You & Me - 2 Temporada
5 Febre
“Eu já enfrentei monstros antes…
mas nada é mais assustador do que ver quem você ama frágil.”
POV EDWARD
Uma semana pode mudar muita coisa.
Em sete dias você pode perder alguém, esconder um segredo ou descobrir que a vida perfeita que tentou construir está muito mais frágil do que imaginava.
Naquela manhã em Madre Linda, tudo parecia absurdamente normal.
E isso era exatamente o que me deixava nervoso.
Eu estava parado na cozinha observando Tony no bebê conforto enquanto Bella terminava de arrumar algumas coisas na mesa. O sol atravessava as janelas da casa e iluminava a sala com aquela luz tranquila de subúrbio que parece ter sido criada para convencer as pessoas de que nada de ruim pode acontecer ali.
Tony estava inquieto, quieto até de mais.
Isso já vinha acontecendo há algumas horas.
Pequenos resmungos e movimentos irritados, o tipo de choro baixo que não é fome, nem sono.
Algo diferente.
— Edward… — Bella chamou da cozinha.
— Sim?
— Você pode vir aqui um segundo?
Eu caminhei até ela.
Tony começou a chorar mais alto.
Bella estava olhando para ele com o cenho franzido e tocando a testa do neném.
— Ele está quente.- disse ela preocupada.
Eu toquei a testa do bebê.
Quente.
Muito quente.
— Febre — murmurei.
Bella engoliu em seco.
— Ele estava bem ontem.
Tony começou a chorar mais alto agora.
— Vamos para o hospital — disse eu pegando o neném no colo rapidamente.
POV BELLA
Hospitais têm um cheiro específico.
Uma mistura de desinfetante, ansiedade e medo.
Eu estava sentada na cadeira ao lado da maca enquanto Tony chorava no colo da enfermeira. Meu coração batia rápido demais e eu não conseguia parar de olhar para o rosto dele, procurando algo, qualquer coisa, que me dissesse que ele estava bem.
Edward estava parado ao lado da porta conversando com o médico.
O médico terminou de examinar Tony e suspirou.
— Nós vamos precisar fazer alguns exames.
— O que ele tem? — perguntei.
— Ainda não sabemos.
Silêncio.
Algumas horas depois…
O médico voltou.
Eu percebi imediatamente pela expressão dele que a notícia não era boa.
— É sarampo.
A palavra pareceu ecoar na sala.
— Sarampo? — repeti.
— Sim.
Meu estômago se apertou.
— Mas…
Eu olhei para Edward.
— Como isso aconteceu?
O médico deu de ombros.
— Provavelmente contato com alguém infectado.- disse ele sério — Bebês são mais vulneráveis.
Tony começou a chorar novamente e pela primeira vez em muito tempo…
Eu senti medo de verdade.
POV EDWARD
Os dias seguintes foram os piores que eu consigo lembrar.
Tony estava internado e Bella praticamente não dormia.
Eu também não.
Hospitais são lugares estranhos quando você está esperando por boas notícias. O tempo passa de forma diferente. Cada hora parece durar dias.
Bella passava quase todo o tempo sentada ao lado do berço hospitalar de Tony, segurando a pequena mão dele enquanto murmurava coisas que só ele podia ouvir.
Eu ficava observando e pensando, porque quando seu filho está doente, sua mente começa a procurar culpados.
Quem fez isso.
Quem trouxe a doença.
Quem colocou seu filho em perigo.
— Edward — disse Bella numa noite.
— Sim?
— Quem estava perto dele na festa?
Eu pensei por um momento.
— Muitas pessoas...Crianças.
— Sim.
Silêncio.
Bella apertou a mão de Tony.
— Eu vou descobrir.- disse ela encarando nosso bebê doente.
POV BELLA
Alguns dias depois Tony finalmente recebeu alta.
Ele ainda estava fraco, mas o médico disse que o pior tinha passado. A casa parecia diferente quando voltamos.
Mais silenciosa.
Mais frágil.
Edward saiu para o mercado naquela tarde.
— Eu volto em meia hora — disse ele.
— Tá.- disse e ele se despediu com um selinho em meus lábios.
Tony estava dormindo no carrinho quando a campainha tocou.
Eu franzi a testa, porque não estava esperando visitas.
Abri a porta.
Ben Chang estava parado na varanda.
— Bella.- disse ele sorrindo sem graça
— Ben.- o cumprimentei forçando um sorriso.
— Eu ouvi sobre Tony.- disse ele um pouco nervoso.
— Sim.- eu disse triste.— Mas ele já esta melhor, graças a Deus.
Silêncio.
— Minha filha também está doente.- ele disse parecendo uma confissão.
Algo na forma como ele disse aquilo fez algo se encaixar dentro da minha cabeça.
— Tiffany?- perguntei arqueando a sobrancelha.
— Sim.- diss ele envergonhado.
E então eu lembrei.
A festa de Hope.
Tiffany correndo pelo quintal.
Tiffany abraçando Tony.
Beijando o rosto dele... várias e várias vezes...
Meu estômago se revirou.
— Tiffany estava com sarampo?- perguntei controlando minha voz para que não demonstrasse o ódio que estava sentindo naquele momento.
— Parece que sim.- Ben assentiu.
Silêncio.
— Como isso aconteceu?- perguntei
— Crianças pegam doenças.-Ele deu de ombros.
Eu o encarei.
— Ela é vacinada?
Silêncio.
— Nós não acreditamos em vacinas.
As palavras demoraram um segundo para fazer sentido.
— O quê?- gritei
— Eu e Emily preferimos métodos naturais.
Algo dentro de mim quebrou naquele momento.
— Você está dizendo que sua filha não é vacinada?
— Não.- disse ele envergonhado
— E você deixou ela brincar com meu filho recém-nascido?!- explodi com aquele verme.
— Bella, calma...
— CALMA?!
Minha visão começou a ficar vermelha.
Tony quase morreu.
Meu filho quase morreu.
Por causa da ignorância dele.
— Você tem noção do que fez?!
— Bella—
Eu avancei.
O primeiro golpe pegou Ben completamente desprevenido.
Meu punho acertou o rosto dele com força suficiente para fazê-lo cambalear para trás.
— Você quase matou meu filho!
Ele tentou se defender.
— Você está louca!
Eu o empurrei contra a parede.
— Ele é um bebê!
Ben tentou segurar meus braços.
Errado.
Muito errado.
Eu agarrei o vaso pesado da mesa.
O som ecoou seco pela sala.
Não foi alto… mas foi definitivo
Ben caiu no chão.
Inconsciente.
Silêncio.
Meu coração batia rápido demais.
— Droga…
Eu fiquei olhando para o corpo de Ben por alguns minutos.
Ele estava respirando, mas desacordado.
Meu deus , o que eu faço?
Edward
Eu peguei o telefone.
Liguei.
Caixa postal.
— Edward, atende…
Nada.
Eu comecei a andar pela sala.
Pensar.
Pensar.
Pensar.
Então lembrei.
O porão.
A jaula.
Edward havia montado aquela jaula meses atrás para guardar seus exemplares raros de livros antigos.
Segurança.
Proteção.
Prisão.
Perfeito.
Eu arrastei o corpo de Ben pela casa.
Degrau por degrau.
Até o porão.
Abri a jaula.
E o coloquei lá dentro.
Silêncio.
— Isso é temporário — murmurei.
Pelo menos, era isso que eu esperava...
POV EDWARD.
Quando cheguei em casa percebi imediatamente que algo estava errado.
Bella estava parada no meio da sala.
Pálida.
— Você não atendeu o telefone — disse ela com a voz alterada.
— Meu celular ficou sem bateria.- olhei preocupado
— Claro que ficou.
Silêncio.
— Nós temos um problema.- disse ela irritada.
Meu estômago apertou.
— Que tipo de problema?- arquei a sobrancelha.
Ela respirou fundo.
— Vem comigo.- ela disse segurando a minha mão.
Ela me levou até o porão.
Abriu a porta.
E apontou para a jaula.
Eu olhei e vi Ben Chang.
Inconsciente.
Dentro da jaula.
Silêncio.
Eu passei a mão pelo rosto.
— Bella…
— Ele não vacina a filha!- ela disse com raiva
— O quê?- perguntei sem entender.
— Foi ela que passou sarampo para Tony!- Bella explodiu
Silêncio.
Eu olhei novamente para Ben.
Respiração pesada.
— O que você fez?
— Eu só… bati nele.
Silêncio.
Eu suspirei.
Porque havia algo profundamente irônico naquela situação.
Eu prometi parar de matar novamente enquanto Tony estava no hospital.
E agora… Minha esposa estava mantendo alguém preso no porão.
Eu olhei para Bella.
— Certo.- disse tentando manter a tranquilidade
— Certo?- ela disse apavorada
— Nós vamos resolver isso.- disse isso calmamente
Porque aparentemente…Nossa família tinha um novo problema para enterrar.
Mas aparentemente…O universo decidiu que um problema não era suficiente. Porque naquela mesma noite…
A campainha tocou novamente.
Bella e eu trocamos um olhar.
Tenso.
Carregado.
Eu fui até a porta.
Abri.
E congelei.
Renée Higginbotham.
E atrás dela…
Felix.
Pov Bella
Olhei incrédula, aquilo só poderia ser palhaçada do universo...
— Mãe? — minha voz saiu seca.
Ela entrou como se fosse dona da casa.
— Surprise, Honey!- disse ela animadamente como se me ver fosse a melhor coisa da vida dela.
Felix entrou logo atrás cheio de malas.
Silencioso.
Observador.
Perigoso.
— O que você está fazendo aqui? — perguntei.
Renée jogou a bolsa no sofá e se sentou cruzando as pernas torneadas por conta do excesso de exercícios físicos.
— Resolvi passar uma temporada em Madre Linda.- disse ela sorridente.
Silêncio.
— Por quê?- questionei com cara de poucos amigos e cruzando os braços.
Ela suspirou.
— Seu pai está tendo um caso com a secretária.- disse ela com voz de vitimização.
Eu fiquei parada.
Sem reação.
E então…
— Você está dando um tempo com o meu pai porque ele está tendo um caso com a secretária… — eu disse devagar — mas tem um caso de anos com o Felix?
Silêncio.
Edward engasgou.
Literalmente.
Começou a rir.
Renée me olhou.
— Eu resolvo problemas, querida.- disse ela mostrando as garras.
Nesse momento, Felix apareceu na entrada da sala.
— Aliás… — disse ele calmamente voltando de dentro do porão — O porão de vocês tem um rato bem grande desacordado.
Silêncio.
Meu coração parou por um segundo.
— Tão grande… — continuou ele — quanto os problemas que vocês dois andam causando.
Edward ficou imóvel com os olhos verdes arregalados e Renée apenas sorriu.
— Relaxem — disse ela. — Isso vai ser bom para vocês.
— Bom? — perguntei.
— Uma lua de mel.- disse ela sorrindo.
Eu gargalhei.
— Com você aqui?- disse me aproximando — Tá mais para um inferno.
Renée deu um sorriso frio.
— Talvez se você estivesse transando com seu marido… — disse ela — ele não estivesse procurando na rua o que não encontra em casa.
Silêncio.
Pesado.
Cortante.
— Mas você prefere agir como uma psicopata… — continuou — e sair matando pessoas.
Silêncio.
Eu a encarei.
Raiva subindo.
Edward…
Edward ficou quieto.
Pensativo.
E então eu percebi algo.
Algo perturbador.
Algo simples.
Algo real.
Há quanto tempo nós não transávamos?
POV EDWARD
Silêncio pesado e um incômodo gigantesco.
Eu olhei para Bella, e ela claramente estava irritada, ferida e perigosa.
Eu olhei para Renée, que estava sorrindo triunfante.
Como se soubesse de tudo...Como se sempre soubesse.
E então pensei…
Talvez o maior problema daquela casa não fosse o homem preso na jaula.
Nem o sarampo do Anthony.
Nem os vizinhos.
Talvez…
O maior problema fosse nós dois.
Porque quando você para de tocar quem ama…
Você começa a perder o controle sobre tudo o resto.
E controle… É a única coisa que sempre manteve a gente vivo.
Por enquanto...
Fale com o autor