You Make Me Smile
2 Capítulo 1
Notas iniciais
Amanda~
Olá, meu nome é Amanda, tenho 24 anos e sou arquiteta. Nesses últimos dias, tenho aguardado ansiosamente a chegada do meu melhor amigo, afinal foram quase 6 anos sem contato. Primeiro vou abraça-lo, depois vou matar o filho da puta. Onde já se viu, ficar 6 anos sem falar com a melhor amiga e depois ligar na maior cara de pau e dizer que está voltando! Já está tudo arranjado no apartamento dele, já que é óbvio que eu não vou deixá-lo ir para longe de mim novamente. Confesso, eu era completamente apaixonada por ele no colégio, mas ele só tinha olhos pra Beatriz... Mas eu já superei isso. Hoje sou uma mulher independente e forte que não precisa de homem nenhum. Mesmo que eu morra de vontade de ter filhos...
–BU
–HAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
Caio do sofá o mais longe possível da criatura infernal que acabou de me arrancar de meus devaneios.
–VICTOR,SEU FILHO DA PUTA DO CARALHO,VAI SE FODER
–Olha a boca, maninha
–Maninha teu cu
Ele me oferece a mão para me ajudar a levantar e eu dou uma rasteira nele, o derrubando no chão.
–Que escola militar podre, até eu consegui te derrubar- Me levantei, ajeitando meu moletom do Hulk
–Você é uma caminhoneira, não vale!
–Ei! Eu sou uma dama! – Ele me pegou como um saco de batatas e me jogou por cima do ombro
–Eu sei, só estou te zoando! – Ele me carregou escadas abaixo até o apartamento de Marco, que estava na cozinha, onde parecia ter acontecido a terceira guerra mundial.
–Deixa eu adivinhar, querem que eu cozinhe de novo?- Acenaram com a cabeça fazendo olhinhos de cachorro abandonado. Suspirei- Ok, mas vocês vão me ajudar dessa vez. Francamente, nem parecem adultos.
–O que eu faço capitã?- Marco costuma me chamar assim, pois diz que combina com meu jeito autoritário.
–Limpe essa bagunça, pro Mike não comer quando voltar do Pet-Shop- Mike é o Beagle de Marco, está com ele desde que terminou a faculdade e é como um filho pra ele.
–Sim senhora capitã
–Enquanto eu faço o arroz e o feijão vai no mercadinho da esquina e compra isso aqui pra mim, Vic- Tiro uma lista de compras do bolso do meu moletom e entrego pra ele- O dinheiro está no jarro da sala
–Você tem uma lista?- Arqueia uma sobrancelha
–Sempre tenho, se não esse idiota ia sobreviver de miojo e café- Victor dá de ombros e sai, assim como Marco- Finalmente, paz e sossego – Arregaço as mangas, visto o avental e começo a trabalhar.
Depois de tudo pronto, nos sentamos à mesa e começamos a comer desenfreadamente, como se não houvesse amanhã. Deixo os pratos na pia para aquele preguiçoso lavar e me jogo no sofá, botando em um filme qualquer. Sinto-os se sentando ao meu lado e me deito no colo de Vic.
–Quando será que ele vai chegar?- Eles se entreolham e eu percebo que falei isso alto. Marco ia abrindo a boca para falar algo, mas a campainha tocou.
–Deve ser do Pet-Shop, vindo entregar o Mike, eu abro- Me levanto rapidamente para fugir dos olhares daqueles dois, saio e vou até o portão, abrindo-o.
–Oi...- Arregalo meus olhos. Não posso acreditar. É ele!! Recuo alguns passos- Amanda...?
Saio da frente e aceno para ele entrar, fechando o portão assim que ele passa. Noto um pequeno embrulho em seu braço, mas estou demasiado chocada para falar. Guio-o até a casa de Marco, e saio correndo pra cozinha.
Autora~~
–Mas o qu—Marco para de falar ao ver o homem na porta- Luca!- Ergue os braços e corre para abraçar seu amigo, mas o mesmo desvia
–Cuidado...- Olha para o embrulho carinhosamente, fazendo Marco soltar uma exclamação de surpresa.
–O quê? Mas como? – Victor havia brotado perto dos dois
–É uma longa história...
–Temos tempo- A voz áspera vem da porta da cozinha, onde Amanda o encara com um ódio profundo, que faz os três engolirem em seco. Ela marcha até a frente do sofá e dita- Sentem-se.
Eles acham melhor não discutir e obedecem, olhando temerosos para a mulher parada à sua frente.
–Pode começar- Cruza os braços encarando Luca
–Bem...Quando eu fui para a Austrália não entendia nada do que me falavam, então contratei uma professora particular. Ela era muito bonita, gentil e engraçada, e eu acabei me apaixonando por ela. Depois de dois anos levando foras, eu finalmente consegui fazê-la sair comigo, e viramos namorados. Quando minha carreira deu uma guinada, resolvi pedi-la em casamento, e ela aceitou. Ano passado nos casamos, e ela acabou engravidando, mas houveram complicações no parto, e ela não sobreviveu- Nesse ponto ele chorava e eu tinha meus olhos marejados- Como não tenho família lá e com ela sendo órfã, tive que voltar e dar um tempo na minha carreira para me dedicar ao meu filho- Olhou ternamente para o bebê- Então eu pensei em vocês, e soube dos apartamentos. Entenda, meus pais estão muito velhos para cuidar de um bebê e eu já não sei mais o que fazer.
–Marco, Victor, deixem-nos a sós- Relutantes, eles foram para o apartamento de Victor.
Amanda~~
–Luca, não espere que eu vá te perdoar por ter sumido por seis anos e só voltar por estar desesperado. Seria pedir demais pra mim- Ele abaixou os olhos, sabendo da verdade- Porém, eu não sou tão insensível quanto pareço, e você ainda é meu melhor amigo, então eu vou te ajudar. Até por que se depender daqueles dois ele não vai sobreviver- Ele riu. Como senti falta desse sorriso...
–Então, nem um abracinho na sua melhor amiga?- Estendo os braços e faço bico. Ele ri novamente e me abraça- Nunca mais faça isso comigo, idiota- Começo a chorar e escondo meu rosto em seu pescoço. Quando me acalmo, seco as lágrimas e me levanto- Agora, vamos ao seu apartamento, fica logo embaixo do meu.
–Ok
Subimos pelo elevador que liga os apartamentos e entramos na sua casa. É mobiliada (cortesia minha).
–Onde vai ser o quarto dele?
–No seu, oras. Tem um berço?
–Sim, mas não sei montar – Reviro meus olhos.
–Eu monto, seu inútil, senta no sofá e espera – Vou até o portão, onde ele tinha deixado algumas caixas. –SEUS INÚTEIS, DESÇAM E VENHAM ME AJUDAR – Grito na direção da janela de Victor. Demoram uns cinco minutos para descer – Estavam fazendo o quê? Se pegando? – Me olham com cara de nojo
– Prefiro morrer a pegar o Marco.
– Idem
– Me enganem que eu gosto, agora peguem essas drogas de caixas e levem para o elevador.
Subimos e vamos montar o berço no quarto de Luca, enquanto ele dá mamadeira ao bebê. Quando terminamos, eu pego a mala do bebê e forro tudo, enquanto meus ”queridíssimos“ melhores amigos ficam babando no pobre bebê. Noto que ele não tinha muitas roupas, então pego meu celular e compro várias coisinhas de bebê, como carrinho, roupas, cadeirinha, brinquedos e etc. Assim que finalizo a compra vou até a sala esperar entregarem tudo, e olhar mais de perto meu “sobrinho”.
– Pronto, como ele está?
– Meio agitado, ele é sempre assim.
– Qual o nome dele? – me sento ao seu lado, empurrando Marco no processo.
– Leonardo, a mãe dele que escolheu, disse que sempre achou bonito.
– Posso segurar essa coisinha fofa? – Eu estava praticamente babando no menino, que se remexia nos braços do pai.
– Claro. – Me entregou o bebê, que se aconchegou em meus braços e ficou me olhando calmamente.
– NÃO FODE! – Me assusto com o grito de Luca e olho pra ele com minha melhor cara de: Q?
– O que foi?
– Essa praga se agita e chora 24 horas sempre que está comigo, mas basta você pegar ele no braço e ele vira um anjo. – Vesh, revoltou.
Sinto algo em meu seio esquerdo e olho pra baixo, vendo o pequeno Leo tentando mamar. Olho pros lados vendo Marco e Victor segurando o riso e Luca me olhando como se eu tivesse matado sua mãe.
– Ótimo, agora ele pensa que você é a mamãe dele – Joga os braços pra cima, exasperado.- Quem manda ter peitos grandes?
Chuto sua perna, que é o máximo que eu consigo com um bebê no braço, enquanto Vic e Marco estão rolando de rir.
– Na próxima eu faço tuas bolas irem parar junto do Pomo-de-Adão – O encaro mortalmente e saio da sala, indo botar Leo, que tinha dormido de novo, no berço. Depois de deixar a babá eletrônica ligada eu saio encarando mortalmente os três e subo pro meu apartamento, para dar um cochilo e, quem sabe, descobrir que foi tudo um sonho.
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