You Have Me

65 She Is My Daughter!


Esme

Eu estava magoada pela atitude do meu pai. Eu sabia que iria ser um pouco difícil mas nunca pensei que ele reagisse da maneira que reagiu. Ele, praticamente, não aceitou a Alice. Ele não percebeu o que ela significava para mim e o quanto eu a amava. Depois da discussão que ele teve com a Alice ao pé da piscina, ele começou a discutir comigo. Ele queria à força toda que eu entregasse a Alice a uma instituição. Ele não sabia o que ela já tinha sofrido numa instituição, ela não precisava mais disso. Voltei a tentar fazer com que ele percebesse que a Alice era uma filha para mim, tal como a Rose, o Jasper e o Edward. Ele não entendeu e as últimas palavras, que ele proferiu, antes de sair de minha casa, num rompante, foram: “Enquanto aquela rapariga estiver aqui em casa, não ouses dirigir-me a palavra. Sabes a minha opinião e eu sou teu pai, devias respeitar-me. Nunca pensei que me pudesses desiludir desta maneira!” Eu apenas fiquei em choque a olhar para ele e mais ninguém da família o tentou deter. Recompus-me e tentei não transparecer toda a mágoa que sentia, pelo menos até a festa acabar. Depois de todos se irem embora, desabafei nos braços do Carlisle. Ele sabia perfeitamente como eu me sentia.

- Querida, está tudo bem, não chores mais, por favor! – Pediu ele, quando percebeu que o meu choro não iria cessar tão cedo. Abracei-me a ele com mais força e tentei controlar os meus soluços. – Tenho a certeza que quando ele perceber o que fez e como te magoou, vem pedir-te desculpas. Sabes como ele é, Esme. – Disse ele afagando as minhas costas. Fui acalmando aos poucos e recostei-me contra o peito dele. Ele acabou por nos levar para o sofá e eu aconcheguei-me nele continuando a controlar a vontade de chorar. Ficámos ali, eu a tentar acalmar-me e o Carlisle a afagar-me as costas para me acalmar.

- Como será que está a Alice? – Perguntei ao fim de um tempo. Desde que ela tinha vindo para dentro, ainda não tinha falado com ela.

- Não sei, ela ainda não saiu do quarto. Espero que ela esteja bem, eu não gosto de a ver a sofrer. Ela já sofreu demais. – Respondeu o Carlisle num tom preocupado.

- É o que eu acho. Ela é tão frágil. – Comentei. Nesse momento, o Jasper desceu as escadas um pouco distraído. Também via preocupação no seu olhar. – Querido, o que se passa? – Perguntei-lhe.

- É a Alice. – Respondeu ele, sentando-se ao meu lado.

- O que tem a Alice? – Perguntei num tom preocupado.

- Ela viu-te chorar e meteu na cabeça que te magoou, que a culpa de o avô não falar mais contigo é dela e que por isso te está a fazer triste. – Explicou ele. – Ela entrou em pânico quando te viu chorar, até disse que iria para uma instituição para o avô voltar a falar contigo, porque assim não estarias triste. – Disse ele. Arfei surpresa. Eu não sabia que a Alice me tinha visto chorar. Eu não queria que ela me tivesse visto chorar, porque eu sabia que era esta a reação que ela teria. Eu nem queria pensar na Alice numa instituição. Ela iria para longe e eu não poderia vê-la todos os dias. Isso, ia matar-se por dentro, lentamente. Eu quero a minha filha junto a mim, tal como os outros três.

- E onde ela está agora? – Perguntei muito preocupada.

- Está no quarto. Consegui fazer com que ela adormecesse. Não sei se vai resultar, ela está demasiado agitada para dormir. – Comentou ele suspirando. Ficámos em silêncio até que eu me decidi levantar. A minha preocupação não me deixava ficar sentada, eu tinha que ir ver como ela estava, se possível, tirar aquela ideia maluca da cabeça dela.

- Onde vais, Esme? – Perguntou o Carlisle com o semblante preocupado.

- Vou ver a Alice. Estou preocupada, preciso de vê-la. – Expliquei, subindo para o segundo piso, indo em direção ao quarto da Alice. Entrei fazendo o mínimo de barulho. Como o Jasper disse, ela estava agitada, mesmo estado a dormir ele revolvia-se no fino lençol que estava por cima dela, enrolando-o no corpo. Cheguei-me ao pé da cama e sentei-me. Quando me aproximei, percebi que ela choramingava baixinho e isso cortou o meu coração. Eu não gostava de a ver assim. Toquei nos cabelos dela e acariciei levemente, não queria que ela acordasse, só que ela se acalmasse. Passado um pouco, ela relaxou e deixou de se remexer tanto. O choro baixo também cessou, ela apenas suspirava pesadamente. Encolheu-se até ficar em posição fetal e continuou a dormir profundamente. Ajeitei melhor o lençol em volta dela e depois de lhe dar um beijo na testa, saí do quarto para ela dormir um pouco. Ela já estava mais calma. Voltei para baixo. O Carlisle e o Jasper ainda se encontravam na sala. Sentei-me ao lado do Carlisle e aconcheguei-me a ele.

- Como ela está? – Perguntou ele.

- Agora está sossegada a dormir, mas quando cheguei ao quarto, estava bastante agitada e estava a chorar baixinho ainda a dormir. Devia estar a sonhar com algo. – Comentei. Apenas o ouvi suspirar. Depois disso, a sala ficou em silêncio, apenas se ouvia um burburinho que vinha da televisão, mas ninguém lhe prestava a atenção. Estávamos presos nos nossos próprios pensamentos. Era difícil saber que o meu pai não aceitava a adoção da Alice, era muito difícil, visto que eu adoro ter o apoio dele em tudo. Mas eu iria adotar a Alice, mesmo sem o apoio dele. Tudo o que eu mais queria neste momento, era que a Alice fosse legalmente minha filha.

Depois de uns tempos em silêncio, fomos comer algo rápido, visto que ninguém estava com muita fome e depois eu fui para o meu quarto. Não ia realmente dormir, provavelmente não conseguiria dormir até que ouvisse da boca da Alice que ela não se vai embora. Sabia que a Alice era muito bem capaz de se ir embora, só por pensar que isso faria o meu pai falar comigo e me faria completamente feliz. Se isso acontecesse, eu nunca seria realmente feliz. A Alice era uma parte de mim. Tomei um banho rápido e tirei a roupa que estive a vestir a festa toda. Vesti o meu pijama e coloquei-me, sentada, debaixo dos lençóis. Peguei no meu livro e continuei do ponto que tinha parado na noite anterior. Não estava concentrada a cem por cento no livro mas ele conseguia distrair-me um pouco, fazendo com que o tempo passasse um pouco mais depressa. Levantava-me de vez em quando para ir ver como a Alice estava e depois voltava para o quarto. Passado um pouco, o Carlisle veio deitar-se.

- Esme, vem dormir também. Estás cansada. – Pediu ele.

- Acho que não consigo, Carlisle! — Disse-lhe sincera.

- Porquê, querida? – Perguntou ele preocupado.

- Tenho medo que a Alice se vá embora durante a noite. Tenho que ter a certeza que ela já não mantem aquela ideia. – Expliquei triste. Ele puxou-me para o seu colo e acariciou-me os cabelos.

- Ela não irá fazer isso, querida. Podes ficar descansada. – Disse o Carlisle numa tentativa de me acalmar, mas eu sabia que nem ele acreditava naquilo que ele estava a dizer.

- Vou tentar. – Respondi. Deitámo-nos os dois e eu aconcheguei-me nele. Não demorou muito para o Carlisle adormecer. Eu fiquei totalmente desperta. Sabia que não iria conseguir dormir. Revolvi-me na cama várias vezes mas o sono ainda não vinha. Decidi levantar-me. Iria acabar por acordar o Carlisle. Fui até à cozinha e bebi um copo de água para me acalmar um pouco. Não demorou muito para que fosse para cima outra vez, mas antes de ir para o meu quarto fui ver da Alice. Abri a porta cuidadosamente e vi logo que ela já estava acordada. Ela tinha a luz da mesa-de-cabeceira acesa e estava sentada contra a cabeceira da cama a desenhar algo. Bati à porta levemente para ela perceber que eu estava ali. Ela mal ouviu o barulho, olhou imediatamente para o local onde eu estava. Sorri carinhosamente para ela e ela sorriu fraco para mim. Dirigi-me até à sua cama e sentei-me ao lado dela.

- Desculpa. – Disse ela num sussurro.

- Porquê, amor? – Perguntei-lhe acariciando a sua mão.

- Por te ter magoado. Eu não queria que nada disto tivesse acontecido. – Respondeu ela com a voz chorosa.

- Eu sei, amor mas tu não tens culpa de nada. Não quero que chores mais. Tu não tens culpa. Está bem?

- Mas ele não fala contigo por causa de mim! – Disse ela um pouco desesperada.

- Claro que estou magoada por ele não falar comigo, ele é meu pai, mas se ele não respeita um filho meu, eu não posso deixar de estar um pouco zangada com ele. Tu és minha filha, ele apenas tens que aceitar isso.

- Mas…

- Mas nada, querida. Não quero que penses mais nisto. Tu não tens culpa de nada. Não quero que te sintas culpada e quero que tires da tua cabecinha a ideia que me magoaste e que a melhor alternativa é voltares para uma instituição. Eu preciso de ti comigo, se te fores embora, eu vou ficar bastante magoada. Eu não te quero perder, Alice. Eu não suportaria perder uma filha. – Disse para ela. Algumas lágrimas silenciosas escorregavam pelo seu rosto. Limpei-as delicadamente e depois beijei-lhe uma das bochechas.

- Eu amo-te tanto, mãe! – Exclamou ela. O meu coração entrou num ritmo descompassado quando ouvi a palavra mãe. Eu adorava quando ela me chamava de mãe. Eu, simplesmente, ficava completamente extasiada de felicidade. Sorri ternamente para ela, fazendo com que ela abrisse um pequeno sorriso.

- Também te amo, querida. Amo-te tanto. – Disse enquanto a abraçava. Deitei-me com ela na cama e aconcheguei-a a mim. Ela fechou os olhos e suspirou. Acariciei-lhe os cabelos enquanto ela adormecia. Não demorou muito para que começasse a ouvir a sua respiração profunda e compassada. Assim que percebi que ela adormeceu, adormeci eu.

Notas finais
Oláaa, gente! Vai aqui um capitulo fresquinho, um pouco atrasado eu sei! Desculpem mas aconteceu alguns imprevistos. Vou estar fora uns dias, por isso não sei quando irei voltar a postar. Espero que compreendam. Comentem muitooo! :D
Beijinhos
S2