alguns homens do bairro.
E então alguém falou comigo.
— Você deve ser isabella Cullen.
Eu virei.
O homem parado diante de mim era alto, elegante de um jeito tranquilo, com olhos atentos que pareciam analisar tudo ao redor antes de realmente focarem em alguém.
— Sou — respondi.
Ele estendeu a mão.
— Stefan Salvatore.
Ah.
O irmão de Damon.
— Eu sinto muito pela Elena — murmurei.
Ele assentiu lentamente.
— Obrigado.
Silêncio.
— Damon disse que você a viu alguns dias atrás.
Meu coração bateu um pouco mais forte.
Mas eu fingi tranquilidade e sorri.
— Sim, ela estava me mostrando um imóvel. Eu estava pensando em abrir uma doceria, mas iria ser impossível com um bebê pequeno.
— Elena adorava ajudar pessoas que queriam começar algo novo.
Eu observei Stefan por alguns segundos. Havia algo diferente nele. Não era apenas a tristeza pela cunhada desaparecida. Era um tipo de presença tranquila que fazia as pessoas quererem confiar nele.
— Você parece uma boa pessoa, Bella — disse ele de repente.
Interessante.
Eu sorri.
— Eu tento.
Silêncio.
Ele segurou minha mão por um segundo a mais do que o necessário.
E por um momento, muito rápido, um pensamento estranho atravessou minha mente.
Talvez Edward não fosse o único no bairro sendo observado.
POV EDWARD
O problema com comunidades pequenas é que elas acreditam em duas coisas ao mesmo tempo.
Primeiro: que todos são boas pessoas.
Segundo: que qualquer um pode ser culpado.
Enquanto caminhava entre os grupos de vizinhos naquela busca improvisada, eu estava fazendo o que sempre faço melhor.
Observando.
Analisando.
Calculando.
E foi assim que percebi Klaus Mikaelson.
Ele estava parado alguns metros à frente, conversando com outro vizinho, mas seus olhos voltavam constantemente para mim.
Sempre voltam.
Predadores reconhecem outros predadores.
Eu caminhei um pouco mais pela trilha e foi então que ouvi uma conversa que fez meu estômago se apertar levemente.
— A última vez que vi Elena foi com Bella Cullen — disse uma voz masculina.
Ben Chang.
Eu parei discretamente atrás de um grupo de pessoas.
— Você tem certeza? — perguntou Damon Salvatore.
— Absoluta. Elas estavam conversando perto da rua principal.
Silêncio.
— Interessante — murmurou Damon.
Meu cérebro começou a trabalhar mais rápido.
Elena foi vista com Bella.
Os vizinhos podem lembrar.
E câmeras.
Sempre existem câmeras.
Eu voltei para a trilha principal tentando parecer relaxado, mas dentro da minha cabeça as engrenagens já estavam girando em alta velocidade.
Modo Edward Cullen.
Analisar.
Prever.
Sobreviver.
Alguns minutos depois me afastei da multidão e peguei o telefone.
Havia apenas uma pessoa que podia ajudar nesse tipo de situação.
Eu disquei.
— Alô?
— Renée.
Silêncio do outro lado.
— Edward? Eu esperava que demorasse mais.
Mais tarde, depois que o sol se pôs e os vizinhos encerram as buscas do dia. Damon apareceu na nossa casa.
Eu sabia que ele viria, homens como Damon não esperam por respostas e vão atrás delas.
Eu estava na sala quando ouvi a campainha tocar. Bella estava no andar de cima colocando Tony para dormir, então fui eu quem abriu a porta.
Damon estava parado na varanda.
Elegante.
Calmo.
Perigosamente calmo.
— Boa noite, Edward — disse ele.
— Damon.- o cumprimentei tentando fingir indiferença.— Posso ajudar?
Silêncio.
Ele inclinou levemente a cabeça.
— Na verdade, espero que sim.- disse ele com um sorriso calculado varrendo a sala atrás de mim com os olhos.
— Como?- perguntei
Ele deu um passo mais perto.
— Você viu minha esposa?
Silêncio.
O tipo de silêncio que dura apenas alguns segundos, mas parece se estender por muito mais tempo.
— Elena?- fingi total indiferença
— Sim.
— Não desde o dia em que ela mostrou um imóvel para Bella.
Damon me observou com atenção.
— Interessante.
— Por quê?
— Porque algumas pessoas disseram que viram Elena com sua esposa.
Eu dei um pequeno sorriso.
— Isso não é exatamente surpreendente.
— Não.
Silêncio.
Ele me observou mais alguns segundos.
— Mas às vezes…
— Às vezes?
— As últimas pessoas que veem alguém vivo sabem mais do que imaginam.
Eu sustentei o olhar dele.
Monstros reconhecem monstros.
— Se eu souber de alguma coisa — disse eu finalmente — Aviso você.
Damon assentiu.
Mas ele não parecia convencido.
E quando ele se virou para ir embora, eu percebi algo simples e extremamente perigoso.
Alguns homens procuram respostas.
Outros procuram culpados.
E Damon Salvatore…
parece ser o tipo que encontra os dois.
POV BELLA
Tony começou a chorar no meio da madrugada e eu acordei imediatamente.
A casa estava escura e silenciosa quando me levantei da cama e caminhei até o quarto do bebê. Tony estava se mexendo inquieto no berço, os pequenos punhos apertados enquanto fazia pequenos sons irritados.
— Está tudo bem — murmurei, pegando-o no colo.
Ele se acalmou rapidamente.
Eu caminhei até a janela enquanto o embalava e foi então que vi.
Damon Salvatore.
Ele estava parado na rua em frente à casa, acompanhado de outro homem. Eles estavam instalando algo em um poste.
Uma câmera.
Meu coração bateu mais rápido.
Ele estava criando um sistema de vigilância.
Procurando respostas.
Eu balancei Tony lentamente.
— Interessante — murmurei.
Muito interessante...
A manhã seguinte começou com gritos.
— O que ela está fazendo aqui?!- Minha voz ecoou pela casa inteira.
Renée Higginbotham estava parada na sala com um sorriso irritantemente calmo no rosto. Ao lado dela estava Felix, o homem enorme que sempre parecia mais um guarda-costas do que qualquer outra coisa.
— Bella, querida — disse Renée.
— Eu não pedi ajuda!- disse aborrecida.
— Você precisa.- ela respondeu firme e pausadamente — Sinceramente, eu pensei que depois que o bebê nascesse vocês dois iam parar de fazer tanta merda!
— Não precisamos da sua!- gritei ficando na ponta dos pés para confronta-la.
Edward estava parado entre nós dois.
Silencioso.
Observando.
— Depois da morte de Emmett — continuou Renée — Eu não vou deixar vocês cometerem outros erros.
— Saia da minha casa!
— Bella...- Edward tentou me acalmar — Escuta sua mãe, ela tem razão. Nós precisamos dos Higginbotham...
— Cala a porra da boca, Edward- disse o empurrando— Eu disse saia!
Eu virei e subi as escadas antes que ela pudesse responder.
Meu quarto parecia pequeno demais quando fechei a porta atrás de mim.
E então comecei a chorar.
POV EDWARD
Renée olhou para mim, a reação de Bella era sempre previsível . Todos nós estávamos acostumados com elas...
— Vá atrás dela, nós resolvemos o problema...
Felix permaneceu em silêncio.
Eu subi as escadas lentamente.
Bella estava sentada no chão do quarto próxima a janela quando entrei.
Os olhos vermelhos.
— Eu não aguento mais isso — disse ela sussurrando.
Eu me ajoelhei diante dela.
— Bella...
— Tudo que eu fiz foi por você.- disse ela passando as mãos nervosamente pelo rosto — Todas as pessoas… todas as mortes…
Silêncio.
— Eu fiz isso para ter você na minha vida.-A voz dela tremia.— Você sabe disso?
Meu coração começou a bater mais rápido.
Ela levantou os olhos me encarando e eu segurei o rosto dela entre minhas mãos.
— Eu sei.- disse acariciando o rosto dela.
E então a beijei.
Um beijo intenso.
Desesperado.
Como se estivéssemos tentando lembrar um ao outro exatamente por que tudo aquilo tinha acontecido.
Porque às vezes o amor não é gentil.
Às vezes ele é apenas duas pessoas dispostas a destruir o mundo inteiro…para continuar juntas.
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