You Have Me

72 Stay With Me, I Need You By My Side!


Acordei na manhã seguinte, ainda aconchegada ao meu pai. Sentia alguém a acariciar-me os cabelos e visto que ouvia o meu pai a ressonar leve e tranquilamente, calculei que fosse a minha mãe. Sorri perante o ato e depois abri os olhos lentamente. Deparei-me com o olhar que mais me segurança trazia, o olhar tom de caramelo da minha mãe.

- Bom dia! – Disse num tom baixo para não acordar o meu pai.

- Bom dia, querida! Dormiste bem? – Perguntou ternamente.

- Sim, não tive pesadelos. – Respondi realmente feliz.

- Ainda bem, querida. Pelo menos, tu não tiveste pesadelos. – Disse ela suspirando um pouco.

- O que queres dizer com isso? – Perguntei preocupada.

- A Alice acordou aos gritos de madrugada, quando cheguei ao quarto dela, ela estava a chorar. Não me quis contar o que tinha sonhado, mas ela estava assustada. Consegui acalmá-la e ela dormiu mais um pouco, mas acordou muito cedo. – Explicou ela. Fiquei preocupada, pensava que os pesadelos da Alice já tinham acabado, há muito tempo que ela não os tinha, pelo menos era o que ela dizia. – Não te preocupes, querida, ela vai ficar bem.

- Espero que sim. – Respondi ainda um pouco preocupada.

- Bem, vem tomar o pequeno-almoço para depois tomares a medicação. – Disse ela sorrindo um pouco. Levantei-me cuidadosamente para não acordar o meu pai e depois fui com a minha mãe até à cozinha. Ela fez o pequeno-almoço e comemos as duas juntas. Quando acabei de comer a minha mãe foi buscar-me os comprimidos. Eram bastantes e saber o porquê de os ter de tomar, deixava-me triste. Tinha a esperança de não ter apanhado nada. Assim que acabei de tomar tudo, fui até à sala. Ainda tinha o corpo um pouco dorido e queria deitar-me um pouco. Liguei a televisão e fiquei a ver a série que estava a dar. A manhã passou rápido. O meu pai levantou-se perto da hora do almoço. Almoçámos os três juntos e depois de ajudar a minha mãe a arrumar a cozinha, voltei para a sala com o meu pai. A minha mãe foi até ao escritório desenhar um pouco. Eu e o meu pai escolhemos um filme e ficámos a ver. Ainda era por volta das três quando oiço o meu telemóvel a tocar. Levantei-me do sofá e fui o mais rápido possível até ao meu quarto.

- Sim? – Disse quando atendi a chamada sem ver quem me estava a ligar.

- Sou eu, Rose. – Disse a Alice. – Como estás? – Perguntou ela preocupada.

- Bem, não tive pesadelos de noite. Dormi bem. Mas a mãe disse-me que tu não. Pensava que já não tinhas pesadelos. – Disse preocupada.

- E há muito tempo que não tinha… — Disse ela simplesmente. Percebi que ela não queria falar do assunto, por isso não insisti. Quando ela quisesse contar, ela vinha ter comigo, era sempre assim. Com a Alice não podíamos insistir muito. – Mas eu telefonei-te para te dizer uma coisa. – Disse ela, parecendo eu subitamente lembrou-se do que tinha para me dizer.

- O que era? – Perguntei.

- O Emmet andou louco à tua procura. Tivemos que lhe dizer que estavas em casa e ele agora ainda ficou mais preocupado, porque nenhum de nós diz o que tens. Acho que ele está a pensar em passar aí por casa, à tarde. Estás pronta para isso? Se não estiveres, eu posso falar com ele. – Informou-me.

- Não sei, Alice… — Disse meio surpreendida. Ainda não tinha pensado no que dizer ao Emmet desde aquela noite. Não tinha pensado em como ele iria reagir. E se ele não quisesse ficar mais comigo? Eu compreendia, mas não queria isso. Eu amava o Emmet, demais. Não queria perde-lo. Eu não conseguiria perde-lo neste momento. Eu não suportaria. – Eu não sei como é que ele vai reagir, Alice. E se ele já não me quiser mais? – Perguntei num tom choroso.

- Ele ama-te tanto, Rose. Hás-de ver como é que ele está. Ele está mesmo preocupado contigo. Passou o almoço todo a chatear-nos para nós dizermos o que se tinha passado contigo para não vires à escola. Ele só quer saber se estás bem, duvido muito que ele te deixe.

- Achas? – Perguntei a medo.

- Acho e acho que devias contar-lhe. Ele vai ajudar-te imenso, vais ver. Para não falar que te vai apoiar de uma forma incondicional, quando precisares de algo ele vai estar aí para ti.

- Eu só tenho medo de lhe contar, Alice.

- Eu sei que sim, Rose. Mas é melhor que ele saiba da tua boca, antes que mais alguém saiba, ele aí vai pensar que não confias nele.

- Mas eu confio, só não quero vê-lo sofrer com o que eu passei, ou então que simplesmente tenha nojo de mim e me deixe.

- Ele nunca vai ter nojo de ti, Rose. Ninguém tem nojo de ti. – Disse ela num tom de voz doce. – Ele ama-te e sim, acredito que irá ficar chateado quando souber que alguém magoou a namorada dele desta maneira, e ele vai ficar triste por ti, mas não te vai deixar. Ele vai querer ajudar-te a ultrapassar isto, Rose.

- Achas mesmo? – Perguntei num tom choroso.

- Acho e se ele fizer algo para te magoar quem o vai magoar sou eu, Rose. – Disse a Alice fazendo-me rir com a imagem dela pequena como é ao lado do Emmet. – Bem, agora, vou ter que desligar, tenho que ir para a aula. Sabes que preferia ficar a falar contigo mas acho que se isso acontecesse a Esme e o Carlisle matar-me-iam, por isso…

- Eu compreendo, Lice. Vai lá. Vemo-nos quando chegares a casa. – Disse. Ela despediu-se de seguida e depois desligou o telemóvel. Voltei a colocar o telemóvel na mesa-de-cabeceira e voltei para baixo, para o pé do meu pai. Ele encontrava-se deitado no sofá a ver o filme. Sentei-me na poltrona e tentei voltar a prestar atenção mas não conseguia. Saber que o Emmet vinha aí daqui a pouco tempo e eu tinha que lhe contar tudo, fazia-me ficar nervosa. Eu não queria mesmo perde-lo e só tinha mesmo de ter esperanças que ele não iria fugir de mim mal ouvisse a palavra violação. Perdi-me em pensamentos, enquanto o filme continuava a passar na televisão. Deveria ser bom porque tinha prendido a atenção do meu pai, o que era algo realmente difícil. Quando dei por mim, os meus irmãos já estavam a entrar pela porta de entrada, vindos da escola. A Alice veio imediatamente ter comigo e percebi automaticamente que ela queria que fossemos falar para o quarto. Levantei-me da poltrona e segui-a até ao quarto dela.

- O Emmet não veio convosco? – Perguntei meio surpreendida.

- Não. Eu falei com ele antes de vir para casa. Ele disse que tinha que passar por casa mas que eu menos de uma hora estava aqui. – Informou-me. – Vai correr tudo bem, Rose. Vais ver! – Disse ela para me consolar.

- Espero mesmo que sim. – Disse suspirando um pouco. – E tu não queres falar sobre o pesadelo? – Perguntei preocupada. Se olhássemos atentamente para ela, víamos que ela estava abatida e cansada e eu não gostava de a ver assim.

- Foi apenas uma coisa parva. – Disse ela tentando desviar o assunto.

- Por mais parvo que tenha sido, fez com que acordasses a gritar e a chorar, por isso, deve ter tido um significado para ti. – Argumentei. Eu sabia que ela não gostava de falar sobre os pesadelos mas também sabia que ela se sentia muito mais aliviada por ter partilhado o que a aterrorizava com alguém. Ela ficou de costas para mim e dirigiu-se até à janela do seu quarto.

- Eu sonhei com a noite em que o meu irmão morreu mas não era ele que estava no sonho. – Disse ela com a voz perto de um sussurro.

- Quem era, Lice? – Perguntei num tom suave.

- Eras tu. – Respondeu ela, fazendo-me ficar em silêncio.

- Porque é que sonhaste comigo? Tem alguma coisa a ver com o que me aconteceu? – Perguntei, agora, também com a voz num tom baixo.

- Sinceramente, não sei. Mas quando a Esme foi para o hospital com um tumor, eu também tive o mesmo sonho, mas a Esme estava no lugar do Sean. Eu não sei o que significa, mas são horríveis porque vejo a morte do meu irmão em pessoas que amo. – Tentou explicar.

- Porque não constaste à minha mãe? Ela ficou preocupada. – Disse.

- Porque não quero que ela se preocupe comigo neste momento, tu precisas dela, não eu. São só sonhos estúpidos, Rose. Apenas isso.

- Não são sonhos estúpidos, Alice. Fazem-te sofrer. Eu vejo o quanto estás abatida e cansada, Alice. Pensas que não consigo perceber isso? És minha irmã, eu conheço-te, a minha mãe só te quer ajudar e ela pode muito bem-estar a apoiar-me e a ajudar-me e estar a ajudar-te também. Ela é tua mãe também, Alice, não é só minha.

- Eu sei, só que…

- Só que nada. Promete-me que se esta noite tiveres algum pesadelo e a minha mãe vier ao teu quarto vais contar-lhe. Ela pode ajudar-te a voltar a dormir, tu mesma me disseste que ela afasta os teus pesadelos. Deixa-a fazer isso.

- Está bem, Rose, eu prometo. – Disse ela sorrindo um pouco. – Obrigada por tudo. – Agradeceu, abraçando-me. Afastámo-nos quando ouvimos bater à porta. A Alice mandou entrar. Era o Emmet. Comecei a ficar nervosa, mas eu tinha que falar com ele, a Alice tinha razão. Se ele me apoiasse e me ajudasse a ultrapassar isto seria tão bom, tão mais fácil.

- Rose, podemos falar? – Perguntou ele preocupado. Sorri fraco e afirmei com a cabeça. Saí do quarto da Alice e fui com ele até ao meu quarto para termos um pouco de mais privacidade. Sentámo-nos no pequeno sofá que tinha no quarto e ficámos uns segundos em silêncio. – Rose, o que aconteceu? Porque não foste, hoje, à escola? Eu sei que para os teus pais deixarem-te faltar à escola, algo grave se passou e não me parece que estejas doente, Rose. Eu passei o dia preocupado, sem saber de ti e o que fazer. Eu só queria sair daquela escola e vir ter contigo. – Disse ele realmente preocupado. Era isto que eu amava nele.

- Emmet, o que se passou comigo foi grave, foi horrível… — Disse numa voz trémula. – Antes de te contar, quero que me prometas uma coisa.

- Qualquer coisa, Rose. – Afirmou ele de imediato.

- Promete que não me vais deixar. Eu não vou aguentar isto tudo se me deixares, Emmet. Eu preciso de ti ao meu lado para conseguir ultrapassar isto tudo. É tudo tão difícil, Emmet. Não me saí da cabeça o que me aconteceu naquela noite e eu só quero esquecer.

- Eu vou estar ao teu lado, Rose. Eu nunca te vou deixar, nunca. Eu prometo. – Disse ele acariciando a minha bochecha.

- Na noite de Sábado, depois de nos termos despedido, eu fui até ao meu carro, Emmet. Quando estava prestes a entrar para vir para casa, apareceu um homem. – Comecei já à beira do choro. – Ele começou a falar comigo, Emmet mas eu não conseguia perceber o que ele queria, até que ele se irritou. Ele puxou-me para um beco e atirou-me para o chão. Ele deitou-se por cima de mim e começou a tirar-me as roupas e… — Contei já a chorar. Olhava para as minhas mãos, eu não conseguia olhar para o Emmet. Tinha medo de ver o seu olhar e perceber o nojo que ele passaria a ter de mim. — … e…ele…Emmet, ele… — Senti a mão dele a levantar o meu queixo para que ele pudesse ver o meu olhar.

- Rose, diz-me que ele não te violou. – Suplicou ele. Eu apenas chorei mais e neguei com a cabeça. Eu não lhe podia dizer isso. Aquele monstro violou-me.

- Ele aleijou-me tanto, Emmet. Eu gritei tanto, mas ninguém me ouviu. – Disse a chorar. Sentiu-o a levantar-se bruscamente do sofá, assustando-me. Ele começou a andar de um lado para o outro no meu quarto. – Emmet… — Murmurei. Não conseguia perceber o que se passava na cabeça dele. Ele parou bruscamente quando ouviu o seu nome ser pronunciado pelos meus lábios e virou-se de frente. O rosto dele estava contorcido como se sentisse dor.

- Desculpa, Rose. Desculpa. – Disse fazendo-me olhar confusa para ele. Porque é que ele me estava a pedir desculpas? – Eu devia ter ido contigo até ao carro. Devia ter-te acompanhado. Se eu tivesse feito isso, ele nunca te teria magoado tanto. A culpa é minha, eu devia ter-te protegido, Rose. – Disse ele fazendo-me olhar espantada perante a reação dele. Limpei as lágrimas que ainda caiam pelas minhas bochechas.

- Emmet, a culpa não é tua. Por favor, não te culpes. Tu não tens culpa de nada. Eu só preciso de estar nos teus braços neste momento. Mais nada. Eu tenho tanto medo que ele volte e me magoe outra vez, Emmet. Eu só me quero sentir segura nos teus braços. – Disse ainda chorando um pouco. Ele pegou-me ao colo e levou-me até à cama. Ele sentou-se encostado à cabeceira e depois ajeitou-me no seu colo e abraçou-me como só ele me sabia abraçar. Repousei a minha cabeça no seu ombro e ele beijou-me a testa.

- Eu vou estar sempre aqui para ti, ele nunca mais te vai magoar Rose, nem que eu tenha que andar atrás de ti vinte e quatro horas por dia. Ele não se vai chegar ao pé de ti outra vez e se alguma vez, eu o vir, ele vai desejar não ter nascido. – Disse ele sério. Sabia que quando o Emmet prometia, ele, realmente, cumpria. – Eu amo-te tanto, Rosie, nunca te vou deixar. Foste uma boba em pensar que eu poderia fazer isso. Eu vou estar aqui, em todo o caminho. Vamos ultrapassar isto, juntos. – Afirmou, beijando-me de seguida.

- Também te amo, Emmet. Muito. – Respondi voltando a recostar a minha cabeça no seu ombro e fechando os olhos para aproveitar a sensação de segurança e carinho que ele me transmitia.

Notas finais
Sim, estou de volta! Eu sei que peço sempre desculpas, mas eu sempre que consigo posto um capitulo, eu vou tentar ser mais regular e demorar menos tempo, mas não posso prometer nada (: Espero que não me abandonem e que gostem do capitulo. Espero os vossos comentários!
Beijinhos
S2