You Know You Love Me

1 PROLOGUE: Getting Back To Upper East Side.


Notas iniciais
Oi, gente! Só quero explicar como vai funcionar essa fanfiction. Harry Styles e os outros são gerações seguidas da Elite de Manhattan, alguns deles são filhos de Dan, Serena, Nate, Blair e Chuck. Eles também vão ser atormentados pela garota do blog como no seriado, mas espero que gostem desta junção de one direction com gossip girl. Boa leitura. :D

Tudo começa com um bocejo, um copo de leite e um jornal sobre a mesa. É o suficiente para lembrar qualquer um dos acontecimentos do ultimo verão. Harry sempre soube que a viagem uma hora iria acabar, e que teria que voltar para a realidade de que tanto tentava se manter distante, mas isso não aconteceria por muito tempo. Era hora de pegar a mochila e encarar os olhares curiosos de todos aqueles que queriam saber mais sobre a fofoca que rolava pelo colégio: Teriam eles, Harry e Liam, sido realmente pegos se agarrando no quartinho do zelador Dimas? Ou tudo isso não passava de mais uma crueldade dos viciados pela malvada Garota do Blog?

Não que Blair não achasse totalmente errado a volta do blog que destruiu sua vida na sua juventude, mas por um lado, era engraçado ver os seus filhos passando pelos mesmos problemas que ela, Chuck, Serena, Dan e Nate tiveram que enfrentar. Mesmo que isso incluísse "Dan".

- Você pode me passar o leite, mãe? — Perguntou Harry colocando o café na xícara de porcelana que Blair ganhou de sua mãe em seu casamento. A mulher balançou a cabeça em afirmação, pegando delicadamente a jarra para seu filho que parecia muito agitado naquela manhã de segunda-feira.

- Eu sei que essa volta para a escola está sendo difícil pra você, Harry. Mas você não acha que deveria simplesmente dar um telefonema para, sei lá, o Patrick, ou o Derek? — Comentou Blair se levantando e indo em direção ao jornal que estava sobre o balcão.

- Mãe, o Patrick provavelmente deve estar em Portland com o pai dele. E convenhamos que o Derek tem andado muito ocupado com seu mais novo amiguinho, o namorado da irmã do Dan. — Harry disse depois de dar uma mordida na fatia de bolo que Dorota havia acabado de colocar em seu prato. — Mas independente disso, nenhum dos dois iriam conversar comigo de qualquer maneira. Todos eles acham que eu traí o Luke.

- Você não deveria deixar que a Garota do Blog te afetasse tanto assim, Harry. — Blair concluiu voltando a se sentar e sorriu ao ver Chuck entrando na cozinha com um sorriso sendo formado em seus lábios.

- Sua mãe tem total razão, Harry. — Chuck entrou no assunto ajeitando sua gravata e se sentando na cadeira com toda a elegância que somente ele possuía.

- Gente, o tempo de vocês passou. — Explodiu Harry deixando o garfo sobre o prato. — Esse novo blog é muito mais do que alguém a procura de popularidade, é um total massacre. O Luke nunca vai me perdoar, e justamente por algo que eu nunca fiz.

- Não teria tanta certeza assim, senhor Harry. — Dorota murmurou se aproximando da mesa com uma jarra de suco de laranja. — Luke esteve aqui ontem, disse que soube que o senhor estava para chegar e precisava conversar com você. — Harry a encarou, deixando uma leve esperança de retorno invadir o seu corpo.

- Mas quando eu fui procurar ele antes da viagem, ele não queria me ver. — O garoto sussurrou antes de se levantar da cadeira apressadamente.

- Vai ver ele mudou de ideia. Resolveu dar uma chance para que o garoto mais lindo de toda Nova York se explicasse. — Respondeu Blair abrindo um sorriso largo para seu filho que revirou os olhos no exato momento. Ele caminhou até sua mãe e lhe deu um beijo demorado em sua bochecha, fez o mesmo em seu pai e em Dorota.

- Tchau, pessoal. Me desejem sorte. — Deu uma piscada de olho para sua mãe que retribuiu com o mesmo gesto. Blair se virou para Chuck ao ouvir a porta do apartamento se fechando.

- Ainda acho que ele deveria namorar com a Taylor. — Chuck disse suspirando fundo.

- Chuck! — Blair resmungou lhe dando um chute por debaixo da mesa.

- O que foi? — Chuck perguntou esfregando o lugar onde recebeu o chute de Blair. — Ele disse que gostava de garotos, mas não disse nada sobre não gostar de garotas.

[...]

O que o garoto realmente sabia era que precisava esclarecer aquilo logo com o seu namorado. Ou ex-namorado, sabe-se lá o quê a Garota do Blog poderia ter escrito durante seu refúgio longe daquela bagunça. Ele precisava fazer com que Luke voltasse a pelo ao menos atender seus telefonemas. Mas do que adiantaria ficar parado em frente a ele tentando explicar algo que ele não estava a fim de escutar? Ou quem sabe Deus ouvisse o comentário de sua mãe e fizesse Luke enxergar que ele tinha uma explicação para aquilo. Seja lá quem tivesse soltado esse boato, estava realmente a fim de acabar com o cacheado de uma vez por todas, tirando dele a única pessoa que realmente poderia contar em todos os momentos.

- Harry! — Exclamou Violet ao ver o garoto acabar de subir as escadas. A ruiva caminhou até o mesmo que retirava sua mochila do ombro e a suspendia apenas por um dedo. — Você está mais feio do que eu me lembre. — A garota disse sorrindo, fazendo com que Harry retribuísse com outro sorriso sincero.

- Eu também te amo, Violet. — Brincou ele coçando a nuca antes de jogar o peso de seu corpo para o outro pé. Ela sorriu de lado.

- Eu queria te entregar o convite da minha festa de hoje à noite. — Comentou a garota observando seus próprios convites em mãos. Ela voltou o seu olhar para o maior e continuou. — Eu sei que parece meio em cima da hora, mas é que eu não tive tempo de te entregar antes de...

- De eu sair de férias depois daquele boato que destruiu meu relacionamento com o meu namorado. — Concluiu Hazza voltando a ficar sério. — Agradeço, Violet, mas não acho que eu esteja em clima de festinhas. — A garota abriu a boca em um perfeito "O", perplexa pelo garoto não deixá-la concluir o que tinha pra falar. Harry continuou andando, sentindo sobre si os olhares irritantes de muitas pessoas que se perguntavam o porquê de um garoto como ele trair tão descaradamente seu namorado. Afinal, aquele tipo de namorado era a coisa mais dificil de se conseguir.

Parou em frente ao seu armário, jogando dentro dele os novos cadernos que comprara na viagem. Fechou o mesmo, percebendo duas garotas encostadas na parede do outro lado do corretor cochichando, o que logo deduziu ser sobre ele. Revirou os olhos, como havia feito muito no ultimo ano, e pediu a Deus intensamente que o dia passasse o mais rápido possível.

Saiu dali o mais depressa que conseguiu, ele não iria suportar ouvir tantas pessoas falarem sobre ele sem nem sequer saberem da verdadeira história. Esse era o principal motivo para que ele odiasse os dias na Constance, Upper East Side, as pessoas falavam demais, tendo provas de menos. E como o garoto já tinha em mãos todos os seus objetos que havia deixado para trás antes de partir para Paris, não deixou de sentir seu celular vibrando dentro de sua calça skinny escura.

(07:53)

"Bom dia, pessoal do Upper East Side, como todos já sabem, o nosso garoto favorito está de volta, e com ele a pergunta que não quer calar: até quando um amor consegue ser tão forte? Vocês acham que Luke consegue perdoar a terrível traição que sofreu depois de ter ultrapassado a barreira que seus pais fizeram para a aproximação de seu namorado? O que mais Luke terá que sacrificar para continuar com Harry, afinal? Há pessoas que digam que Harry é uma causa perdida assim como seus pais costumavam ser, e outras me pediram por gentileza que entregasse em mãos o estouro final. Então eu farei a minha parte como anfitriã da nossa pequena festinha, e é apenas com você o resto, meu gayzinho favorito de Manhattan. Afinal de contas, o que você estava mesmo fazendo com Liam em Paris nesse ultimo verão? Beijinhos"

As cartas estavam na mesa e naquele instante, seus olhos começaram a arder. Era praticamente impossível que alguém descobrisse que ele havia ido para Paris com Liam James Payne. E pra falar a verdade, não era possível que alguém acreditasse novamente em mais um boato da Garota do Blog. Todos sabiam o quão outras gerações haviam saído feridas por causa de uma outra dela. E era isso, claro! Era isso o que Harry iria argumentar quando estivesse parado de frente a Luke e ter que explicar o que havia acontecido de verdade, era melhor falar isso do que contar o segredo do seu amigo. Mas tudo o que Harry realmente não tinha em mente, era que quando enfiasse seu celular novamente dentro de seu bolso e erguesse a cabeça, fosse ver um Luke estático, o observando com o olhar mais indecifrável possível.

Harry engoliu em seco, não sabia qual reação tomaria a partir dali. Deu um passo em direção ao enigmático loiro que costumava ser mais sorridente, mas parou o que fazia ao perceber Luke se virando e subindo as escadas. Estava na cara que a Garota do Blog estava formando uma batalha naquela escola, e o primeiro a sofrer com os ataques dela, é claro, era Harry. E não importava quantas pessoas na Constance ela conseguisse virar contra ele, a única que ele realmente queria que percebesse que ele não era assim, era Luke. Pelo ao menos ela conseguiu dizer uma coisa que era verdadeira: Luke realmente havia batalhado para tornar o seu sentimento por Harry aceitável por seus pais e por todos os outros. Ele havia aceitado Harry do jeito que ele costumava ser antes. E tudo estava simplesmente se tornando em vão.

Harry tomou fôlego e deu as costas para as pessoas que o encaravam boquiabertas. Caminhou apressadamente pelo longo corredor iluminado pelo sol da manhã, não poderia evitar observar o quão aquelas pessoas amavam sempre uma bela novidade vinda da elite. E pelo visto, havia um bom tempo que uma fofoca tão quente não rolava pelos corredores. Harry sabia, havia sido o sorteado para estourar após a longa pausa da pessoa mais cruel, sem vida social, que provavelmente se mantinha num quartinho escuro a espera de uma novidade bombastica para ser publicada.

Entrou no banheiro masculino dando um suspiro de alivio ao descobrir que estava vazio. Colocou seus fones de ouvido, se olhou no espelho e entrou para dentro de uma cabine antes que alguém entrasse e descobrisse onde é que ele estava se escondendo. Porque querendo ou não, ele sabia que se alguém o visse, logo outras chegariam para ver a cara do garoto que tinha coragem de trair aquele que tanto o amava.

Querendo ou não, ele sabia que alguém chegaria para destruir seus minutos de silêncio e sossego. Como todos do Upper East Side sabiam, havia o mapa da Garota do Blog. O encontrariam ali facilmente. Mas e se ele resolvesse usar esse mapa para encontrar Luke e esclarecer as coisas? Não. De fato fugiria do que ele estava cansado de ouvir de sua mãe: Harry, às vezes é preciso dar um certo tempo para as pessoas refletirem e acalmarem os nervos. Tudo o que ambos precisavam naquele momento era de um tempo. Apesar da viagem já ter sido um bom tempo para Harry, o que a Garota do Blog havia estourado era uma reviravolta nada esperada.

A porta do banheiro se abriu e passos pesados adentraram o local. Harry mordeu os lábios se encolhendo ainda mais dentro da cabine, torcendo para que não fosse algum professor que descobriu sobre sua falta ao primeiro horário. O garoto parou, Harry desligou o fone passando sua mão sobre seus cabelos lenta e cuidadosamente. Segurou a respiração por um tempinho, até voltar a ouvir o mesmo garoto entrando dentro da cabine ao lado.

Harry coçou os olhos deixando um leve sorriso ser marcado em sua face, ligou novamente o som e deixou com que Heroes — Tove Lo invadisse sua terrível situação atual.

Ver todos acreditando naquilo deixava ele irritado. Mas, definitivamente, pior do que aquilo tudo, era perceber que Luke não confiava em suas palavras. Luke não havia nem deixado que Harry se aproximasse dele um dia antes da viagem, por quê deixaria a aproximação acontecer depois dela? Tudo bem que a Dorota havia encontrado com ele um dia antes e que ele disse que queria conversar com Harry, mas... Se ele confiasse nele de verdade, deixaria com que ele se explicasse, e não daria as costas para Harry só por mais um boato vindo de uma fonte totalmente desconhecida.

Harry ouviu a pessoa saindo do banheiro e se pôs imediatamente de pé, tendo em mente uma desculpa esfarrapada para o professor. Lavou suas mãos cuidadosamente quando chegou na pia, ergueu o olhar para encarar sua face e retirou os fones. Ele precisava do Patrick, da Taylor ou do Derek. Ele precisava chorar no ombro de alguém que não fosse seus pais. Nada melhor que fosse no ombro de um dos seus amigos.

Harry saiu do banheiro jogando a mochila sobre o ombro. Mordeu o lábio por apenas costume de fazê-lo, ouvindo no fundo do corredor voz do professor Julio dando mais uma de suas aulas extremamente chatas.

[...]

Liam detestava ter de admitir isso, mas ele não conseguia tirar aquela francesa da cabeça. Enquanto todos da sala se concentravam em terminar o exercício de inglês, tudo o que ele conseguia fazer era imaginar o próximo encontro dos dois. Se não fosse por Harry ele nem sabia o que faria da vida. E só de pensar que seu amigo havia entrado numa fria por causa da sua família, o deixava estressado.

Um pouco antes do segundo ano acabar, e por todo o verão, tudo no que Harry havia se empenhado era em manter o pequeno segredo dos Payne bem guardado, e fazer com que o garoto se sentisse melhor a cada dia. Liam tinha consciência que havia prejudicado um dos seus melhores amigos, e precisava reverter essa situação logo. Ele percebia o quanto Harry e Luke se amavam, e não poderiam terminar esse namoro por causa de um fofoca muito mal contada.

De uma forma ou de outra, o garoto sabia o que teria e o que estava prestes a fazer: contar toda a verdade para toda a Constance. Se tinha uma coisa que ele não era, era ser desonesto. E faria o que fosse possível para ajudar aquele que sempre ajudou ele. Mas também tinha noção de que o real motivo para que Harry e ele tivessem se aproximado tanto ultimamente seria melhor contato por ele, e uma devastação se fosse publicado pela Garota do Blog antes.

- Payne, preciso que você me entregue o exercício. — O professor de inglês o encarou por cima dos óculos, com os olhos semicerrados a espera de uma resposta do garoto que parecia totalmente desligado do mundo. — Payne? — O chamou novamente. Liam levantou a cabeça e arqueou as sobrancelhas a espera da bronca que provavelmente levaria. — O exercício. — Concluiu.

- Eu não consegui terminar ainda. — Respondeu Liam coçando a nuca, só então notando o como todos da sala pareciam se importar tanto com a sua presença dentro da sala. — O senhor aceitaria se eu levasse ela até o senhor no ultimo horário?

- Claro que não. — Liam suspirou em alivio abaixando a mão até a mesa e desviando o olhar dos outros alunos, se concentrando em apenas uma caneta e um caderno em cima da carteira. — Mas na verdade eu só tenho até o terceiro horário hoje. — Continuou Paul. — Então, se você não acabar hoje pode me entregar na próxima aula. — O garoto assentiu e recostou-se na cadeira, agradecendo a Deus quando o sinal para o termino do primeiro horário ecoou pelos corredores.

Ele saiu de sala pisando firme a caminho da cafeteria do colégio. Precisava tomar alguma coisa antes de uma aula entediante de álgebra. Ser o centro das atenções havia se tornado algo totalmente estranho para ele, afinal, sempre foi acostumado a ser apenas o amigo do filho mais novo de Blair Waldorf, ou atualmente, a senhora Bass.

A lendária rainha B.

Quando ele havia entrado no colégio, ele já era amigo de Derek, o filho da Serena. Mas nunca havia realmente estado nos centros das atenções como neste primeiro dia de aula. Serena, Blair, Chuck, Dan e Nate? Mas é claro! Naquele momento estava mais do que claro para Liam que a Constance nunca mudaria. Sempre haveria as mesmas confusões, os mesmos tipos de pessoas querendo derrubar as outras. E quem seria a rainha afinal de contas? Talvez Bettany? Dazy? Alysson? Caterine? Taylor? Violet? Era simplesmente impossível saber. Tudo o que ele queria desmascarar de fato era essa pessoa por trás de um Blog tentando imitar outras gerações.

Era hipócrita aquilo; pensava Liam enquanto enxergava a sua frente um copo grande de cappuccino sendo colocado com um biscoito amanteigado estrategicamente deixado por ali. Um dos privilégios de se ter uma amiga trabalhando no café.

- O que foi, Liam? — Indagou Trina jogando seu corpo para frente.

- Você tem andado sem seu celular nos últimos dias? — Questionou Liam bebericando seu cappuccino super quente. A garota retornou a sua postura e apoiou seus dedos sobre o balcão antes de falar com Liam.

- Olha, todo mundo sabe que vocês não têm nada. — Ela disse olhando para as pessoas que fingiam ir tomar café apenas para lhe dar uma espiada. — Até porque, cara, o Harry namora Luke Hemmings! Tipo, o Luke Hemmings! — Liam revirou os olhos vendo a garota se empolgar tanto ao lembrar de como o corpo do maior era tão... Digamos... Definido. — Desculpe, eu tento me conter, mas... eu tenho fetiche por gays sexies. — Completou a garota enrolando a cordinha do avental em seu dedo, recebendo uma risada nasal do garoto que tapava a boca enquanto a observava.

- Tudo bem, Trina, só me deixa sem saber desses seus fetiches... Esquisitos. — Brincou Liam recebendo um soco de leve no ombro.

- Essas pessoas só querem se aproveitar de uma grande fofoca que não aparece aqui há tempos. — Concluiu Trina respirando fundo. — Vocês foram o retorno triunfal para o Blog menos acessado da atualidade.

- Mas essa fofoca está prejudicando o namoro de um dos meus melhores amigos, Trina, esse é o grande problema. — Liam explodiu deixando o copo no balcão e se concentrando nos olhos melo que só a garota tinha. — O Blog dela pode não fazer mais tanto sucesso, mas querendo ou não, há uma influência surreal por aqui. E cara, se o problema envolvesse apenas o Liam e eu, acho que eu não ligaria para boatos, afinal de contas eu sei o que realmente aconteceu, mas... Ainda há o Luke. O Luke não tem nada a ver com esta história que a Garota do Blog está fazendo com que todos acreditem, e ele está se deixando levar por isso. — O garoto soltou o ar de seus pulmões. — Um simples boato.

- Por quê você não fala para ele isso? — Trina perguntou apontando para trás. Liam girou o pescoço na direção em que a amiga indicou, vendo Luke passar com uma blusa cinza e em mãos sua jaqueta de couro preta. O garoto agradeceu a amiga, deixando o dinheiro do cappuccino no balcão e correndo atrás do garoto que ele deveria ter procurado mais cedo.

- Luke! — O garoto se virou assim que ouviu seu nome sendo exclamado por uma voz familiar. Apesar dele não querer conversar com nenhum dos dois metidos nessa confusão, pelo ao menos não naquela hora, ele precisava ouvir. Ele precisava deixar com que ao menos um dos dois se explicasse.

- Foi o Harry que mandou você vir aqui? — Perguntou ele coçando o queixo enquanto Liam parava a sua frente a uma distancia segura de um soco.

- Na verdade, não. — Confessou Liam. Luke fechou os olhos lentamente e os abriu fazendo um gesto para que o menor continuasse. — Eu queria que você ouvisse de mim que eu e o Harry não temos nada, tá legal? — Luke abaixou o braço com a jaqueta mostrando que estava prestando atenção. — Eu precisava de ajuda o tempo todo e ele foi o único que conseguiu de alguma forma me fazer superar isso.

- A Garota do Blog tem fotos de vocês dois em situações que me fazem questionar se foi realmente só uma ajuda. — Luke disse ironicamente, deixando sua boca levemente aberta no final da frase. — Eu gosto muito de você, Liam, nunca tive nada contra você, para falar a verdade. Mas me desculpe em dizer que eu não confio nessa sua amizade com o meu namorado. Vocês são pegos em uma situação estranha, e ele nem sequer me falou da viagem de vocês.

- Você nem sequer deixou ele falar, Luke! — Exclamou Liam colocando suas mãos sobre a sua cabeça sem acreditar.

- Mas isso nem vem ao caso. Eu estava zangado, não foi fácil para mim.

- E nem pra ele. — Os dois ficaram em silêncio em meio ao corredor por alguns segundos, até que Liam iniciou novamente. — Olha, Luke... Você pode não confiar em mim mesmo eu dizendo que sou hétero, mas você deveria passar a confiar mais naquele que é o teu namorado. — Luke suspirou fundo ouvindo aquilo. Ele olhou para o chão avaliando a situação e só voltando a olhar nos olhos do menor quando o mesmo voltou a falar. — Você deveria passar a confiar naquele que diz que te ama mesmo depois de você não ter deixado ele se explicar antes de partir para França.

- Você diz isso porque não conheceu o Harry de antes, Liam. Não é tão fácil superar os fantasmas do passado. — Liam arregalou os olhos ao ouvir a resposta do garoto. Ele riu nasalmente se virando e dando alguns passos na direção do lado oposto do qual Luke estava indo antes.

- Você sabe de uma coisa, meu querido? — Liam se virou encarando pela ultima vez o maior que se mantinha parado. — Eu posso não ter conhecido aquele Harry, mas sei muito bem de suas histórias. E você poderia ser o primeiro a perceber o quanto ele lutou para ser alguém melhor. — Suspirou Liam antes de continuar. — Por você.

- Onde você quer chegar com isso? — O menor observou-o ainda incrédulo pelo poder que o ciumes tinha sobre uma pessoa.

- Estou querendo dizer que ele mudou por você, tentou ser melhor por você, se tornou melhor por você. — Murmurou o menor gesticulando na direção de Luke com o dedo. — E acabou que ele se tornou homem demais pra você. — Naquele momento, Liam se manteve andando a passos apressados para a segunda aula que chegaria muito atrasado. Pelo ao menos ele se sentia um pouco mais leve com relação ao que deveria conversar com Luke.

Entrou dentro da sala e se sentou, sendo observado por todos como desde quando chegou na escola.

Era bom ir se acostumando, porque uma vez pego pela Garota do Blog, seria visado sempre. Ela estava de volta ao Upper East Side, e agora pra ficar.

[...]

Às vezes é preciso um empurrãozinho para enxergar o que estava bem a nossa frente e não queríamos acreditar. Liam tinha uma grande capacidade de fazer as pessoas enxergarem suas burradas, e com Luke não havia sido diferente. Caiu a ficha. Luke estava tão obcecado pelos olhares de força que as pessoas lhe lançavam, que passou a acreditar que no fundo Harry nunca havia mudado. Mas no final de contas, o garoto tinha total razão: Harry se tornara homem demais para ele.

Ele poderia culpá-los. Culpar especialmente a Garota do Blog por isso, mas sabia que no final dessa história o único culpado era ele mesmo. Ele, por não perceber antes a joia preciosa que tinha ao lado.

Ele estava caminhando de volta para a casa no fim da aula, o barulho de táxis correndo para chegar a tempo em seu destino, mulheres de nariz em pé caminhando com seus cães. Jovens saindo de lojas com bolsas e mais bolsas, e claro, outros com copos de café em mãos enquanto conversavam no telefone. Tudo parecia normal, e pra falar a verdade, ele sabia que tudo voltaria o normal quando chegasse em casa e ligasse para Hazza dizendo que precisava o mais urgente possível conversar com o mesmo. Se não fosse pelo toque de seu celular anunciando uma nova mensagem recebida.

(13:27)

"Oi, novamente, coleguinhas do Upper East Side! Há pessoas que digam que acabaram de ver a cena do momento: Liam e Harry entrando na mesma limousine na saída da Constance. Como é que fica a situação de Luke, então? Ele vai deixar com que Liam lhe dê uma rasteira dessa forma? Algumas pessoas levantam questões sobre qual é o destino dessa nova viagem: Portugal, Canadá, Irlanda, Inglaterra... Brasil? Juro que quando assisti ao vídeo que um dos meus ajudantes me mandou, achei o argumento dele para se defender bem convincente até...

[Vídeo gravado por anonimo no momento da conversa dos rivais]

Como eu disse, eu sempre volto.
Beijinhos."

[...]

Já estava anoitecendo quando as batidas na porta do quarto ecoaram no ouvido de Harry.

- Quem é? — Gritou o garoto debaixo do edredom, onde poderia chorar a vontade sem que ninguém descobrisse.

- Sou eu, Harry. — Blair gritou do lado de fora do quarto. — Tem alguém lá embaixo que quer muito falar com você, e acho bom vocês conversarem. — Harry iria lhe perguntar quem era, mas Blair já havia saído de trás da porta. Ele suspirou fundo se descobrindo do edredom e levando um susto ao perceber que o sol de Nova York já não estava inundando mais o seu quarto.

O garoto se levantou calmamente, indo em direção ao closet e pegando uma blusa qualquer. Vestiu a mesma e foi até a janela observar o movimento da cidade que nunca dorme. Ele estava grato por nem Chuck, Blair ou Dorota terem lhe perguntado sobre o primeiro dia de volta à Constance. Porque a verdade era que ele odiava a ideia de se lembrar que Luke Hemmings conseguia ser um completo idiota. Que ele o enxergava como o mesmo garoto de três anos atrás.

Provavelmente era ele quem estaria lá embaixo, querendo pedir desculpas pelo que a Garota do Blog havia postado, pensava Harry abaixando a cabeça calçando seus chinelos novos. Mas ele iria ter força, mas é claro, pra poder olhar na cara de Luke e dizer que estava tudo acabado entre os dois. Afinal de contas, o que Liam havia falado para o outro era puramente verdade.

Luke havia, sim, se sacrificado por Harry. Mas pela falta de confiança seus esforços não valeram a pena.

Harry saiu do quarto confiante, desceu as escadas calmamente respirando fundo e ouvindo uma conversa na sala. Não conseguia ouvir direito o que conversavam, mas definitivamente não era a voz do garoto. Era de uma mulher mais velha. Quando se virou para entrar na sala já sabia quem iria encontrar sentada no sofá.

Serena Van Der Woodsen.

- Olha só quem apareceu! — Disse Serena abrindo um sorriso gigante para Harry que retribuiu o gesto meio decepcionado por não ter nenhum Luke na sala. Serena esfregou o punho sobre a saia rosa que vestia e se levantou para dar um abraço em Harry que permanecia parado. — Já tem um bom tempo que eu não te vejo, Harry.

- É, eu estava em Paris. — Respondeu o garoto assim que se separou dos braços da amiga da mãe. Ele se sentou no sofá junto com Serena que parecia curiosa sobre a viagem.

- Nossa, então por quê você não começa a me contar sobre o que você aprontou por lá, mocinho? — Blair fez um sinal para que Dorota se aproximasse deles, então se virou para Serena. O garoto engoliu em seco, não se sentia muito confortavel naquele dia.

- Se você conseguir arrancar alguma coisa sobre a viagem, te convido para morar novamente na minha casa. Assim acho que você vai conseguir uma vaga como "reveladora dos grandes segredos de Harry". — Os três começaram a rir, mesmo que um deles só o fizesse por educação.

- Sim, senhora Blair? — Dorota perguntou encarando-a.

- Você pode trazer os macarons au chocolat, por favor? — Dorota assentiu sorrindo e saindo da sala.

- Mãe, eu não tenho muito o que falar para vocês sobre a França. — Harry disse sorrindo e observando os chás sobre a mesinha de centro. — E a proposito, a vaga de "reveladora dos grandes segredos de Harry" já foi ocupada pela Garota do Blog. — Serena engoliu o chá olhando para fora da janela e voltando depois a observar o garoto.

- Achei que essa nova Garota do Blog já havia desistido do posto. Há um bom tempo que eu não escuto Derek falar sobre ela. — Blair retirou um macaron que Dorota havia acabado de deixar sobre a mesa e mordeu um pedacinho.

- Deve ser porque ele não é alvo dela desde o meio do segundo ano. E além também havia se distanciado bastante, pra falar a verdade. Até... O fim do segundo ano quando ela mandou um boato sobre mim pra escola inteira. — Disse Harry pegando um macaron para si também.

- Algo estranho, afinal, por ser filho da Serena, achei que a nova Garota do Blog teria uma preferencia por ele. Como a outra por você, né, Serena? — Blair riu fraco, percebendo que sua tentativa de piada não surtiu nenhum efeito positivo na amiga. Serena revirou os olhos, cruzou as pernas e sorriu fraco para Harry que a encarava com um olhar pensativo.

- Obrigado por me deixar usar a roupa do Harry, senhora Bass. — Harry arqueou as sobrancelhas ao ver Derek entrando na sala com sua roupa. Derek o olhou, lhe dando um leve sorriso. — Oi. Eu derrubei chá na minha roupa... Espero que não se importe.

- Oi. — O menor respondeu seco. — Tudo bem.

- Quero que você me conte sobre a sua viagem, então, você vai subir pro seu quarto ou a gente vai ficar por aqui? — Blair gesticulou para Harry com cabeça, forçando-o a ir com o amigo para o quarto.

- Como eu estava dizendo, não há muito o que falar. — Derek sorriu balançando a cabeça positivamente.

- O que vocês acham de subir e conversar sobre a escola então? — Os dois se entreolharam e tiveram que concordar. Subiram as escadas depressa e entraram no quarto do garoto.

- Que bagunça. — Derek brincou.

- Como assim você some e agora aparece como se nada tivesse acontecido? — Harry fechou a porta, se virando para o garoto que se jogava em sua cama. — Cadê aquele seu amiguinho?

- Enquanto você estava em Paris eu estava em Manhattan, conversando com os amigos que me sobraram. Não coloque o Victor no meio da nossa guerrinha, Harry. — O maior disse reparando os novos porta-retratos sobre a comoda. — A gente está se comportando feito os nossos pais. Mas... Acho que quem abandonou quem, não fui eu.

- Derek, desculpa não ter ligado ou coisa do tipo, mas eu precisava me manter afastado desse circo que é essa cidade. — Harry se jogou no chão, recostando suas costas na parede e encarando Derek que balançava a cabeça em afirmativa. — Eu virei o alvo daquela bruxa. Fui a isca perfeita para um novo recomeço da maré de fofocas e intrigas.

- Sabe? Pelo ao menos estamos nós dois aqui agora. — Derek disse suspirando fundo. — O que você acha da gente assistir a algum filme debaixo dessas suas cobertas e nos esquecermos da nossa vida lá fora? — Harry pensou por um tempo.

- Tudo bem. Não tenho nada melhor pra fazer mesmo. — Os dois sorriram.

- Bem, então vem cá. — Derek disse se levantando e puxando Harry do chão. — Você quer que eu busque alguns macarons?

- Não precisa, a Dorota deve vir aqui trazer alguma coisa pra gente comer já já. — Derek balançou a cabeça observando a janela do quarto do amigo.

- Seu pai volta pra casa hoje? Ouvi minha mãe comentar com a sua que o Nate volta amanhã, e que vai ter uma festa.

- Meu pai vai chegar um pouco tarde, mas vem hoje, sim. — O garoto disse tirando sua roupa de cama. — Pega um edredom novo dentro do closet, por favor? — Derek caminhou até e fez o que foi pedido. — O nosso convite também chegou ontem. Mas não faço ideia se a gente vai participar dessa festa.

- Por quê? — Perguntou Derek se jogando no pequeno sofá branco que ficava no canto do quarto, onde Harry costumava ler alguns dos seus livros favoritos, ou antigamente, ler as fofocas que rolavam pelo Upper East Side.

- Porque meu pai não está se dando muito bem com o Nate. — Harry respondeu parando em frente a cama e erguendo o olhar para o amigo. — Você já se perguntou quem é a Garota do Blog?

- Você está me perguntando se eu já me perguntei quem poderia ser a filha da puta que me fez ser pego pelos meus pais em meio a uma situação um pouco crítica com a minha ex-namorada? — Derek riu nasalmente. — Todas as noites. — Harry iria começar a falar alguma coisa, mas foi cortado com as batidas calculadas que apenas uma pessoa tinha.

- Pode entrar, Dorota. — Derek não desviou o olhar do amigo em nenhum segundo. Se manteve concentrado no jeito como ele se virou para falar com a sua empregada que de empregada não tinha nada. Todos estavam cansados de saber que Dorota era um membro da família Waldorf, e agora, consequentemente, da família Bass.

- Desculpe interromper os senhores, mas é que tem alguém lá embaixo querendo falar com você, senhor Bass. — Harry assentiu sorrindo.

- Hoje eu estou muito solicitado. — Brincou saindo do quarto e caminhando lentamente em direção às escadas. Quando chegou ao topo, e encarou o hall do apartamento, não tinha certeza se deveria confiar no que seus olhos viam: Zayn Archibald parado com uma garrafa de vinho em mãos.

Os olhos de ambos os garotos se cruzaram e um sorriso foi dado pelos dois no mesmo instante.

- Zayn Archibald? O que você veio fazer em Manhattan? — Perguntou o garoto sorrindo abertamente, descendo as escadas os mais depressa possível. Zayn passou a mão em seus cabelos dando alguns passos a frente.

- Voltei para cá com o meu pai. Minha mãe vai se mudar para San Francisco com o novo namorado dela, então, você já deve saber o fim dessa história. — O menor deu um sorriso de canto se aproximando do moreno e lhe dando um abraço forte. Zayn lhe estendeu a garrafa. — Foram o quê? 5 anos sem nos vermos?

- Por aí. — Harry confessou observando o vinho. — Vinho tinto italiano? Vejo que não foi só o seu corpo que evoluiu, mas as suas escolhas de presentes também. — Os dois gargalharam.

- Bem, como eu fiquei sabendo que seus pais não têm se falado com o meu, achei melhor vir entregar. Acredito que vocês não devem comparecer na recepção amanhã.

- Você conhece a minha família muito bem, senhor Archibald. — Zayn passou o olho pela casa.

- Eu só vim aqui para isso mesmo, e rever você. Meu pai ainda está em busca de uma escola para mim, então qualquer coisa podemos no encontrar por lá.

- Derek está lá em cima, você quer falar com ele? — Zayn pareceu pensar um pouco a respeito.

- Não precisa chamar ele, não. Depois do que houve quando ele foi me visitar em Los Angeles... — Ele respirou fundo. — Bem, acho melhor eu ir. — Os dois se abraçaram novamente.

- Então tá, até mais. — Zayn se virou para dar um tchauzinho para Dorota que estava parada na ponta da escada. — Vê se não some. — Harry virou abruptamente em direção a Dorota. — Dorota, prepare a minha roupa para amanha, pode ser na Henry Bendel, vou convencer meus pais a se acertarem o Archibald.

- Tudo certo, senhor Bass. — Harry subiu as escadas correndo, tendo em mente que tudo estava para mudar a partir dali.

Rever velhas amizades era tudo o que Harry precisava para poder esquecer que no dia seguinte teria que enfrentar os grandes corredores da Constance. Talvez amanhã fosse um dia diferente para o pobre Harry Styles Waldorf Bass, e que as coisas fossem começar a dar certo novamente tendo ao seu lado Zayn Archibald, seu grande amigo de infância. Dizem que essas coisas acontecem por obra do destino, já eu acho que desta vez o destino não teve nada a ver com isso, foi apenas uma certa pessoa que precisava de todos os amigos de sempre mais unidos do que nunca, afinal de contas, como destruir várias pessoas com uma unica bomba se estas pessoas estão em estados diferentes? E se eles achavam que depois de grandes amizades serem retomadas tudo voltaria a dar certo, só ficava provado que o conhecimento de seus pais não servia para nada naquela convivência surreal com a Garota do Blog. Porque geralmente para uma coisa começar a dar certo, outra tem que dar errado.

E é para isso que eu existo. Essa é a minha função.

E quem sou eu? Esse segredo eu não conto pra ninguém. Vocês sabem que me adoram. Beijinhos, a Garota do Blog.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Por favor, comentem. Preciso dos comentários para que possa mudar algo que tenha feito de errado e não deixar de postar por falta de notificações.
X.O.X.O
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.