You Got Me

1 Capítulo Único: Você me tem.


Notas iniciais
Olá gente! Como sempre, eu acho que me desacostumei a escrever capítulos pequenos então espero que não se importem de ler 8 mil e poucas palavras. Não tem smut, mas com certeza tem a primeira vez deles nas entrelinhas HAHAHA. Aqui eu retrato de Janeiro até Maio o relacionamento Jily no sétimo ano e como foi desenvolvido através dos sentimentos e pensamentos de Lily Evans. Bem, se vocês leram as iniciais já sabem que talvez a cada parágrafo lido, vai ser derramado um litro de açúcar. Tá, não é para tanto, mas YGM foi a coisa mais fluffly que eu já me atrevi a escrever até o momento. Nos vemos lá embaixo e NÃO PULEM AS NOTAS FINAIS para não perderem um detalhezinho que eu vou dizer. Beijos e boa leitura.

~*~

“You're stuck on me and my laughing eyes

I can't pretend though I try to hide

I like you, I like you”

"Você está ligado em mim e em meus olhos que riem

Eu não consigo fingir ainda que tente esconder

Eu gosto de você, eu gosto de você."

[Sala Comunal da Grifinória, 13 de Janeiro de 1977 – 21h00min].

A conversa entre Lily Evans e sua melhor amiga, Marlene McKinnon, naquele exato minuto estava tão calorosa quanto à própria lareira em si, viva e relaxante, que aquecia a Sala Comunal da Grifinória em uma noite particularmente fria de janeiro e atraía os alunos para mais perto para interagirem antes de se recolherem para seus dormitórios.

As duas encontravam-se sentadas em um sofá de dois lugares, dividiam um cobertor felpudo junto com várias embalagens de Sapos de Chocolate. As pernas de ambas estavam, respectivamente, uma no colo da outra demonstrando uma intimidade mútua para aquela amizade de anos.

O assunto era nada mais nada menos, do que o que fizeram no feriado de Natal há poucos dias. Contavam suas aventuras e seus afazeres, Marlene sempre tendo peripécias e histórias engraçadas a ser reveladas o que causava em Lily gostosas gargalhadas abafadas pelo som das conversas alheias.

A noite estava tranquila e agradável assim como o humor de Lily Evans. Na verdade, há tempos que seu humor mantinha esse parâmetro e ela não se incomodava em Hogwarts. E por um motivo bem simples. Antes, suas irritações, mau humor e xingamentos eram provocados por certo garoto chamado James Potter. Contudo, desde que ambos tornaram-se monitores-chefes da casa dos Leões e passaram a dividir tarefas, responsabilidades, noites de companhia e cumplicidade, começaram a se entender.

Lily começou a pensar, de uns tempos para cá, que talvez a insígnia de monitor-chefe fixada em seu peito no tecido do uniforme esteja surtindo efeito na mente de James Potter, já que ele (pelo o que ela percebeu) não tem azarado os estudantes como vivia fazendo nos anos anteriores, bem como a necessidade constante de se mostrar bem dotado nas matérias também diminuiu consideravelmente. Ah, sim, Lily não podia esquecer, a frequência com a qual ele a chamava para sair tornou-se menos evidente embora o rapaz, vez ou outra, mostrasse indícios de interesse claro nela.

Porém, Lily não mais se indignava e sim apreciava as tentativas furtivas e quase falhas dele, assim como sua persistência. Ele era persistente e de uma maneira que, ultimamente, tornou-se admirável para ela.

E, naquele instante, ela se admiraria mais ainda, pois, o próximo relato de Marlene sobre o seu Natal foi interrompido com a chegada instantânea de James Potter.

“Evans, já tá na hora da ronda.” Proferiu com veemência a frente das duas amigas.

Ambas o fitaram, ainda com o sorriso que se formaria pela história não contada ascendente em seus lábios, depois se entreolharam e encararam-no novamente com as expressões confusas ao mesmo tempo em que abismadas.

Lily retirou o braço debaixo do cobertor e checou seu relógio trouxa de pulso para confirmar aquela afirmação.

21:00 foi o que os ponteiros indicaram.

“Olha só, quem diria hein, James Potter avisando Lily Evans do horário das rondas e não ao contrário.” Apontou Marlene com uma expressão irônica e divertida no rosto.

“Pois é.” Lily concordou com o lábio inferior sobreposto ao superior demonstrando surpresa e incredulidade. “Geralmente sou eu que tenho que arrastá-lo para as tarefas.” Ela, por incrível que pareça, havia se esquecido das rondas rotineiras de sexta à noite enquanto se divertia conversando com a amiga.

“Parece que invertemos os papéis essa noite então.” Ele comentou crispando os lábios e erguendo as sobrancelhas enquanto enfiava as mãos nos bolsos da calça do uniforme em uma perfeita demonstração sarcástica.

Ao ouvi-lo, Lily empertigou-se no sofá e o encarou convicta escondendo em seu rosto um que brincalhão.

“Oh, certo, trate de arrumar esse cabelo então.”

“Claro, e a senhorita trate de executar um 360 na Nimbus 1000” revidou rápido e inteligente.

“Prometo me esforçar.” Ela concluiu e ambos riram juntos aparentemente esquecendo que Marlene ainda encontrava-se ali, assistindo de camarote essa interação tão empática entre eles.

Mas antes que ela pudesse comentar alguma coisa, James voltou a falar.

“Te espero lá fora.” Deu um meio sorriso e girou nos calcanhares indo em direção ao buraco do retrato aguardar por Lily para iniciarem a ronda pelo castelo.

A ruiva exibia um sorriso generoso no rosto enquanto fitava seu parceiro de monitoria se afastar pelo corredor. Não se importou nem um pouco em tentar escondê-lo da amiga, já que não gostava quando a flagravam sorrindo à toa, e só se arrependeu disso no instante seguinte.

“É impressão minha ou o que acabou de rolar aqui foi muito fofo e romântico para o meu gosto?” alfinetou Marlene com um olhar malicioso.

Lily, de imediato, encarou a amiga e deixou o sorriso desfalecer limpando a garganta. Jogou o cobertor para o lado e levantou-se do sofá.

“Para com isso, Lene.” “Só estávamos tendo uma conversa normal.” Desviou Lily ajeitando os cabelos e o distintivo de monitora-chefe em seu peito.

“Sei.” “Lily, até quando você vai negar a si mesma e para todo o mundo que está começando a gostar do James?” Marlene cruzou os braços e bufou fazendo com que uma mecha perdida de seu cabelo loiro na testa levantasse alguns centímetros.

“Eu não gosto dele!” “Quero dizer, eu gosto, mas não desse jeito.” Corrigiu-se. “Somos só amigos.” Esclareceu já encaminhando-se para o buraco do retrato e deixando para trás uma Marlene que balançava a cabeça em sentido negativo embora sorrisse com aquela mentira descarada de sua amiga.

~*~

“I think I felt my heart skip a beat

I'm standing here and I can hardly breathe

You got me, yeah, you got me”

"Eu acho que senti meu coração pular uma batida

Eu continuo parada aqui e eu mal posso respirar

Você me tem, você me tem."

[Grande Salão, 21 de janeiro de 1977 – 08h00min]

Mesmo com aquele banquete estonteante que os Elfos Domésticos preparavam de muito bom grado para o café da manhã dos alunos em Hogwarts, Lily Evans não conseguia distrair-se e tampouco comer. Estava nervosa demais para levar qualquer colherada de mingau a boca, ou para beber seu suco de abóbora, ou até para morder seu pão com geleia. Quando ficava nesse estado sempre perdia o apetite.

De soslaio, encarava James Potter um pouco mais a sua diagonal esquerda e a frente. Ele comia com afinco já que necessitaria de toda a energia possível para o jogo de Quadribol que aconteceria daqui mais alguns minutos. Ele, junto com todos os outros jogadores e a torcida da Grifinória em si, estava animado e esperançoso pela partida mesmo que fosse apenas mais um jogo de rotina, sem valer realmente alguma coisa, contra a Sonserina. Lily remexia seu mingau enquanto o fitava.

Cabelos mais bagunçados do que o normal devido a estar de manhã cedo. Óculos tortos na base do nariz conforme Sirius Black o sacudia pelos ombros no que devia ser alguma brincadeira ou gesto de encorajamento. Sorriso exuberante, por demonstrar confiança no que fazia. Lily aproveitou para admirar cada centímetro e ponto de seu rosto visto que James ainda não tinha reparado nos olhares dela. Ela percebeu que gostava de ter aquela visão todas as manhãs e por isso encontrava-se nervosa. Sabia que teria de encará-lo na manhã do jogo e passou a noite inteira refletindo se deveria ou não falar com ele.

Desejar boa sorte.

Pessoalmente.

Tal qual como ele sempre pedia nos anos anteriores com a costumeira frase “Me deseja sorte, Evans?” e ela nunca respondia. Apenas revirava os olhos e retomava o seu caminho. Em todas às vezes James quem teve de chegar perto dela e cobrar. No entanto, nesse momento era ela quem queria se aproximar e desejar-lhe sorte sem ser forçada. Só não sabia como fazê-lo.

Sobressaltou-se na cadeira quando Sirius bateu uma palma e disse que já estava na hora. Não que Black fosse o estudante que determinava o momento de todos os outros se encaminharem para o campo de Quadribol, afinal os alunos já sabiam a hora certa de ir, porém serviu para que Lily despertasse de seus devaneios e fitasse James com os demais jogadores, incluindo sua amiga Marlene que era artilheira, levantarem de suas respectivas cadeiras e se afastarem pelos corredores.

Precisando de uma opinião alheia para confirmar sua ideia, Lily virou-se para Alice Prewett ao seu lado que estava terminando de tomar seu suco de abóbora, e inquiriu com certa urgência:

“Lice, você acha que eu deveria desejar boa sorte para ele?”

A morena depositou o cálice em sua mesa e nem precisou perguntar de quem se tratava. Ela sabia. Todos sabiam. E, com um sorriso no rosto, respondeu:

“É quase um crime que você ainda não tenha feito isso.” Era tudo o que Lily precisava ouvir para arranjar coragem.

Pouco se importava se iria parecer uma desesperada ao correr Salão Principal afora em busca de James Potter apenas para desejar boa sorte em um simples jogo de Quadribol. Ela faria isso, porque nesta manhã em específico, não desejava outra coisa.

Levantou-se de sua cadeira e tal qual como deduziu, correu na direção por onde os outros jogadores haviam ido, com um sorriso no rosto. Surpreendeu-se com a velocidade de sua corrida ao notar, segundos depois, que podia avistá-lo em uma distância consideravelmente boa para gritar:

“James!” diminuiu seus passos assim que o rapaz ouviu-a e virou-se de imediato ao perceber que era ela quem o chamava. Contudo, para a frustração de Lily, os demais também ouviram seu chamado gritante e viraram junto com James para fitá-la.

Não vá desistir agora pensou consigo mesma. O que importava se toda a equipe da Grifinória assistisse aquela cena? Bem, a única consequência seria Lily com as bochechas coradas pelo resto do dia. Fora isso, tudo em perfeita normalidade.

James Potter refez o caminho de volta até Lily com o cenho levemente enrugado em surpresa e confusão. Conforme ele se aproximava, ela sentia o coração pular umas batidas e sua respiração sair com certa dificuldade.

Quando enfim ficaram frente a frente, Lily sibilou com falso controle:

“Só queria, sabe, te desejar boa sorte.” Mordeu o lábio inferior com certa timidez ao ouvir a plateia ao fundo dizer coisas como ‘Vamos logo Prongs, deixa para namorar depois’. ‘Não interrompe esse momento histórico, pelo amor de Merlin, Black!’ (era a voz evidente de Marlene).

Todavia, James Potter, parado a sua frente, pouco se interessou em assimilar o que sua equipe comentava e falava. Tinha um sorriso incrédulo nos lábios e uma aparente felicidade. Não lhe restou outra ação a não ser inclinar-se para Lily e depositar, demoradamente, um beijo em sua bochecha.

“Obrigado, Lírio.” Agradeceu e só depois de trocar um intenso olhar com ela foi que girou nos calcanhares para ir ao campo com a mente mais leve do que o Pomo de Ouro, tal qual como Lily que, com toda certeza, sentiu as famosas borboletas no estômago aquela manhã.

~*~

“The way you take my hand is just so sweet

And that crooked smile of yours, it knocks me off my feet”

"O jeito que você pega minha mão é simplesmente tão doce

E esse seu sorriso torto, me derruba"

[Jardins internos de Hogwarts, 4 de fevereiro de 1977 – 15h15min]

Uma das melhores sensações que podia se ter dentro daquele castelo era aproveitar o intervalo das aulas descansando à sombra de uma boa árvore tanto nos jardins internos quanto externos de Hogwarts. Embora estivesse um pouco frio aquela tarde de fevereiro, sentir a brisa do vento bater no rosto e ouvir o canto de algumas espécies de pássaros era, com certeza, relaxante.

Embora Lily adorasse o professor Horácio Slughorn e principalmente a matéria que ele ensinava, Poções, ela teve de admitir que essa aula preparatória para os N.I.E.M’s, que ocorreriam no final do ano letivo, foi cansativa. Slughorn instruiu os alunos a prepararem duas poções de altíssimo nível de conhecimento: Félix Felices e Morto-Vivo. O objetivo de Horácio para com o preparo de tais poções era demonstrar os riscos ocorridos quando se ingeria quantidades absurdas dos líquidos. E, é claro, ver como os alunos se saiam em uma aula prática.

Até ela, que modéstia parte, era excelente no preparo dos caldeirões, viu generosas gotículas de suor escorrer por suas têmporas enquanto picava os ingredientes e tentava ler o quadro negro de instruções em meio à fumaceira e vapor presentes naquela sala das masmorras. Os alunos constantemente precisavam parar para beberem água e, um número considerável de vezes chamavam Slughorn para obter ajuda que o professor oferecia de bom grado.

Como sempre, a dupla de Lily para a tarefa foi Marlene, que diferente dela, estava roendo as unhas por não conseguir excelência ou pelo menos resultados apresentáveis em seu caldeirão. Era definitivo, Marlene McKinnon era péssima com poções. Entretanto, no final de tudo e graças a um pequeno incentivo de Lily, a loira conseguiu recolher umas amostras aceitáveis de suas poções e entregá-las a Slughorn.

E, nesse exato momento, as três (Lily, Marlene e Alice) descansavam sobre a sombra de uma árvore pequena que lhes oferecia um apreciável repouso. Marlene estava em pé com a sua mais nova Nimbus 1000 que ganhou de presente dos pais em seu aniversário na semana passada, substituindo à velha Comet 290, e a qual agora a loira carregava para todo o lado como uma criançinha com seu brinquedo preferido. Alice encontrava-se sentada ao lado de Lily lendo um bom livro de romance bruxo enquanto a ruiva apenas observava os arredores, sempre agradecendo por fazer parte desse mundo tão mágico.

“Certo, Lily, agora é a sua vez.” A voz de Marlene afirmou com certa euforia.

“Como?” Perguntou Lily desviando seu olhar de um grupo de alunas do primeiro ano que passavam esbaforidas para Marlene ao ouvir a frase da amiga e não entender seu sentido.

“Vem, mulher!” “Não é tão ruim assim.” Proferiu Marlene apontando para sua vassoura de corrida. A ruiva, ao assimilar o que ela estava sugerindo, arregalou os olhos e negou com veemência. “Ah, é sério e você disse que subiria se eu conseguisse fazer aquela poção na aula do Slughorn, lembra?” “Foi seu modo de me incentivar.” Concluiu soando bastante esperta.

Era verdade. Impulsionada pelo aparente desespero de Marlene em não conseguir terminar a tarefa e ganhar pontos extras com Slughorn (que ela já estava precisando, e muito) Lily sugeriu aquilo que foi rapidamente aceito pela amiga. Afinal, há anos que queria ver Lily em cima de uma vassoura.

Não tinha saída, logo, Lily revirou seus olhos de uma maneira exagerada e levantou-se do gramado encorajada por Alice que, de modo instantâneo, parou sua leitura para ver aquela cena.

Marlene entregou a Nimbus 1000 em suas mãos e quase deu pulinhos de excitação. Isso não se via todo dia.

Lily pegou o cabo da vassoura e passou a perna direita por cima dela, montando no objeto voador. Ah, como se fazia isso mesmo? Ela ainda se lembrava das aulas de voo no primeiro ano, certo? Não devia ser tão ruim assim.

Curvou o corpo para frente e deu um leve impulso com os pés, sobrevoando alguns centímetros do chão. Marlene e Alice logo aplaudiram, gargalhando logo em seguida. Lily também estava se divertindo, arriscou em até sorrir um pouco e tudo seria perfeitamente normal se os Marotos não estivessem passando por ali naquele exato momento.

Coincidência ou não, o olhar de Lily Evans cruzou com o de James Potter. O rapaz caminhava de maneira despretensiosa, como sempre fazia, e era bem provável que ele e os amigos estavam apenas em busca de um bom lugar para sentar. Porém, assim que seus olhos se cruzaram, James estagnou no local e postou-se a observar a ruiva.

Não acreditou ser ela no início, mas aquelas orbes verdes e os cabelos acaju eram inconfundíveis, então teve de crer que era mesmo Lily Evans em cima de uma Nimbus 1000. Ela o encarou e seu sorriso sumiu do rosto no instante seguinte. James, por outro lado, sorriu torto para ela diante daquela visão, o que foi um erro já que isso foi o suficiente para desconcertá-la que se desequilibrou e, com um baque surdo, Lily tombou no chão.

O rosto da ruiva pareceu pegar fogo e ela sentiu o coração acelerar.

Não acredito que cometi esse vexame.

“Evans, você tá ok?” ouviu a voz dele soar de cima e então percebeu que James, assim como os Marotos e suas amigas, estava em sua volta, estupefato.

“Meu Merlin, Lily, o que foi isso?” Marlene levou as mãos à boca em um reflexo de surpresa e vontade de rir.

Lily abriu os olhos e sorriu de forma involuntária causando risos instantâneos em todos ali. Ainda riam quando James estendeu a mão para ajudá-la a se levantar e Lily agarrou-a ficando de pé logo em seguida.

“Lily, quando eu disse para você dar um 360 na Nimbus 1000 era brincadeira, tá?” comentou James que ainda segurava a mão dela.

“Foi quase isso, James.” Marlene se pronunciou enquanto enxugava algumas lágrimas que ameaçavam escorrer-lhe pelo canto dos olhos. “A Lily disse que subiria na Nimbus 1000 se eu conseguisse fazer aquelas malditas poções do Slughorn.” Explicou divertida.

“Com certeza agora temos uma forte concorrente no Quadribol a julgar pela excelente demonstração de voo da Evans.” Ironizou Sirius voltando a rir e recebendo de brinde o dedo médio de Lily.

Mas ela não estava irritada, pelo contrário, estranhamente à vontade ali no meio de suas amigas e dos Marotos.

E, coincidência ou não, James e Lily ainda tinham as mãos seguras.

~*~

“Oh, I just can't get enough

How much do I need to fill me up?

It feels so good it must be love

It's everything that I've been dreaming of

I give up. I give in. I let go. Let's begin

Cause no matter what I do

Oh (oh) my heart is filled with you”

"Oh, eu simplesmente não consigo ter o suficiente

Quanto eu preciso para me satisfazer?

Esse sentimento é tão bom, só pode ser amor

É tudo que eu sempre estive sonhando

Eu desisto. Eu me entrego. Deixo ir em frente. Vamos começar

Porque não há nada que eu faça

Meu coração está preenchido com você."

[Dormitório das meninas, 11 de fevereiro de 1977 – 23h40min]

Sete anos de convivência e isso nunca mudou. Toda vez, antes de dormir, Marlene, Dorcas, Alice, Emmeline e Lily (que dividiam o dormitório) quase entravam em ‘pé de guerra’ por causa do único banheiro ali presente. Cada uma com suas peculiaridades divergiam bastante quando a assunto era ‘quem vai primeiro’, principalmente à noite, quando todas estavam cansadas depois de um dia exaustivo de aulas e o que mais ansiavam era um bom banho quente e um pijama confortável.

Depois de minutos a fio discutindo quem estava mais necessitada do uso do banheiro, acabou Lily como sendo a última. Como sempre, ela não se importou. Nem de longe coisas supérfluas como essa a tirariam do sério especialmente hoje.

Não depois de acabar de voltar de uma ronda prazerosa ao lado de James Potter, onde eles passaram quase vinte minutos falando sobre o outro e se divertindo ao se conhecerem ainda mais. Não depois de James dizer coisas engraçadas só para fazê-la rir e que, de fato, eram engraçadas, diferente de suas piadas forçadas nos anos anteriores. Não depois dele não falar um minuto sequer sobre si mesmo, ouvir Lily com demasiada atenção em seus relatos e ser gentil em todos os momentos.

Cada vez ela se impressionava mais com essas atitudes e nem percebia que estava gostando dele em níveis perigosos para quem não quer se apaixonar. Ele a surpreendia em cada dia que passava, apagando com gestos novos e maduros os erros e as mágoas do passado entre eles.

Depois de tomar um banho relaxante e vestir sua calça de pijama verde com a blusa branca regata, Lily deitou-se confortavelmente na cama, ajeitando o travesseiro para se acomodar melhor quando deixou escapar um risinho involuntário enquanto pensava em James e em algo divertido que ele lhe contara.

“Hmm, viu um hipogrifo verde foi, para estar sorrindo à toa?” questionou Marlene que usava a varinha para fazer uma trança de raiz em seus cabelos longos e loiros.

“Acho que eu vi sim, sua enxerida.” Rebateu a ruiva em tom brincalhão, virando-se de lado para encarar as amigas e apoiando a cabeça em uma das mãos.

“Sei.” Marlene deixou escapar um sorriso malicioso de seus lábios.

“Está pensando em quem?” inquiriu Alice do outro lado do quarto, mostrando interesse na conversa e abraçando os joelhos, mesmo estando sentada com as pernas debaixo das cobertas.

“Adivinha?” “James Potter sim ou claro?” Marlene terminou sua trança, depositou a varinha no criado mudo e enfiou-se também nos lençóis e edredons.

“Awnn, e eu ainda sou burra de perguntar, não é Lily?” pressionou a morena.

Lily encarou-as com a sobrancelha arqueada e tentou manter a expressão séria para não dar razão às convencidas amigas que tinha. Porém ela não o fez por muito tempo já que todas as outras agora a encaravam com feições esperançosas. Até Marlene, pois queria confirmar sua teoria.

“Ai, tá bom.” “Eu estava pensando nele.” Rendeu-se a ruiva e ouviu comemorações como respostas.

“Há, eu sabia!” Marlene ergueu as mãos no ar. “Por Merlin, Lily Evans, admita logo que está gostando dele.”

Ela não admitiu. Não em voz alta, pelo menos, já que apenas estalou os lábios e virou-se para o lado oposto escutando os lamentos frustrados de suas amigas e controlando-se para não rir.

Mas ela sabia e admitiu para si mesma, minutos mais tarde, quando o dormitório encontrava-se absorto em um breu e as outras já estavam dormindo, que possivelmente estaria gostando de James Potter.

~*~

“I can't imagine what it'd be like

Livin' each day in this life

Without you, without you”

"Eu não posso imaginar como seria

Viver cada dia nessa vida

Sem você, sem você."

[Sala Comunal da Grifinória, 28 de fevereiro de 1977 – 03h07min]

Mesmo que há muitos dias Lily Evans tenha estado com um humor invejável por aqueles que carecem de um riso ou alguma sensação de bem estar, no fim de fevereiro algo conseguiu derrubá-la e não, James Potter não teve nada a ver com isso.

Por mais que tentasse ignorar a irmã, Petunia Evans, do mesmo modo que a outra fazia, Lily sentia muita falta dessa irmandade e jamais conseguiu superar tal ruptura abrupta na ligação que um dia mantiveram.

Logo, quando Lily mandou uma carta parabenizando Petunia, pelo seu aniversário bem como por a irmã conseguir ingressar em um curso de datilografia, e recebeu apenas o silêncio como resposta demonstrando que Petunia ainda desprezava a relação delas, Lily desceu as escadas de seu dormitório na madrugada do dia 28 e sentou-se em uma poltrona próxima a lareira já apagada, onde só as pequenas brasas se encontravam e que, somado a luz da lua que penetrava pelas janelas abertas, iluminavam o rosto amargurado de Lily, bem como as singelas lágrimas que escorriam por ele.

A ruiva foi tomada por um momento nostálgico embalada pelo silêncio do cômodo, onde lembrou com um riso triste da época onde as duas eram crianças e costumavam brincar na pracinha em frente a velha casa dos Evans. Como quando Petunia quase furou os dedos com a agulha, tentando costurar a boneca de pano favorita de Lily que se rasgou sem querer, enquanto a Sra. Evans ainda não tinha chegado em casa. Ou quando Lily acordava no meio da noite com medo do escuro e, como dividiam o quarto, a irmã convidava-a de bom grado para dormirem juntas na cama de Petunia.

Momentos que nunca mais voltariam a acontecer, não pela perceptível mudança de idade, mas porque nunca mais voltaram a ser amigas desde que Lily descobriu ser bruxa. E talvez nisso, bem lá no fundo, ela se arrependesse de tal fato.

Ainda tinha copiosas lágrimas escorrendo por seu rosto quando escutou barulho de passos descendo as escadas. Lily enxugou rapidamente as bochechas e olhou com curiosidade para o aluno da Grifinória que estaria descendo naquele momento.

Com o rosto cerrado em um aparente sono, James Potter surgiu na entrada da sala usando grossas calças de moletom acompanhadas de um blusão azul marinho com a estampa amarrotada dos Montrose Magpies que ele claramente usava para dormir.

A luz que a lua irradiava era suficiente para que ambos pudessem enxergar com clareza a silhueta um do outro e se identificassem.

“O que você está fazendo aqui?” Lily perguntou com a voz rouca por estar horas sem dizer uma palavra, mas logo já sentindo as cordas vocais funcionarem com a devida precisão.

James arrepiou os cabelos atrás da nuca, em um gesto costumeiro, e caminhou até uma mesa mais próxima.

“Esqueci minha varinha, voltei para pegá-la antes que algum aluno engraçadinho do primeiro ano faça isso antes de mim.” Explicou-se agarrando a varinha e a enfiando no cós da calça. “Você?” perguntou a fitando.

Lily não o respondeu, do contrário, apenas negou com a cabeça desviando o olhar e secando uma solitária lágrima que teimou em escorrer por sua bochecha esquerda.

O gesto não passou despercebido por James que ao notar que a ruiva estava chorando aproximou-se dela e sentou ao seu lado na poltrona espaçosa.

“Não faz assim, eu te conheço há sete anos para perceber que você está triste agora.” “Fala para mim.” Pediu abaixando o rosto e tentando enxergá-la por detrás dos cabelos ruivos caídos por sua face.

Desabafar com James Potter sobre os problemas que tinha com sua irmã nunca foi algo que ela se imaginou fazendo um dia em Hogwarts. Mas era evidente que tudo tinha uma primeira vez e aquele pareceu ser o momento propício para que isso acontecesse. E então ela contou o que havia acontecido o máximo que sua voz conseguia sem que sentisse o aperto na garganta e se debulhasse em lágrimas novamente. Contou sobre a carta não correspondida, sobre sua relação com Petunia e de como às vezes sentia-se culpada por certos acontecimentos.

E ali, na calada da noite, James a ouviu com absoluto respeito demonstrando estar ainda mais maduro e responsável. Mas é claro que, velhos hábitos nunca poderiam ser deixados de lado totalmente, sem falar que ver Lily Evans entristecida era quase como cair da vassoura quando se está prestes a capturar o Pomo, ou seja, frustrante e inaceitável. Por isso, quando ela terminou o seu relato James simplesmente levantou-se dali, foi até a mesa mais próxima pegando um pergaminho e uma pena e começou a escrever algo.

“Potter, o que diabos você está fazendo?” perguntou Lily com o cenho enrugado em absoluta confusão perante aquela ação tão inesperada.

Ele não respondeu, apenas continuou escrevendo rapidamente deixando Lily ainda mais confusa e curiosa. Depois de terminar, ele voltou a sentar do seu lado e lhe entregou o pergaminho recém escrito.

Lily percorreu os olhos verdes pelas linhas com palavras em tinta preta e deparou-se com a seguinte carta:

Cara irmã Lily Evans,

Sinto muito por não tê-la respondido com o máximo de urgência, é porque eu sou realmente patética em não querer falar com uma irmã linda, altruísta, bondosa e carismática como você. Se está se sentindo culpada por como nossa relação está hoje, POR FAVOR, não se sinta, pois a culpa é inteiramente minha por agir como uma criança birrenta quando deveria ficar feliz por você, como uma verdadeira irmã mais velha faria.

Com amor e remorso,

P.E

Ela mal podia acreditar no que seus olhos liam.

“Pronto, agora ela te respondeu.” Disse James com o semblante sério demonstrando total verdade em sua afirmação.

Lily o encarou.

“É sério isso?” Estava tentando ao máximo não gargalhar com tudo aquilo.

“É, não tá vendo que é a letra dela?” Ele indicou com a cabeça o pergaminho nas mãos delicadas de Lily.

Ela voltou a analisá-lo, entrando na brincadeira, e percebendo a letra que Lily julgou ser escrita o mais caprichosa que James conseguiu.

“Ah, é claro, verdade.” Respondeu séria. “Uma letra muito bonita para ser sincera.” E ao dizer, sorriu para ele com sinceridade.

“Assim está melhor.” Proferiu James claramente se referindo ao sorriso dela.

E então eles ficaram ali, minutos a fio, voltando a conversar e deixando o sono já esquecido para depois.

Lily guardou aquele pergaminho com ela.

~*~

“One look from you I know you understand

This mess we're in you know is just so, out of hand”

"Um olhar vindo de você eu sei que você entende

E essa bagunça em que nos metemos você sabe, está fora de controle."

[Corredores do castelo, 8 de março de 1977 – 21h53min]

“Não acredito que você não gosta dos Beatles!” Exclamou James com certa indignação enquanto ele e Lily Evans caminhavam tranquilos pelos corredores de Hogwarts a poucos minutos da ronda acabar e, para alívio de ambos, não encontrando nenhum aluno teimoso fora da cama.

“Não é que eu não gosto deles, é que só curto uma ou duas músicas então não tenho essa fissura que nem você.” Ela deu de ombros, explicando-se. Os dois conversavam sobre suas músicas e bandas preferidas e James insistiu em afirmar que Lily não gostava da banda The Beatles depois dele perguntar se ela iria a um show deles e a ruiva dar uma resposta negativa.

“Isso é quase um crime.” Opinou fingindo estar abalado e colocando uma mão sobre o coração teatralmente. “Eles são os melhores.”

“Se você tá dizendo.” Lily brincou dando a entender um maior desdém de sua parte e fazendo com que James risse pelo nariz.

Talvez fosse a convivência constante, mas de uns tempos para cá, Lily Evans passou a ter a mente levemente brincalhona e começou a tapear até o mestre em tal quesito, também conhecido como James Potter.

Não que ele se importasse, claro. Na verdade, adorava ver Lily fazendo esse tipo de coisa e percebendo que a garota levava tão jeito quanto ele. O fato era que, mesmo que ele e Lily ficassem minutos a fio sem se falar, James já estava feliz. Só o simples fato de não tê-la chamando-o de biltre arrogante ou elevando seu tom de voz cada vez que dirigia a palavra a ele, como fazia nos anos anteriores, o deixava mais do que satisfeito.

O silêncio entre eles foi quebrado quando James tirou do bolso de sua calça um pacote de varinhas de alcaçuz já aberto e capturando de lá um único doce.

“Posso pegar uma?” Ela pediu tentada ao ver a sua guloseima preferida por entre os dedos compridos de James que já encontravam-se açucarados.

Ele umedeceu os lábios antes de responder, convencido:

“Que pena Evans, eu só tenho essa.”

“Que pena mesmo, não tem mais.” E antes que ele pudesse levar o doce à boca, com um movimento rápido, Lily arrancou a guloseima de sua mão e saiu em disparada pelos corredores tentando se afastar dele o mais rápido que conseguisse.

Depois de se recuperar do gesto inesperado ele correu atrás dela, muito mais hábil e ágil por ter anos se exercitado nos perímetros do campo de Quadribol, alcançando-a logo em seguida quando a abraçou por trás e virou-a para si.

Ela escondeu o doce nas mãos atrás do corpo e o encarou de forma divertida. Ainda com ela em seus braços, James andou até uma parede mais próxima, imobilizando Lily com o seu corpo até conseguir resgatar a varinha de alcaçuz roubada. Porém falhou miseravelmente em sua missão ao ver-se tão perto dela e, por ventura, de seus lábios vermelhos e convidativos.

Ambos foram parando de sorrir aos poucos, dado o impacto da proximidade iminente. Concentraram-se apenas no que seus corações desejavam loucamente naquele momento. Estavam sedentos pela boca um do outro e de fato, um beijo teria acontecido se não fossem interrompidos no minuto seguinte por um pigarreio.

Se afastaram de imediato quando viram a figura de Minerva McGonagall parada a frente deles com os lábios crispados e a expressão séria, porém James podia jurar que a professora estava tentando esconder um riso.

“Sr Potter e Srtª Evans, posso saber o que está acontecendo aqui?” inquiriu McGonagall agora mais séria do que antes.

“Boa noite, professora.” Cumprimentou Lily, sentindo o rosto esquentar vários graus. McGonagall a cumprimentou de volta, mas mesmo assim ainda aguardou sua resposta.

“Professora, McGonagall, o que aconteceu é que Lily pediu para eu tirar um cílio de seu olho, por isso estávamos estranhamente próximos.” Respondeu o rapaz, logo enrugando o próprio cenho depois de assimilar o que ele próprio tinha dito.

“Certo, com certeza é um justificativa aceitável.” McGonagall intercalou seu olhar de um para o outro e retomou sua fala com a voz passiva. “Conseguiu retirar?”

“O que?” perguntou James.

“O cílio.” Aquela bagunça estava tornando-se claramente uma situação embaraçosa.

“Ainda não.” Lily respondeu sem saber ao certo o que estava dizendo.

“Entendo.”McGonagall voltou a dizer, dessa vez, com uma dificuldade maior em manter a expressão de seu rosto com seriedade. “Bom, o horário da ronda acaba de terminar, então vocês podem retornar aos seus dormitórios e o Sr Potter pode tentar novamente retirar o cílio incômodo.” E dizendo isso, desviou o caminho, seguindo em frente pelo corredor.

Lily só conseguiu parar de rir quando enfim deitou-se em sua cama naquela noite, depois é claro, de ter comido a varinha de alcaçuz.

~*~

“Oh, I just can't get enough

How much do I need to fill me up?

It feels so good it must be love

It's everything that I've been dreaming of

I give up. I give in. I let go. Let's begin

Cuz no matter what I do

Oh my heart is filled with you”

"Oh, eu simplesmente não consigo ter o suficiente

Quanto eu preciso para me satisfazer?

Esse sentimento é tão bom, só pode ser amor

É tudo que eu sempre estive sonhando

Eu desisto. Eu me entrego. Deixo ir em frente. Vamos começar

Porque não há nada que eu faça

Meu coração está preenchido com você."

[Quinto andar, 18 de março de 1977 – 20h55min]

Lily Evans encontrava-se parada em frente ao espelho do banheiro dos monitores sem saber o que fazer. Não soube o que fazer no decorrer do dia inteirinho, aquele angustiante 18 de março, uma tediosa sexta-feira. O dia começou a ficar excruciante para Lily logo no café da manhã, já que, por incrível que pareça, ela não recebeu nenhum convite.

Sim, nenhum convite para sair. Não que ela fosse aquele tipo de garota que precisava ser chamada para ir a Hogsmeade no dia seguinte por metade da escola para se sentir bem, longe disso. Tinha alguém em específico que Lily desejava receber o convite, tal qual como recebeu nos seis anos anteriores.

Era estranho para si mesma pensar que havia viciado-se nos pedidos de James Potter, levando em consideração que Lily já havia negado todos eles. Os memoráveis dias, horas, minutos e segundos que passou com ele no decorrer desse ano, 1977 o seu sétimo ano, foi como experimentar a mesma droga a cada maldito instante e o resultado não poderia ser outro. Ela estava em visível crise de abstinência por James Potter e seus manjados convites para sair.

O sábado de amanhã não era o primeiro passeio à Hogsmeade do ano, tampouco o da vida de Lily, mas era o primeiro em que ela realmente queria sair com ele. Queria sair com James Potter, dá-lhe uma chance, começar algo novo. Como era de se esperar, vários convites foram feitos à seus pares durante o dia em Hogwarts e para certa frustração de Lily, James Potter sequer fez alguma menção de querer sair com ela.

Nada de flores no Salão Principal.

Nada de poemas na aula de Transfiguração.

Nada de azarações para chamar sua atenção.

Nada.

Ela não foi atrás dele, não mostrou esse aparente desespero que se instalou em seu interior, mas até suas amigas notaram que ela estranhamente olhava para os lados de maneira frenética a procura de alguém, fazia questão de se demorar nos lugares onde achava que James poderia estar e, quando via que algum aluno estava a encarando de um modo suspeito demais como se quisesse chamá-la para sair, Lily fugia do local.

No entanto, não foi como se James simplesmente a ignorasse, na verdade eles quase não se encontraram aquele dia.

James no treino pesado de Quadribol.

Lily na biblioteca.

James na biblioteca.

Lily em uma reunião no clube do Slugue.

Era como se fossem pedaços de ímã com polos opostos. Sempre se distanciavam e nunca se encontravam. Contudo, o fato de serem monitores-chefes colaborou bastante no final do dia quando teriam de se encontrar para fazerem a ronda juntos.

Já estava quase na hora de patrulharem os corredores e, talvez já até o tivessem fazendo, se Lily Evans não estivesse ‘trancada’ no banheiro dos monitores incapaz de sair e encarar James Potter.

Não podia negar que estava com uma pontada de medo. E se ele tivesse desistido dela? Se tivesse realmente cansado de levar tantos foras por tantos anos seguidos? Se pensasse que ela já iria sair com alguém? Se já tivesse convidado outra garota?

Lily temia cada um daqueles ‘se’ que sua mente paranoica fez o favor de criar.

Ela encarou seu reflexo no espelho. Cabelos ruivos e lisos presos em uma apertada trança lateral. Rosto sério e uniforme impecável.

Se ele a visse assim talvez pensasse que Lily não estava com o humor bom e aí sim que nunca faria aquela pergunta. Ela tratou de desmanchar a trança, deixando o cabelo agora levemente ondulado cascatear por suas costas. Afrouxou o nó da gravata vermelha com dourado da Grifinória e tentou manter a expressão do rosto suave.

Respirou fundo, ainda desacostumada com as benditas borboletas no estômago e enfim saiu do banheiro no quinto andar, onde James a esperava do lado de fora com o semblante levemente preocupado.

“Você tá okay?” Perguntou a encarando em busca de algum indício de mal estar ou coisa parecida.

“Estou, obrigada.” Respondeu Lily sem fitá-lo e retomando a caminhada pelos corredores silenciosos de Hogwarts.

James não questionou mais para saber de seu estado de espírito, do contrário passou a puxar assunto com ela para poderem conversar sobre diversas coisas como sempre faziam nas rondas e Lily esforçava-se para responder normalmente e não demonstrar sinal algum de ansiedade.

Caminharam pelos cantos de Hogwarts com James falando a maior parte do tempo, vez ou outra o silêncio se instalava e Lily era atingida por uma chama de esperança de que talvez ele estivesse pensando em alguma forma de fazer aquela pergunta, mas para seu desprazer, era apenas o intervalo de mais um assunto sem real importância.

Quando chegaram perto das cozinhas encontraram três segundanistas que tentavam furtar comida às escondidas. Lily pareceu descontar toda a sua frustração do dia nos alunos que, ao verem o seu semblante carrancudo, rapidamente largaram os pacotes que carregavam em mãos e foram correndo para seus dormitórios depois de receberem detenções.

Comentaram um pouco sobre a atitude leviana dos segundanistas e, embalada ainda pela adrenalina em seu sangue, quando James iniciou um novo assunto sobre alguma matéria de Transfiguração, Lily não se conteve.

“Quando é que você vai me convidar para sair de novo?” Ela simplesmente despejou interrompendo o que James dizia e estagnando no local antes de terem acesso as escadas.

O rapaz também cessou o seu andar e pensou não ter ouvido direito. A pergunta de Lily Evans foi tão repentina que ele precisou que repetisse para ver se entendia.

“Que?” Disse a fitando de um modo irresoluto.

Lily revirou os olhos.

“Quando que vai me convidar para sair de novo?” “Sabe, amanhã é o dia do passeio para Hogsmeade e você ainda não disse nada”.

“Mas eu pensei-”

“É James, eu também pensei, mas acontece que eu fiquei esperando o dia inteiro pelo seu convite e eu acho que é por que eu estou começando a gostar de você entende? O que é quase loucura ouvir essas palavras soando da minha boca já que eu passei seis anos te desprezando, mas você mereceu, só que agora você sendo tão responsável, gentil, prudente e carinhoso, foi me conquistando e eu não consi-”

A frase nunca terminou de ser dita. Ao vê-la corar enquanto proferia aquela declaração de modo impetuoso e não frear as palavras demonstrando receio de que não conseguisse confessar tudo o que sentia, James andou até ela eliminando toda a distância entre eles em um beijo apaixonado.

Lily ao invés de sobressaltar-se pela atitude repentina pareceu esperar aquilo por um tempo demasiadamente longo e agonizante, logo, assim que sentiu os lábios dele por sobre os seus, levou seus braços ao redor do pescoço de James e o abraçou com urgência.

Ele a apertou contra si, depositando as mãos em sua cintura e deixando o beijo se intensificar. Lily despenteou os cabelos da nuca de James e surpreendeu-se ao perceber que fazer aquilo por conta própria era muito delicioso e, com isso, refutando toda a sua frase dita a ele no quinto ano durante o episódio com Snape.

Depois do que pareceram ser vários dias ensolarados de verão eles se separaram com as respirações exauridas e James encostou sua testa na dela para proferir ainda de olhos fechados:

“Eu ia esperar até a ronda acabar para fazer a pergunta.” Ambos riram e ele continuou. “Mas acho que agora é uma boa hora.”

“É a hora perfeita” Lily respondeu com desejo. “Quero dizer sim para você.”

James então abriu os olhos e a fitou quase se perdendo naquela imensidão das orbes verdes de Lily.

“Quer sair comigo, Evans?” James inquiriu para ela, como já fizera tantas e tantas vezes passadas e sempre fora rejeitado.

Contudo, essa noite, ele não recebeu impropérios vindos de Lily.

E, muitos menos, uma resposta negativa.

~*~

“I hope we always feel this way

(I know we will)

And in my heart I know that you'll always stay”

"Eu espero que a gente sempre se sinta assim

(E eu sei que a gente vai)

E no meu coração eu sei que você vai sempre ficar."

[Grande Salão, 21 de março de 1977 – 19h08min]

“O mundo bruxo vai acabar, meus amigos, Prongs e Evans finalmente estão juntos!” Sirius Black exclamou exageradamente enquanto erguia as mãos para o céu sentado a mesa da Grifinória naquela noite onde todos estavam jantando no Grande Salão o delicioso banquete antes de se recolherem para seus dormitórios.

“Não precisa gritar isso para toda Hogwarts saber, Padfoot” James tacou um pedaço de pão no amigo que desviou rindo. Por mais que ele mesmo quisesse subir no alto da Torre de Astronomia e anunciar para todo o mundo seu relacionamento com Lily, sabia que a garota ficava encabulada com esse tipo de situação tal como agora, que depois de Sirius chamar a atenção de todos os alunos, o rosto dela ficou com a mesma cor de seus cabelos e ela escondeu-o no ombro de James, ao seu lado.

Não que Lily tivesse vergonha do relacionamento deles, ela só não gostava de ser motivo de assunto pelos estudantes de Hogwarts e queria que as pessoas soubessem de seu namoro com James de uma maneira natural.

“Vocês acham que já não sabem?” Retrucou Remus com um sorrisinho. “É o assunto da semana.”

“Lily Evans finalmente se rendeu aos encantos de James Potter, se bobear sai na primeira página do Profeta Diário.” Emendou Marlene, ao lado de Sirius, em tom brincalhão.

“Como conseguiu essa proeza, James?” Alice perguntou também entrando na brincadeira.

“Ele a venceu no cansaço.” Sirius respondeu por ele causando a risada de todos.

“Ai vocês não prestam.” Retrucou Lily se recuperando de seu rubor. Porém ela não estava nem um pouco incomodada com as brincadeiras que seus amigos faziam sobre eles.

Tampouco se importou em ouvir os próximos comentários e provocações, pois naquele exato momento James acariciava sua perna por debaixo da mesa e aquilo era muito mais desconcertante e importante para reter sua atenção.

Ela se aconchegou mais perto dele para apreciar melhor suas carícias até o final do jantar e jamais se arrependendo de tê-lo como namorado.

[Sala Comunal da Grifinória, 27 de março de 1977 – 19h57min]

“De tudo o que eu já recebi hoje esse com certeza é o melhor presente de aniversário.” James comentou deitado no sofá com a cabeça apoiada nas pernas de Lily enquanto recebia dela vários beijinhos e deliciosas carícias no cabelo.

Passou o dia inteiro recebendo felicitações pelo seu aniversário de 17 anos, bem como alguns pequenos presentes de seus amigos e família, porém nada se comparava a receber agradinhos de sua namorada Lily Evans que dedicou ao máximo sua atenção a ele o enchendo de carinho e beijos durante o dia que perduraram até a noite onde ela sentou-se no sofá perto da lareira e pediu que ele deitasse a cabeça em seu colo para que pudesse passar suas mãos pelos cabelos dele com movimentos prazerosamente lentos.

“Eu ainda vou comprar um presente de verdade para você, só estou esperando o feriado da Páscoa chegar” Disse descendo as mãos pelo corpo dele e lhe causando arrepios e até distraindo-o da pergunta que faria a ela a respeito do presente no feriado. “Está com frio?” questionou fingindo preocupação ao notar os pelos de James se eriçarem embora já soubesse a causa daquela reação.

“Você é má, sabia?” Ele ergueu o olhar encarando o rosto dela acima do seu e Lily sorriu vitoriosa curvando-se e depositando um selinho estalado em seus lábios.

“Por que vocês mulheres gostam de fazer esses joguinhos com a gente?” Inquiriu Sirius que também estava abraçado com Marlene em outra poltrona.

Era impressionante como perto desse horário os casais de Hogwarts se juntavam o mais próximo da lareira para ficarem abraçados por causa do frio gritante.

“Porque sabemos que vocês ficam ainda mais enlouquecidos por nós.” Marlene respondeu com um ar convencido e recebendo um olhar desafiador de Sirius que a beijou vorazmente logo em seguida atribuindo veracidade a frase da loira.

Por sorte, naquela noite não havia rondas, nem redações a serem feitas, nem nada que atrapalhasse os alunos que, assim como James e Lily, estavam juntos em algum canto da Sala Comunal para namorar.

[Campo de Quadribol, 31 de Março de 1977 – 13h23min]

Realmente foi uma péssima ideia levar suas anotações de História da Magia e Estudo dos Trouxas para o Campo de Quadribol já que Lily Evans não conseguia se concentrar nem 1% nos estudos enquanto distraía-se assistindo seu namorado treinar sem camisa suas manobras e capturas durante o tempo em que sobrevoava o gramado.

Ela até tentava escrever algumas coisas e ler a respeito das matérias, mas seus olhos insistiam em desviar dos papéis cada vez que James Potter se aproximava para alcançar o pomo exibindo seu abdômen escultural e os músculos atraentes de seus braços.

No passado, Lily sempre procurou nunca assistir aos treinos da Grifinória, pois era óbvio que James estaria lá e por mais que o achasse um biltre arrogante sabia que ele tinha motivos para se gabar já que era absolutamente lindo. Lily não podia negar isso e, naquela época, em hipótese alguma devia deixar transparecer alguma admiração por ele.

Porém, agora, como sua namorada, não se sentia nem um pouco culpada em observá-lo em todos os momentos e deixar mais que explícito que apreciava quando ele tirava a camisa. Todavia essa distração não era favorável aos estudos.

Depois de várias tentativas falhas de estudar, ela enfim guardou as anotações em sua mochila e pôs-se a contemplar seu namorado e, não estava sozinha nisso, já que minutos depois Sirius Black sentou ao seu lado na arquibancada começando o mesmo processo, porém é claro, no caso dele se tratava de observar Marlene McKinnon.

Lily nunca se divertira tanto na companhia de Sirius Black enquanto assistiam um treino de Quadribol.

~*~

“Oh, I just can't get enough

How much do I need to fill me up?

It feels so good it must be love

I give up. I give in. I let go. Let's begin

'Cause no matter what I do

Oh my heart is filled with you”

"Oh, eu simplesmente não consigo ter o suficiente

Quanto eu preciso para me satisfazer?

Esse sentimento é tão bom, só pode ser amor

É tudo que eu sempre estive sonhando

Eu desisto. Eu me entrego. Deixo ir em frente. Vamos começar

Porque não há nada que eu faça

Meu coração está preenchido com você."

[Casa dos Evans, 1 de abril de 1977 – 19h00min]

Lily Evans nunca ficou tão animada para retornar a sua casa em um feriado de Páscoa como naquele 1 de abril de 1977. Passou os dias que antecediam ao feriado em absoluto estado de euforia e nervosismo. Foi a primeira dentre suas amigas a arrumar as malas e todos os seus pertences, pois não via a hora de apresentar James Potter para seus pais.

Não que o Sr e a Sra Evans já não o conhecessem, já que Lily falava bastante do rapaz, principalmente nas férias passadas em que recebia alguma carta indesejada por parte dele e, indignada, comentava com os pais o quão inconveniente e insuportável James era.

Lily já havia mencionado em correspondências que trocara com a mãe há poucos dias que eles agora eram namorados e, para sua surpresa, a Sra Evans não só não se admirou como alegou já saber que cedo ou tarde isso aconteceria. Pediu, no final da carta, para que Lily levasse James consigo no próximo feriado até a casa dos Evans para que pudessem se conhecer pessoalmente.

E quando contou o pedido de sua mãe para ele, pela primeira vez viu o tão seguro de si, James Potter, vacilar e temer que os Evans não gostassem dele tampouco aprovassem o namoro. Por isso, naquela noite ele assanhava os cabelos com frequência demonstrando insegurança enquanto caminhava de mãos dadas com Lily pela Rua Sun Path antes de chegarem a casa nº 8 que vinha a ser a residência dos Evans.

Pararam em frente à porta e Lily apertou a campainha sentindo-se feliz por chegar em casa. Olhou para James que tinha um semblante aflito e sorriu com ternura.

“Tá tudo bem, amor. Eles vão adorar você.” Ela inclinou-se na ponta dos pés e depositou um beijo carinhoso em sua bochecha.

Porém James só relaxou quando o Sr Evans apertou com empolgação a mão dele na sala de estar com um exuberante sorriso no rosto depois de dizer ‘Bem vindo à família meu rapaz’ e quando a mãe de Lily o abraçou radiante por ter conquistado a sua filha.

Tiveram um jantar muito agradável com muitas conversas, risadas e confissões. Conhecer a família de Lily Evans foi maravilhoso e ele não pôde deixar de admirar cada história contada e momento compartilhado com seus sogros.

Esperava conhecer também a irmã, Petunia, porém não o fez de fato já que ela fora passar a Páscoa na casa de seu noivo Vernon Dursley.

E, para sua total felicidade quando chegou o horário de se recolherem para os aposentos, os pais de Lily permitiram que eles dormissem juntos no quarto dela.

James achou que o feriado de Páscoa não poderia ficar ainda melhor, até aquele momento.

“Me faz uma massagem?” Lily pediu sentando-se em sua cama de casal e abaixando as mangas de seu vestido deixando boa parte dos ombros expostos.

“Claro.” Concordou James sentando-se atrás dela e tocando sua pele com as mãos quentes.

Lily colocou o cabelo ruivo para frente do corpo dando a James a plena visão tentadora de seu pescoço. Conforme os movimentos ganhavam continuidade, ela fechava os olhos e apreciava os gentis toques dele.

Depois de alguns minutos, sem conseguir se controlar, ele inclinou-se e começou a beijar cada sardinha que ela tinha naquela região, percorrendo com os lábios toda a extensão da pele macia.

Os beijos suaves e lentos foram entregando Lily a uma completa sensação de deleite, que depois de sentir o sangue esquentar em todos os pontos de seu corpo, virou-se para James e selou seus lábios aos dele, beijando-o carinhosamente e em seguida deitando-se sobre seu corpo.

Estavam totalmente à vontade ali, naquele momento, embalados pelos sentimentos inexplicáveis que sentiam um pelo outro.

Beijos. Toques. Carícias. Respirações ofegantes. Intimidade absoluta.

De fato, depois daquela noite, o feriado de Páscoa tornou-se inesquecível.

~*~

“Oh (oh)

You got me. You got me

Oh (oh)

You got me. You got me”

"Oh (oh)

Você me tem. Você me tem.

Oh (oh)

Você me tem. Você me tem"

[Hogsmeade, 14 de maio de 1977 – 16h30min]

Às vezes ela lamentava-se por ter enxergado as qualidades de James Potter tão tarde, afinal mesmo depois de meses em um relacionamento sério com ele, pareceu que ambos perderam tempo demais brigando seis anos seguidos. Perderam tempo demais quando James demonstrava-se imaturo e Lily orgulhosa em não admitir seus sentimentos por ele.

Mas, de certo modo, tudo aconteceu em seu devido tempo. O namoro deles não seria tão maravilhoso em qualquer época anterior como estava sendo naquele último ano em Hogwarts. Mesmo com a ascensão de Lord Voldemort e o mundo bruxo se preparando para uma possível guerra, James e Lily não se policiaram em aproveitar o último fim de semana em Hogsmeade antes de entrarem de férias em um dia inexplicavelmente frio.

Para os parâmetros de maio, nevar em um sábado não era algo comum de se ver. Porém o fenômeno acontecia naquele exato momento e, depois de tomarem uma deliciosa bebida quente no Madame Puddifoot, os dois saíram do estabelecimento de mãos dadas rindo e brincando pelas ruas cobertas de neve do vilarejo.

Enquanto caminhavam, Lily sorria de modo verdadeiro ao encontrar-se apaixonada de todas as maneiras possíveis por James, podendo gritar aos quatro ventos esse sentimento sem nem pensar duas vezes.

Ele era o cara certo. Sempre foi. Sempre será.

“Sabe que às vezes eu penso que isso tudo não passa de um sonho e eu vou acordar a qualquer momento?” James confessou parando de andar e a puxando para perto de si. “Estremeço só de pensar em não te ter como minha namorada.”

“Então não pense, porque isso não vai acontecer” Lily proferiu abraçando-o pela cintura.

“Eu te amo, Lily Evans” declarou-se com o semblante sério, encostando suas testas enquanto encarava os lábios dela, sedento por um beijo.

“Eu te amo, James Potter” respondeu com a mais plena sinceridade e lançando-lhe o mais verdadeiro sorriso antes de acrescentar enquanto a neve caia por suas cabeças: “Você me tem”.

Notas finais
Bem, não sei se perceberam, mas essa cena final que acabaram de ler é retratada na capa da fanfic HAHAHA. E aí, o que acharam? Obrigada por terem chegado até aqui. BEIJÃO NO CORAÇÃO!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!