You Have Me
27 Pain and the Reprehension
Alice
Estava com imensas dores. Muitas, mesmo. Eu já tinha acordado há algum tempo mas ainda não tinha conseguido abrir os olhos. Nunca pensei que dois cortes, viessem a doer tanto. Levei a mão do braço bom ao corte da minha barriga e depositei-a aí, esperando que surtisses algum efeito sobre a dor. Mas não surgiu. - Aii… — Gemi baixinho. Abri os olhos lentamente. Reparei que estava num quarto diferente. Era mais espaçoso e mais iluminado. Virei a cabeça para o outro lado e deparei-me com a Esme a olhar-me preocupada. – Esme? – Perguntei baixinho. As dores eram tantas! Voltei a gemer baixinho de dor. - Querida, estás bem? – Perguntou a Esme levantando-se da sua cama e aproximando-se da minha. Neguei com a cabeça. – Querida, diz-me o que sentes. – Pediu ela realmente preocupada.- Dói tanto, Esme. – Disse à beira de lágrimas. - Ó querida! – Disse ela acariciando a minha bochecha. As dores estavam horríveis. Nunca tinha sentido tanta dor na minha vida. – Não podes tomar um analgésico agora. Primeiro não comeste nada e depois deram-te um há pouco tempo. – Disse ela.- Aii… — Gemi mais alto, agarrando a mão da Esme e deixando algumas lágrimas escapar. - Shh! Shh! – Disse ela limpando as minhas lágrimas. – Onde está a menina corajosa e forte que eu conheço? – Perguntou ela sorrindo para mim. – Ignora a dor que ela vai parecer menor. – Disse ela. - Não consigo, Esme. Dói tanto. – Choraminguei. - Claro que consegues. – Disse ela apertando a minha mão com mais força. – Vais-te concentrar em dizer-me o que fizeste no tempo em que eu estive em Seattle. Está bem? Concentrei-me o máximo possível mas era muito difícil devido à dor. Contei tudo o que tinha feito e o que tinha acontecido, até as desavenças que eu tinha tido com o Brian e o Mike. No fim de contar tudo, ainda havia a dor mas era menor e mais suportável. - Obrigada, Esme. – Disse com sinceridade. Estava mais calma. - De nada, querida. Foi por isso que quis estar no mesmo quarto que tu. - Foi a Esme que pediu? – Perguntei surpresa.- Sim. Queria estar contigo querida, para tomar conta de ti. – Respondeu ela carinhosamente. A dor foi parecendo menor com o passar da tarde. A Esme distraiu-me a tarde toda, mas a dor não tinha desaparecido totalmente.- Onde é que estão o Jasper e o Carlisle? – Perguntei.- Convenci-os a ir para casa ter uma boa noite de sono. O Carlisle desde que eu fui internada que não vai dormir a casa. – Explicou ela. – Ele também precisa de descansar, senão também vai acabar internado.- É verdade. – Disse. O resto da tarde passou normalmente. Eu e a Esme estivemos a conversar e a ver televisão. À hora do jantar, a dor voltou forte. Eu não queria chatear a Esme, ela também tinha que descansar por causa da operação de que tinha feito. Mas eu não conseguia evitar de gemer. Ela acabou por perceber e veio outra vez para o pé de mim. – Alice, vou chamar uma enfermeira e perguntar se já podes tomar alguma coisa. – Disse ela preocupada. Ela carregou no botão para chamar a enfermeira e segundos depois apareceu logo uma.- O que desejam? – Perguntou simpaticamente.- Já podem dar qualquer coisa para a Alice por causa das dores? – Perguntou a Esme. A enfermeira foi até aos papéis que diziam tudo o que eu tinha tomado e todos os meus sinais vitais e leu lá qualquer coisa.- Sim. Vou buscar num instante. – Avisou ela saindo do quarto. Voltou uns minutos depois e injectou-me algo. Depois desejou-nos as boas noites e foi embora. Claro que eu ainda tinha dores, o medicamente não fazia logo efeito, mas não demoraria muito. A Esme ainda me olhava preocupada. Deu a volta à minha cama e deitou-se ao meu lado, do lado do braço que não estava aleijado. Eu aconcheguei-me nela. Sabia tão bem ter alguém que se preocupasse connosco. Eu adorava a Esme como uma mãe e neste momento precisava daquilo para acalmar. Ela beijou-me a testa e começou a acariciar-me a cabeça. A sonolência começou a vir e eu acabei por adormecer aconchegada à Esme. A noite foi calma. Como tinha tomado o analgésico antes de adormecer, as dores não apareceram de noite. Senti-me segura perto da Esme e os pesadelos não vieram. Em muito tempo que não tinha uma noite sem pesadelos, mesmo quando dormia com o Jasper, os pesadelos vinham, não eram tão intensos mas vinham. Esta noite, ao lado da Esme, eles simplesmente não se atreveram a aparecer e eu dormi a noite toda como não dormia há muito tempo. CarlisleEstava com a Esme a Alice no quarto. A Alice ainda estava a dormir. Era bom para ela, descansar. Ela deve ter perdido muito sangue com o tamanho e a profundidade dos cortes. A Esme também estava deitada, mas não estava a dormir. Ela estava a recuperar muito bem o que me deixava extremamente feliz. - Querido, vai passar esta noite a casa. – Pediu a Esme.- E deixar-vos sozinha? - Eu já estou melhor e estamos as duas juntas. Não te preocupes. Precisas de uma boa noite de sono. Desde que eu fui internada, não foste dormir a casa.
- E se acontecer algo? Eu prefiro estar aqui, Esme. - Se acontecer algo, alguém do hospital chama-te. Eu quero que tu vás dormir a casa, querido. Precisas de descansar. – Continuou a insistir. Ela tinha razão. Eu tenho estado um pouco cansado nestes dias, mas eu queria estar com ela. Tinha medo de ir para casa. – Eu estou melhor e a Alice também. Vamos ficar as duas bem. Está bem?- Está bem. – Disse cedendo. – Mas se acontecer alguma coisa prometes que me avisam.- Prometo. Agora, vai lá para casa descansar. – Disse ela sorrindo ternamente para mim. - Fica bem, está bem? – Perguntei beijando-lhe carinhosamente. - Vou ficar. – Disse ela. Fui dar um beijo na testa da Alice e saí do quarto. Quando estava quase a sair pela porta principal, fui interceptado por uma enfermeira que vinha a correr.- Dr. Cullen! – Chamou.- Sim, Mary? – Perguntei.- A ficha da rapariga que está com a sua mulher no quarto está incompleta. Quem a trouxe não conseguiu completar.- Não veio ninguém responsável por ela? – Perguntei chocado. A Ellen deveria ter aparecido para preencher a ficha e dar os dados às enfermeiras. - Não. Quem veio com ela, foram dois adolescentes, apenas. - Eu trato disso, podes ficar descansada. - Obrigada, Dr. Cullen. – Agradeceu ela, entrando no hospital. Fui em direcção ao meu carro. Isto não podia ser assim. A Ellen era responsável por todas as crianças que estavam naquela instituição. Ela tinha que saber por onde andavam as crianças e o que tinha acontecido com elas. Era impossível, ela não dar pela falta da Alice se ela está há mais de um dia sem aparecer na instituição. Conduzi até à instituição. Tinha que falar com a Ellen e ir buscar alguns documentos da Alice para preencher a ficha médica dela. O caminho até lá não demorou muito. Saí do carro e entrei dentro da instituição, dirigindo-me logo ao escritório da Ellen. Bati à porta.- Entre. – Disse ela do lado de dentro.- Boa tarde, Ellen. – Disse entrando no escritório dela.- Boa tarde, Carlisle. O que o trás aqui? – Perguntou ela.- Não deu por falta de nenhuma das suas crianças, Ellen? – Perguntei um pouco irritado.- Não, não dei. – Respondeu prontamente. Fiquei mais irritado do que o que estava. Como é que ela não tinha dado por falta da Alice? Mesmo que a Alice passasse muito tempo no quarto, ela tinha que dar por falta dela nas refeições e em outras situações. - Sabe é que uma das suas crianças está internada desde ontem no hospital. – Informei-a. Ela ficou sem reacção. Não sabia o que me dizer. – Pois. A Alice deu entrada no hospital com dois cortes. Teve que ser operada e tudo. - Então tentou suicidar-se outra vez! – Exclamou ela. – Avisei-a que se ela fizesse isso de novo, expulsava-a da instituição. - Ela não se tentou suicidar de novo, Ellen! – Disse irritado. Já tinha perdido toda a calma que possuía. Eu adorava a Alice. Desde a primeira vez que ela me apareceu no hospital. Sentia que a tinha que proteger, dar-lhe segurança e ver que no sítio onde supostamente ela devia ser protegida nem sequer davam pela falta dela, irritou-me muito. Já tinha percebido que a Ellen não gostava muito da Alice, mas nunca tinha percebido o porquê. – Ela foi atacada na escola por dois colegas que lhe tiravam o dinheiro para almoçar. Ela ontem resistiu e um deles esfaqueou-a! Ela tem um corte que vai desde o ombro até ao pulso e outro na barriga que fez com que ela tivesse que ser operada para se certificarem que a faca não tivesse atingido algum órgão. – Expliquei-lhe. Ela ficou pálida com a descrição dos cortes mas recompôs-se logo. - Ninguém me avisou que ela estava no hospital. – Tentou defender-se ela.- Ninguém a avisou porque a ficha dela no hospital está incompleta. Ninguém a foi preencher. – Disse-lhe. – A Ellen tem uma instituição com crianças, o seu dever é tomar conta delas. Não era difícil reparar que a Alice não tinha aparecido. – Ela não disse nada, apenas olhou para mim. – Pode-me dar os documentos da Alice, que eu preencho a ficha dela. - Posso. – Respondeu ela secamente. Ela foi a um armário e tirou uma pasta que tinha as coisas da Alice. Passou-me uma bolsa com os documentos.- Obrigada! E espero que da próxima vez que algo do género acontecer, com qualquer criança, a Ellen faça o seu trabalho. Tenha o resto de uma boa noite. – Despedi-me saindo do escritório dela e indo em direcção à saída. Entrei no carro irritado e tentei-me acalmar antes de começar a dirigir. Agora, iria para casa e amanhã resolvia o problema. Quando cheguei a casa, os meus filhos estavam a jantar. - Pai, o que fazes aqui? – Perguntou a Rose já preocupada.- A tua mãe convenceu-me a vir dormir a casa. – Disse sorrindo só por me lembrar dela. - Ela fez muito bem. Precisas de descansar em condições, pai. – Disse a Rose.- Queres comer? Ainda à comida lá dentro. – Informou o Jasper.- Sim, eu vou lá buscar e já me junto a vocês. – Fui lá dentro até à cozinha e servi-me de um pouco de comida. Depois voltei para o pé dos meus filhos e jantei com eles. Era estranho jantar sem a Esme. Ela estava sempre presente. Quando acabei de comer, desejei as boas noites aos meus filhos e fui para o quarto. Estava realmente cansado. Vesti o pijama e deitei-me na cama, adormecendo logo de seguida.
Notas finais
Mais um capituloo! :p Espero que gostemm! Mesmo! Queria avisar que postei uma fic nova! Chama-se New Life e é Alisper! Gostava que fossem lá ler! Fico à vossa espera!BeijinhosS2
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