You Got Me
10 Capitulo Dez
Capitulo Dez
No dia seguinte, Declan foi acordado por um relógio cuco que estava pendurado na parede logo em cima da cama. Ao abrir os olhos, a primeira coisa que notou foi que estava com o braço ao redor da cintura de Anna. Lentamente, retirou o braço dali e levantou, sem fazer nenhum barulho, para não acordá-la.
Rapidamente, fez sua higiene matinal, vestiu a blusa xadrez que estava em cima de uma cadeira e desceu para preparar o café da manhã para ele e para Anna. Ela desceu logo depois, mas foi na direção do telefone. Pegou e ligou para Jeremy, para avisar o que tinha acontecido e porque estava demorando tanto a chegar.
Ele lamentou o ocorrido e disse a ela que o representante de imóveis que estava vendo as coisas para a compra do apartamento deles disse que estava tudo bem e que o apartamento era deles.
_ Ah Jeremy, isso era tudo que eu precisava ouvir hoje.
Declan que se aproximava com uma bandeja de café da manhã acabou ouvindo isso e seu humor antes ameno, tornou-se amargo. Sabia o que estava acontecendo, mas não podia evitar. Estava gostando de Anna mais do que deveria, porém ela gostava de outro. Voltou para a cozinha, deixou a bandeja em cima da mesa e pegou uma maçã, mordendo-a logo em seguida, quando Anna chegou na cozinha.
_ Bom dia. _ disse ela quando ele se sentou em uma cadeira para vestir os sapatos, deixando a maçã em cima da mesa.
_ Oi. _ respondeu ele.
_ Isso é pra mim? _ perguntou ela apontando para a bandeja.
_ É. _ respondeu ele dando de ombros.
_ Bom dia pombinhos. _ disse Frank entrando na cozinha de roupão. _ Dormiram bem? _ disse ele olhando para Declan e piscando.
_ Sim, obrigada. _ disse Anna servindo-se de seu café.
_ Então, qual é a programação de hoje? _ perguntou Frank.
_ Eu tenho que ir pra Dublin. _ disse Anna.
_ Você não pode ir agora. _ disse Frank.
_ Por que não?
_ Porque é domingo. Nunca comece uma viagem no domingo ou na lua cheia.
_ Ah eu não acredito nessas crendices. _ disse ela sorrindo.
_ E nos horários dos trens querida? Acredita neles?_ disse Frank. _ É domingo. Os trens não saem.
_ Não saem?
_ Não mesmo.
Declan segurou o sorriso que ameaçava brotar em seu rosto.
_ Ai meu Deus do céu... Eu tenho que estar em Dublin no dia 29, que é amanhã...
_ Por que mesmo amor? _ perguntou Declan pegando sua maçã e voltando a comê-la.
_ Ah... _ ela parou na hora o que ia dizer. _ Está bem. Frank, você tem um carro não é?
_ Sim, tenho.
_ Que ótimo. Eu... Eu estou disposta a pagar uma quantia significativa se você me levar até Dublin.
O sorriso no rosto de Declan sumiu.
_ Não. _ disse Frank para o desapontamento de Anna. _ Não é o dinheiro garota. É minha esposa. Ela está com o carro, e ela foi pra missa. E depois ela vai fazer as compras da semana.
_ Então, quem sabe depois que ela voltar...
_ Ah ela só vai voltar tarde da noite. Sabe a viagem até Dublin é longa.
Anna o encarou com os olhos arregalados enquanto Declan fazia o mesmo.
_ Pra onde ela foi? _ perguntou Anna não acreditando.
_ Pra Dublin. _ Frank respondeu simplesmente.
Sorrindo, Declan terminou sua maçã e jogou o resto no lixo, acertando-o de longe.
_ Cesta! _ disse Frank rindo enquanto Declan apenas levantava as mãos para o ar em uma comemoração muda.
***
Momentos mais tarde, Anna e sua mala estavam mais uma vez na estrada a pé com Declan logo atrás. Depois de um tempo, Declan a chamou.
_ Pode parar Bob.
Anna parou de andar e virou-se lentamente para ele.
_ O que é?
_ A rodoviária é pra lá. _ disse apontando para o sentido oposto ao que estavam andando.
Sem dizer nada, ela virou-se e seguiu dessa vez para o caminho certo com Declan logo atrás rindo baixinho. Depois de um tempo andando, Anna sentiu algo atingir sua cabeça e olhou para trás de forma inquisitiva, mas Declan não estava olhando para ela.
Mais uma vez, sentiu algo atingindo sua cabeça e olhou para trás mais uma vez, porém agora com a expressão irritada.
_ O que foi? _ disse ele sem entender.
_ Para com isso.
Quando sentiu outra vez aquilo, dessa vez em suas costas, virou-se decidida a reclamar com ele quando ao seu redor começava a chover várias pedrinhas.
_ É chuva de granizo. _ disse Declan apontando para o céu.
_ Isso é sério? _ disse ela tentando proteger a cabeça.
_ Corre. _ disse ele agarrando sua mala e correndo com ela para o lugar mais próximo que por acaso, era uma igreja.
_ A sua vida é regida pela Lei de Murphy não é? _ comentou ele.
_ Como se com você não fosse diferente! _ disse ela rindo e correndo para a igreja. _ A minha mala...
_ Eu peguei o Louis! Não se preocupe! _ disse Declan indo logo atrás dela.
_ Ai, isso machuca!
_ Parecem bolas de golfe. _ concordou ele.
Ao lá entrar, eles acabaram interrompendo um casamento.
_ Jesus Cristo... _ disse o padre com o susto.
Todos os presentes o encaravam, esperando pelo que iria acontecer logo depois.
_ É o senhor. _ disse Anna sem saber o que fazer.
_ É... Vocês têm algo a dizer que impeçam este homem e esta mulher a se unirem nos laços sagrados do matrimônio? _ perguntou o padre.
Todos olharam para eles esperando pela resposta.
_ Não, padre. Continue. _ disse Declan. _ Acho que eles sabem o que estão fazendo.
Todos suspiraram aliviados.
_ Ótimo! Neste caso, são bem vindos! Por que não se sentam?
***
_ Quem vai para Dublin já tinha que ter saído. _comentou Declan enquanto eles observavam a festa de casamento.
_ Não o padre falou que nos dá uma carona até a rodoviária quando a festa acabar. _ disse ela.
_ A gente pode andar! _ disse ele.
_ Eu não vou dar nem mais um passo com esse salto. _ disse ela decidida. _ E olha só que coisa mais linda. _ disse ela observando os noivos com um ar sonhador.
_ Odeio casais apaixonados.
_ Por quê? A paixão das pessoas te ofende? _ disse ela.
_ É.
_ Sabe, você é cheio de opiniões formadas e implica com tudo. O que você sabe? Aposto que nunca foi casado e com certeza nunca ficou noivo. _ disse ela bebendo um gole de champanhe.
_ Eu já fiquei sim. _ disse ele olhando pra ela. _ Uma vez.
Ela o encarou e de repente a foto que achou no Pub de Declan, a loira e o outro cara veio em sua mente. Mas antes de comentar alguma coisa sobre o assunto com ele, sua atenção foi roubada pela noiva que parecia que iria iniciar a sessão de discursos, típica de casamentos.
_ Oi gente! Desculpe, eu não queria interromper uma festa tão bonita, mas eu queria agradecer ao meu marido e queria pedir que você nunca roube, minta ou traia. _ disse ela diretamente para o marido _ Mas, se você tiver que roubar, roube todas as minhas tristezas. Se você tiver que mentir, minta para passar todas as horas comigo. E se você tiver que trair, por favor, traia a morte. Porque eu não posso passar um dia sem você. Saúde!
Todos aplaudiram e disseram saúde enquanto Anna se sentia entorpecida com aquelas palavras. Será que seus sentimentos por Jeremy eram tão fortes assim? Ela não sabia. E esse era o problema. Ouviu uma cadeira sendo arrastada ao seu lado e quando olhou, viu Declan se levantando e indo para longe. Logo levantou e foi atrás dele.
Declan estava encostado em um galho de árvore grande e torto, olhando para o lago à sua frente com a expressão triste. Seus pensamentos estavam longe. Estava irritado por coisas que aconteceram no passado, estava irritado com Anna e seu noivo, e acima de tudo, estava irritado consigo mesmo.
_ Você está bem? _ perguntou Anna ao chegar perto dele.
_ Estou ótimo. É que está meio quente lá. _ disse olhando para longe. Não queria conversar com ela. Não agora.
_ Quer conversar um pouco? _ perguntou ela e Declan se perguntou por que o mundo era tão irônico.
_ Escuta, Bob. Você não está na América. Está na Irlanda. Então, vê se bebe e cala a boca. _ disse ele um pouco rude.
_ Eu só estava querendo ajudar. _ disse Anna irritada com a atitude dele.
_ Ajudar? _ disse ele rindo sem humor. _ Que hilário. Uma mulher que está sapateando até Dublin para tomar a maior decisão da vida dela com base em uma tradição ridícula que, me desculpe é mesmo ridícula, então... Obrigado mas, não sou eu que preciso de ajuda, ta bom?
_ Não é... Ridículo. É romântico. _ disse ela lhe dando as costas e voltando para a festa. _ É muito, muito romântico!
Irritada, passou o resto da festa sozinha, observando as pessoas rir e o dia escurecer devagar, enquanto uma banda tocava musicas típicas da região e os convidados dançavam animados. Depois de um bom tempo viu Declan voltar para a festa e vir para perto dela em silêncio.
Ele olhou para ela e depois para a festa. Ela ficou o encarando, esperando que ele quebrasse o gelo.
_ Não gosto de casamentos. _ disse ele por fim.
_ É mais divertido se tomar uns drinques.
Logo a banda anunciou que iria tocar um pedido das damas de honra e todos bateram palmas e gritaram felizes, enquanto a música começava.
_ Quer tentar? _ disse ele referindo-se a dança.
_ Não, eu não sei sapatear. _ disse ela rindo.
_ Você nunca baixa a guarda? _ disse ele a encarando com intensidade e estendendo a mão em sua direção com um convite mudo.
_ Baixo. _ disse ela pegando sua mão. _ Do meu jeito, mas baixo.
_ Ótimo. _ disse ele sorrindo e levando-a até as pessoas que dançariam.
Ele explicou brevemente o que fariam e ela decidiu que não era assim tão difícil. Logo todos começaram a dançar e, com as instruções de Declan ela foi pegando o jeito devagar. Ia para frente, para trás, para os lados, entrelaçava seus braços nos dele e seguiam dançando.
Até trocaram de parceiros, um dos padrinhos agora dançando com ela. No meio da dança ele se empolgou e levantou Anna a tirando do chão, que ria. Declan apenas assistia aquela cena sorrindo e batendo palmas no ritmo da música. Até um momento em que ela estava no meio de um giro, Anna sentiu seu sapato voar e de repente a música parou. Ela foi posta no chão e quando viu o que estava acontecendo, quis cavar um buraco e se enterrar. Seu sapato havia acertado em cheio a testa da noiva que caiu no chão.
Logo todos foram prestar socorros à noiva que levantou um pouco desorientada, mas bem. Tirando é claro, o fato de ter ficado a marca do salto de Anna em sua testa. Anna pediu milhares de desculpas.
_ É sério, me desculpe mesmo. Foi sem querer.
_ Ah que isso! _ disse a noiva. _ Pelo menos você não acertou o meu marido.
Todos riram com a declaração da noiva e logo tudo estava bem. Até Anna esbarrar em uma taça de vinho e o líquido ir direto para o vestido branco da noiva e aquele silêncio constrangedor voltar.
_ Eu pensei que eu não gostava de casamentos. _ disse Declan.
***
Horas mais tarde, Anna estava sentada em frente ao lago com uma garrafa de vodca e um copo, visivelmente bêbada. Declan foi até ela. Precisava fazê-la parar de beber para seu próprio bem. Pigarreou quando se aproximou. Ao notar que ele estava ali, Anna o ignorou. Mas sabia que ele não sairia dali tão cedo.
_ Você não tinha que me levar pra Dublin? _ disse ela de forma arrastada.
_ É só me dizer quando. _ disse ele. _ Como sempre, seu servo a aguarda.
_ Olha só... _ disse ela levantando-se com dificuldade, largando a garrafa e o copo. _ Declan, sabe o que você é? Você é um cruel... _ disse enrolando-se nas palavras. _ Tão cruel... E eu... Não suporto você.
_ É mesmo?
_ Aham. _ disse ela chegando mais perto dele. _ E quer saber do que mais? Eu to te sacando. _ disse batendo as mãos de leve em seu peito.
_ É mesmo?
_ É! Essa sua... Crueldade... É uma farsa. É um grande... Enorme teatro... Você... Você rosna e resmunga, mas ta sofrendo. _ disse olhando em seus olhos. _ Você tem um... Um espinho bem grande... Igual a um leão. _ disse chegando ainda mais perto _ Um leão... Um leão muito atraente... _ ela foi chegando mais perto de seu rosto, olhando em seus olhos quando de repente...
Anna curvou-se para baixo e vomitou horrores acertando seus sapatos.
_ Ai... _ disse ela.
_ Maravilha.
_ Desculpa...
_ Foi romântico. _ disse ele sorrindo e a pegando no colo. _ Nossa, você é um chumbo. _ disse tentando fazer graça.
_ A minha mala...
_ Não se preocupe com o Louis. Eu pego ele. _ disse ele a levando dali com um grande sorriso no rosto.
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