You Had Me At Hello
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Os pensamentos formavam um grande redemoinho dentro de minha cabeça. Lembro-me de uma das mais brilhantes épocas da vida. Lembro-me de todos os grandes e pequenos shows que já fiz. Lembro-me de cada letra, de cada acorde. Lembro-me dos sorrisos e lágrimas das multidões de fãs. Lembro-me do olhar dela. Lembro-me dela. Lembro-me de como aqueles olhos me focaram da primeira fila. Lembro-me de como ela parecia felicíssima ao som das músicas que compus com minha banda.
– Olá! disse uma menina de cabelos castanho-claros, um tanto envergonhada, entrando pela porta do camarim. Olá! disse novamente, ao ver que ninguém a respondia.
– Olá! eu disse, virando-me para ela quase maravilhado. Vestia uma camiseta branca do KoRn por dentro dos shorts curtos de couro negro, presos com suspensórios vermelhos e aquele chapéu que dava um ar ainda mais gracioso à ela. Pedia-me um autógrafo, pedia-me se eu permitia que me desse um abraço. Pedia-me que tirasse uma foto com ela. Quase permiti que me levasse para onde quisesse.
Hoje, em turnê, tenho sentido tanto a falta dela. Eu gostaria de tê-la comigo, antes que o sol apareça. E cada minuto eu sinceramente espero que ela abra a porta do quarto de hotel em que estamos e diga que ficará comigo. Parece que o sol já dá sinais de que está vindo, ao contrário dela, apesar de eu sentir que ela está cada vez mais perto de mim. Eu juro que eu não me importaria mais em estar aqui com minha banda, se ela estivesse em meus braços.
Mas eu estou indo para longe, longe de você.
Longe de você.
O que eu tenho feito todo este tempo aqui? Eu sei que antes dela eu havia jurado não confiar em mais ninguém. A vida quebrara minha confiança, despedaçada em milhares de lembranças ruins. Sim, eu prometi não confiar em ninguém, não de novo. Porém, com ela nem precisei confiar, pois ela me teve ao abrir aquela porta e me dizer Olá!.
Poderia jurar para quem quer que me venha perguntar, eu nunca vi um sorriso como o dela, um sorriso que pudesse iluminar todo o quarto escuro que eu me encontrava.
Então, a cada dia que se passa, eu aqui, ela lá, faço questão de assistir ao passar do tempo, para cada vez adequar o meu próprio tempo à ela. E são nestes momentos que eu penso: será que estaria tudo bem? Será? Será que estaria tudo bem se por um momento eu lhe tirasse o fôlego? Só para guarda-lo seguro comigo?
Mas eu estou indo para longe, longe de você.
Longe de você.
E tudo aquilo me vem à mente novamente. O que eu tenho feito todo este tempo aqui? Eu sei que antes dela eu havia jurado não confiar em mais ninguém. A vida quebrara minha confiança, despedaçada em milhares de lembranças ruins. Sim, eu prometi não confiar em ninguém, não de novo.
Ela me teve ao dizer "Olá!"
Mandou-me milhares de recortes de borboletas negras brilhantes, presas em um fio transparente. Centenas de fios com dezenas de borboletas adornando-os. O plano de fundo do novo clipe da minha banda.
Na carta que viera com elas, escreveu, tão linda, o que viraria o título da minha música:
Ela me teve ao dizer "Olá!"
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