You Got Me
3 Capitulo Três
Capitulo Três
O nome do Pub ela não conseguiu entender bem o que estava escrito, mas parecia ser um local decente. Sendo assim, entrou. Estava um pouco escuro, mas dava para ver que era um lugar um pouco antigo. Ali havia apenas homens, sendo os clientes idosos que conversavam animadamente e riam de algo e o atendente atrás do balcão um cara jovem, provavelmente uns três ou quatro anos mais velho que Anna. Nenhum deles notou sua entrada até ela pigarrear. _ Ah, Oi... _ disse Anna chegando mais perto deles. _ O bar ta aberto? _ Australiana. _ palpitou um dos homens a respeito de sua nacionalidade. _ Sul- Africana. _ palpitou outro. _ Na verdade sou americana. Meu nome é Anna, de Boston. _ disse Anna se apresentando. _ Eu gostaria de saber como é que eu chego a Dublin daqui. Tem algum ônibus?_ 1987. _ disse um dos homens. _ Desculpe, como é? _ disse Anna sem entender. _ 1987 foi o ano em que o último ônibus saiu daqui para Dublin. _ Não! A linha de trem parou um 1987. A de ônibus parou em 1989. _ disse outro senhor. _ Foi em 1987! _ repetiu o primeiro. _ Tudo bem... _ disse Anna chegando mais perto do balcão. _ Será que você tem o telefone de algum táxi... _ pediu ela ao atendente que mordia a tampa de uma caneta. Sem dizer uma palavra, ele virou-se de costas e pegou algo nas prateleiras, entre as garrafas de bebida e estendeu para ela. Era um cartão. _ Perfeito, obrigada. _ disse Anna. Enquanto todos observavam, Anna mexeu em sua bolsa atrás de seu celular, e quando o encontrou ele estava quase sem bateria. _ Ah, a bateria do meu celular está quase acabando... _ Ali, ó! _ disse um homem apontando para algo na parede perto de Anna. Era um telefone. _ Obrigada. _ disse ela indo para o telefone. Enquanto ela ia, nem havia notado que o atendente do bar havia sumido. Quando ela ia pegar o telefone, notou um homem idoso a encarando com um sorriso estranho e um copo com alguma bebida que ela não estava interessada em saber o que era na mão. _ Olá brotinho. _ disse ele tomando um gole de sua bebida. _ Olá. _ disse Anna por educação pegando o telefone e discando os números do cartão. Esperou um tempo até que alguém atendeu. _ Alô? _ um homem atendeu. _ Oi, eu quero um táxi pra Dublin. _ disse Anna. _ E onde você está? _ disse o homem. _ Eu estou num Pub meio estranho, eu não entendi direito o nome... Sei lá, não importa. _ Desculpe, mas nós não levamos americanas ruivas. _ disse o homem do outro lado da linha. _ Como assim vocês não levam americanas ruivas? _ questionou Anna. _ Como você sabe a cor do meu cabelo...? Nesse momento os homens do bar começaram a rir. Quando Anna olhou para trás, viu o atendente de antes surgindo de uma porta com um telefone no ouvido e um sorriso torto provocativo no rosto. _ Ah, você... _ disse Anna irritada. _ É o motorista de táxi. _ disse e ele desligou o telefone na sua cara. _ Eu quero que você me leve a Dublin. _ disse Anna diretamente com ele. _ Dublin é? _ disse ele ainda sorrindo daquele jeito. _ É. _ Eu vou lhe contar uma coisa sobre Dublin, Anna de Boston. _ disse ele andando na direção dela. _ Dublin é uma cidade de trapaceiros, malandros e cobras traiçoeiras. É onde o pior da humanidade se reúne para envenenar nosso belo país. E eu não levaria você a Dublin nem por... Quinhentos euros. _ finalizou ficando a alguns metros dela. Os senhores do bar logo ficaram alvoroçados com a menção da quantia. _ Credo! Por quinhentos euros eu venderia a minha mulher! _ brincou um. _ Acredite meu caro, você teria poucos compradores. _ comentou outro e os dois riram. Anna encarou o estranho atendente por um tempo e depois se voltou para os senhores. _ Tudo bem, alguém quer me levar para Dublin por quinhentos euros? _ Eu sou esse homem! _ disse o senhor perto do telefone, desmaiando logo em seguida. _ Dá azar começar uma viagem numa sexta-feira! _ disse um dos senhores novamente. _ Sábado! Dá azar no sábado! _ corrigiu outro. _ Terça! _ disse o homem caído no chão. _ Tudo bem. Está tarde e eu vou achar alguém que me leve de manhã. _ disse Anna rendendo-se. _ Então, se vocês puderem me indicar um hotel ou uma pousada... O atendente a encarou com um sorriso malandro enquanto cruzava os braços. Anna olhou pra ele e foi naquele momento em que ela reparou mais nele. Era alto, o corpo atlético, cabelos escuros, barba por fazer e olhos azuis brincalhões que a encaravam esperando uma resposta. Anna piscou algumas vezes antes de responder. _ Ah, é claro. Aqui também é o hotel. _ disse revirando os olhos. O sorriso dele se ampliou e ele fez sinal para que ela o seguisse. Eles subiram um lance de escadas em silêncio e, ao chegar ao fim desta, entraram em um corredor com algumas portas. Ele a guiou pelo corredor rapidamente enquanto explicava algumas coisas. _ O banheiro é no fim do corredor. Dê descarga duas vezes. _ disse ele parando em frente a uma porta e virando-se para ela _ É sério, duas vezes. _ Ok. Ele abriu a porta e ambos entraram em um quarto pequeno. Ele acendeu a luz e Anna pôde observar melhor o local. O quarto consistia em uma cama de solteiro encostada na parede oposta à porta e em frente a esta um guarda-roupa pequeno. Ao lado da porta tinha uma cômoda com algumas coisas em cima e na parede oposta ao guarda-roupa tinha uma janela com uma cortina branca de renda. As paredes eram forradas com papel de parede florido laranja. Em um dos cantos do quarto havia um abajur enorme.
_ Eu vi um cardápio no bar... _ começou Anna. _ Está fechado. _ disse ele. _ A propósito, meu nome é Declan¹. _ Tudo bem. _ disse ela. _ Mas e a famosa tradição de generosidade e hospitalidade dos irlandeses? Declan olhou pra ela por um momento e revirou os olhos. _ Vou fazer um sanduíche de presunto. _ disse ele saindo do quarto e seguindo para o andar de baixo. _ Sanduíche? _ disse Anna indignada. _ Isso é lanche. Não é um jantar decente! _ disse entrando em seu quarto. ¹- Pronuncia-se Déclan. Uma vez dentro do quarto, Anna procurou pelo celular em sua bolsa e quando o encontrou, viu que a bateria havia acabado de vez. Revirou os olhos e pegou o carregador, olhando em volta em seguida procurando por uma tomada. Enquanto isso, no andar de baixo, Declan ligou o rádio em uma estação qualquer com alguma música local animada e pegou pão e presunto para fazer o sanduíche da americana. Pegou uma faca e começou a cortar o pão enquanto sorria sozinho. No quarto, Anna abaixou-se e espiou por debaixo da cama encontrando enfim uma tomada. Mas estava difícil chegar até ela então ela tentou puxar a cama para frente, mas parecia que estava presa em alguma coisa. Ela puxou com mais força até que conseguiu soltar o suporte da cortina da parede e o mesmo pendeu de lado fazendo a cortina deslizar para o chão. Mais alguns puxões e a cama enfim foi para frente acertando o guarda-roupa que começou a tombar para frente, prendendo-se no teto. As portas desse último se abriram e as coisas dentro dele caíram no chão dando um susto em Anna. No andar de baixo, um pouco de poeira caiu em cima do balcão. Declan, ao ouvir o barulho, olhou para o teto e revirou os olhos depois. Anna então alcançou a tomada e tirou algo dela, notando ser a tomada do abajur e puxando-a sem querer fazendo o mesmo cair sobre a cômoda e as coisas em cima dela irem para o chão. No andar de baixo, um grande pedaço do teto caiu sobre o balcão fazendo os homens presentes se afastarem do local com seus copos de bebida. Declan encarou a cena com tédio. Anna resolveu pensar na destruição do quarto depois e se concentrar na tomada novamente, plugando o seu carregador na mesma, que soltou uma faísca estranha lhe dando um susto e então a luz do quarto se apagou e junto com ela foi a luz do Pub e da vila inteira. Do lado de fora do estabelecimento, um poste explodiu. Declan encarou o escuro pedindo por paciência enquanto terminava o sanduíche. _ Mulheres... _ resmungou enquanto seguia para o segundo andar. No quarto, Anna mexeu em sua bolsa até achar uma pequena lanterna. Com ela observou umas coisas que caíram do guarda-roupa e entre elas tinha um porta retrato com uma foto. Nela estava Declan, uma mulher loira e um cara que Anna não conhecia em frente ao Pub. Então de repente Declan entra no quarto com o sanduíche dando um susto nela. _ Mas o que é que você está fazendo? _ questionou ele vendo a bagunça. _ Colocando uma coisa na tomada. _ respondeu Anna. Foi então que ele viu a foto nas mãos dela. _ Me dá isso aqui. _ disse pegando a foto e entregando o sanduíche a ela. _ Isso é pessoal. _ Você fritou meu Black Berry! _ disse Anna. _ E você fritou a vila inteira! Idiota! _ disse Declan raivoso saindo do quarto e batendo a porta atrás de si. _ Babaca. _ disse Anna irritada e pegando o sanduíche. Depois de comer, conseguiu se virar com sua lanterna pra amenizar um pouco o estrago no quarto e enfim dormir.
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