You Love me?

21 Another's pain


Notas iniciais
Dois capítulos seguidos! ...Acho que não tem mais nada para falar, falei de mais no capítulo anterior. Boa leitura 😘

No capítulo Anterior:

Meu cabelo tinha voltado ao seus cachos naturais, culpa do banho que tive que tomar. Até que me arrumei rápido.

Bety chamou Gavin, e quando ele chegou, me olhou de cima a baixo e disse apenas. –Uau. – O que me fez corar um pouco.

.........

Agora:

Pov Ally.

– Gavin? Acorda, ta babando. – Disse a enfermeira Bety rindo da careta que o garoto fez a seguir.

– Vamos Ally? – ele me perguntou. Assenti com a cabeça, me apoiei no seu ombro e fomos em direção ao mural de atividades.

– Então, Álgebra avançada? – Gavin pergunta, assinto com a cabeça– Se você passar, vai sentar do meu lado, ouviu? – Ele me perguntou e eu fiz uma expressão confusa.

– Você está falando, quer dizer, ouvindo, o líder do clube de Álgebra avançada, três vezes campeão do torneio de Álgebra anual da Marino. – Fiz uma cara de incredulidade, e abri um sorriso. Um de verdade, fazia algum tempo que isso não acontecia.

Escrevi meu nome no papel e Gavin me ajudou a ir para a sala aonde eu teria a prova de matemática.

– Tenho esse período vago, então vou esperar você aqui fora, está bem? – ele apontou para o banco e eu assenti. Entrei na sala, e fiz a prova em dez minutos, a professora corrigiu em cinco minutos e eu saí mancando da sala. Mas antes de sair, ouvi alguém gritar “A treme-treme é nerd pessoal” o que levou a sala inteira a gargalhada. A professora tentou faze- los parar, mas de nada adiantou. Sai da sala o mais rápido que pude.

– Ei, desistiu da prova e vai pra casa? – Gavin perguntou. Eu peguei a prova, amacei e atirei nele. Já chega de pessoas me zoando por hoje.

Tentei sair dali o mais rápido que pude, o que era considerado andar normalmente para Gavin.

– Ei, você tirou A+? Aquela professora nunca deu um A+, pra ninguém. E fez a prova toda em quinze minutos? Nossa!

Continuei andando enquanto ele falava.

– Ally, espera, o que aconteceu? – parei e me virei para ele com lágrimas nos olhos.

– Você ta chorando? O que aconteceu? Você ta com dor? – ele me perguntou. – Neguei com a cabeça e comecei a chorar mais alto. Ele me abraçou.

– Calma, vai ficar tudo bem. – Disse durante o abraço. – Você ainda quer fazer o teste para o clube de Álgebra avançada? Eu sou o líder, se quiser posso remarcar pra você. – Eu neguei com a cabeça, fala sério, eu não sou nenhuma coitada que tem que viver de favores, e outra, Álgebra é divertido. Isso vai me distrair.

– Tudo bem. – Disse Gavin, e me ajudou a ficar apoiada em seu ombro. #PassoDeLesma nos descreveria bem. RI com o pensamento, isso me lembrou da Trish. Ela adora usar hastags no seu vocabulário do dia-a-dia.

– Ally, você se importa se eu te levar no colo? O teste começou a cinco minutos, a tolerância é de dez, e nesse passo só chegaremos lá daqui vinte minutos. – Paro para refletir um pouco. Ele não é o líder? Não pode quebrar essa para mim? Se bem que, os outros ficariam revoltados. Aff, concordo com a cabeça.

Gavin me pega no colo ao estilo noiva e começa a correr. Até que ele tropeça, caí e me faz ficar por cima dele. Comecei a rir, ele me olhou e riu também, até que as risadas começaram a cessar e pude perceber que ele olhava para minha boca. Antes que ele fizesse qualquer coisa, me levantei, apoiando o meu joelho em uma região “proibida”. Ouvi Gavin soltar um grito de dor, o que me fez entrar em pânico.

– Desculpa! – Disse sem perceber, com a voz meio falha.

– Ta tudo bem, eu só, só preciso de um momento. – Ele disse, e comecei a rir. Rir muito. – Ah, então é engraçado pra você é? Bom saber que você gosta de ver dor alheia. – ele disse e pude notar um “quê” de diversão em sua voz. – Bem, eu tenho uma coisa para te dizer. Eu tambem gosto de sofrimento alheio. – Disse e começou a fazer cócegas em mim, o que só me fez rir mais ainda.

– P- pa-para Gavin. – Disse entre risos.

– Só se você dizer que eu sou incrível. – ele disse, rindo do meu sofrimento. Metido!

– Ta, v-você é in- incrível. – Digo.

– Boa garota. – ele diz ainda rindo. – Bom saber que você fala- completou. Fiz uma careta confusa, e acho que ele percebeu.

– Você falou comigo! – ele disse sorridente. Eu arregalei os olhos e coloquei a mão sobre a boca. – É sério que você não percebeu? – ele perguntou, e eu assenti com a cabeça.

– Nossa, como alguém não percebe que fala?Ah!! Essa é a sala. – Sorri de lado e entrei.

Essa prova estava um pouco mais difícil, por isso demorei vinte e cinco minutos, nós tinhamos uma hora para fazer, e ninguém poderia sair da sala até a prova terminar. Entreguei minha folha para o professor, peguei meu celular e comecei a escutar a música “Demons” do Imagine Dragons. Abri a mensagem dele, li umas cinco ou seis vezes, relaxei a cabeça por cima do meus braços cruzados sobre a mesa e adormeci.

Sonho on:

Estou no aeroporto, vejo que há muito sangue na minha perna, então olho pros lados. Tudo está cercado pelo FBI.

Não, esse sonho de novo não.

Olho para o jato, Austin está lá. O jato começa a voar e ganhar altitude, ele vai para longe. Mas não longe o suficiente para que me impedisse de ver a explosão, e depois as cinzas, o fogo. E ouvir meu coração se partindo.

Meu celular toca.

Acorda Ally! Acorda.

Eu leio a mensagem, de Austin:

“Eu te amo”

Por favor, acorda!

Caio de joelhos no chão, e começo a gritar. Não! É a única coisa que sai da minha boca. Como se essa fosse a única palavra que eu sei dizer.

Acorda agora, acorda, acorda!

Derrepente, a imagem começa a falhar, estou no cemitério. Vejo Austin a minha frente, com a pele em carne viva, com algumas queimaduras e a roupa rasgada.

– Você me matou. – Ele Disse. – Isso tudo é culpa sua. – Ele diz e começa a vir pra cima de mim. – Você vai pagar, você vai arder no inferno. Eu te dei o meu coração, e você o quebrou. Eu te odeio. – Diz e crava uma adaga no meu peito.

Sonho off

– Não! – acordo chorando, e percebo que Gavin está ao meu lado, e a sala está vazia, exeto por nós dois.

– Ally, você ta bem? — Gavin pergunta me olhando preocupado. Não, eu não estou bem, e nem nunca vou ficar. Não enquanto eu viver em um mundo em que a pessoa que eu amo tem que morrer.

Olho para ele, e faço sinal de não com a cabeça. Começo a andar, e vejo que ele esta me seguindo. – Fi...c...fica. – Digo, sério, eu bati meu récorde de palavras ditas em um dia hoje.

Sai mancando, até o estacionamento da escola. Peguei minha moto, coloquei o capacete e saí.

Ninguém sabe da minha condição aqui no Marino. Somente as enfermeiras, para os outros, eu sou apenas uma esquisita.

E agora, tem esse novo apelidinho idiota. Eu tenho certeza que isso vai pegar, se é que já não tem vídeos do meu incidente circulando a internet.

Adolescentes podem ser bem cruéis as vezes.

Continuo dirigindo até chegar em casa. Estou sozinha, minha avó Megg deve ter ido a casa de alguma amiga.

Entro no meu quarto, que consiste em paredes azuis, luizinhas pisca-pisca amarelas e murais de fotos espalhados por volta do quarto. A sacada com uma porta-janela branca, cheia de vidros. E o banheiro com uma porta branca. Tem um teclado em um canto do quarto, e um violão junto de um violino no outro.

Me atiro na cama e começo a chorar.

Até ouvir um barulho vindo da casa da Rydel. Vou para minha sacada, e olho para dentro do quarto da casa vizinha, esse é o meu passa tempo predileto. Até que eu o vejo, é o Austin, tenho certeza, e ele me viu também, e arregalou os olhos assustado. Saí correndo pra fora do meu quarto, e depois pra fora de casa, tentei abrir a porta da casa da Rydel, mas estava trancada.

Comecei a bater freneticamente na porta e a puxar a maçaneta, como se isso fosse adiantar em alguma coisa.

– Ally, o que aconteceu? – pergunta Rydel, me olhando assustada assim que abriu a porta.

Eu saio correndo para dentro de sua casa, subo uma enorme escada, com dor na perna é claro, mas isso não me impediria de chegar até ele.

Corro por entre um enorme corredor, abrindo porta por porta, até chegar ao quarto. Essa é a primeira vez que eu venho aqui, então fiquei meio desorientada. Eu conseguia ouvir os gritos da Rydel ao fundo, dizendo coisas como “o que aconteceu” ou “você endoidou de vez?”. Entro no quarto e vejo que ele não está mais lá, olho dentro do armário, e dentro do banheiro. Mas nada dele, então me sento na cama e começo a chorar. É, eu acho que pirei de vez. Rydel finalmente chega no quarto e diz:

– Quando eu disse que você estava planejando roubar o quarto do meu irmão, não pensei que fosse verdade. – Diz rindo, brincando, sendo Rydel.

Olho para ela e seu sorriso desmancha. Corro para casa, chorando por não ser ele de verdade, e chorando por essa dor horrível na perna. Pelo menos ela não está sagrando dessa vez.

Chego em casa, aproveito que estou sozinha e vou direto pro meu quarto. Corro até o banheiro, subo em cima da privada e tiro de dentro do teto de isopor uma caixinha, com duas lâminas dentro.

Tiro aquela roupa ridícula, que só fazia me lembrar de como eu era, e de tudo o que aconteceu. Sento no piso e faço dois cortes grandes na coxa da perna que não tinha pontos, três cortes no meu pulso direito e dois no esquerdo. Não me importa que eu prometi que seria forte, eu nunca fui. E nesse momento, a decisão de morrer ou não, está literalmente em minhas mãos.

Mas eu não posso fazer isso com a minha avó, ela certamente teria um treco se me achasse morta no piso do banheiro.

Se bem que, acho que está na hora de pensar em mim.

– Eu vou fazer o que você quer Austin. – Digo e vou para cozinha, pego um facão recém afiado, volto para o banheiro e aponto para o meu coração. Porém, na hora que eu iria crava-lo no meu peito...

Notas finais
Só cinco favoritadas? T-T